Vocês não podem perder…
Data do post: 24 de novembro de 2008
- … o lançamento do livro de Érico Nogueira, O Livro de Scardanelli, publicado pela É Realizações, no dia 03 de dezembro, quarta-feira, a partir das 19h, na Rua França Pinto, 498, Vila Mariana. O jabá aqui não corre só porque Érico é o editor executivo do segundo número da Dicta&Contradicta (que já está prontinha – aguardem, aguardem…); é também porque Érico é, de fato, um excelente poeta, que escreve em versos, sabe fazê-los e conhece poesia como poucos. Além disso – já que no Brasil o talento só é comprovado com esse elemento acidental chamado “prêmio literário” – ganhou o Prêmio Governo de Minas Gerais na categoria de Melhor Livro de Poesia do ano.
- … o fantástico show de Cida Moreira e André Frateschi sobre o cancioneiro de Tom Waits, intitulado apropriadamente Canções para se cortar os pulsos – A Música de Tom Waits. O local é o Teatro Décio de Almeida Prado, localizado na Rua Cojubá, 45, Itaim Bibi e a entrada é franca (o que significa que você deve chegar com uma hora de antecedência para pegar uma senha e ter um lugar decente). Para quem não sabe, Tom Waits é um dos maiores compositores de todos os tempos, praticamente ignorado no Brasil e é sempre um prazer ver dois brasileiros cantarem o “bardo rouco” com qualidade e entusiasmo.
- … este texto sensacional de William Deresiewicz escrito para o The Nation a respeito da empulhação que um crítico como James Wood pode significar em nossa cultura atual.
- e, por fim, comemorem o nascimento de John Milton, o poeta inglês que criou Paradise Lost, a partir deste artigo da The Weekly Standard.
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Justiça Social VS. Elitismo Linguístico
Data do post: 11 de novembro de 2008
Vivemos num mundo desigual. Uns têm tudo, outros nada. Uns sabem muito, outros muito pouco.
Se valorizamos a justiça social, precisamos corrigir tais desigualdades. No caso do dinheiro, é fácil: basta tirar de quem tem e dar a quem não tem. Se isso fosse feito até igualar as rendas, chegaríamos à utopia.
Com o conhecimento, o problema é mais difícil, pois não é algo que possa ser tirado dos cultos e dado aos ignorantes. Além disso, é muito difícil, até impossível, dar a todos uma educação excelente (e cabe perguntar: “excelente” segundo os valores de quem? Por acaso existem verdades superiores e inferiores?). Por isso, a melhor saída é, obviamente, obrigar os mais eruditos a falar e escrever (e portanto pensar) como se fossem semi-analfabetos.
É com o bem-estar social e a cura das desigualdades em mente que autoridades locais inglesas vêm proibindo o uso de diversas expressões latinas elitistas, de difícil compreensão, como vice-versa, via e et cetera, por seus funcionários.
Alguns professores de línguas clássicas, decerto infectados pelo elitismo esnobe vitoriano e preconceitos medievais, protestaram contra a medida. Mas os que a defendem contam com bons argumentos: muitos habitantes da Inglaterra têm o inglês como segunda língua; outros, apesar de ingleses, mal sabem ler, e não dominam as nuances afetadas da língua latina. É muito provável que confundam a expressão latina eg (“por exemplo”), com o termo inglês egg (“ovo”), ainda mais dada a semelhança de sentido entre os dois.
Leia mais sobre essa importante vitória do povo inglês contra a opressão lingüística aqui.
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Vladimir Soloviev tinha razão…
Data do post: 5 de novembro de 2008
“The Future”
Leonard CohenGive me back my broken night
my mirrored room, my secret life
it’s lonely here,
there’s no one left to torture
Give me absolute control
over every living soul
And lie beside me, baby,
that’s an order!
Give me crack and anal sex
Take the only tree that’s left
and stuff it up the hole
in your culture
Give me back the Berlin wall
give me Stalin and St Paul
I’ve seen the future, brother:
it is murder.
Things are going to slide, slide in all directions
Won’t be nothing
Nothing you can measure anymore
The blizzard, the blizzard of the world
has crossed the threshold
and it has overturned
the order of the soul
When they said REPENT REPENT
I wonder what they meant
When they said REPENT REPENT
I wonder what they meant
When they said REPENT REPENT
I wonder what they meant
You don’t know me from the wind
you never will, you never did
I’m the little jew
who wrote the Bible
I’ve seen the nations rise and fall
I’ve heard their stories, heard them all
but love’s the only engine of survival
Your servant here, he has been told
to say it clear, to say it cold:
It’s over, it ain’t going
any further
And now the wheels of heaven stop
you feel the devil’s riding crop
Get ready for the future:
it is murder.
