Nicolás Gómez Dávila
Data do post: 25 de agosto de 2008
Creio seja totalmente desconhecido em nossas terras o filósofo colombiano Nicolás Gómez Dávila; até hoje, nunca me encontrei com ninguém que o conhecesse. Mas isso não há de ficar barato.
Por ora, espero que fiquem contentes com alguns aforismos – que constituem quase 100% da sua obra, publicados em Escolios a un texto implícito. Já aviso que para alguns será paixão à primeira vista. Infelizmente ou felizmente, minha seleção foi feita com base em traduções para o inglês.
An “ideal society” would be the graveyard of human greatness.
The individual shrinks in proportion as the state grows.
To think like our contemporaries is a recipe for prosperity and stupidity.
Violence is not necessary to destroy a civilization. Each civilization dies from indifference toward the unique values which created it.
Modern man destroys more when he builds than when he destroys.
In an age in which the media broadcast countless pieces of foolishness, the educated man is defined not by what he knows, but by what he doesn’t know.
Civilization seems to be the invention of a species now extinct.
Those who proclaim that the noble is despicable end up by proclaiming that the despicable is noble.
The importance of an event is inversely proportional to the space which the newspapers devote to it.
Truth is so subtle that it never inspires as much confidence as an erroneous thesis.
The function of revolutions is to destroy the illusions that created them.
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Nem tudo está perdido…
Data do post: 21 de agosto de 2008
Apenas estou aqui para dar o seguinte aviso: a “História da Literatura Ocidental”, de Otto Maria Carpeaux, foi reeditada pela editora do Senado Federal. Em quatro luxuosos volumes.
Deus existe e ele é brasileiro.
Aguardem mais informações.
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Hayek sobre os intelectuais
Data do post: 20 de agosto de 2008
O efeito que as idéias dos intelectuais têm sobre a sociedade como um todo é um assunto polêmico. Há quem as negue qualquer importância em alterar a forma de pensar do público em geral. Certamente, é ingênuo achar que as opiniões dos intelectuais têm efeito imediato, direto e unívoco sobre o povo.
Mas efeito nenhum? Parece um exagero no sentido contrário. E é o tipo de crença que nos torna vítimas fáceis do efeito das idéias. O economista Friedrich A. Hayek estava ciente disso, e sua análise do poder das idéias socialistas na mente de tantos intelectuais, e subseqüentemente do grande público, é informativa e valiosa.
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A Gênese de ‘Do Enigma ao Mistério’ – XI
Data do post: 19 de agosto de 2008
E hoje encerramos com a última parte da terceira aula do Bruno Tolentino. Eu sei muito bem como é cansativo ouvir as gravações completas, mas quem nos acompanhou por esses quase três meses sabe muito bem a riqueza do material.
Espero que meu trabalho não tenha desapontado muito e espero também poder trazer mais boas notícias sobre a obra do Bruno Tolentino. E já que é para se despedir deste primeiro especial, aproveito para agradecer a todos pela excelente acolhida que a Dicta vem recebendo. Nosso trabalho continua por aqui…
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Sobre Saki, Leões e Coisas de Homem
Data do post: 15 de agosto de 2008
Há uma boa passagem, n’O Gattopardo, em que Lampedusa constata, de maneira profética e resignada, que em três gerações o novo regime republicano transformaria os homens em pequenos gatos mansos e domesticados.
Mais de três gerações se passaram e parece que Lampedusa tinha mesmo razão. Submetido a doses cavalares de “paz, amor & ecologia”, o homem pós-moderno é criado completamente indefeso e despreparado para as situações da vida que exigem dele atitudes, bem, atitudes de homem. O politicamente correto de repente transformou a manlitate em algo moralmente errado e o resultado é que a coragem e outras virtudes clássicas passaram a ser vistas com o sinal invertido.
Acho que foi o Olavo de Carvalho quem recentemente chamou a atenção para esse fato, quando aquele sul-coreano maluco saiu atirando pela Virginia Tech sem que um único aluno ousasse fazer alguma coisa que não correr para salvar a própria pele. Talvez o exemplo ali fosse um pouco extremo, mas a verdade é que essa prostração remete a um fator cultural alarmante.
A propósito do razoável artigo de Cristopher Hitchens sobre Saki, na última Atlantic, Joseph Bottum relembra um de seus grandes contos, The Toys of Peace, que retrata de maneira bastante interessante esse processo. Na história, vemos o que acontece quando um tio resolve comprar aos sobrinhos brinquedos politicamente corretos, ao invés dos bons e velhos soldadinhos e tanques de guerra.
Vejam este trecho (a tradução livre é minha, de maneira que peço desculpas pela qualidade. Mas você pode ler o original aqui):
Uma enorme quantidade de tiras de papel ondulado foi a primeira coisa que chamou a sua atenção quando a tampa foi retirada; os brinquedos mais excitantes sempre vinham assim. Harvey jogou de lado a camada superior e logo apareceu um edifício quadrado, sem nenhum traço característico.
“É um forte!”, exclamou Bertie.
“Não, é o palácio do Mpret da Albânia”, disse Eric, imensamente orgulhoso do seu conhecimento do título exótico; “ele não tem janelas, para que as pessoas não consigam disparar contra a Família Real”.
“É um depósito de lixo municipal”, disse Harvey apressadamente; “todos os resíduos e o lixo de uma cidade são reunidos lá, ao invés de ficarem jogados, prejudicando a saúde dos cidadãos”.
Em um silêncio terrível ele desencravou o pequeno boneco de um homem com roupa preta.
