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Compre o Livro

Educação musical

Arquivado em: Música incluído por Joel Pinheiro
Data do post: 31 de julho de 2008

É o historiador Paul Johnson quem dá a dica: Essays in Musical Analysis, de Donald Francis Tovey (1875-1940). Na opinião dele, o melhor livro sobre música da língua inglesa.

Quem sabe pode servir para pessoas como eu, ainda pouco educadas musicalmente (chegando lá aos poucos, espero…), iniciarem-se nos mistérios da apreciação profunda e entendida das grandes produções musicais do Ocidente.


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Homes away from home

Arquivado em: Do lado de lá incluído por Luiz Felipe Amaral
Data do post:

Esqueçam os romances de Sterne, as peças de Shakespeare, os versos de Auden ou os discursos de Churchill. Há uma verdadeira contribuição britânica para o ocidente, uma que não depende dos gostos literários de quem a usufrui: o pub.

O diário de correspondente da semana na Economist é justamente sobre essa instituição britânica, ensinando-nos sobre suas qualidades e desvantagens, histórias e tendências.


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A expressão da modernidade em Thomas Pynchon

Arquivado em: Literatura incluído por Luiz Felipe Amaral
Data do post: 30 de julho de 2008

Thomas Pynchon é tido como um dos maiores escritores vivos, um expoente do pós-modernismo literário e, segundo o crítico James Wood, um dos inventores do realismo histérico, junto com Don DeLillo. O fato, entretanto, é que Pynchon é sobretudo um mistério: recluso como J. D. Salinger, existem poucas fotos suas, circulam vários rumores sobre sua vida, praticamente não há entrevistas do autor e são raríssimos os relatos dele sobre a própria obra.

 

Compreender Pynchon é um trabalho árduo. Especialmente se entram em cena as opiniões não raro opostas que os críticos têm de sua obra. Um ponto em comum (ou o mais próximo disso que se pode chegar) é o papel de Pynchon como um narrador da modernidade. Inobstante os poucos lançamentos, sua ficção é abrangente e tem a modernidade como mote, o que se explicita em duas dimensões: tempos e temas. Obviamente, há expressões da modernidade na construção dos personagens, nas suas ações e relações, e nos enredos. Contudo, creio que os últimos fatores são determinantes na visão que o autor tem da modernidade, ao passo que os primeiros são determinantes na própria modernidade como temática da obra.

 

Pynchon tem seis romances publicados: V. (1963), O Leilão do Lote 49 (1966), O Arco-Íris da Gravidade (1973), Vineland (1990), Mason & Dixon (1997), e o ainda não traduzido Against the Day (2006). Destes, as três maiores obras, tanto em peso literário quanto em tamanho, são O Arco-Íris da Gravidade, Mason & Dixon e Against the Day, e é nesses romances que a dimensão do tempo ganha relevância.

 

Enquanto V., O Leilão do Lote 49 e Vineland são romances passados na época em que foram escritos (precisamente, nos poucos anos que os antecederam), os outros três livros têm dimensões históricas. E é a escolha das épocas que deixa clara a modernidade como tema de Pynchon. Isso acontece pois as três obras ocorrem, se não no âmago de grandes crises da história recente, nos seus momentos anteriores. O Arco-Íris da Gravidade passa-se no final da Segunda Guerra Mundial, predominantemente no meio da Alemanha. Já Mason & Dixon, nos Estados Unidos, às vésperas de Revolução Americana, e, Against the Day, nos anos anteriores à Primeira Guerra Mundial. Para completar, os dois últimos carregam, de certa forma, um ambiente ou  percepção paranóica (sendo a paranóia um tema recorrente em Pynchon) de que algo está a ocorrer.

 

Quanto aos temas, destaca-se que desfilam nas obras de Pynchon elementos não apenas comuns, mas característicos, ou até caricaturais, da modernidade. São freqüentes as intrusões das ciências e dos cientistas, o deslumbre e o medo da tecnologia, a predominância das ideologias, o choque entre a alta cultura e a cultura pop, a contracultura e o underground.

