Tributo a um gênio
Data do post: 31 de julho de 2009
Belo ensaio sobre o gênio da arquitetura Frank Lloyd Wright, cujos desenhos, fotografias e modelos estão em exposição no Museu Guggenheim de Nova Iorque, ele próprio uma criação do arquiteto. Não deixe de clicar no “Slideshow”!
Por mais que se critique (muitas vezes com razão) a arquitetura moderna – ou certas correntes dentro dessa ampla categoria – ela também produziu construções de valor e beleza imensuráveis.
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Joaquim Nabuco e a reforma do estadista
Data do post: 30 de julho de 2009
E hoje vamos com o perfil de Joaquim Nabuco. Semana que vem tem mais…
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Joaquim Nabuco e a reforma do estadista
por Martim Vasques da Cunha
“Todos os seres, desde o primeiro instante do nascimento, são, por assim dizer, marcados pela natureza, uns para comandar, outros para obedecer”.
Aristóteles, Política
Sem dúvida, a seguinte cena poderia fazer parte de uma peça de Tom Stoppard. Em uma das salas de leitura do British Museum, de Londres, por volta de 1883, onde o teto igual a uma cúpula circular dava a impressão – junto com as escrivaninhas que formavam uma série de pequenos círculos e a ausência de janelas que criava uma atmosfera sufocante – de que se estava dentro do inferno de Dante Alighieri, encontrava-se um rapaz esbelto, formoso (apelidado de “Quincas, o Belo” pelos colegas de Pernambuco e do Rio de Janeiro), admirado com os 600 mil livros à sua disposição, pronto para arregaçar as mangas e começar a escrever a obra que, segundo ele, denunciaria o sistema de escravidão sobre o qual o seu país se sustentava. Ao seu lado, enquanto pesquisava dados e estatísticas para fundamentar a sua argumentação política e econômica, havia um outro senhor, todo desalinhado, com a barba enorme e grisalha encostando na madeira da escrivaninha, mexendo-se sem parar na cadeira devido aos furúnculos que incomodavam as suas nádegas, soterrado entre livros e mais livros. Seu nome era Karl Marx, e o livro que estava a escrever era O Capital.
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Resenha: 4 meses, 3 semanas, 2 dias
Data do post: 29 de julho de 2009
É uma marca da superficialidade brasileira interpretar qualquer obra de arte apenas nas suas implicações políticas ou econômicas mais simplórias. Se fosse depender da mídia nacional e dos comentários que ouvi, nunca me interessaria por “4 meses, 3 semanas, 2 dias”, um filme romeno, ambientado no regime comunista de Ceaucescu, sobre uma jovem grávida que, auxiliada pela amiga, pratica um aborto clandestino. A vida é curta demais para gastá-la com propagandas pela legalização do que considero, francamente, uma prática hedionda. Foram duas resenhas americanas (esta e esta) que me fizeram mudar de idéia e aproveitar a oportunidade quando o filme passou na TV. E o que vi ia, de fato, muito além da cansada ladainha nacional sobre o drama feminino face ao conservadorismo malvado.
Leia o restante desta resenha publicada no Terra à Vista.
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Os brutos também amam
Data do post:
É difícil de assumir e talvez eu me arrependa depois, mas o fato é que gostei muito do vídeo que vai aí em cima. Meus amigos geeks diriam que se trata de um viral e depois fariam uma longa exposição sobre como a internet está mudando a estratégia de marketing das empresas. Meus amigos intelectuais, por outro lado, viriam nele a expressão de tudo o que há de pior no “Mundo Moderno”: a propaganda de uma multinacional que já teve quase um milhão de acessos no Youtube.
Tentar aprofundar essa análise me parece tão besta quanto discutir, como aconteceu há uns meses, se a Susan Boyle cantava bem. Eu acho inegável que há sim alguma qualidade artística no vídeo e isso já é suficiente para me tirar do beco em que boa parte da arte contemporânea nos colocou ao se preocupar apenas com teorias e mais teorias – deixando de lado a única coisa que costumava importar, ou seja, que uma obra de arte precisa ser bela.
