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Arte Sacra Espanhola

Filed under: Artes plásticas incluído por Joel Pinheiro
Data do post: 30 de maio de 2010

Ficou exposto nesta primeira metade do ano, em Londres e depois em Washington, uma exposição de artistas sacros espanhóis dos século XVII. No site da National Gallery of Art, de Washington, o leitor da Dicta pode ver os destaques da exposição num tour virtual com explicações em inglês (é só clicar no Exibition Highlights, à direita).

O título da exposição, The Sacred Made Real, vai bem ao ponto: a arte sacra do fim do século de ouro espanhol é dotada de um realismo marcante, sem perder a simbologia e o poder de transportar para além da mera aparência sensível e nos remeter ao sobrenatural.


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Dennis Hopper, RIP

Filed under: Cinema incluído por Joel Pinheiro
Data do post: 29 de maio de 2010

O cinema perdeu hoje Dennis Hopper, aos 74 anos, conhecido nosso de Easy Rider, Apocalypse Now, Blue Velvet e, é claro, e de outras escolhas dramaticamente menos felizes como King Koopa em Super Mario Bros, o filme.

Para mim, seu papel mais marcante foi Frank Booth em Blue Velvet, no qual ele nos ensinou a todos o quão perturbado e doente o espírito humano pode ser.


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O perigo da redenção

Filed under: Sociedade incluído por Martim Vasques da Cunha
Data do post: 26 de maio de 2010
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Juro para vocês que tentei de tudo, inclusive usar e abusar da minha boa vontade. Mas não deu. Sinceramente não deu: o final de Lost é uma das picaretagens mais esquisitas que já vi na minha vida.

Para quem ficou pelo planeta Terra nesses últimos dias, não havia como escapar deste evento chamado “o fim de Lost“. A série criada por J.J. Abrams, Jeffrey Lieber (que teve apenas a idéia de um desastre de avião em uma ilha deserta e não fez mais nada) e Damon Lindelof (que, junto com Carlton Cuse, criou o que seria a mitologia e a estrutura narrativa do seriado) foi um hype sem precedentes que, no fim, provou somente que P.T. Barnum tinha razão: nasce um otário a cada minuto.

No caso, o otário sou eu. Esperei seis temporadas para ficar sem nenhuma resposta – ao contrário da maioria, eu não queria tê-las em hipótese nenhuma, queria mais enigmas e mais mistério – quando Damon Lindelof e Carlton Cuse, depois de todos os flashbacks, todos os flashforwards, todas as viagens no tempo, todas as realidades paralelas, resolveram brincar de Janete Clair, Zibia Gasparetto, Chico Xavier em uma única massaroca e terminar o que seria a “mais revolucionária série da tevê aberta já feita” como se fosse um final da novela das oito da Rede Globo.

Enfim, much ado about nothing, já dizia o bardo, que nunca apelou para esses recursos pós-modernos e, quando decidia ter algum fantasma na sua peça, fazia a alma penada ir para o nosso mundo e não o contrário.

O problema do final de Lost é, a meu ver, justamente o excesso de explicações, em especial nos últimos dez minutos. Até entendo que, dentro da lógica interna da trama alucinada que foi criada (e eu não tenho nada contra em usar o meu suspension of disbelief, uma vez que sou um fã de Chesterton, Philip K. Dick, C.S. Lewis e Flann O´Brien), aqueles personagens só poderiam estar mortos e iriam se encontrar em uma espécie de limbo (Quem disse que aquilo é um purgatório está errado; neste, há a expiação dos pecados; o que caracteriza estar no limbo é o fato de que você não sabe que está morto). Mas ninguém precisava dizer aquilo; bastava ser mostrado através de imagens, sons e ações, como já fizeram, por exemplo, Stanley Kubrick em 2001, Andrei Tarkovski em Solaris e David Chase na brilhante cena final de The Sopranos.

A picaretagem está no fato de que fica claro que os roteiristas não souberam terminar o complexo enredo da série e resolveram encher a lingüiça com pseudo-divagações esotéricas e que não têm nada a ver com a verdadeira vida espiritual. Apesar de alguns sites cristãos demonstrarem felicidade com o final, por mostrar personagens que enfim encontraram uma redenção em suas patéticas vidas, Lost não tem nada a ver com o cristianismo. Sua metafísica, se tiver alguma, não passa de um arremedo de New Age, dualismo gnóstico e espiritismo de botequim.

