Nosso desejo de morte favorito
Data do post: 31 de janeiro de 2010
Quer saber qual é a visão-de-mundo que está por trás da Jihad terrorista e do Aquecimento Global? Então leia esta entrevista com Richard Landes, o único scholar que tem coragem de fazer esta conexão, sempre com a lucidez assustadora que lhe é peculiar.
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Homeschooling na Alemanha
Data do post:
Uma família alemã recebeu asilo nos EUA para poder educar seus filhos em casa, o que é proibido na nação teutônica. Lá, a educação pública é compulsória. Segundo o juiz americano os homeschoolers são um grupo oprimido pelo governo alemão, em violação de seus direitos básicos; dado que a família Romeike foi ameaçada com multas e prisão se não desistissem de educar os filhos em casa, a opinião do juiz é corretíssima. Acompanhe a polêmica no site internacional da Deutsche Welle (texto em inglês).
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Ralph McInerny (1929-2010)
Data do post: 30 de janeiro de 2010
Perdemos no dia 29 um dos grandes tomistas contemporâneos, Ralph McInerny. Eu o conhecia por seu extenso trabalho de comentário e exposição de Tomás de Aquino; não sabia que ele era também um bem-sucedido autor de ficção. Vai fazer falta ao cenário intelectual, mas é uma boa adição ao rol das almas bem-aventuradas.
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Henrique V
Data do post:
Uma nova biografia – bem, na verdade centrada em um ano capital da vida – de Henrique V, rei inglês do início do século XV que conquistou, contra inúmeras circunstâncias contrárias, um grande pedaço do norte da França. Um retrato vivo de um rei único no seu tempo, que combinava extrema devoção, fé e desprezo pelos prazeres mais frívolos de sua época com uma enorme ambição de poder e uma vontade implacável, capaz até de cometer atrocidades.
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“Trabalho sem diversão…
Data do post: 29 de janeiro de 2010
Simplesmente, não resisti.
(Via Trabalho Sujo)
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Salinger morreu
Data do post: 28 de janeiro de 2010
Pois é, meus amigos. O homem morreu, aos 91 anos, de causas naturais, segundo a sua família.
O que dizer?
Segundo um colega meu, era simplesmente o escritor mais perfeito em termos técnicos que já existiu.
Ouso dizer que ele também atingiu o sublime em termos emocionais. Ou alguém nega que não ficou emocionado com o final de “Franny & Zooey”?
Era também o autor de, pelo menos, cinco contos que deveriam constar em qualquer manual de como saber escrever. E, meus amigos, escrever um conto é uma das coisas mais díficeis do mundo.
Diziam que era paranóico, recluso, que gostava de garotinhas.
Nada disso mais importa.
O que importa agora é imaginá-lo ao lado da Senhora Gorda.
(Repararam que eu não citei The Catcher in the Rye de propósito?)
P.S. ATUALIZADO DEPOIS DE HORAS REVOLTADO COM OS OBITUÁRIOS E PENSATIVO SOBRE A FINITUDE DAS COISAS:
Tudo bem que, neste momento, para provarmos que somos mais salingerianos do que o próprio Salinger, achemos que O Apanhador é um livro menor.
Não é coisíssima nenhuma. Pode ser o seu mais famoso, mas não é um livro menor.
Na minha modesta opinião, O Apanhador tem o mesmo impacto na literatura americana que teve, por exemplo, O Estrangeiro, de Camus, na francesa.
Aliás, exceto pelo fato de que Holden não mata ninguém por causa do sol, os dois falam sobre o mesmo tema: o sujeito totalmente possuído pelas mentiras românticas que foram transmitidos, advinhem?, pelo mundo hipócrita dos adultos.
Se em Camus, Mersault termina no inferno, Salinger faz Holden atravessar a viagem própria de quem descobre que o mundo não é como nós queríamos. Ele passa pela metanóia da verdade romanesca.
(E se você não gosta que eu cite René Girard, go fuck a duck your phoney)
Por isso, O Apanhador não pode ser desprezado, nem pelos próprios fãs de Salinger. Se não fosse por este livro, como entenderíamos Seymour, Franny – e, claro, a revelação de que existe a Senhora Gorda?
O que nem os fãs entendem é que a obra de um grande escritor não pode ser vista a partir de dois ou três livros, e sim como um todo. E, no caso de Salinger, isso é mais do que necessário pois tenho a impressão que ele disse o que tinha de dizer nesses quatro livrinhos de quase duzentas páginas cada um.
E o resto é silêncio, etc. e tal.
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Quando eu posso usar o ponto-e-vírgula?*
Data do post: 27 de janeiro de 2010
* Sim, aqui não aceitamos o novo acordo ortográfico (pois, entre outros motivos, mal sei escrever no antigo). E, ah, claro, igual ao Heidegger, também adoramos usar os hífens.
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A voz judaica no debate religião-secularismo
Nas disputas intelectuais entre ateísmo e religião, é incomum ouvir a voz do Judaísmo. Pois aqui está ela: num discurso incisivo, o rabino chefe do Commonwealth britânico lida com as principais questões que confrontam a religião: por que ela sobrevive até hoje, tendo sua morte sido prevista tantas vezes no passado, ao menos desde o século XVIII? Qual o lugar dela nas democracias liberais? E qual deve ser sua postura no futuro?
Homem bem versado na cultura ocidental, e que no passado já foi um estudante de filosofia cético, Jonathan Sacks aponta os paralelos entre a cultura ocidental contemporânea e a cultura grega em seu período de declínio. Políbio comentava no século III a. C., sobre seus conterrâneos: ”O fato é que o povo de Hellas seguiu pelo caminho falso da ostentação, da avareza e da preguiça, e ficaram, portanto, indispostos a se casar, ou, se se casavam, a criar os filhos; a maioria estava apenas disposta a criar um ou dois.” É, algum paralelo há.