“Este”, disse, “é um homem eminente, John Stuart Mill. Ele foi uma autoridade na economia política”.
“Por quê?”, perguntou Bertie.
“Bem, porque ele quis; ele pensou que seria uma coisa útil de se ser”.
Bertie deu um grunhido expressivo, que transmitiu a sua opinião de que essa seria uma vontade estranha.
Um outro edifício quadrado saiu da caixa, desta vez com janelas e chaminés.
“Um modelo da Associação Cristã da Mulher Jovem de Manchester”, disse Harvey.
“Há lá algum leão”?, perguntou Eric com esperança. Ele vinha lendo história romana e pensou que onde houvesse Cristãos você poderia esperar razoavelmente encontrar alguns leões”.
Se eu fosse o dono de uma editora, “há algum leão?” seria a pergunta eliminatória que eu faria para os escritores que submetessem seus manuscritos. Em caso negativo… Mas divago, porque tudo isso era apenas desculpa para indicar o site The Art of Manliness (via Stefan McDaniel), que trata de mordidas de cobra, caçadas, guias para dar gorjeta como um gentleman, para arrombar uma porta, há perfis periódicos (veja o com Viktor Frankl), enfim, tudo que você precisa saber para não acabar ganhando o Sissy Awards de 2008.
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“The horrors of the Gulag ought to be as well known as Auschwitz, but they aren’t.”
Data do post:
Temos na The Economist uma resenha de The Forsaken: An American Tragedy in Stalin’s Russia, escrito por Tim Tzouliadis. O livro conta a história de norte-americanos nos gulags soviéticos: alguns buscando emprego e alívio para a Grande Depressão; outros, prisioneiros de guerra da Alemanha Nazista que foram “libertados” pelos soviéticos.
Coincidência ou não, a resenha é publicada na semana da morte de Solzhenitsyn.
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Scorn not the Internet
Data do post: 13 de agosto de 2008
Só o futuro poderá julgar o efeito da Internet sobre a cultura. As mudanças que ela trouxe para nossos hábitos de ler e escrever são muitas, e atuam, não raro, em sentidos contrários.
Um grande e inegável benefício, contudo, é a disponibilização gratuita da obra de grandes autores do passado. Não é mais preciso comprar caros volumes para se ler a poesia completa de Wordsworth (o que não significa que a compra dos volumes não traga inúmeras vantagens!). Há muito material online, em bons sites, à espera de quem o acesse.
Neste soneto, cuja finalidade é defender o valor do soneto, Wordsworth nos lembra de alguns grandes nomes da literatura ocidental, cuja obra, com a Internet, está à nossa disposição.
Scorn not the Sonnet
Scorn not the Sonnet; Critic, you have frowned,
Mindless of its just honours; with this key
Shakespeare unlocked his heart; the melody
Of this small lute gave ease to Petrarch’s wound;
A thousand times this pipe did Tasso sound;
With it Camoens soothed an exile’s grief;
The Sonnet glittered a gay myrtle leaf
Amid the cypress with which Dante crowned
His visionary brow: a glow-worm lamp,
It cheered mild Spenser, called from Faeryland
To struggle through dark ways; and, when a damp
Fell round the path of Milton, in his hand
The Thing became a trumpet; whence he blew
Soul-animating strains–alas, too few!
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A Gênese de ‘Do Enigma ao Mistério’ – X
Data do post: 12 de agosto de 2008
Até agora, muitos de vocês devem ter estranhado: “Ué, mas o Bruno Tolentino não era aquele ‘Polemista’”? Esse é um rótulo com o qual discordarei sempre que apareça. Polêmica é algo que por si só não quer dizer absolutamente nada e o Bruno não era, nunca foi, um “polemista”, como muitos gostam de dizer. Na verdade, desconfio que essa classificação seja apenas uma desculpa para não encarar de frente uma obra que é muito maior que os seus críticos.
Dito isso, preparem-se: no áudio de hoje o Bruno realmente resolveu soltar os cachorros. Pessoalmente, acho a parte menos importante de toda a gravação, mas é inegável que o que segue é extremamente engraçado. Aliás, se a polêmica tem um lado positivo é o fato de fazer-nos rir. Mas aí já seria uma idéia minha – e o que interessa é a gravação que segue.
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Arte, tradições e costumes
Data do post: 10 de agosto de 2008
O que diferencia a obra de arte dos demais objetos? A cultura erudita da popular?
O engenho humano produz diversos objetos, alguns deles belos. O que não quer dizer que sejam arte. Contudo, o que parece frívolo atualmente pode, no futuro, transformar-se em tradição digna de ser preservada. Nossas próprias tradições têm origens muito mais prosaicas e recentes do que imaginamos.
Esta curta e agradável reportagem da BBC parte das galerias de arte contemporânea e nos leva a um passeio pelo mundo da cultura popular, levantando indagações pertinentes, bem como ilustrando-nos com fatos pouco conhecidos sobre alguns de nossos costumes e gostos.
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A Gênese de ‘Do Enigma ao Mistério’ – IX
Data do post: 5 de agosto de 2008
Hoje começamos a ouvir a terceira e última aula do Bruno Tolentino. Como não podia deixar de ser, mais uma vez ele mudou completamente de planos. A primeira aula foi uma introdução a um curso que trataria da questão de “O mundo como Idéia” a partir de grandes obras da literatura ocidental; a segunda aula foi uma meditação sobre a vida e a morte. Nesta terceira ele decidiu falar sobre o que ele, Bruno Tolentino, havia escrito – mas obviamente não conseguiu se ater a isto. Aproveitem…
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