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Catulo no Banco dos Réus

Arquivado em: Educação, Literatura incluído por Rodrigo Duarte Garcia
Data do post: 27 de novembro de 2009
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A essa altura, todos provavelmente já ficaram sabendo da história do milionário inglês processado por mandar a certa funcionária um verso de Catulo lá não muito casto.  Perguntado por ela qual seria uma boa tradução para diligite inimicos vestros, ele respondeu de bate-pronto com o primeiro e também último verso do Poema 16: pedicabo ego vos et irrumabo.

Deixo a tradução de lado - não sei se há crianças na sala – para pensar em um aspecto secundário, mas que sei deixará ao menos o Júlio Lemos vingado, diante das tantas vezes em que teve de explicar sua opção por um doutorado em Direito Romano.

Aparentemente, a defesa do sujeito limitou-se a alegar que o verso de mais de 2.000 anos era apenas witty, sem maiores extensões. Este texto do Times mostra a verdadeira interpretação do Poema 16: a de que não se pode julgar a vida de um poeta por suas obras (para inverter um pouquinho as últimas polêmicas aqui no site). Catulo era acusado por seus inimigos de ser efeminado - por conta de alguns versos lá não muito másculos -, de maneira que fez o Poema 16 começar e terminar com uma obscenidade, justamente para demonstrar a irracionalidade de se tomar todo e qualquer verso como autobiográfico. Ou seja, levou às últimas consequências um argumento para demonstrar a sua impropriedade.

Se os advogados de Mike Lowe soubessem disso, talvez ele tivesse maiores chances no tribunal. De modo que até os pragmáticos de sempre terão de dar o braço a torcer: o motivo é incontestável para que os alunos do curso de Direito tenham uma formação clássica e, sim, leiam Catulo.

BTW, ótima oportunidade para ler de novo este texto do Érico Nogueira sobre o poeta.


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Na origem dos EUA… o socialismo?

Arquivado em: História incluído por Joel Pinheiro
Data do post: 26 de novembro de 2009

Pois é. Muitas das colônias de peregrinos que fugiram da Inglaterra chegaram ao novo mundo com idéias socialistas de organização social, rejeitando toda a concepção européia de hierarquias e propriedade privada como corrompida.

Os colonos de Plymouth colocavam toda a sua produção à disposição dos demais. Todos consumiam do mesmo estoque comum. Por esse motivo, conta-nos o governador da colônia, William Bradford, os homens, especialmente os mais aptos, não queriam trabalhar; preferiam roubar ou passar o tempo no ócio. Todos passavam fome e muitos morreram.

Foi depois de alguns anos que William Bradford mudou o sistema da colônia, dando a cada família sua terra e permitindo-lhes manter os frutos do próprio trabalho. Daí sim a prosperidade começou.

Nessa época de Thanksgiving os americanos lembram-se dos primeiros colonos, e de seu suposto banquete de ação de graças depois de uma colheita farta depois de anos de penúria. O que não sabem é que esse banquete original teve lugar ainda nos anos de socialismo, e que, longe de fartura, os peregrinos estavam morrendo rapidamente de fome e frio.


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Nos porões da ciência

Arquivado em: Sociedade incluído por Joel Pinheiro
Data do post: 25 de novembro de 2009

Começou como fofocas em sites dissidentes, radicais, céticos, espalhados pela Internet. Agora chegou ao Wall Street Journal.

Centenas de emails sigilosos de cientistas ligados à pesquisa sobre o aquecimento global vieram a público, e trouxeram consigo uma verdade muito inconveniente: manipulação de dados e ocultação de procedimentos. Esses cientistas, cujas pesquisas têm insuflado tanto alarmismo e, em breve, legislação em larga escala, escondiam os detalhes menos nobres de suas pesquisas e comunicações.


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A arquitetura da tirania

Arquivado em: Arquitetura incluído por Martim Vasques da Cunha
Data do post: 24 de novembro de 2009

Finalmente, alguém teve cojones para afirmar o que era o óbvio ululante: o de que o arquiteto Le Corbusier não passa de um falastrão com pretensões totalitárias. Oh, estão chocados com essa afirmação? Bem, quem tem de aguentar as penitenciárias chiques de Oscar Niemeyer – um dos mais famosos discípulos de Le Corbu – que o diga (inclua nessa categoria lato sensu a maravilhosa magalomania que se chama Brasília).

