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Feliz Aniversário, Israel!

Arquivado em: Do lado de lá incluído por Martim Vasques da Cunha
Data do post: 29 de abril de 2009

Em homenagem aos 61 anos de independência do Estado de Israel, comemorados hoje, vamos ler o que realmente importa e o que é realmente sério por dois especialistas no assunto:

- O primeiro, óbvio, é David P. Goldman, a.k.a. Spengler, que novamente escreve um post em seu novo blog na First Things, com direito a um trecho digno do melhor do ”humor judaico”:

If any of you are depressed, morose, despondent, pessimistic, and glum, I have a cost-effective solution. For the price of a dozen sessions with a medicore therapist, you can get on a plane and go to Israel. That will cheer you up. Trust me. Insecurity doesn’t make you unhappy. This life isn’t secure. Shut yourself up in a cave ten miles under the earth with all the distilled water and freeze-dried food you can hoard, equip it with an intensive care unit and a dozen physicians… you still are going to die. Being alive is a very insecure condition as the probability of becoming dead at some future point is — let me check the chart — 100%. Care will slip in through the keyhole,  no matter how secure you try to be. But the Israelis have something better than security. They have faith. That’s true even of secular Israelis, for to be an Israeli is a statement of faith.

(E, sim, prefiro continuar a indicar Spengler e não falar da cantora “desculpem-me-as-feias-mas-a-beleza-é-fundamental” Susan Boyle)

- O outro craque é o scholar Richard Landes que, em seu blog The Augean Stables, dá uma aula sobre o conflito Israel-Palestina, sem recorrer às ideologias políticas e atacando quem deve ser atacado, sem o medo de perder a lucidez e o bom senso:

Here, I think the only viable explanation is to understand the blow to Arab/Muslim honor at the creation of a free and independent state run by non-Muslims in Dar-al-Islam. (For a larger discussion of this, see here.) As the Athenians explained to the Melians: “It’s not so terrible to be conquered by those who should rule (like the Spartans, or in this case the Christians), but it is unbearable to be defeated by those who should be subject (like the Melians or, in this case, the Jews).”

If you don’t know about the Muslim principles of Dar-al-Islam (the realm of submission where Muslims rule) and Dar-al-Harb (the land of the sword, with which Muslims are at war), you can’t possibly understand either the permanent hostility of the Arabs to Israel (including their refusal to recognize her), or the willingness of the Arabs to keep the Palestinians suffering in refugee camps so that they can be used as a weapon against Israel.

By Muslim standards, the very existence of Israel is a theological blasphemy and an unbearable affront to their honor. That’s what the Naqba is about. If it were about the terrible suffering of the Palestinians who had to flee as a result of the war (which is what the “pro-”Palestinian would have us believe), then the Arabs and Palestinian leaders would have done something to make their lives better (including using a tiny fraction of the trillions of petrodollars Arab countries have taken in in the last half-century). Instead they confined them to permanent refugee camps (no cement floors allowed, they had to live in tents and the mud for years)

E, last but not least, dêem uma olhada na revista Azure, em que, entre outras coisas mui interessantes, há um artigo que mostra que Slavoj Zizek (o queridinho da alta intelectualidade paulistana, junto com o delator do Zigmunt Bauman) não passa de um epígono que deseja nada mais nada menos que um governo totalitário.


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Um dia a casa cai…

Arquivado em: Do lado de lá incluído por Martim Vasques da Cunha
Data do post: 23 de abril de 2009

Esta foi uma semana de eventos interessantes: além da morte de J.G. Ballard (nunca dei bola para a obra dele, mas David Cronenberg fez um belo filme com seu mediano Crash (1998) e Theodore Dalrymple escreveu um excelente obituário que serve como introdução aos seus livros) e do aparecimento de Susan Boyle (na verdade, uma voz um pouco melhor do que o habitual e a prova definitiva que estamos a viver naquilo que Ortega y Gasset chamava de a ascensão do homem-massa), tivemos a resolução do maior mistério da Internet dos últimos dez anos. Finalmente, soubemos quem é Spengler.

