Uma biografia objetiva
Data do post: 31 de outubro de 2009
Como alguns posts recentes mostraram, muita gente aqui tem opiniões fortes, sejam positivas ou negativas, sobre a Ayn Rand. Vem em boa hora, portanto, uma nova biografia da filósofa e escritora; e, surpreendentemente, parece que a fundadora do objetivismo finalmente terá uma biografia objetiva.
Isso porque, até onde eu saiba, a única biografia existente dela foi escrita por uma fiel seguidora, muito parcial, e na década de 80, ou seja, antes que se pudesse ir ao país natal de Ayn Rand para colher informações: a URSS.
Pois Ayn Rand nasceu Alissa Zinovievna Rosenbaum, judia de classe média, em S. Petersburgo, em 1905. A revolução veio quando ela tinha 12 anos, e ela só escapou da tirania soviética aos 21, tendo inclusive estudado na universidade de Petrogrado.
Da vida posterior dela, quase tudo o que é escrito adota um tom polêmico. Seguidores tecem louvores e detratores acusam-na de louca. Anne Heller, adotando um ponto de vista imparcial, parece ter conseguido um feito notável. Aguardo minha cópia ansiosamente.
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Linguagem e confusão
O livro Wittgenstein: The Man and His Philosophy traz uma história altamente relevante, que aproveito para traduzir aqui:
Um sábio chinês, em um passado longínquo, certa vez foi abordado pelos seus discípulos, que lhe perguntaram o que ele faria se lhe fosse concedido o poder de colocar em ordem os assuntos do país. Ele respondeu: “Eu certamente garantiria que a linguagem fosse empregada com correção”. Os discípulos ficaram perplexos. “Na verdade”, eles disseram, “se trata de um assunto meio banal. Por que o Sr. atribui tanta importância a isso?” E o Mestre replicou: “Se a linguagem não é empregada com correção, então o que é dito não é o que se quer dizer; se o que é dito não é o que se quer dizer, então o que deve ser feito permanece por fazer; e se permanece por fazer, a moral e a arte serão corrompidas; se a moral e a arte forem corrompidas, a justiça não funcionará; e se a justiça não funcionar, então o povo entrará num estado de confusão sem volta”.
É ou não é?
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Auto-ajuda letal
Data do post: 28 de outubro de 2009
Um artigo informativo sobre os grupos de auto-ajuda americanos, uma indústria que movimenta muito dinheiro e cujos livros estão sempre no topo das paradas. Aqui no Brasil me parece que o mercado é mais dominado por livros e práticas ligadas ao espiritismo, e então essa forma mais laica e até empresarial de auto-ajuda não é tão popular.
Claro que as mortes contadas no artigo podem, com justiça, ser atribuídas mais a problemas mentais das vítimas do que a qualquer outra coisa; mas os perigos dos grupos de auto-ajuda com teorias malucas é real. E o pior é que, até onde eu posso ver, todos eles se baseiam em algo real, em algum princípio válido que é absolutizado numa fórmula universal. É importante crer em si mesmo e acreditar que os objetivos que temos são alcançáveis; saber fazer a própria vontade valer; e sentir-se realizado. Mas nada disso é uma chave secreta para uma existência perfeita, num plano superior ao dos reles mortais frustrados e deprimidos.
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O doce sabor da hipocrisia
Data do post: 23 de outubro de 2009
Alemães ricos fazem campanha por mais impostos.
Ora, meus caros: se o seu dinheiro está sobrando, então tratem de doá-lo. Obrigar os outros a pagar pela sua generosidade não é nada generoso…
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Heidegger, o filósofo do nazismo
Data do post: 22 de outubro de 2009
Finalmente, alguém resolveu tomar coragem e brigar com metade do mundo filosófico para denunciar um fato sabido por todos: o de que Martin Heidegger, o autor de Ser e Tempo, nunca foi um grande filósofo e não passa de um provinciano pensador do nazismo.
A afirmação não é minha. É de Emmanuel Faye, que resolveu criar a polêmica e tomou bordoada de todos os lados, até mesmo de Rémi Brague que, pasmem, defendeu a filosofia heideggeriana em um debate na TV e atacou Faye usando um argumentum ad hominem.
Mas se os heideggerianos (e que los hay, hay, é praticamente uma seita) acham que Faye foi duro e que eu usei também de palavras impróprias, é porque não leram o artigo de Carlin Romano, intitulado singelamente Heil Heidegger e que começa assim:
How many scholarly stakes in the heart will we need before Martin Heidegger (1889-1976), still regarded by some as Germany’s greatest 20th-century philosopher, reaches his final resting place as a prolific, provincial Nazi hack? Overrated in his prime, bizarrely venerated by acolytes even now, the pretentious old Black Forest babbler makes one wonder whether there’s a university-press equivalent of wolfsbane, guaranteed to keep philosophical frauds at a distance.
O interessante é ler os comentários logo abaixo do artigo de Romano. A maioria defende Heidegger como se fosse um grande patrimônio da Humanidade. Não é. Há uma palavra em inglês para tudo aquilo: gibberish.