There’ll be the breaking of the ancient
western code
Your private life will suddenly explode
There’ll be phantoms
There’ll be fires on the road
and the white man dancing
You’ll see a woman
hanging upside down
her features covered by her fallen gown
and all the lousy little poets
coming round
tryin’ to sound like Charlie Manson
and the white man dancin’
Give me back the Berlin wall
Give me Stalin and St Paul
Give me Christ
or give me Hiroshima
Destroy another fetus now
We don’t like children anyhow
I’ve seen the future, baby:
it is murder
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Sobre os urinóis
Se qualquer coisa pode ser tida como arte – e é essa a provocação lançada por Duchamp no século passado -, então não há mais qualquer base para o julgamento estético. Esse argumento, diz Roger Scruton, costuma ser imediatamente aceito porque “parece emancipar as pessoas do fardo da cultura, dizendo-lhes que todas aquelas veneráveis obras primas podem ser ignoradas impunemente”.
Tente ler impunemente Art, Beauty, and Judgement…
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Um mestre entre as ruínas: Machado de Assis
Data do post: 30 de outubro de 2008
Se, no centenário de Joaquim Maria Machado de Assis, você não aguenta mais ouvir de que ele era “um mestre à margem do capitalismo”, de que “Capitu traiu ou não Bentinho” e de que “ele era um pessimista e um crítico da escravidão”, vá ao simpósio Um Mestre Entre as Ruínas: Machado de Assis, promovido pelo Instituto Internacional de Ciências Sociais.
O evento terá entrada gratuita e acontecerá no dia 08 de novembro, um sábado, das 9h30 às 17h30.
Veja a programação no seguinte endereço: www.iics.org.br/humanidades.
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Arte Bizantina
Data do post: 23 de outubro de 2008
A maioria de nós não terá a oportunidade de ver, ao vivo, a exposição de arte bizantina na Royal Academy of Arts em Londres. Também não são muitos os que irão a Constantinopla.
Ainda bem que algumas imagens foram disponibilizadas online, bem como o texto de apresentação do curador da exposição, que corrige algumas percepções erradas sobre o período que estão conosco desde, pelo menos, os historiadores iluministas.
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João Pereira Coutinho no Brasil
Data do post: 20 de outubro de 2008
Isso mesmo, leitores. O colunista da Folha de São Paulo que adora irritar os fãs de Batman e os defensores do Estado Total estará no Brasil, mais especificamente em São Paulo, para dar a palestra gratuita O Espírito Conservador e o curso A Literatura da Política, ambos no Instituto Internacional de Ciências Sociais (IICS).
A palestra será sobre qual atitude política, não ideológica, que se deve tomar em uma época de novos totalitarismos, e acontecerá nesta quarta-feira, dia 22 de outubro, às 19h30. A entrada é franca e as vagas são limitadas.
Já o curso será uma reflexão sobre a política da fé e a política do ceticismo e como esses pólos se articularm nos grandes clássicos da Literatura Ocidental que servem para uma reflexão mais aprimorada da realidade política.
Você pode ver as datas e o programa do curso e fazer a sua inscrição no www.iics.org.br/humanidades ou pelo telefone 11-2104-0100.
E para quem for à palestra O Espírito Conservador ganha 20% de desconto no curso A Literatura da Política.
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Será o dr. Hoppe a reincarnação do dr. Fantástico?
Data do post: 14 de outubro de 2008
Por indicação de Pedro Sette Câmara, soube que Tom Palmer, vice-presidente para programas internacionais do Cato Institute, alegou que Hans Hermann Hoppe – o economista citado há dois posts e que profetizava a criação de um Estado Total após o estouro da bolha imobiliária – escreveu para um jornal cripto-neonazista chamado Junge Freiheit (numa tradução capenga significa algo como “liberdade jovem”). Graças ao Google, descobri um artigo do próprio Palmer, em que fazia a denúncia e explicava por que não aceitava os argumentos de Hoppe.
