Lançamento Dicta&Contradicta No. 3
Data do post: 27 de maio de 2009

Na próxima semana espero poder encontrá-los por lá!
Mas antes, como estamos em casa, posso contar a vocês como surgiu a idéia de convidar o Eduardo Giannetti da Fonseca para o lançamento. Na entrevista com o FHC, numa das respostas mais interessantes, ele dizia que temos no Brasil quase um “não-pensamento”, pelo menos em termos de filosofia política. Segundo o presidente (e acho que boa parte de nós concorda com ele), não temos pensamento de esquerda, nem de direita; confunde-se conservadorismo com atraso e progressismo com boa intenção.
Uma declaração como essa, vinda de um ex-presidente do Brasil, nos pareceu relevante o suficiente para levantar a pergunta que discutiremos com o Eduardo Giannetti na próxima semana. Qual a resposta e o que podemos fazer? Bem, isso é o que vamos conversar na quinta-feira.
E, ah!, esperem que ainda temos muitas novidades para o site… Antes do lançamento ainda publicaremos o índice do no. 3 - que pode surpreender alguns com pequenas pérolas lá no meio; ainda temos o editorial e… bem, mais uma surpresa. Sem falar no Especial da vez, que vai fazer vocês cairem da cadeira!
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O eterno-retorno do mito
Data do post: 26 de maio de 2009
Em uma das cenas do admirável filme Der Baader-Meinhof Komplex (não sei nada de alemão, mas como a película sequer chegou ao Brasil, a tradução capenga será mais ou menos “A Facção Baader-Meinhof”), um assessor pergunta ao ministro Horst Herold (interpretado por Bruno Ganz, que já foi de tudo no cinema, de anjo a Adolf Hitler) qual era o motivo dos terroristas persistirem em seus atos insanos, Horst apenas responde: “Um mito”.
Para quem não sabe, o nome do filme é simplesmente uma referência à RAF (Rote Armee Fraktion), Força Armada Revolucionária, também apelidado de a gangue Baader-Meinhof, por causa de seus integrantes mais famosos, o terrorista Andreas Baader e a jornalista-que-depois-se-tornou-uma-terrorista Ulrike Meinhof.
A facção – ou melhor, em termos técnicos, a célula – espalhou o terror não só na Alemanha Ocidental, ainda combalida pelas mazelas do nazismo, mas também pela Europa inteira, quando ocorreram os atentados nas Olímpiadas de Munique em 1974 (uma forma de “protesto” pelo fato de os integrantes da RAF estarem presos), além do famoso “Outono Alemão”, em que membros importantes da elite financeira da Alemanha foram seqüestrados ou mortos.
O filme, dirigido por um Uli Edel em estado de graça (é surpreendente saber que ele foi o diretor de Christiane F. e, pasmem, Corpo em Evidência – sim, aquele filme com a Madonna) e produzido pelo mesmo Bernd Eichinger que fez A Queda – Os últimos dias de Hitler, é um thriller político repleto de tensão e que teria como excelente complemento a leitura de Blood and Rage – A Cultural History of Terrorism, de Michael Burleigh (livro que, aliás, ganhou uma resenha no terceiro número da revista Dicta&Contradicta).
Depois de vê-lo, é claro que chego à conclusão de que um filme com tamanha coragem jamais seria feito no Brasil, onde o terrorismo e a guerrilha são glorificados com subsídios e pompas estatais (para quem não se lembra, é só rever O que é isso, companheiro?, mas acho que não pediria isso nem para o meu pior inimigo).
Contudo, o importante aqui não é o filme em si, mas o comentário de Horst Herold. O que motiva um terrorista não é a política ou o mero poder. É um “mito”.
Podemos saber qual é este “mito”? Inúmeros estudiosos tentaram decifrá-lo: desde Norman Cohn (The Pursuit of Millenium), passando por Eric Voegelin (não há propriamente um livro dele a respeito do terrorismo, mas podemos usar o seu método em Hitler e os Alemães para entender o que se passa na mente de uma pessoa que vive na Segunda Realidade), até Michael Burleigh e, mais recentemente, Olavo de Carvalho.
De todos, talvez foi o brasileiro que encontrou o elo perdido. Para Olavo, há uma ligação íntima entre a mentalidade revolucionária e a mentalidade terrorista. Não se trata de coisas diferentes, como alguns ideólogos de plantão querem que você pense; trata-se exatamente da mesma coisa.
