IFE - Instituto de Formação e Educação
RSS

Compre o Livro

A estranha ordem e harmonia da natureza

Filed under: Geral incluído por Joel Pinheiro
Data do post: 29 de dezembro de 2009

Aqui, mais um daqueles artigos que tocam no interessante tema da proporção áurea, a razão que, por motivos ainda desconhecidos, mas sempre investigados, aparece tão freqüentemente na natureza, e é agradável aos sentidos humanos. Isso sem falar em suas também particulares propriedades matemáticas.

É por essas e outras que a mente humana, ao contemplar a ordem da natureza, é naturalmente levada a pensar numa inteligência que a tenha criado.


Comments (1)

Família e Capitalismo – divórcio ou união estável?

Filed under: Sociedade incluído por Joel Pinheiro
Data do post: 28 de dezembro de 2009

Quais as formas de organização social que contribuem mais para o florescimento ou para o decaimento da instituição familiar? Algumas idéias aqui (texto em português).


Comments (2)

Feliz Natal

Filed under: Religião incluído por Joel Pinheiro
Data do post: 24 de dezembro de 2009

As aparências podem enganar. O verdadeiro sentido do Natal não é comprar presentes, e nem mesmo celebrar o nascimento do Papai Noel. Quer saber um pouco mais sobre essa festa, oriunda de uma cultura tão estranha à nossa? Leia aqui sobre as origens do velho rechonchudo, em artigo de Alastair Sooke para o Telegraph. E se os seus interesses pendem mais para a arqueologia do que para a história, que tal entrar na busca pelos ossos de S. Nicolau? Agora parece que eles estão na Irlanda.

O nascimento de um menino pobre num estábulo num canto esquecido do Império é comemorado 2010 anos depois; e seus ensinamentos e exemplos, uma religião excluída dentro de uma religião excluída, fundaram uma civilização. Dá o que pensar, e traz à mente as palavras de Sto. Agostinho: se o mundo se converteu sem milagre algum, então este é um milagre ainda maior.

Feliz Natal a todos!


Comments (5)

O que 2010 nos reserva

Filed under: Sociedade incluído por Joel Pinheiro
Data do post: 23 de dezembro de 2009

Distúrbios sociais? Revoltas e agitação popular? É uma possibilidade real.

Os governos europeus (no caso, a Inglaterra) estão muito endividados, e o tamanho de suas dívidas só tende a crescer com as medidas anti-crise. Restam-lhes três opções: aumento dos impostos, corte nos gastos (ou seja, menos “bem-estar social”) ou o calote. Em qualquer caso, os descontentes não serão poucos. Recomendo apenas o bom e velho grão de sal ao ler as previsões, que, dada a tendência da mente humana de se animar com a balbúrdia, costumam ser algo exageradas.

Leia aqui um apanhado geral dessas previsões sombrias.


Comments (1)

Os EUA, a guerra e os conservadores

Filed under: Sociedade incluído por Joel Pinheiro
Data do post: 21 de dezembro de 2009
Tags: ,

Alguém acompanhou o discurso do Obama na premiação do Nobel? Para quem não viu, como eu, o texto integral está aqui. É uma boa dose de realismo pragmático para quem se elegeu numa plataforma de esperança idealista. “So yes, the instruments of war do have a role to play in preserving the peace.”

Em seguida, leiam o artigo de George Weigel sobre a teoria da guerra justa. O artigo é bom, faz pensar; mas leva a perigosas conclusões. Ele aponta os erros dos teóricos contemporâneos da guerra justa, que partem sempre de uma “presumption against war”, uma convicção de que a guerra deve ser sempre o último dos últimos recursos, e adicionam cláusula sobre cláusula para dificultar a decisão de se entrar em guerra. Contudo, se ele aponta um possível erro de forma inteligente, o que ele propõe em seu lugar pode ser usado para justificar praticamente qualquer guerra (notem como Weigel já flerta com a idéia de atacar o Irã, um país sem a menor possibilidade de atacar os EUA).

Já George Weigel propõe que o que estava por trás da doutrina tradicional de guerra justa não era a “presumption against war”, e sim a “passion for justice”. Assim, é dever do governante legítimo zelar pela justiça, que conduz à verdadeira paz, a tranquilidade da ordem, algo diferente da mera ausência de conflito (algo compatível com tiranias brutais e outras injustiças). Em poucas palavras: a doutrina da guerra justa tradicional buscava, antes de tudo, a justiça, e não, como fazem os teóricos contemporâneos, motivos para impedir a guerra.