O que eu li de Hoppe não indica nada de “nazi” em suas análises, mas Palmer não é um sujeito que acusa qualquer um injustamente; almocei com ele quando visitou o Brasil e pareceu-me um homem ponderado, sensato e, sobretudo, muito claro em seus ideais. No seu artigo, o que assusta não são as refutações contra o autor de Democracy: the God that Failed (todas plausíveis, se formos observar que, de fato, o dr. Hoppe tem um quê de “porra louca” em seus textos), mas a evidência de que há, entre os liberais clássicos (o Cato Institute e o Liberty Fund) e os chamados “anarco-capitalistas” (Lew Rockwell e algumas facções do Mises.Org), uma rixa interna em que só a liberdade perde.
Pois uma coisa é a divergência de opiniões; a outra coisa é quando pessoas que deveriam lutar juntas contra um inimigo comum – no caso, o golpe na consciência ocidental que rompe com todo e qualquer elo da tradição cultivada por séculos – resolvem partir para caminhos opostos.
Palmer é coerente em suas observações contra Hoppe; mas será que Hoppe está completamente errado em suas profecias? O perigo é que ambos estão certos, cada um a seu modo. A questão sobre Hans Hermann Hoppe é se ele apóia ou não uma ideologia que prega o extermínio de seres humanos. Se Palmer estiver certo, juro que sou o primeiro a meter a mão na cara do dr. Hoppe, independente ou não dele ser a última encarnação do profeta Elias (afinal, Nietzsche, outro sujeito que os “nazis” adoram, também previu muita coisa e acertou na mosca; errou só no essencial); se Palmer errou, então estamos fritos de qualquer maneira, porque Hoppe está certo em pelo menos uma coisa: já vivemos na Era do Estado Total.
O fato da obra de Hoppe ser justamente uma denúncia de um movimento totalitário e revolucionário – ideologias que foram compartilhadas por socialistas, nazistas e fascistas (Ainda tem dúvidas a respeito disso? Não leu nenhum livro de História? Então leia As Benevolentes, de Jonathan Littell, uma ficção que dissipa qualquer névoa a respeito da “rivalidade mimética” entre o nazismo e o socialismo) - me faz analisar o texto de Palmer com um pé atrás. Mas, repito, Tom Palmer não me parece ser um sujeito que gosta de fazer declarações maliciosas. Portanto, só tenho a lamentar o problema crescente para aqueles que defendem a liberdade de expressão, de consciência e, no fim, da sua própria vontade: O que faremos quando um reino divide-se contra si mesmo – enfim, quando Satanás expulsa Satanás?
Sem dúvida, não procurarei Bill Ayers para saber a resposta.
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Sigam-me , colegas irresponsáveis…
Data do post: 13 de outubro de 2008
Assim começava W.H.Auden em seus cursos dados no Swarthmore College. Graças a um leitor da Dicta, descobrimos este site fantástico que, entre outras coisas, descreve o idiossincrático processo de avaliação feito por Auden, que costumava perguntar o seguinte aos seus alunos: Explique-me porque o diabo é (a) triste e (b) honesto?
Perguntinha impertinente, não acham?
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O Dr. Hoppe viu o futuro, m´er irmão…
Data do post: 10 de outubro de 2008
… e ele é o início do Estado Total. Leiam o seguinte trecho de Hans Hermann-Hoppe e fiquem assustados, muito assustados:
“With the European calculational chaos solved, then [by the creation of the ECU/Euro], and in particular with the European hard currency countries neutralized and weakened within a cartel that by its very nature favors more against less inflationary countries so as to protect and prolong U.S. hegemony over Europe, little indeed would remain to be done. With essentially only three central banks and currencies and U.S. dominance over Europe and Japan, the most likely candidates to be chosen as a U.S-dominated World Central Bank are the IMF [International Monetary Fund] or the BIS [Bank for International Settlement]; and under its aegis then, initially defined as a basket of the dollar, the ECU, and the yen, the “phoenix” (or whatever else its name may be) will rise as a one-world paper currency–unless, that is, public opinion as the only constraint on government growth undergoes a substantial change and the public begins to understand the lesson explained in this book: that economic rationality as well as justice and morality demand a worldwide gold standard and free, 100-percent reserve banking as well as free markets worldwide; and that world government, a world central bank and a world paper currency–contrary to the deceptive impression of representing universal values–actually means the universalization and intensification of exploitation, counterfeiting-fraud and economic destruction”.
E depois leiam no Tio Roger sobre quais visões das Américas estão em disputa na eleição Barack Hussein Obama X John McCain.
Homens do mercado e da política: tenham um ótimo final de semana e abracem o caos.
Como diria algum pensador chinês (creio que Confúcio): “Vivemos tempos interessantes”.
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