Isso não é apenas um problema dramatúrgico – e sim uma ferida na sensibilidade da sociedade ocidental. No Brasil, por exemplo, o sucesso de um filme como Chico Xavier e de livros espíritas que são lidos aos quilos nos metrôs e nos ônibus de uma grande cidade como São Paulo é uma amostra de como o anseio por uma redenção e – mais – por uma explicação da vida após a morte pode ser manipulada em um sentimentalismo kitsch que, na verdade, engana o público e não faz aquilo que uma obra de arte deveria fazer: educá-lo para compreender a finitude das coisas.

Parece um assunto bobo, mas não é. Quem não gostaria de ter a certeza de que será redimido? Ou então ter a certeza de que encontraremos os nossos queridos que perdemos pelo caminho em um afterlife cheio de luz? Eu gostaria que isso tudo acontecesse, é claro. A questão é que, neste palco que é a nossa vida, não sabemos se isso é possível. Cristo nos revelou que o reino do supernatural interefere momentaneamente no reino da natureza, mas ele nunca impôs uma coisa sobre a outra. Simplesmente deixou a Criação seguir seu próprio curso – que é a da morte e, se tudo der certo (reparem que eu frisei o se), ressurreição. O que Cristo faz é nos ensinar a viver uma vida decente enquanto estivermos por aqui e ensinar a encarar com coragem o problema da morte e do sofrimento. E tudo isso acontece neste que é o melhor de todos os mundos possíveis, para citar o velho e bom Leibniz.

Assim, Damon Lindelof e Carlton Cuse deseducaram nossas sensibilidades para as verdadeiras questões da vida – e nisso eles estão acompanhados de uma série de pessoas que, certamente, estão todas bem intencionadas, mas que resolveram fugir da tensão do real simplesmente por um medo e um terror que só pode ter explicação no fato de que a existência é marcada pela incerteza. Há um perigo em querer demasiadamente a sua própria redenção – e, às vezes, isso pode nos levar ao mais profundo dos infernos. E o final de Lost – que deveria ser uma série sobre um personagem que, do ceticismo a fé, resolve abraçar o mistério -  subestimou e, por fim, insultou a inteligência do espectador. E é finita la opera.

(A imagem acima foi tirada do blog Trabalho Sujo, do jornalista Alexandre Matias, a melhor fonte de informações que existe na Internet brasileira sobre Lost)


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Cuidado com o hype!

Filed under: Literatura incluído por Martim Vasques da Cunha
Data do post: 25 de maio de 2010

E finalmente a Companhia das Letras resolveu publicar o catatau chamado 2666, de Roberto Bolaño, o escritor mais prestigiado dos últimos tempos – e que não faria diferença nenhuma se não estivesse morto e enterrado.

Há cerca de dois anos comecei a ler Bolaño, tudo por culpa do blog português Bibliotecário de Babel, que o idolatra sem pudores. Foi uma decepção. Não consegui passar da metade de Os detetives selvagens, sequer atravessei a primeira parte de 2666, não engoli direito o monólogo de Noturno do Chile. Bolaño escreve bem, mas a repercussão de sua obra é algo superestimada por todos, em especial os amigos que pipocam ali e acolá e dizem tê-lo conhecido como se fosse o último messias da literatura. Isso, sem dúvida, me fez desistir na leitura de seus romances, que não me impressionaram em nada e mostraram apenas um homem desesperado que queria construir sua lenda a qualquer custo.

Parece-me que a crítica literária de jornal caiu nesta lenda e agora tem de vendê-la sem pensar nas conseqüências – que são simples: todos vão querer imitar Roberto Bolaño e dar com os burros n’água. Para estes sujeitos, que andam pelos lugares trendys de São Paulo e Rio de Janeiro, e acham que o hype é o que fica (quando, na verdade, é só o que passa sem deixar saudades), tenho um conselho quando perguntarem a você, leitor, se leu Bolaño: responda apenas que precisa ler Stendhal.

Agora, se você quer fugir do hype, e, além disso, saber escrever bem na sua própria língua, não perca o curso que o Antonio Fernando Borges criou especialmente para a Internet, Em Busca da Prosa Perdida. Borges é sempre Borges e, no Brasil, ele é o autor de dois livros que são muito superiores a qualquer Bolaño: Brás, Quincas & Cia. e Memorial de Buenos Aires – que, olhem só, também foram publicados pela mesma Companhia das Letras. Só assim o leitor saberá reconhecer o que é a literatura passageira e a literatura que veio para ficar, independente das modas e dos tempos.