O responsável por tal “descoberta” (na verdade, Tom Wolfe já tinha feito as mesmas afirmações em From Bauhaus to Our House em 1981) foi o nosso Theodore Dalrlymple, que, em seu mais recente artigo para o City Journal, destrói, com penetrante senso de humor, essa lenda da falsificação arquitetônica em parágrafos como este:

Le Corbusier does not belong so much to the history of architecture as to that of totalitarianism, to the spiritual, intellectual, and moral deformity of the interbellum years in Europe. Clearly, he was not alone; he was both a creator and a symptom of the zeitgeist. His plans for Stockholm, after all, were in response to an official Swedish competition for ways to rebuild the beautiful old city, so such destruction was on the menu. It is a sign of the abiding strength of the totalitarian temptation, as the French philosopher Jean-François Revel called it, that Le Corbusier is still revered in architectural schools and elsewhere, rather than universally reviled.

(E aí vem a pergunta que não quer calar: alguém se aventura em ler o texto em vez de reclamar na caixa de comentários?)


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Duas idéias de universidade

Arquivado em: Educação, Sociedade incluído por Joel Pinheiro
Data do post: 23 de novembro de 2009

Professores de Harvard estão processando alunos que repassaram, por meio de um website, anotações feitas em aula. A acusação? Violação de copyrights. Segundo os professores, suas aulas são propriedade intelectual; e os alunos têm o direito de fazer anotações apenas para uso pessoal e mais nada.

O MIT, por outro lado, tem adotado uma postura diferente: disponibilizou seu currículo completo online gratuitamente. Anotações, provas, vídeos. Tudo online, grátis. Não precisa nem se cadastrar.

Agora pensem: qual das duas universidades contribui mais para a educação e difusão de conhecimento?

Este artigo compara as duas universidades e as duas posições acerca da propriedade intelectual que elas manifestam. Afinal de contas, somos donos das nossas idéias?

O maior problema dessa discussão toda é: sem propriedade intelectual, como é que os criadores seriam remunerados? O que as evidências (tanto históricas quanto atuais) têm mostrado, no entanto, é que essa remuneração se dá mesmo na ausência de leis de copyright. No século XIX, autores ingleses ganhavam boladas de dinheiro vendendo seus livros nos EUA, sendo que lá não havia copyright para autores estrangeiros. Hoje em dia, há firmas lucrando uma boa nota fazendo e comercializando programas open-source, que poderiam ser adquiridos gratuitamente.

O resto do artigo -na minha opinião menos interessante – é sobre como essa questão era mal resolvida no pensamento da Ayn Rand, que apesar de liberal convicta era uma defensora ferrenha da propriedade intelectual.


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Let’s go geek

Arquivado em: Filosofia incluído por Julio Lemos
Data do post:

moral relativity xkcd
copyright xkcd

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O mediador entre a cabeça e as mãos (o coração)

Arquivado em: Cinema incluído por Julio Lemos
Data do post: 22 de novembro de 2009

Uma dica difícil e ao mesmo tempo muito boa sobre cinema é o livro do crítico hispano-germânico – que tive a sorte de conhecer e com quem muito conversei – José Garcia, “Die Himmel über Hollywood – Was grösse Filme über den Menschen sagen” (O Céu sobre Hollywood – O que os grandes filmes falam sobre os homens), publicado em 2008. A dica é difícil porque não sei se o livro foi traduzido para o inglês – e boa porque vai na contracorrente de um modo cool, sem criar polêmicas desnecessárias.

Nele Garcia discute, além de muitas outras coisas, uma questão que me tem intrigado: por que filmes simples, discretamente bem feitos, que tratam de temas importantes, mas sem chamar a atenção com cenas brutais ou carregadas de apelos aos sentidos, *vendem mais* do que aqueles feitos para vender, poderosamente dotados dos elementos mencionados? É uma questão a ser considerada.

Wim Wenders, com seu humor habitual, declarava à imprensa: I’m not much into sex & violence; I prefer sax and violins… O bom cinema, a mio modesto parere – e com isso apenas repito o que ouvi - não deve buscar o impacto, o mero efeito bombástico sobre o expectador, mas concentrar-se no ‘artesanal’ (craftmanship, savoir-faire), no fazer bem. Para tomar um exemplo extremo, não era muito diferente a idéia de Fritz Lang em um filme com um forte apelo vanguardista: Metropolis (1927), que foi realizado com uma arte quase insuperável – não em termos tecnológicos, mas em esforço e exatidão – e que traz o mote que usamos de título.