Isso significa que, se um agit-prop acredita que suas ações são pacíficas porque ele não usa da violência, ou ele é um ingênuo ou é um calhorda. Porque um disseminador de cultura revolucionária (seja da esquerda ou até mesmo da direita, se existisse alguma por aqui) quer impor a sua visão ideal das coisas deste mundo, logo ele sabe que só pode impor por um meio: a violência, seja a psicológica, seja a física. A primeira pode se dar através da manipulação das palavras; a segunda, é óbvio, se dá através da ação prática – e isso inclui atentados com bombas, técnicas de guerrilha e outras variantes que não são próprias para discutirmos em um blog de família.
A mentalidade revolucionária-terrorista sonha com o “mito” da transfiguração do mundo, de transformá-lo na utopia de seus sonhos, algo que, como todos sabem (alguém sabe aí que utopia significa lugar-nenhum?), jamais acontecerá porque o mundo é um palco opaco, em que os milagres só são percebidos se entendermos que eles acontecem o tempo todo.
É este processo que se torna fascinante observar no filme sobre a gangue Baader-Meinhof, ao ver a espiral descendente da qual a jornalista Ulrike entra. Ela começa como a típica jovem dos anos 60, dançando seu rock-n´-roll, escrevendo seus panfletos sobre a liberdade, até que, a partir do momento em que sua vida pessoal sofre um revés com a traição do marido, não há nenhum norte a seguir, exceto o da ação terrorista. Desde o início, a sua mentalidade era revolucionária; faltava apenas um passo para se tornar uma apóstola do terror.
É por isso que os intelectuais, assessores governamentais e jornalistas jamais conseguirão entender uma forma de combater o Terror. Não estamos a lidar com algo racional; como escreveu David P. Goldman, a.k.a. Spengler, o xis da questão está na forma de como lidar com o Mal Lógico – Radical Evil na expressão dele. A filosofia secular não pode explicar tais atos apenas com seus instrumentos supostamente progressistas; temos que buscar algo mais.
Onde? E o quê? Sinceramente, não sei. Mas que há algo prestes a acontecer, disso eu não tenho dúvidas.
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Dicta&Contradicta No. 3
Data do post: 25 de maio de 2009
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Hearsay – II
Data do post: 23 de maio de 2009
FHC falando da relação entre Gramsci e o PCC, em entrevista exclusiva? Olavo de Carvalho sobre Mário Ferreira dos Santos? João Pereira Coutinho esmiuçando o conservadorismo de Burke? Nelson Ascher traduzindo poesia húngara inédita? E ainda resenhando “No País dos Petralhas”, do Reinaldo Azevedo? Ivo Barroso sobre a incursão de Fernando Pessoa no esoterismo satânico de Aleister Crowley? Um conto de Alexandre Soares Silva? Roger Scruton dizendo que o problema do Islã é, bem, falta de bebida?!? Uma tradução inédita de Saki? Poemas de Lawrence Flores Pereira? E ainda os textos de Bruno Garschagen, Pedro Sette Câmara, José Nivaldo Cordeiro, Ruy Goiaba e o melhor time de articulistas do país?
Bom, por enquanto é só um boato…
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Hearsay – VEJA
Data do post:
FHC fala sobre Ruth
O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso fala pela primeira vez sobre a morte de sua mulher, Ruth, em uma entrevista à revista Dicta & Contradicta, que sai nesta semana. Em meio a discussões sobre filosofia, arte e literatura, o ex-presidente faz uma digressão emocionada sobre Ruth. “As pessoas que morreram e que nos foram próximas, de alguma maneira, continuam a nos influenciar. O que não há mais é o contrário: não podemos mais influenciá-las”, diz Fernando Henrique.