Na minha opinião, a defesa das guerras travadas pelo governo americano constitui um dos maiores erros do chamado “movimento conservador”. Sim, a guerra justa, que é sempre contra um agressor (que já tenha atacado ou que provavelmente atacará, como bem aponta o artigo), não precisa ser o último recurso; basta que seja o melhor recurso. A justiça deve ser buscada sim, mas sem nunca esquecer do direito de auto-determinação dos povos e do que é melhor para a própria nação.

Nem todo mundo que é contra as guerras americanas no Oriente Médio é contra os EUA e a favor de seus inimigos. Muito pelo contrário: seria o melhor para os EUA sair imediatamente daquela confusão insolúvel e deixar que os povos locais se acertem. Mas não, como um Napoleão (aquele outro “apaixonado pela justiça”) dos tempos modernos, querem espalhar pelo mundo inteiro seu sistema político, uma tentativa obviamente fracassada de erguer “democracias liberais” entre os povos das Arábias – e pior: no melhor estilo soviético, impõem um regime socialista (com racionamentos e cotas) até que chegue o sonhado dia da democracia e da liberdade. O número de vidas americanas perdidas, sem falar na quantidade de recursos simplesmente jogados no lixo, empobrecendo enornemente a população americana, são muito maiores do que precisavam ser. O ódio anti-americano tem diminuído? Tem é aumentado. Quando entraram no Iraque, os soldados eram comemorados nas ruas; hoje, são execrados.

Os EUA foram fundados sob uma filosofia política do não-intervencionismo, ou isolacionismo político: os enrolos diplomáticos das nações européias e suas infinitas guerras não lhes diziam respeito. Relações comerciais, livre troca de mercadorias, sim; laços políticos, alianças, guerras, não. Deixo George Washington falar: “The great rule of conduct for us, in regard to foreign nations, is in extending our commercial relations, to have with them as little political connection as possible.” E Thomas Jefferson: “peace, commerce, and honest friendship with all nations, entangling alliances with none.”

Infelizmente, outra ideologia andou lado a lado dessa: a do expansionismo, imperialismo e intervencionismo externo, que é a verdadeira negação dos valores de liberdade e autonomia que a Independência representava. A colonização das Filipinas e a anexação de grande parte do México foram resultado desse pensamento. Infelizmente, após as guerras mundiais o isolacionismo político perdeu toda a força que lhe restava e, desde então, os EUA têm abraçado integralmente o intervencionismo.

Não é papel de ninguém impor a justiça, e muito menos a democracia, por todo o mundo. Cada povo deve se auto-determinar. Se a mera injustiça e ausência de democracia justificam invasão, então estão justificadas desde já invasões a quase todas as nações da África, da Ásia e até a algumas da América Latina.

Os EUA saem dessas empreitadas muito mais pobres e mais odiados, e é bem questionável se os países por eles invadidos estão melhores ou piores; só o tempo dirá. Hoje em dia, vivem sob racionamento geral. Todo crescimento do poder do governo é acompanhado de uma igual diminuição da liberdade de seus cidadãos. Quem é pro-americano deve saber que os americanos também são prejudicados nessas guerras e em todas as suas aventuras militares (que gastam os recursos que poderiam ser usados para construir mais e melhores sistemas defensivos, por exemplo). A paixão pela justiça deve sempre ser acompanhada da paixão pela liberdade.


Comments (17)

De como o rigorismo leva ao contrário do bem visado

Filed under: Psicologia incluído por Joel Pinheiro
Data do post: 19 de dezembro de 2009

Recomenda-se que jovens de até 15 anos nem sequer toquem numa bebida alcoólica; nem o golinho da champagne do pai no dia 31. Seria essa a atitude mais sensata para se instituir em casa, em vista do número crescente de jovens com problema de alcoolismo? Só se quisermos promover ainda mais a cultura da falta de critério na qual esse mal floresce.

Ainda bem que não sou só eu que penso assim. De fato: até poucas gerações atrás o álcool era visto como uma parte da vida, não algo extremamente divertido mas proibido.

Li uma vez (pena que esqueci onde foi) que tem aumentado tanto o alcoolismo juvenil quanto o número de jovens que não bebem at all. É o equilíbrio e a prudência que se tornam cada vez mais raros.