Mas nem só eu estou confundindo alta cultura com haute couture. Está em cartaz no Metropolitan de Nova York a exposição The Model as Muse: Embodying Fashion. Bem, de Hesíodo a Beyoncé há um longo caminho e não quero nem pensar como seria a Divina Comédia inspirada na Paris Hilton. O fato é que alguma coisa está errada e eu pergunto com Lee Siegel no The Wall Street Journal: Where Have All the Muses Gone?
Lee Siegel publicou no ano passado o livro Against the Machine: Being Human in the Age of the Electronic Mob e parece ser mais um que não vê com bons olhos o que a internet está fazendo com as pessoas. Não sei, talvez ainda seja cedo para julgar e de toda forma me parece que o buraco é Down Below…
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A força da utopia
Data do post: 28 de julho de 2009
Às vezes, é necessário que um grande filósofo morra para descobrirmos detalhes em seus escritos que não teriam sido percebidos quando ele estava vivo. É o velho adágio: não prestamos atenção ao sol enquanto ele está aí, etc. e tal. Foi o caso do polonês Leszek Kolakowski, que, como vocês sabem, morreu na semana passada aos 81 anos.
Entre um texto e outro que serviu de tributo ao filósofo – em geral, publicados no mundo anglo-saxão, pois, comme il faut, a inteligentsia tupiniquim sequer fez um obituário decente – redescobri, graças aos blogs de Nick Cohen e Michael Weiss, uma singela troca de cartas entre E.P.Thompson, o historiador marxista que, de tão ultrapassado, nem sequer é mais usado na USP (a alternativa caiu sob Eric Hobsbawn, o que não é uma grande mudança…), e o próprio Kolakowski, no annus domini de 1973.
Obviamente, esta foi uma polêmica que não foi muito divulgada provavelmente porque Kolakowski ganhou o debate por nocaute.
O motivo da discórdia foi simples: Thompson simplesmente resolveu pegar o polonês para Cristo. Afirmou que conhecia a sua obra e perguntava-se como Kolakowski, que tinha sido membro do Partido Comunista na Polônia durante as décadas de 40 e 50, podia não só sair das delícias partidárias como também abandonar o Socialismo para sempre.
O tom do historiador britânico é exagerado e, muitas vezes, parece que ele está a fazer um discurso incitando o expurgo de alguém. Talvez não tenha sido por acaso que sua “carta aberta” (como ele intitulou o escrito) tenha cem páginas de extensão.
Kolakowski precisou somente de vinte páginas para responder a todos pontos importantes apresentados por Thompson, talvez porque quisesse homenagear Shakespeare, que, através da rainha Gertrudes, dizia que brevity is the soul of wit.
E que wit! Vejam só este trecho, de grande importância para nós, brasileiros que vivemos sob uma casta política que se baseia na moralidade dos double standards:
“We must not be fervent moralists in some cases and Real-politikers or philosophers of world history in others, depending on political circumstances. This is a point I would like to make clear to you if we are to understand each other. I will quote to you (from memory) a talk with a Latin-American revolutionary who told me about torture in Brazil. I asked: “What is wrong with torture?” and he said: “What do you mean? Do you suggest it is all right? Are you justifying torture?” And I said: “On the contrary, I simply ask you if you think that torture is a morally inadmissible monstrosity.” “Of course,” he replied. “And so is torture in Cuba?”, I asked. “Well, he answered, this is another thing. Cuba is a small country under the constant threat of American imperialists. They have to use all means of self-defence, however regrettable.”
Then I said: “Now, you cannot have it both ways. If you believe, as I do, that torture is abominable and inadmissible on moral grounds, it is such, by definition, in all circumstances. If however there are circumstances where it can be tolerated, you can condemn no regime for the very fact of applying torture, since you assume that there is nothing essentially wrong with torture itself. Either you condemn torture in Cuba in exactly the same way you do for Brazil, or you prevent yourself from condemning the Brazilian police for the very fact of torturing people. In fact, you cannot condemn torture on political grounds, because in most cases it is perfectly efficient and the torturers get what they want. You can condemn it only on moral grounds and then, necessarily, everywhere in the same way, in Batista’s Cuba or in Castro’s Cuba, in North Vietnam and in South Vietnam.)”
