O drama das idéias
Data do post: 10 de março de 2010
Um romance não é apenas uma boa história – é também sobre uma idéia que nos perturba há muito tempo. Logo o catalogam de “romances de idéias”, mas é uma das coisas mais difíceis de serem feitas. Até mesmo Otto Maria Carpeaux, esse gigante que usava o papel de jornal para lançar seus pensamentos, não gostava muito do gênero – e, uma vez, atacou Thomas Mann justamente por isso, alegando que ele escrevia mais um ensaio do que propriamente um drama.
Rebecca Goldenstein, autora de um romance razoável sobre Kurt Gödel (Incompletude), discordaria disso. Em uma seleção de cinco melhores livros de idéias para o Wall Street Journal, apresentou uma lista impecável, que chega ao topo com um dos meus romances favoritos: Herzog, de Saul Bellow. Mas sobra espaço para o próprio Thomas Mann (que comparece com uma pérola que poucos conhecem, O Eleito), George Eliot e até mesmo a minha querida Iris Murdoch; talvez para a lista ficar verdadeiramente perfeita, eu acrescentaria O homem sem qualidades, de Robert Musil, Os sonâmbulos, de Hermann Broch, e qualquer romance de Dostoievski, seja os de menor ou de maior fôlego (respectivamente, Memórias do Subsolo e Os Demônios).
Tudo isso para fazer a seguinte pergunta: será que a literatura brasileira já fez algo parecido no gênero ou ela também sofre de esterilidade até mesmo nesse formato? Eis um drama para as gerações futuras pensarem.
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Dicta, a revista que antecipou o Oscar
Data do post: 8 de março de 2010
Onde você ouviu em primeiro lugar sobre um filme modesto sobre a Guerra do Iraque que ganhou de uma baboseira magalomaníaca? Sim, foi aqui, na Dicta. Mas temos que ser honestos e admitir que este jornalista só pegou carona com o Filipe Furtado (que anda sumido) e o Sergio Alpendre (que anda a escrever uns posts esquizofrenicos cada vez melhores).
E eu tenho certeza de que, enquanto você lê este texto, o responsável pelo marketing da Europa Filmes foi demitido por justa causa.
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O fenômeno Avatar
Data do post: 5 de março de 2010
Ainda não vi Avatar, embora tenha lido tanto a respeito que sinto já conhecê-lo a fundo. Sei da história absolutamente convencional de civilizados malvados contra nativos bonzinhos, da filosofia/religião panteísta que permeia a vida mais nobre e pura dos N’avi, das caras na minha opinião muito feias, mesclas azuis de gato e homem, e que o grande atrativo são os efeitos especiais em 3D. Sei também que só conhece mesmo o filme quem o experimentou, pois Avatar é antes de tudo uma experiência sensorial, e não algo para se pensar a respeito. Os casos de “blues pós-Avatar”, espectadores que entram numa leve depressão depois de ver o filme pois o mundo real supostamente não chega aos pés da beleza de Pandora deixam-me intrigado.
Até chegar o dia fatídico, fico com a análise de James Bowman sobre o filme e o fenômeno por ele gerado.
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Ignorantes, mas com opinião
Data do post: 4 de março de 2010
Indivíduos que cursaram as melhores universidades dos EUA não têm mais conhecimento sobre a história, economia ou instituições do país do que aqueles que não fizeram curso superior. O único efeito de se ter educação universitária parece ser a radicalização (para a esquerda) das opiniões políticas. Pelo menos é isso que diz um recente estudo.
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A política e os bispos
Data do post: 3 de março de 2010
Os bispos católicos da Inglaterra e de Gales lançarão um documento com seus pensamentos acerca da campanha política pelo poder no país. Tudo indica que os conservadores se elegerão, depois de uma longa hegemonia trabalhista, então a hora é boa para pronunciamentos desse tipo. Muito já era esperado: crítica às políticas que negam a vida humana, à aceitação civil do homossexualismo e à intolerância religiosa por parte do governo (que quer obrigar escolas católicas, por exemplo, a ensinar seus alunos onde fazer um aborto). E no meio dessas declarações, um insight novo, e que considero na mosca: os bispos alertam para o dano de se tentar substituir a virtude pessoal e cívica por regulamentações burocráticas.
Quanto da civilização ocidental não padece disso? Serviços e leis desenhados para resolver os problemas da vida dos cidadãos, mas cujo efeito acaba sendo destruir pouco a pouco suas vidas. Criação de direitos infinitos (direito à educação, ao lazer, à cultura, ao trabalho – ou seja, direito de ficar de braços cruzados enquanto outros provêm os serviços). Leis que prescrevem integralmente como deve se dar a conduta humana. Vigilância 24 horas por dia para se certificar que ninguém quebra as regras. Nem preciso dizer que a educação, o lazer, a cultura e o trabalho vão todos por água abaixo.
Infelizmente, os bispos ainda não enxergaram que seu ranço anti-mercado tem sua parte nesse sistema de incentivos torpes, e que o governo socialmente solidário que propõem é idêntico ao governo burocrático e viciador que condenam.
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Política de um filho
Data do post: 2 de março de 2010
Todos conhecemos a infame política chinesa de um só filho. Este livro relata algumas das experiências terríveis que a lei gerou.
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