Quer entender a crise? Estude Thomas Hobbes.
Data do post: 27 de fevereiro de 2009
Esta é a pergunta do momento, sem dúvida: Como compreender a crise atual? Nos jornais, nas revistas e em programas de televisão todos buscam uma análise confiável da situação; lemos com atenção na internet qualquer texto que nos dê uma informação mais privilegiada; esperamos que o governo crie uma solução adequada ao problema. Mas nada acontece. Talvez a compreensão da época em que nos encontramos esteja em um livro escrito no século XVII, enquanto o seu autor vivia um dos períodos mais conturbados da Europa: o Leviatã, de Thomas Hobbes.
Neste clássico da filosofia política, percebemos uma reflexão minuciosa de uma sociedade em crise e a busca de um fim para os problemas. Será que um livro de tempos passados pode nos ajudar a entender o que ocorre em nossos tempos repletos de progresso, globalização econômica e tecnologia avançada?
Para chegarmos a qualquer resposta, temos de enfrentar as páginas deste livro e ver se, antes de tudo, as suas conclusões correspondem aos nossos verdadeiros anseios de ordem e de paz.
Por isso, o IICS (Instituto Internacional de Ciências Sociais) montou um seminário especial sobre o tratado de Thomas Hobbes.
Chama-se Anatomia da Crise: O Leviatã e o mundo atual. Seu início será no dia 25 de março.
Serão 12 aulas semanais de leituras sistemáticas a partir do próprio texto e relacionando-o com eventos atuais e históricos, sempre acompanhados por um tutor que orientará o aluno em suas dúvidas e inquietações.
As aulas estão estruturadas da seguinte forma:
1a. Parte: A Crise do Homem
a. Contexto histórico e biográfico de Thomas Hobbes; a teoria do conhecimento de Hobbes
b. A Natureza Humana segundo Hobbes
c. O medo da morte violenta
d. A análise de Hobbes da loucura e do orgulho
2a. Parte: A Crise da Sociedade
a.O contrato social segundo Hobbes
b. A soberania segundo Hobbes (I)
c. A soberania segundo Hobbes (II)
d. A relação entre súdito e soberano
3a. Parte: A Crise do Governo
a. A justificativa da soberania total
b. A leitura da Bíblia segundo Hobbes
c. O problema do Mal segundo Hobbes
d. A obediência completa
4a. Parte: A Crise da Religião
a. A religião segundo Hobbes
b. Hobbes contra a tradição ocidental
c. Hobbes confronta as igrejas
d. As religiões políticas
Quando? Sempre às quartas-feiras, do dia 25/03 até o dia 17/06, das 19h30 às 22hs.
Preço: 10x de R$ 180,00
Processo Seletivo: Será realizado pelo coordenador geral do departamento de Humanidades através do preenchimento da ficha de avaliação e de uma entrevista.
As vagas são limitadas.
Mais informaçoes? Veja aqui.
Faça suas inscrições também aqui.
Comentários (2)
As conseqüências políticas e morais da pornografia
Data do post: 22 de fevereiro de 2009
Essa é uma época propícia para falarmos de pornografia.
“O que você tem contra a pornografia?! Cada um vive como quer! Viva a liberdade!” – Essa é a posição padrão hoje em dia. Mas e se a pornografia tiver conseqüências graves para a vida em sociedade, e para os indivíduos que a consomem? A esfera da sexualidade humana tem raízes muito profundas na nossa natureza. A relação de um casal que se ama profundamente e constitui uma família é algo bem diferente da masturbação de um homem solitário perante a foto obscena de uma anônima. Em qual dos dois casos o sexo é algo realmente humano e bom? E em qual deles ocorre sua perversão?
Este artigo da revista online InsideCatholic trata tanto das conseqüências sociais quanto individuais da pornografia (nos comentários, há exemplos concretos sobre as conseqüências dela nas famílias). No que tange a política, concordo com o ponto do autor de que o que garante a liberdade dos homens é a virtude (ponto feito pelos próprios founding fathers dos EUA). Só acho um pouco ingênuo crer que seja essencial proibir a pornografia, e discordo que o Estado deva coibir vícios individuais que não violem a propriedade alheia. A preguiça também tem efeitos sociais desastrosos; devemos voltar com a prisão por “vadiagem” e cobrar multa de quem fica na cama até tarde? Além disso, falar da castidade como “primeiro princípio político” é, no mínimo, um exagero. Ainda assim, essa primeira parte do texto oferece pensamentos valiosos sobre a importância da virtude da castidade (não confundir com celibato) para a ordem social.
O ponto alto do artigo é a segunda parte, que trata dos efeitos da pornogragia nos indivíduos e na cultura como um todo. O que ela faz com a auto-estima de quem a consome? E com sua capacidade de amar?
Enfim, o texto faz alguns pontos polêmicos, mas sempre com profundidade de análise e disposição de embasar suas teses na realidade observável.
Comentários (12)
O darwinismo e sentido da vida
Data do post: 19 de fevereiro de 2009
Mary Midgley é, na minha opinião, uma das maiores filósofas vivas (digo, entre todos os filósofos, de ambos os sexos). Neste texto, escrito para a revista Philosophy Now, ela lida com um vício de certa facção de cientistas e filósofos: a idéia de que o darwinismo, a seleção natural, eliminou a validade de se falar em um sentido para a existência, seja para a vida humana ou para o universo como um todo.
Ela e outros defensores da boa e velha razão (que é mais do que apenas a aplicação do método científico) mostram que não há nenhuma contradição entre acreditar na seleção natural e na ciência como um todo e perguntar-se sobre o sentido do universo.
Comentários (2)
Variedades Virtuais
Data do post: 17 de fevereiro de 2009
Pérolas que só a blogsfera traz para você, caro leitor:
- The Voegelin View: excelente site feito por discípulos de Eric Voegelin. Na edição desta semana, tem a reprodução de uma conversa de Voegelin com estudantes irlandeses. A cada parágrafo há um trecho mais antológico que o outro.
- Novamente, Spengler, o colunista misterioso do Asia Times, nos dá o caminho das pedras para entendermos o que acontece com a nossa “crise econômica”. Na coluna de hoje, ele prova por A mais B que os EUA continuarão a ficar cada vez mais ricos, apesar de tudo e, principalmente, de todos.
- Leiam o excelente blog de Érico Nogueira, o nosso Rimbaud de Bragança, Ars Poetica, em que podemos ler deliciosos ensaios sobre Geoffrey Hill, Rilke e, claro, Bruno Tolentino.
Comentários (3)
A arte de afugentar hooligans
Data do post: 9 de fevereiro de 2009
Ameaçadores grupos de jovens, hooligans, aglomeram-se na entrada de lojas numa pequena cidade inglesa. O que fazem os proprietários? Chamam a polícia? Tiram a espingarda de debaixo do balcão?
Nada disso. A arma mais eficiente para dispersar os maus elementos é tocar Bach nos auto-falantes. Dá o que pensar!
Comentários (11)
Conselhos de Spengler
Data do post: 5 de fevereiro de 2009
Por indicação do poeta, tradutor e crítico Nelson Ascher, descobri há tempos a coluna de Spengler, que publica no jornal Asia Times. Em um texto recentemente publicado, há este trecho antológico, um pequenino conselho dele a um recém-empossado presidente de uma grande potência ocidental:
Leiam as outras colunas de Spengler. Não aconselhável para os fracos de coração.
Comentários (2)