 

Mas Pynchon permanece um mistério. Sempre poderemos nos perguntar qual é a mensagem que o autor quer passar. E o pior, o único consolo que ele nos dá é um provérbio para paranóicos:

“If they can get you asking the wrong questions, they don’t need to worry about the aswers.” (Gravity’s Rainbow)


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Os economistas precisam de cérebros?

Arquivado em: Do lado de lá incluído por Luiz Felipe Amaral
Data do post:

No limite, as ciências econômicas lidam com algo pequeno: a ação humana, principalmente as escolhas que fazemos em ambientes de recursos escassos (dinheiro, tempo, etc). Das simples ações dos homens a teoria econômica obtém (ou pretende obter) variáveis diversas como os preços, as taxas de juros, o PIB, a taxa de criminalidade e o tamanho das famílias.

Entretanto, entender o comportamento humano não é tarefa fácil e esse é o principal motivo pelo qual a economia buscou sempre (ou quase, como veremos) focar-se apenas nas escolhas de fato dos agentes (as ditas preferências reveladas), ao invés dos mecanismos subjacentes a essas escolhas. 

Duas exceções a essa abordagem surgiram no século XX: a economia comportamental e a neuroeconomia. A primeira, dos anos 80, busca utilizar ferramentas da psicologia para elaborar modelos mais realistas do ponto de vista das ações econômicas; a segunda, surgida nos anos 90, usa a neurociência para entender o que está por trás da ação econômica. Na Economist, esse artigo detalha os meandros da neuroeconomia.


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A Gênese de ‘Do Enigma ao Mistério’ – VIII

Arquivado em: Especial incluído por Guilherme Malzoni Rabello
Data do post: 29 de julho de 2008

No final da segunda aula, estávamos todos sem palavras. A sensação era muito estranha, porque se por um lado as palavras estavam cheias de esperança e beleza, por outro, deixavam muito claro que o tempo estava acabando.

Por isso, hoje não farei nenhum comentário. Apenas aproveitem a gravação…


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Josef Stalin, santo?

Arquivado em: Geral incluído por Joel Pinheiro
Data do post: 24 de julho de 2008

Stalin torna-se cada vez mais popular entre os russos, e há até quem fale em sua reabilitação espiritual.

Um fato não podemos negar: ele contribuiu significativamente para o surgimento de muitos mártires.

No mais, essa e outras notícias sobre a exaltação de governantes fortes e poderosos na Rússia é bastante preocupante.


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A Intolerância dos Tolerantes

Arquivado em: Cinema incluído por Rodrigo Duarte Garcia
Data do post: 23 de julho de 2008

Lincoln - Robert Rauschenberg

“Há um tipo de… terror intelectual nesta cidade. As pessoas estão aterrorizadas; elas estão com medo de dizer o que pensam. O que Gary (Sinise) está fazendo para fornecer ajuda e consolo às vítimas é admirável, e eu o aplaudo por isso” – David Horowitz, falando no Washington Times de hoje sobre o “Friends of Abe” – belo nome -, grupo underground de Hollywood criado para reunir os atores que não rezam segundo a cartilha politicamente correta dos estúdios americanos.

Pouquíssimos participantes admitem publicamente o seu envolvimento, com medo de acabarem blacklisted pelos chefões da indústria. They name names… Pensando em The Front – de longe, o pior filme de Woody Allen –, é quase possível sorrir com a ironia de tudo isso. Via Andrew Sullivan, na Atlantic Monthly.