Não há como refutar tal argumento. E tudo isso porque, no meio da sua carta, Thompson resolveu afirmar que cinqüenta anos era um período de tempo muito curto para se julgar a eficácia de um governo socialista, seja ele sob a égide stalinista ou não. Kolakowski não deixa pedra sobre pedra neste momento e conta o seguinte caso:
“What is fifty years “to a historian”? The same day as I am writing this, I happen to have read a book by Anatol Marchenko, relating his experiences in Soviet prisons and concentration camps in the early 1960s (not 1930s). The book was published in Russian in Frankfurt in 1973. The author, a Russian worker, was caught when he tried to cross the Soviet border to Iran. He was lucky to have done it in Khrushchev’s time, when the regrettable errors of J. V. Stalin were over (yes, regrettable, let us face it, even if in part accounted for by the Western powers), and so, he got only six years of hard labour in a concentration camp. One of his stories is about three Lithuanian prisoners who tried to escape from the convoy in a forest. Two of them were quickly caught, then shot many times in the legs, then ordered to get up which they could not do, then kicked and trampled by guards, then bitten and torn up by police dogs (such an amusement, survival of capitalism) and only then stabbed to death with bayonets. All this with witty remarks by the officer, of the kind “Now, free Lithuania, crawl, you’ll get your independence straight off !” The third prisoner was shot and, reputed to be dead, was thrown under corpses in the cart; discovered later to be alive he was not killed (de-stalinization!) but left for several days in a dark cell with his festering wound and he survived after his arm was cut off. This is one of thousand stories you can read in many now available books. Such books are rather reluctantly read by the enlightened Leftist elite, both because they are largely irrelevant, they supply us only with small details (and, after all, we agree that some errors were committed) and because many of them have not been translated (did you notice that if you meet a Westerner who learnt Russian you have at least 90% chance of meeting a bloody reactionary? Progressive people do not enjoy this painful effort of learning Russian, they know better anyway).
And so, what is fifty years to a historian? Fifty years covering the life of an obscure Russian worker Marchenko or of a still more obscure Lithuanian student who has not even written a book? Let us not hurry with judging a “new social system”. Certainly I could ask you how many years you needed to assess the merits of the new military regime in Chile or in Greece, but I know your answer: no analogy, Chile and Greece remain within capitalism (factories are privately owned) while Russia started a new “alternative society” (factories are state owned and so is land and so are all its inhabitants). As genuine historians we can wait for another century and keep our slightly melancholic but cautiously optimistic historical wisdom.”
O trecho é longo, mas deve ser lido com cuidado porque Kolakowski joga na cara de Thompson justamente a razão de ser de qualquer um que se diga socialista – ou um revolucionário, que seria o termo correto neste caso. O que são cinqüenta anos quando você tem a História ao seu lado? Nada, é claro. Mas o ser humano, esta pequena abstração que vive através da História, tem uma importância miníma no grande sistema socialista; logo, para reeducá-lo, transformá-lo em um “novo homem” porque não devemos prendê-lo, torturá-lo – e, claro, matá-lo?
(Vejam bem: esta não é uma justificativa exclusiva de um socialista letrado como Thompson. Isto é uma característica essencial daquilo que Olavo de Carvalho chamou de “a mentalidade revolucionária”. Atualmente, se não temos os Thompsons, temos os imitadores de Al Gore e os malucos da Al-Qaeda para comprovar que esse estilo de raciocínio está bem vivo, saltitante e feliz da vida. E se vocês acham que estou indo longe demais, leiam The Pursuit of the Millenium, de Norman Cohn, para saber isto não se trata de um mero problema ideológico e sim de uma profunda doença do espírito.)