Não é diferente a opinião de Fellini; apesar do experimentalismo, ele procurava esconder a sua arte, produzindo aquela simplicidade difícil dos bons filmes (a tríade La dolce vita, E la nave va e Le notti di Cabiria). Esse ocultamento é que tem levado os críticos de cinema à loucura – no bom sentido.


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Direto da sacristia

Arquivado em: Artes plásticas, Religião incluído por Joel Pinheiro
Data do post: 20 de novembro de 2009

Se antes falei da arte islâmica, agora trago algo da arte católica. Vejam que legal: a igreja de S. João de Latrão, em Roma, agora pode ser explorada virtualmente. A resolução das imagens é excelente, permitindo muitas ampliações sem perder nitidez. Selecione o ponto do mapa para onde você quer ir. Uma vez lá, expere seu computador baixar as imagens e depois olhe para os lados, para cima, para baixo e para trás com as setas do teclado. No canto inferior direito da tela, há botões de controle do zoom.

“Pô, mas ver igreja na Internet? Que carolice!” – Meu caro, clique no link e veja as imagens antes de qualquer comentário; você vai se impressionar. O patrimônio artístico presente na catedral deve encantar até mesmo os mais convictos secularistas.


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Uma filosofia do jornalismo?

Arquivado em: Sociedade incluído por Martim Vasques da Cunha
Data do post: 19 de novembro de 2009

Esta é a proposta de Carlin Romano, o mesmo que escreveu o ensaio denunciando as intenções nazistas na filosofia de Martin Heidegger e todo mundo aqui ficou alvoroçado.

Segundo ele, jornalismo e filosofia têm uma coisa em comum: a busca pela verdade.

Será? Bem, pelo menos, era isso que tentaram me ensinar na faculdade. Mas, como diria o bardo fanho, reality has always too many heads – e confesso a vocês que, quando trabalhei em redações, ficava tentado a me perguntar como Pilatos: O que é a dita-cuja?

O artigo de Romano é bem fraquinho – e por um único motivo: esquece-se do ponto principal. E qual é? Quem matou o problema foram Max Weber e Ortega y Gasset em seus respectivos Ciência e Política e Missão da Universidade.

O primeiro argumenta a respeito da formação superficial de qualquer jornalista – isso já na primeira década do século XX. Para Weber, o jornalismo ocupa-se de superficialidades, de argumentos pouco desenvolvidos e de opiniões – a chamada doxa de Platão – que sequer conseguem captar o fundo subterrâneo da realidade. Por isso o amor fanático por explicações precisas, por ideologias certinhas, por visões de mundo que tentam aprisionar o mistério da existência em um papel de quinta categoria.

Já Ortega vai além. Fala da presunção dos jornalistas. Por mexer com aquilo que a sociedade lida em uma primeira impressão – e, lembrem-se, a primeira impressão é a que fica – a classe jornalística se arvora como uma espécie de elite espiritual, um pseudo-clero que acredita piamente que mexe com a vida das pessoas. E mexe – geralmente, para pior.

Romano não toca em nenhum desses pontos – fica enrolando o leitor e parece até um jornalista em causa própria quando defende um curso de “filosofia do jornalismo” (detalhe: ele dá aulas sobre isso na Universidade da Pennsilvânia, o que mostra que um jabaculê é sempre um jabaculê).

Da minha parte, o que acho que o jornalismo precisa não é de uma filosofia. O que precisa é ter vergonha na cara e começar a fazer a única coisa que deve ser feita: ir contra todo e qualquer abuso sistemático de poder. Se não for isso, como diria Millôr Fernandes, é nada mais nada menos do que um armazém de secos e molhados.


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Natal Nazista

Arquivado em: História incluído por Joel Pinheiro
Data do post: 18 de novembro de 2009

Curiosa exposição na Alemanha: como era o Natal nazista. As autoridades queriam tirar dessa festa, que era para elas a celebração do solstício de inverno, a pagã “Julfest”, todas as referências a Jesus Cristo, o bebê judeu na manjedoura. Além de infestar as bolinhas da árvore com suásticas e trocar a estrela por um sol, os líderes do governo alteraram as letras das cantigas natalinas para eliminar todas as referências a Jesus.

Aqui tem mais algumas fotinhos. Só não me perguntem o que fala o texto!


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