Comments (4)

As esperanças e os medos

Filed under: Geral incluído por Martim Vasques da Cunha
Data do post:

O little town of Bethlehem
How still we see thee lie
Above thy deep and dreamless sleep
The silent stars go by
Yet in thy dark streets shineth
The everlasting Light
The hopes and fears of all the years
Are met in thee tonight

Obviamente, cada vez que encontro com um amigo ou uma amiga de longa data, a pergunta que vem em primeiro lugar não é sobre o meu estado de saúde e sim sobre o que achei a respeito do novo álbum de Bob Dylan – aquele, repleto de canções natalinas.

Vou direto ao ponto: achei-o excelente. Confesso que estava apreensivo e que o bardo fanho (agora, mais rouco do que fanho) poderia ter lançado uma bomba musical, mas, depois da primeira audição, fiquei rendido e posso dizer sem nenhuma hesitação de que se trata de um disco comovente, de fazer chorar até quem está possuído pelo Christmas Blues.

Há pelo menos duas canções em que Dylan prova que, no meio de um percurso cheio de falhas, trata-se de um devoto sincero e humano. Elas são O Come All Your Faithfull, com direito a introdução recitada em latim, e O Little Town of Bethelhem, que fecha o álbum com um pungente amen. Quando Dylan canta o verso the hopes and dreams of all the years are met in thee tonight, você sabe que o homem já passou por aquilo várias vezes em sua longa vida.

O que me faz pensar se, neste mundo que recebe Cristo com uma reserva pós-moderna, eu talvez não tenha a mesma reserva e tenha deixado de lado mais a esperança do que as minhas dúvidas. Todo o crente chega a um momento que faz essa pergunta: Creio porque é verdade ou creio porque não há outra forma de crer? Quem não fez esse questionamento não passa de um eunuco espiritual. Claro que eu sei que, ao fazer tal afirmação, corro no pecado do orgulho, mas também não posso negar que, durante vários Natais, tive muito mais dúvidas do que propriamente certezas.

Então, por quê acredito? Porque não tem outro jeito, caros leitores – a partir do momento em que você revê todo o percurso de sua vida e percebe que, se fosse por suas próprias forças, não haveria a mínima chance de ficar vivo, começa-se a perceber que há algo a mais; e este algo a mais não é somente um sinal algébrico de soma e que parece ser igual a uma cruz, mas também uma pessoa que, no meio de seu silêncio, conversa contigo e responde às suas dúvidas mais profundas. E é isto o que significa o “não há outro jeito”: mais cedo ou mais tarde, essa pessoa vai cobrar o que você fez deste relacionamento. Ele pode ter toda a paciência e todo o carinho do mundo, mas, ah, meu amigo, um dia você prestará contas disso, não tenha dúvidas.

Quem se recusa a estar sob a presença constante de Deus, mesmo que seja o mais inveterado dos pecadores – e Cristo veio para os doentes, não para os supostamente sãos – amputa uma perspectiva da vida que tira o seu sabor – enfim, tira o seu sal. Um dia desses, um taxista comentou comigo que, na decoração de Natal dos shoppings, não há mais presépios. É a mais pura verdade: temos uma enormidade de papais-noéis, mas esquecemos do menino, da mãe e do pai. Posso ver nisso o declínio do Ocidente – contudo, acho que é um fato mais grave: é simplesmente a morte da esperança em nós mesmos. E quando a esperança nos abandona, o que fazer? Vivemos no mais absoluto dos medos.

Por isso, neste Natal, vou fazer um balanço dos meus medos e das minhas esperanças, das minhas certezas e das minhas dúvidas. Não sei se será favorável. Mas, com certeza, sei que, na hora de fazer as minhas perguntas, alguém saberá como respondê-las.

Um Feliz Natal e um Próspero Ano Novo para os leitores da Dicta, lembrando que este que vos escreve cumprirá o ritual do Christmas Blues e until is January I just go off and dissapear, com volta marcada para o próximo dia 20 de janeiro.


Comments (8)

Perguntas Inconvenientes

Filed under: Sociedade incluído por Joel Pinheiro
Data do post: 17 de dezembro de 2009

A conferência sobre o clima em Copenhague já começou. E aí? Está cheio de esperança por um mundo carbon-free? Se você é um economista liberal, como eu, ou um amante da liberdade em geral, deve estar é muito apreensivo com o que aqueles burocratas vão inventar para aumentar seu poder e piorar nossa vida. Contudo, devo confessar, nutro no fundo da minha alma a singela esperança de que, como costuma acontecer nessas reuniões, cada um defenda o seu e no final nada mude. De minha parte, só queria que os ecochatos poupassem o meu ar. E não estou sozinho. É notório que entre os economistas o discurso ambientalista encontra resistência. Não nos dando por satisfeitos em louvar a ganância e oprimir os pobres, fazemos questão de um mundo poluído e desértico. Ciência lúgubre mesmo. Querem saber, na realidade, por que os economistas não aceitam o aquecimento global? É por causa de seu olhar cortante, que vê muito além do lado puramente científico do debate.