O que também importa na polêmica Kolakowski X Thompson não é apenas o modo como o polonês impõe um moral background objetivo ao historiador inglês; certos assuntos que estariam na crista da onda são antecipados com uma presciência assustadora. Ao fazer a conexão entre a visão utópica de Thompson e a realidade dos fatos, Kolakowski profetiza o aumento do poder estatal que se tornaria uma força dominante nestes resquícios da era ecumênica:
In the meantime some traditionally socialist institutions seem to creep’in capitalist societies in a rather unexpected way. Even the most short-sighted politicians realize now that not everything can be bought for money, that a moment might come when no money will buy us clean air, clean water, more land or wasted natural resources. And so, “use value” comes back, slowly, into the economy. A paradoxical “socialism” resulting from the fact that mankind does not know what to do with garbage. The result is growing bureaucracy and the growing role of power centres. The only medicine communism has invented – the centralized, beyond social control, state ownership of the national wealth and one-party rule – is worse than the illness it is supposed to cure; it is less efficient economically and it makes the bureaucratic character of social relations an absolute principle. I appreciate your ideal of the decentralized society with a large autonomy for small communities and I share your attachment to this tradition. But it is silly to deny powerful forces resulting from the technological development itself, and not from the fact of private property, and leading toward greater and greater power of the central bureaucracy. If you pretend to know simple means to cope with this situation, if you imagine to have found the solution in saying “we will make a peaceful revolution and socialism will reverse this trend” you delude yourself and you fall victim to verbal magic. The more society depends on the complex technological network it created, the more problems have to be regulated by central powers, the more powerful state bureaucracy is, the more political democracy and more “formal”, “bourgeois” freedom is needed to tame the ruling apparatus and to secure individuals their shrinking rights to remain individuals. There will never be and there cannot be any economical or industrial democracy without political (”bourgeois”) democracy with everything it entails. We do not know how to harmonize the contradictory tasks contemporary society imposes upon us, we can only try an uncertain balance between these tasks, we have no prescription for a conflictless and secure society. I will repeat what I wrote once elsewhere: “In private life there is the attitude of those who think about how they could gain at one blow the capital that would allow them to spend the rest of their life without worries, in peace and security; and there is the attitude of those who must worry about how to survive until tomorrow. I think that human society as a whole will never be in the happy position of a rentier, living on dividends and having the guarantee of the secure life to the end, thanks to the capital once acquired. Its position will be rather similar to that of a journeyman who must care about how to survive until tomorrow. The utopians are people who dream about ensuring for mankind the position of rentier and who are convinced that this position is so splendid that no sacrifices (in particular no moral sacrifices) are too great to achieve it.”"
Através deste trecho, nota-se que Kolakowski sabia que a idéia fixa de uma utopia era algo que fazia parte da estrutura do comportamento humano – e que, portanto, seria algo muito díficil de ser extirpado da face da terra (a propósito, o filósofo polonês deu uma Tanner Lecture sublime a respeito deste tema em The Death of Utopia Reconsidered).
Talvez não seja à toa que outro polonês, o cineasta Andrzej Wajda, diretor de Katyn, película sobre o extermínio cometido pelos soviéticos contra os soldados polacos (e, ainda assim, a culpa caiu sob seus irmãos de genocídio, os nazistas), começa a sua história com a seguinte frase: “O Terceiro Reich está previsto para durar mil anos. O Comunismo quer durar para sempre”.
Entre o forno e a frigideira, entre mil anos e a eternidade, o que é a consciência humana? Apenas um fio de cabelo. Mas, como algum dia – não se sabe quando e, para ser sincero, nem se deve saber isso – este fio será contado, fica aqui as palavras de um morto, reproduzidas aqui para que não sejam deformadas conforme a vontade dos vivos, pois, afinal, temos que lembrar sempre daqueles que foram para que possamos viver alguma coisa mais justa, humana e, sobretudo, menos mortal.
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Pegando carona
Data do post:
Graças ao tovaritch Júlio Lemos, fui atrás a respeito de Rémi Brague. Já tinha ouvido falar de seu trabalho e fiquei sinceramente espantado com o escopo que ele apresenta em seu A Lei de Deus – História Filósofica de uma Aliança, publicado aqui pela Loyola (alías, se alguém merece o troféu Vamos-Tirar-o-Brasil-da-Lama, o prêmio deste ano certamente iria para a famosa editora que já publicou Henrique de Lima Vaz, Marcelo Perine, Giovanni Reale, Eric Weil e, agora, Brague e Voegelin). Pesquisando aqui e acolá, descobri que o Intercollegiate Studies Institute antecipou-se a todos e realizou um simpósio sobre o livro de Brague, já catalogado como “inovador” e “pioneiro”. Você pode ler os textos do simpósio aqui, aqui e aqui, todos escritos por scholars novinhos em folha.