E, realmente, não entendo a razão da defesa encarniçada deste sujeito. O mundo seria um lugar muito melhor se não existisse Ser e Tempo e seus epígonos. Mas também quem disse que não haveria um substituto à altura para tamanha besteira? Afinal, Martin Heidegger não me parece mais um filósofo e sim uma hidra…
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Pobreza e ensino privado
Data do post: 21 de outubro de 2009
Volta e meia, ao pensar ou defender os méritos da educação privada, me punha a imaginar as possibilidades educacionais num mundo sem regulamentações, onde qualquer um pudesse dar aulas ou mesmo abrir uma escola. Assim, alguém que soubesse um pouco mais do que aqueles à sua volta (digamos, um senhor que leia e escreva razoavelmente bem e que mora numa favela de iletrados) poderia usar a sala de casa como sala de aula; os preços seriam baixíssimos, de forma que mesmo gente muito pobre poderia pagar. Esses devaneios cessaram depois que li “The Beautiful Tree”, de James Tooley, pois agora sei que se trata de uma realidade.
Continue a leitura no site do Instituto Millenium.
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Como se curar de um derrame
Data do post: 20 de outubro de 2009
Richard Fernandez, do blog Belmont Club, conta a singela história do Dr. Martin Stephen, que, um belo dia (desculpem-me pela ironia a priori deste parêntesis), teve um derrame que o paralisou quase por completo, obviamente teve de ir a um hospital, mas, depois de muito meditar, chegou à seguinte conclusão de que a melhor forma de recuperação era justamente sair do hospital e, com o tempo a urgir, seguir a infalível receita de sua sogra, que, por motivos que só o destino pode nos decifrar, tinha passado pela mesma situação anos atrás, quando seu esposo, no caso o sogro do Dr. Martin Stephen, sofreu o mesmo destino e curou-se de seu problema usando de apenas 05 atividades que estimularam de maneira satisfatória o seu cérebro; assim, foi feito o mesmo procedimento com o Dr. Stephen, que, milagre dos milagres, curou-se também e aí está bem vivo para contar a sua história, que, claro, pode ser resumido nos cinco alentados pontos, que, da forma como o leitor deve estar em desespero para saber (i.e. prestes a ter um derrame), exponho-os na seguinte ordem – e na língua inglesa para o que nosso leitor monoglota use um dos hemisférios do cérebro e pare de depender do Google Translator:
1 Bounced a tennis ball 2,000 times against a wall (missed catches didn’t count)
2 Wrote out the alphabet, one line per letter, for two hours
3 Recited the poems of Andrew Marvell for two hours with a cork between his teeth
4 Marched up and down the stripes on the lawn for two hours, without touching where the stripes met
5 Played the F15 flight simulator game for two hours
O Dr. Stephen afirma que foi o vídeogame que deu a reviravolta final em suas faculdades motoras, mas, da minha parte, acredito piamente que foi a leitura dos poemas de Andrew Marvell com uma rolha na boca; afinal, imagine você com um AVC gravissímo, tentando recitar em voz alta o seguinte trecho:
No white nor red was ever seen
So amorous as this lovely green;
Fond lovers, cruel as their flame,
Cut in these trees their mistress’ name.
Little, alas, they know or heed,
How far these beauties hers exceed!
Fair trees! wheresoe’er your barks I wound
No name shall but your own be found.
A pergunta que me faço depois de ler esta edificante história: será que ler Cruz e Sousa usando o mesmo método teria surtido o mesmo efeito?
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Novos textos
Data do post: 19 de outubro de 2009
Nosso editor, perdido em sonhos de poder oriental, acabou por desatender o seu propósito de disponibilizar dois textos da Dicta por semana. Um leitor já fez inclusive upload de um merecido puxão de orelha. Mas aí está: colocamos à disposição “do mesmo” – sim, eu tenho horror ao burocrático “verifique se o mesmo está parado neste andar” – dois poemas analisados por Pedro Sette Câmara, “Aos sócios da Nova Arcádia” de Bocage e o anônimo “Um jantar de barões: invocação”.
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Carlos, o consequencialista
Data do post: 17 de outubro de 2009
Carlos era um jovem estudante de economia numa faculdade privada paulistana, e estava insatisfeito. Ele queria fazer algo para ajudar os necessitados, mas os professores só falavam em maximizar o lucro, em perseguir o auto-interesse. E isso não era o exato oposto da ética? Os princípios morais de Carlos eram outros: “o bem da coletividade deve vir antes do bem individual”; “fazer o bem é trazer o máximo benefício para o maior número de pessoas”; “uma ação é má quando é egoísta, e boa quando é altruísta”. E alguém discordava? De forma nenhuma: os colegas, os amigos, os parentes, todos estavam de pleno acordo, mas mesmo assim nada mudava. Era como se, para todo mundo menos ele, essas máximas devessem ser só faladas, e não vividas.
Continuar a leitura no Terra à Vista.
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Um encontro do secularismo com o sagrado
Data do post: 16 de outubro de 2009
Aqui, uma matéria interessante. O relato de um jornalista, presumo que seja agnóstico ou ateu, sobre sua experiência de ir visitar os restos mortais de Teresa de Lisieux, mais conhecida como Sta. Teresinha do Menino Jesus, que ficaram expostos na Inglaterra por algumas semanas – ou seja, um programa católico com “C” maiúsculo, água benta e tudo o mais que tem direito. Um breve encontro de duas visões de mundo.
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