Continue a leitura no Instituto Mises Brasil.

E leia também este artigo que, inspirado por Robert Nisbet, afirma que os cientistas dissidentes do presente sofrem mais perseguição e são mais silenciados do que foi Galileu. Parte do problema, argumenta, é que o financiamento da ciência está muito mais concentrado. E quem o concentra? O Estado, claro.

ADENDO: E chequem ainda esta entrevista inesperada do nosso geógrafo Aziz Ab’Sáber indicada por nosso leitor. Com uma figura desse peso da intelectualidade brasileira adotando uma postura que podemos chamar de cética, ou ao menos não-alarmista, talvez a balança fique mais equilibrada no cenário nacional.


Comments (4)

Eles só usam black-tie

Filed under: Sociedade incluído por Martim Vasques da Cunha
Data do post: 16 de dezembro de 2009

Caros leitores, enquanto zapeava pelos canais televisivos nesse final-de-semana regado de quinta temporada de Lost e de estudos sobre Abraham Lincoln, deparei-me com a inusitada entrevista de Fernando Collor ao jornalista Geneton Moraes Neto, dada para o canal por assinatura Globo News.

Foi uma entrevista que me impressionou por dois motivos. O primeiro foi a postura de Collor que, independente de posar às vezes como um Napoleão (“Eu faço a História, vocês escrevem a História”), mostra uma autocrítica implacável de seu desastroso governo e uma lucidez em relação às circunstâncias de seu impeachment - algo que falta a qualquer cientista político que arrota opinião por aí. O segundo motivo foram os seguintes fatos narrados abaixo, que ele relatou e que formam um painel assustador da política e, sobretudo, da cultura brasileira:

1) Collor confirmou que a idéia do confisco foi concebida em uma conversa regada a uísque, da qual os participantes eram ninguém menos que Mário Henrique Simonsen, André Lara Resende e – “um jovem que acabara de entrar no mercado financeiro”, segundo as palavras do ex-presidente – Daniel Dantas. Todos concordaram que o confisco em si era viável em termos técnicos, mas imprudente no aspecto político. Talvez por arrogância, talvez por ingenuidade, Collor decidiu somente pela decisão técnica – e o resultado todos nós conhecemos.

2) Collor também conta que, no dia seguinte à assinatura da medida do confisco, Aloísio Mercadante encontrou-se com Zélia Cardoso de Mello e afirmou que o plano econômico do presidente recém-empossado – então considerado como a oposição “conservadora” ao PT – era justamente a medida dos sonhos da coterie de Lula; eles só não a divulgaram porque sabiam que o Sapo Barbudo não teria legitimidade política para executá-la.

O que isso tem a ver com a cultura de nosso país?, perguntará o leitor azedo e purista. Ora, é só juntar as duas pontas que a conclusão vem logo a seguir: faz cerca de vinte anos que somos governados pelo mesmo tipo de casta política – a saber: uma manada de jacobinos. Por essa expressão entenda-se que o povo foi induzido a aceitar uma forma de governo que só se preocupou com o que era concebido em gabinetes e nunca com a prudência necessária para a concretização efetiva dos planos. Collor e Lula sempre foram as duas faces da mesma moeda – e isso não é só agora, mas algo que existia desde 1992 e que o discurso cultural ideológico simplesmente acobertou de forma vergonhosa.

Estes mesmos jacobinos continuarão no poder por muito tempo; afinal, é toda uma cosmologia, um temperamento que não se muda da noite para o dia. A prova disso são os dois perfis publicados na edição de Dezembro da revista piauí. Todos sabem que não sou fã dos Moreira Salles, mas tenho de dar a mão à palmatora para o editor-chefe Mario Sergio Conti, que consegue a proeza de uma edição cirúrgica, sem cair na bajulação, muito menos na difamação, apresentando sempre um resultado equilibrado. Neste número, os retratos de Marcio Thomaz Bastos e Luiz Carlos Barreto mostram aquilo que os morros e as favelas adoram declamar: tá tudo dominado.