Quando o Brasil vai tomar coragem e fazer algo parecido?
Update: Graças ao leitor Marcos Fontoura, descobri esta preciosidade: Rémi Brague entrevistando ninguém menos que René Girard. Alguém duvida que este foi um momento em que a História deu um sorriso?
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Para onde vão os tiros
Data do post: 26 de julho de 2009
É conhecido o suposto episódio em que Chesterton responde à pergunta que o jornal London Times fez a vários escritores: “O que há de errado com o mundo?”. Sua resposta teria sido uma carta com o seguinte conteúdo:
Dear Sirs,
I am.
Sincerely yours,
G. K. Chesterton
Real ou não, o fato combina perfeitamente com o caráter do nosso amigo. O que está errado com o mundo não é a corrupção em níveis alarmantes, os crimes, a modernidade, a maçonaria ou a Igreja. Leia o restante deste post publicado no Feliz Nova Dieta.
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Eduardo Giannetti: Há pensamento sério no Brasil? – Parte 3
Data do post: 24 de julho de 2009
Segue a terceira parte da palestra de Eduardo Giannetti no lançamento da Dicta 3. Quem não viu as duas primeiras pode clicar aqui e aqui, ou simplesmente em “Especial” no menu do site.
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Em busca do equilíbrio
Data do post: 23 de julho de 2009
Atendendo a pedidos, vamos hoje de João Pereira Coutinho com seu Edmund Burke e o conservadorismo. Infelizmente não poderemos atender a todos os pedidos na hora: mas eles não serão esquecidos, isso eu garanto!
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Em busca do equilíbrio
por João Pereira Coutinho
I.
Conservador é um bom termo de insulto. Vivemos num tempo progressista: um tempo que acredita na missão transformadora da política rumo a um fim determinado. O conservador é a pedra na engrenagem. Ele levanta dúvidas. E, levantando dúvidas, ele coloca em causa a suprema vaidade do ser humano: a vaidade na sua razão e na capacidade da razão para produzir resultados perfeitos.
Este é o tom vulgar do insulto: o conservador como obscurantista, retrógado, reacionário. Mas existe um segundo insulto, mais erudito, que os especialistas do pensamento político gostam de colar ao de conservador clássico. Dizem eles que o conservadorismo, como ideologia, surge destituído de um ideal substantivo. Os liberais abraçam a liberdade como valor fundamental. Uma sociedade será mais liberal, e conseqüentemente mais perfeita, quanto maior for a área de liberdade individual de um ser humano – a “liberdade negativa” que fez fama e fortuna para Isaiah Berlin. O mesmo acontece com a família socialista: a igualdade (ou, como dirão os discípulos de Rawls, a eqüidade) é o fim máximo de uma sociedade que se deseja mais justa e fraterna.
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Auctoritate magis quam imperio
Data do post:
A ciência requer condições que não se aprendem oficialmente na Academia. Não se aprende a ser amável ou humilde – no sentido correto do termo, que é, pela milésima vez, submissão à verdade, especialmente quando ela aparentemente me diminui diante de mim e diante dos outros -, não se aprende a ser homem. A ciência que está registrada foi feita por homens, e ela nunca dispensou elementos que estão a rigor fora do seu âmbito (refiro-me especialmente às antipáticas virtudes). Consideramos a ciência, mas muitas vezes não aquilo que era condição de possibilidade para que ela surgisse.
Digo isso porque a Academia não precisa ser um lugar chato onde se lê, se faz perguntas, se perde tempo e depois se vai para casa. E porque as ciências – refiro-me também às exatas – não falam apenas do homem enquanto isso ou enquanto aquilo ou do movimento ou dos números; mesmo indiretamente, ela fala do homem enquanto homem, dos seus limites e potencialidades. Leia o restante do post publicado em Feliz Nova Dieta.
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