Vocês devem se lembrar que já recomendei Spengler aos leitores da Dicta. Foi uma dica do poeta e tradutor Nelson Ascher, meu oráculo para política internacional. Ao ler os artigos anteriores de Spengler queria saber quem era o homem. Rumores na blogsfera diziam que ele era um ex-assessor de Lyndon LaRouche, que tinha trabalhado no governo Reagan, que era um aficionado pela obra filosófica de Franz Rosenzweig, que tinha sido um empresário de sucesso em Wall Street e que o motivo de seu “pseudônimo” (uma paródia ao autor de O Declínio do Ocidente) era porque ele tinha se convertido definitivamente ao judaísmo e que sabia que a única solução para a crise do mundo contemporâneo era a união entre a Sinagoga e a Igreja.

Bem, os rumores estavam certos. Foi divulgado que Spengler é, de fato, David P. Goldman, que admitiu ser tudo aquilo sobre o qual falaram, menos o de ter sido assessor de Lyndon LaRouche (e convenhamos que muito do que Spengler escreve vai contra os princípios ocultos de LaRouche, um anti-semita enrustido). O interessante é a razão de seu “desmascaramento”. A convite de Joseph Bottum, editor-chefe da First Things depois da morte de seu fundador, Richard John Neuhaus, Goldman tornou-se o editor associado da revista, ocupando o posto que foi o de Bottum. Qualquer pessoa bem informada sabe o que isso significa: que Spengler – ou David P. Goldman, como agora podemos chamá-lo – saiu de seu modesto púlpito do jornal Asia Times para ser alçado como uma das maiores mentes do pensamento sadio na América. Com sua “promoção”, Goldman fica lado a lado de gigantes como o próprio Bottum (que já está velhinho, com quase 70 anos), Roger Scruton e Roger Kimball.

E que nenhum engraçadinho venha me dizer que só citei pensadores ditos “conservadores”. A prova disso é justamente o artigo de estréia que Goldman escreveu para a First ThingsDemographics and Depression. Ele faz uma crítica arrasadora do conservadorismo americano, ao afirmar que a guerra cultural foi perdida porque os políticos conservadores se empolgaram no aumento de riqueza que o governo Reagan teria dado à população norte-americana. E a perda nessa guerra influenciou no fator principal da atual crise supostamente econômica: o de que os americanos não sabem mais o que é uma família e se recusam a formar uma, preferindo viver como casais solteiros ou, pior, disfuncionais. As conseqüências dessa nova visão-de-mundo são simples e atuam no médio e no longo prazo: um país começa a envelhecer rapidamente e não tem mais pessoas jovens para assumirem riscos e desafios, pois escolhem uma vida de aposentadoria precoce e de dependência estatal (e, se você viu semelhanças com a nossa pátria amada, be scared, be really scared). O resultado disso é nada mais nada menos que a pobreza econômica e moral de uma nação.

O artigo é ainda mais perturbador porque, como é de hábito nos escritos de Goldman quando era Spengler, se houver alguma mudança, ela não surgirá de nenhum plano de governo, mas sim de uma atitude existencial do ser humano ao se confrontar com o seu problema básico: o da morte e o da sua sobrevivência para a permanência da raça humana.

E como isso não se dá apenas através dos meios naturais e humanos e sim através de algo que está fora do nosso controle, sinto e lamento em informá-los que, do jeito que as coisas estão, concordo com Goldman-Spengler: um dia a casa cai…

P.S. A First Things anunciou hoje que Spengler terá um blog em sua distinta casa. Começou bem: seu primeiro post é sobre as relações tumultuadas entre a Igreja Cristã e Israel. Ah, sim, isso sim é um assunto importante para ser discutido – não a tal da Susan Boyle. O que me faz pensar o seguinte: Será que toda essa comoção aconteceria se Boyle fosse bonita?


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Análise cultural de qualidade

Arquivado em: Educação incluído por Joel Pinheiro
Data do post: 21 de abril de 2009

James Bowman é articulista da The New Atlantis. Li seus ensaios hoje pela primeira vez, e fiquei muito bem impressionado. Os dois que aqui linko tratam da cultura moderna. O primeiro, “Reality and the Postmodern Wink” descreve a infantilização dos adultos, manifestada na produção cinematográfica recente (o autor foi crítico de cinema por 18 anos, e conhece-a de perto). O segundo, “Is Stupid Making Us Google?”, é sobre os efeitos da computação e da internet no aprendizagem de crianças e jovens. Essas ferramentas têm potencializado, afirma Bowman, as tendências educacionais e progressistas (marcadas pela rejeição de toda e qualquer tradição), e seus resultados são preocupantes.