No final das contas, argumenta o rabino, só a religião dá significado à vida humana. O mercado, o Estado, a ciência e mesmo a filosofia são incapazes de cumprir esse papel. E o homem anseia por significado. É por isso que, mais de dois séculos depois do Iluminismo, editores da The Economist escrevem um livro notando o fato surpreendente (que também surpreendera Tocqueville em suas viagens à América) que “God is back”.
O Judaísmo sempre foi parte da cultura ocidental, mas uma parte à parte: tem suas peculiaridades e traços distintos da cultura cristã. São esses toques (por exemplo – novamente reproduzindo o que diz Sacks – a teologia, que nunca foi muito dependente da metafísica aristotélica, e que portanto não se sente diretamente abalada quando a teoria da seleção natural questiona a idéia de finalidade na natureza; ou ainda a observação de que, para um rabino, é muito mais difícil pregar para judeus do que para gentios, algo que já ocorrera com os profetas) que dão ao artigo um interesse especial, para além da argumentação central do autor, bem embasada em fontes históricas, lúcida e lógica.
E aqui um pequeno artigo de comentário sobre o discurso, que faz uma boa síntese dele.
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Viagem à Itália I – Auschwitz profanata
Data do post: 22 de janeiro de 2010
Uma das notícias que mais me chocou em dezembro passado foi o roubo do letreiro de Auschwitz. Vocês conhecem a história: na entrada do campo de concentração os prisioneiros se deparavam com um portão de ferro sobre o qual reluziam imponentes as palavras Arbeit macht frei – o trabalho liberta. Sempre tive uma espécie de fascinação macabra por este portão: o que passava pela cabeça de quem lia estas palavras? O que trabalho e liberdade significavam para um nazista? E para um judeu? Em quantas conferências de RH a mesma frase passaria despercebida hoje em dia? É uma imagem fortíssima e o fato de ter sido roubada dá margem a uma boa reflexão.
Mas passado o primeiro susto, não posso negar que senti um certo alívio ao ler a notícia. Estava a bordo de um avião e se me restava algum peso na consciência por passar mais de vinte dias de férias na Itália, esse peso evaporou-se com as palavras estampadas na primeira página do jornal: Auschwitz Profanata. Foi uma perfeita mensagem de “boas férias” lembrar que não há nenhum valor no trabalho por si só.
Não foi por acaso que antes de entrar no avião eu havia corrido em busca de um jornal. Enquanto as aeromoças passavam um spray anti-germes na cabine, eu entrava no espírito italiano lendo o La Repubblica. Pode parecer estranho para quem está acostumado aos jornais da Botocúndia, mas definitivamente os idiotas da objetividade não chegaram à terra de Dante. Não sei se o spray livrou os italianos dos nossos micróbios, mas o La Repubblica me deixou pronto ao dolce far niente que estaria por vir. Guardei o recorte (em italiano porque senão perde a graça; depois traduzo sem preocupação com estilo):
C’ erano i cani ieri ad Auschwitz, il silenzio del campo spezzato dai latrati, neve fresca calpestata da stivali di polizia. L’ operazione è scattata di primo mattino, le unità cinofile impegnate in una caccia all’ uomo seguita in tempo reale da tutto il mondo. All’ alba ignoti hanno rimosso dalla sommità del cancello principale il telaio metallico con la scritta «Arbeit macht frei», il lavoro rende liberi, messaggio di benvenuto ai deportati nel campo di sterminio dove la parola significava il suo contrario. Secondo la ricostruzione della polizia l’ iscrizione lunga cinque metri e pesante quaranta chili è stata portata via tra le 3.30 e le 5 di ieri mattina
[Havia cães ontem em Auschwitz, o silêncio do campo arrebentado pelo ladrar, neve fresca pisoteada pelas botas da polícia. A operação começou logo na primeira manhã, as unidades caninas empenhadas numa caça ao homem seguida em tempo real por todo o mundo. Ao amanhecer, desconhecidos removeram do topo do portão principal a estrutura metálica com a inscrição “Arbeit macht frei”, o trabalho torna livre”, mensagem de boas-vindas aos deportados para o campo de extermínio onde a palavra significava o seu contrário. Segundo a reconstrução da polícia, a inscrição com cinco metros de comprimento e pesando quarenta quilos foi levada entre as 3.30 e 5 horas da manhã de ontem]
Na página seguinte a manchete era: “Feltri: «Accetto il valium ma Fini ci vada piano con il lambrusco»” [“Feltri: ‘aceito o Valium, mas que Fini vá devagar com o lambrusco’”]. Expliquemos: o presidente da Câmara italiana, Gianfranco Fini, teve um desafeto com o jornalista Vittorio Feltri e, aproveitando a proximidade do Natal, mandou publicamente uma caixa do ansiolítico Valium de presente ao jornalista!!! (e mais três !!!); este último respondeu como aí em cima e tudo virou uma bela manchete. Eu li a notícia e pensei: “bem-vindo à Itália”. Ou alguém imagina o Michel Temer enviando uma caixa de Diazepam ao Reinaldo Azevedo?
Foi assim que começou minha viagem e é assim que eu começo essa série de crônicas sobre o que aconteceu por lá. Vou colocar algumas fotos (como estas de Roma), contar algumas histórias sacras e outras profanas, dizer um pouco do que fiz de bom e de ruim – seguindo sempre a regularidade italiana, claro…
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Transformer
Data do post:
E quando tudo parece estar perdido, eis que você lê este artigo publicado no The Times e chega à conclusão que ainda existem machos neste mundo.
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