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De Beethoven, rock e a beleza

Arquivado em: Educação, Música incluído por Renato Moraes
Data do post: 22 de julho de 2008

Na semana passada, assisti a um DVD do Concerto para Violino e Orquestra em Ré, opus n. 61, de Beethoven, executado pelo violinista Itzhak Perlman e a Orquestra Sinfônica de Berlim, regida por Daniel Barenboim. Foram apresentações realizadas em fevereiro de 1992, e seu resultado é espetacular! Afinal, todos os ingredientes dessa mistura são ótimos. Perlman é um violinista extraordinário, que toca com gáudio, fruindo da música que produz; é curioso observar como o violino fica pequeno nas suas mãozorras, que o tratam com carinho, como se fosse uma criança recém-nascida. A Filarmônica de Berlim dispensa apresentações, mas nunca é demais ressaltar que uma excelência daquelas só é possível depois de anos de trabalho exaustivo e exigente, realizado por pessoas talentosas, com paixão pelo que fazem. E o que dizer de Beethoven? Esse concerto é especialmente bonito, uma autêntica epifania, que eleva a alma e conduz ao assombro e à reflexão. O DVD em questão é mesmo uma maravilha.

Sinto que muitas lacunas musicais da minha formação vão sendo preenchidas apenas agora. Quando adolescente, durante anos ouvia minhas horas diárias de rock. Lembro-me que por meses escutava, todos os dias, a versão ao vivo de “Stairway to heaven”, do Led Zeppelin, e o disco vinil Fragile, do Yes. Não digo que sejam um lixo, pois seria injusto. De fato, continuo a gostar de várias coisas do rock, como Beatles, Bob Dylan, Echo and the Bunnymen, New Order, The Clash, The Who… No entanto, a música erudita é tão superior! O rock, assim como a MPB, o jazz, a música americana, irlandesa ou italiana, “são bons, sim, mas…”, mas tão abaixo da música barroca, clássica e romântica, que não me animo mais a ouvi-los. Às vezes, tenho a tentação de dizer sobre a minha adolescência: “Quanto tempo perdido!”

Acredito que seria importante educar as pessoas para ouvir a música erudita. Dizer que todos os tipos de música têm o mesmo valor, no meu modo de ver, é um triste erro, uma repetição em ponto pequeno do grande equívoco que é o relativismo. Faltou para mim a necessária educação para entender a música erudita antes, para descobrir como apreciá-la. Aliás, essa é exatamente uma das suas principais diferenças com relação à música popular: exige certo preparo para ser degustada, pela sua riqueza e sofisticação. Por sinal, mesmo a melhor música popular muitas vezes não nos apetece em um primeiro momento, até que conseguimos captá-la melhor. Nesse sentido, quando ouvi pelas primeiras vezes Sgt. Pepper’s, dos Beatles, e Exile on Main Street, dos Stones, me pareceram uma bomba; depois, fiquei vidrado em ambos. O mesmo se deu com João Gilberto e Miles Davis. Isso acontece em um nível muito mais alto com a música erudita, que pode demorar um pouco para ser apreciada, mas traz um retorno sem dúvida compensador.

No fundo, é uma questão de educação, de cultura, isto é, de cultivar o espírito. E a música erudita é ótima para isso.


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A Gênese de ‘Do Enigma ao Mistério’ – VII

Arquivado em: Especial incluído por Guilherme Malzoni Rabello
Data do post:

Nessa altura do campeonato, vocês já devem ter percebido que uma das atividades preferidas do Bruno Tolentino era contar histórias. Essa segunda aula está repleta delas. As histórias eram sempre impressionantes; às vezes, completamente mirabolantes. Isso fazia com que qualquer ouvinte desavisado tivesse a certeza de que eram fruto da imaginação do poeta, jamais a narrativa de de fatos idos e vividos.

Quase sempre, desconfiado que sou, eu me incluía no time dos ouvintes desavisados: “Ah, imagina se isso pode ser verdade… Dono de padaria no Alaska… Não, isso não existe…”. Ou alguma outra coisa do gênero. Mas quanto mais o tempo passa, mais as histórias vão se mostrando, quando não absolutamente verdadeiras, pelo menos plausíveis.