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Neurologia e religião

Arquivado em: Religião incluído por Joel Pinheiro
Data do post: 19 de abril de 2009

A neurologia é de Marte; a religião é de Vênus. Água e óleo. Não se olham na cara e falam uma da outra pelas costas.

Que inesperado, então, que travem, de vez em quando, relações amigáveis, como parece ser o caso do novo livro resenhado no Washington Post. Trata-se de “How God Changes Your Brain”, do neurologista Andrew Newberg. Dizem as fofoqueiras que essa relação terminará em casamento…


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No forno…

Arquivado em: Geral incluído por Joel Pinheiro
Data do post: 16 de abril de 2009

As providências para o número 3 estão a todo vapor; por isso posts novos demoram a vir.

Eu sei que isso é causa de stress e ansiedade para muitos leitores; mas acalmem-se! Sua ansiedade será recompensada. A Dicta estará mais católica, de direita e reacionária do que nunca!!!! TFP é CEB perto do número 3!

(AVISO AOS DESAVISADOS: o parágrafo acima é uma brincadeira. Obrigado por sua atenção)

Até o próximo post, que não se sabe quando virá,  confortem-se com essas dicas para preservar a saúde mental e afastar o stress causado pela periodicidade semestral da Dicta: 10 ways to beat the blues 


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Feliz Páscoa!

Arquivado em: Geral incluído por Joel Pinheiro
Data do post: 11 de abril de 2009

Já me adianto aqui em desejar a todos os leitores do revista e/ou do site uma feliz Páscoa!

Para tornar tudo mais agradável, publico aqui este poema do G.K. Chesterton sobre a data, que encontrei navegando pela internet. Notem o ponto de vista inusitado: o do jumento.

The Donkey

When fishes flew and forests walked
And figs grew upon thorn,
Some moment when the moon was blood
Then surely I was born;

With monstrous head and sickening cry
And ears like errant wings,
The devil’s walking parody
On all four-footed things.

The tattered outlaw of the earth,
Of ancient crooked will;
Starve, scourge, deride me: I am dumb,
I keep my secret still.

Fools! For I also had my hour;
One far fierce hour and sweet:
There was a shout about my ears,
And palms before my feet.


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A pureza do desespero

Arquivado em: Cinema incluído por Martim Vasques da Cunha
Data do post: 2 de abril de 2009

Todos sabem que eu acredito que Clint Eastwood é o maior diretor vivo. Escrevi isso uma vez neste blog e alguns acharam minha afirmação um tanto impensada. Talvez sim, talvez não – confesso a vocês que não há uma linha minha que não tenha sido minimamente pensada. Portanto, quando vi Gran Torino, o novo filme dirigido e interpretado por Eastwood (lançado três meses depois do admirável A Troca), achei que tinha cometido algum equívoco.

O motivo foi simples: saí profundamente acabrunhado do cinema depois de tê-lo visto. A minha consorte perguntou o que eu achara e somente respondi que tinha de dar um prazo de dois anos para revê-lo e então decidir qual era a minha opinião definitiva.

Minha tristeza se devia ao fato do filme não apresentar nenhuma catarse emocional – aliás, característica marcante dos últimos filmes de Eastwood, de Bird, passando por Um Mundo Perfeito, até Menina de Ouro. Exceto por Unforgiven, em que a catarse vem por meio do anjo vingador (representado pela figura emblemática do próprio Eastwood, rementendo-nos ao Estranho Sem Nome dos westerns de Sergio Leone), apenas para denunciar o ciclo vicioso da violência, mas não para resolvê-lo, a obra do ex-prefeito de Carmel mostra sempre anti-climaxes, impasses, impotências, desilusões e – sobretudo – renúncias que culminam na auto-destruição. Como fã de carteirinha do homem, já deveria estar acostumado. Mas não fiquei. Talvez pelo fato do filme ser uma espécie de elegia a uma persona que Eastwood construiu na sua carreira, talvez porque tudo indica – afinal, o homem que masca arame farpado tem 78 anos de idade – que falta pouco para seu definitivo adeus, Gran Torino me deixou com um sabor amargo na boca.

Nada disso faz sentido se o leitor não tiver visto o filme e, por isso, saber o final surpreendente que nocauteia o espectador na sua meia hora final. Logo, se você NÃO viu o filme, PARE AGORA PARA NÃO RECLAMAR DEPOIS.

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