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E o trem que avança…
Data do post: 20 de maio de 2009
Não importa que Barack Obama faça uma trapalhada política com Israel, ao achar que o Irã pode ser bonzinho (não, não pode), não importa que um padre (com mais de 80 anos) e um pastor protestante (alías, um negro) sejam presos por protestarem contra a “organização de segurança” de uma universidade supostamente católica que, entre umas e outras, resolve homenagear o presidente mais explicitamente abortista que os Estados Unidos da América já tiveram, não importa que os graduados desta mesma universidade, supostamente criados por famílias supostamente católicas, vibrem com emoção a favor do novo faraó quando quatro pobres cristãos resolvem gritar a favor de alguns seres que estão prestes a serem assassinados – e obviamente, os seguranças apareceram rapidinho para calarem a boca de cada um -, não importa que o Papa não saiba o que fazer no meio de uma barafunda diplomática em torno de uma questão que sequer deveria ser discutida – se deve ou não existir um “estado palestino” -, não importa que a suposta elite intelectual desta terra papagalis pague uma fortuna para ver o tal do Richard Dawkins, aquele ateu que se recusa a debater com qualquer um porque sabe que suas idéias só valem para a mídia, não para a verdade, não importa o fato de que estamos no ápice de um momento histórico em que não existirá mais o resto de mundo como conhecemos, não importa nada mais isso, o que importa é reconhecer a evidência daquilo que Winston Churchill disse a respeito dos momentos que viveu antes de enfrentar o alemão do bigodinho: que estamos no meio da gathering storm e, quando ela desabar, a única coisa que importa é que vou cantar alegremente, em homenagem a todos que mantiveram suas visões lúcidas, a seguinte canção:
Who is in charge of the clattering train?
The axles creak and the couplings strain,
and the pace is hot and the points are near,
and sleep hath deadened the driver’s ear,
and the signals flash through the night in vain,
for death is in charge of the clattering train
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Perdão e Ironia
Data do post: 14 de maio de 2009
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A Dicta, os leitores e a Internet
Data do post: 6 de maio de 2009
Uma das propostas editoriais da Dicta é ser uma publicação, embora independente da Internet (não deixaríamos de existir se a rede mundial viesse a baixo), em contato permanente com ela. A começar por alguns dos próprios autores - penso especialmente em Pedro Sette Câmara e Júlio Lemos -, que mantêm blogues de sucesso.
Outra manifestação do nosso interesse em manter portas abertas com o mundo online é este site, no qual linkamos a artigos de interesse e fazemos breves comentários, sempre abertos à opinião dos leitores que aqui vierem.
Contudo, é preciso admitir, a interatividade que esperávamos entre nós e os leitores (e a internet é valiosa especialmente por permitir isso) ainda não tem sido devidamente estabelecida. Recebemos muitos emails e cartas de congratulações, elogio e apoio. Cada uma delas, podem ter certeza, é lida e nos causa muito prazer.
Mas uma carta não precisa ser necessariamente elogiosa. Contribuem muito, enormemente, para a Dicta cartas que contenham críticas. Pode ser acerca de um artigo específico com o qual o leitor não tenha concordado, ou acerca da revista como um todo. Desde que a crítica vá além da mera expressão de gosto – “A revista é uma droga. Odiei!” – e dê as razões objetivas para a avaliação negativa, é de uma ajuda inestimável para a nossa melhora, ainda que não cause o mesmo prazer e alegria dos elogios.
Outra forma de contribuição, essa a mais rara de todas, é o envio de um artigo. A preocupação da Dicta é sempre mais com o “o que se diz” do que com o “quem diz”. Claro que sempre procuramos figuras de peso da cultura e da sociedade para contribuir com a revista, seguros da qualidade e do reconhecimento que acompanham suas produções. Mas ao lado de um grande nome há outros inúmeros desconhecidos (como este que vos escreve), tornando públicos seus pensamentos e opiniões para que o mundo os avalie.
Assim, este post é um pedido aos leitores para que intensifiquemos a interação, com comentários, críticas, argumentos e até submissão de artigos e resenhas, que serão todos lidos (mas, devo dizer, não necessariamente publicados) e contribuirão para uma revista cada vez melhor.
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Romantismo prático
Data do post: 5 de maio de 2009
Não vou discutir aqui nem as causas nem os méritos da revolução sexual dos anos 60. Vou apenas constatar que algo foi perdido: a possibilidade daquele romance mais, digamos, cavalheiresco entre homem e mulher. A ausência de compromissos reais, ou seja, de perigos reais caso eles sejam quebrados, tira também muito do valor e da “graça” (fun) de se comprometer, pois permite uma entrega menos sincera.
Este curto texto parte desse pensamento (cuja origem é G K Chesterton) para fazer algumas reflexões muito válidas sobre homens e mulheres. Sem abrir mão do que há de bom no feminismo (a mulher não é um objeto, apêndice ou serva do homem) - que, aliás, tem origem mais antiga do imaginamos – se indaga sobre quais traços de conduta e de caráter, no que diz respeito aos relacionamentos e às diferenças entre homens e mulheres, precisam ser resgatados nos dias de hoje.
Um bom uso dos poucos minutos que sua leitura demandará.
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