Por exemplo: há poucos dias, recebi uma ligação do meu amigo Jessé de Almeida Primo, que disse algo assim: “Olhe, Guilherme, aquela história lá que você ficou desconfiado, de Tomaz Antônio Gonzaga ser conhecido na Rússia. Eu não sei, mas li um livro…”. E depois de uma longa explicação, eu disse a ele: “Jessé, você não pode perder a chance de mostrar que eu estava errado publicamente, escreve isso e a gente publica no blog”. Então ele me passou o texto que segue, que além de ser muito interessante por si só, mostra mais uma das facetas do nosso autor. Agora é com o Jessé, por hoje eu fico por aqui!

From Russia with love: era uma vez a vodka e a caipirinha…
Por Jessé de Almeida Primo

Introduzindo o leitor deste site às circunstâncias que antecederam à transcrição das aulas de Bruno Tolentino, em A Gênese de ‘Do Enigma ao Mistério’- III, Guilherme Malzoni Rabello citou um trecho em que o poeta diz que Tomaz Antônio Gonzaga figurava em terceiro lugar na preferência dos russos.

Considerando que essa informação tem aquele ar de que “é bom demais para ser verdade”, nosso comentarista teve o cuidado de dizer que se non è vero, è trovato.

Nosso comentarista é sensato, mas há uns dez anos li um opúsculo de um autor russo que, de certa forma, corrobora a informação de nosso saudoso poeta. O problema é que não me lembro do nome do livro (se não me engano, A literatura brasileira na Rússia), e muito menos do nome do autor. Seria um milagre guardá-lo na memória, dada a operação mental que memorizar nomes russos me exige, mas me esforçarei para descobrir o dito cujo e informá-lo a vocês, caros leitores. Por outro lado, como guardei as informações, não poderia deixar de divulgá-las antecipadamente.

Segundo esse autor, os aldeões russos já acompanhavam com interesse notícias do Brasil desde o século XVII, por meio da leitura dos textos dos viajantes que por aqui passaram, e que os aldeões liam em francês.

No século XVIII, já com o advento das Luzes (embora eu repute mais sérias as luzes geradas pela Eletropaulo, sem esquecer a COELBA, da minha Bahia-iá-iá), seu interesse aumentou ainda mais com a entrada de cena da nossa Arcádia Mineira, pois os aldeões vibravam com a liberdade que nossos poetas mineiros inspiravam e cujos poemas eram lidos também na versão francesa.

Esse interesse intensificou-se ainda mais com o advento do romantismo brasileiro, quando a escravatura virou um dos temas oficiais das nossas letras, tendo como carro-chefe os poemas de Castro Alves. Os aldeões se identificavam com o destino dos escravos, viam-se refletidos neles*, procuravam saber o máximo que podiam sobre o assunto e alguns escritores russos (de popularidade restringida ao local) faziam sucesso escrevendo romances ou peças nos quais figuravam nossas paisagens e nossa gente, e nos quais primavam pelo exotismo, que não é muito diferente do que concebem outros estrangeiros, que imaginam haver sucuris, macacos e micos leões dourados, e o Olodum passeando placidamente pelas calçadas de Copacabana de mãos dadas com o homo brazilianus em trajes típicos: bermudas brancas, camisas floridas e chinelas a la Jorge Amado.

Ou seja, essa seqüência de interesses dos vodkas pela cultura brasileira desde o nosso período colonial me faz crer que o “vero” está começando a marcar mais pontos.

That’s all, folks.

*Se os aldeões soubessem o que lhes aconteceria no século XX arrastar-se-iam de joelhos de uma ponta da Rússia a outra para pedir perdão ao Czar.


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E viva a diáspora!

Arquivado em: Geral incluído por Martim Vasques da Cunha
Data do post:

João Pereira Coutinho, hoje na Folha, em um dos textos mais corajosos que já li, mostra qual é a verdadeira solução que sobrou para o território de Israel – a única que pode fazê-lo escapar do Holocausto previsto (além de, claro, me dar um novo motivo para reler “Operação Shylock”, do Philip Roth).


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