Thomaz Bastos alega que, daqui a vinte anos, será considerado como o homem que fez “a revolução na Polícia Federal”; e Barretão, que se considera “uma mistura de Jesus Cristo com Al Capone” (palavras que tomou de Roberto Rosselini), acha que menos de 10 milhões de espectadores é “muito pouco” para sua mais recente façanha, Lula – O filho do Brasil (ele quer o dobro disso). Ambos dominam, cada um a seu modo bem peculiar, os dois pilares de sustentação de qualquer sociedade: a justiça e a cultura. Entre uma gravata de preço extravagante e uma garrafa de vinho, entre um afago disfarçado de ameaça e uma ordem de fato, toda uma visão de mundo é imposta ao cidadão sem que ele se dê conta – e, obviamente, sem o conhecimento de saber que paga uma carga tributária altíssima para todo esse (des)serviço.

Enfim, é a instituição da apatia a todo vapor. Nos últimos tempos, ando a conversar com um grande amigo meu, José Nivaldo Cordeiro, que acredita que, dentro em breve, o mundo (e especialmente o Brasil) passará por um batismo de fogo no melhor estilo apocalíptico. Apesar de concordar com quase tudo com o que ele escreve, creio que, neste ponto, meu amigo está errado: não haverá nenhum batismo de fogo por aqui. O que haverá  – ou melhor, já existe – é a morte do espírito através de uma tirania da mediocridade, da apatia e da inércia que, na falta de um termo melhor, só posso chamar de pusilanimidade.

A cultura nacional está podre por dentro, numa entropia que não deixa nada a dever às visões mais pessimistas de um Tocqueville, de um Henry Adams ou de um Thomas Pynchon. Pessoas como Collor, Lula, Thomaz Bastos e Barretão são os homens ocos do poema de Eliot, aqueles que arquitetaram toda uma estrutura para ser destruída não com uma explosão e sim com um suspiro. E o pior que não há resistência alguma: salvo a exceção habitual, de libertários a conservadores, passando por soi disant liberais, a maioria escolheu a estratégia da avestruz, a crença de que podem conseguir tudo através da conciliação quando, na verdade, não há diálogo possível com qualquer um que pense como um jacobino. Acreditam que podem conseguir tudo pelo mesmo caminho da ideologia política – sendo que foi esta justamente a causa da doença da qual somos vítimas sem sabermos a razão e sem sabermos a cura.

Se houver alguma resistência, temos de pensar de uma outra forma, talvez algo que envolva estruturas mais profundas – e mais concretas – do indivíduo. Mas isso se dará quando todos pararem de querer se vestir só de black-tie e de tomarem uísque no meio de decisões que atingem milhões de pessoas. Enquanto isso, ficarei a repetir o bordão de meu amigo Nivaldo: Quem viver, verá.


Comments (18)

Gastronomia Medieval

Filed under: História incluído por Joel Pinheiro
Data do post: 15 de dezembro de 2009

Para os aficcionados em Idade Média, mais um presente da Biblioteca Nacional da França: exposição virtual sobre a alimentação na Idade Média. Os hábitos, os pratos, as cozinhas de ricos e pobres, nobres e servos, camponeses e vilões. Das choupanas camponesas, onde as mulheres labutavam atrás das panelas, até as complexas hierarquias de homens nas cozinhas dos mais abastados, está tudo lá, em imagens e textos abundantes.

A maioria das informações e imagens é tirada do livro Tacuinum Sanitatis, ou Mesa da Saúde, que catalogava e descrevia todos os alimentos propícios ao homem, animais e vegetais, com seus efeitos sobre a saúde humana e contra-indicações.

A carne de vaca ou de camelo [o Tacuinum foi originalmente traduzido do árabe], por exemplo, tem o inconveniente de favorecer as afecções melancólicas, e a carne seca e salgada é aconselhável às pessoas ativas e aos fleumáticos. Já os olhos de animais têm a propriedade de aumentar a quantidade de esperma. Comia-se com as mãos (curioso, pois sei também que, a partir de pelo menos o século X, o garfo já era usado), que eram lavadas antes e depois das refeições, e as regras de etiqueta prescreviam que só se utilizasse os três primeiros dedos da mão direita.

Navegue pelas três seções principais exposição (alimentação, cozinha, refeições), clicando nas imagens para ampliá-las. Na página inicial também há outros links para textos e curiosidades (receitas, manual de etiqueta, etc.). A seção principal está disponível também em inglês, mas os textos extras só em francês mesmo.

Por fim, há uma apresentação em flash “Un festin” sobre o banquet de noces, o banquete central do elaborado ritual de casamento, uma série de refeições e eventos que durava até uma semana; ela consiste na análise detalhada de uma imagem, ressaltando e explicando todos os elementos da pintura.

Enfim… Bon appétit!


Comments (1)

Posts Antigos »