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Problemas dos grandes livros

Filed under: Educação incluído por Joel Pinheiro
Data do post: 21 de maio de 2010

Ainda sobre o ensino superior, vejam este artigo de Patrick Deneen: Why the great books aren’t the answer. Uma possível alternativa ao modelo técnico, compartimentalizado e reducionista das faculdades é o currículo baseado nos “great books”: os grandes livros do cânone ocidental. O problema, segundo o autor, é que um cânone tão díspare (que inclui Platão, Tomás de Aquino, Marx e Nietzsche) apenas reforçaria o relativismo e o subjetivismo da cultura universitária, com cada jovem escolhendo arbitrariamente aquele “pensador” com que mais se identifica. A perspectiva de cada universidade escolher uma abordagem para apresentar as obras também não lhe agrada muito, pois isso preservaria o relativismo, só que agora no nível institucional e não mais individual.

A crítica tem seu sentido. Simplesmente jogar um monte de livros tão contrários entre si sobre um estudante pode sim produzir um relativismo ou ceticismo nele; especialmente se a leitura seguir a ordem cronológica, dada a premissa implícita de que o que vem depois é sempre superior. Ao contrário do que imagina Deneen, contudo, a mente do universitário não é matéria inerte, e muitos são capazes de pensar por si próprios e, portanto, tirar frutos da leitura mesmo sem a supervisão da titia na sala de aula. Fica parecendo que, para o autor, o único jeito de escapar do relativismo é impor, a nível nacional (ou mundial?), uma abordagem católica tradicional a todas as faculdades. O que, a bem da verdade, apenas substituiria o relativismo institucional por um voluntarismo autocrático do poder soberano.

Não lhe ocorre que diversidade de opiniões não significa relativismo, que, aliás, caracteriza-se antes pela uniformidade do “tudo vale”, e não pela divergência de opiniões reais. Ele também não atenta para o fato de que idéias contrárias têm muito a ganhar com a existência de pensamentos alternativos. A dialética é meio de se aproximar cada vez mais da verdade, que não se encontra totalmente nessa ou naquela escola.


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Universidade para todos?

Filed under: Educação incluído por Joel Pinheiro
Data do post: 20 de maio de 2010

Talvez não seja uma boa idéia. Vejamos o caso americano: o estudante normal, pressionado pelas convenções sociais e pela família a cursar uma universidade, paga caro pela decisão. Quem termina o ensino superior (40% cai fora antes) sai dele com uma dívida de dezenas de milhares de dólares; adiou sua entrada no mercado de trabalho e começa no vermelho. É bem plausível que, para a maioria, o investimento não seja rentável financeiramente.

Claro que isso desconsidera os muitos benefícios não-monetários do ensino superior: abrir a mente do estudante a novas idéias, ensiná-lo a aprender por conta própria, torná-lo mais independente e responsável. Mas nos cursos superiores cada vez mais padronizados, voltados ao ensino de técnicas específicas, esses benefícios tornam-se cada vez menores; e ainda assim demandam tempo e investimento muito maiores do que se fossem curtos, intensos e ostensivamente voltados ao treinamento de profissionais. Para o estudante, entrar na universidade, extensão do ensino médio, significa curtir a vida longe da vigilância paterna e da necessidade de se sustentar ou se dedicar seriamente a qualquer coisa que não o prazer. É impossível medir, mas o saldo humano (moral e intelectual) dos dois primeiros anos pode muito bem ser negativo. As Economíadas e tequiladas que o digam! É a entrada no mercado (que em geral se dá no estágio, da metade para o fim do curso; forma de abrandar os custos – em tempo e dinheiro – da graduação) que ensina as virtudes necessárias e inicia o estudante na vida adulta.

No Brasil, é claro, o ensino superior é para poucos, se comparado a EUA e Europa. Mas somos vítimas da mesma obsessão. É só notar como o aumento de vagas é invariavelmente celebrado; e como surgem novas universidades a cada dia, sejam privadas (que cobram caro por um pedaço de papel), ou públicas (que também cobram caro, mas de quem não cursa).

Resta um preconceito cultural e institucional a favor do diploma universitário (que para a empresa é um meio gratuito – caro para o governo e para os pais – de filtrar candidatos). Ainda assim, conforme a idéia de que o terceiro grau não seja necessário, e de que existem métodos mais eficazes de capacitar trabalhadores (ex.: experiência), difunda-se pela mídia, a pressão para universalizar o terceiro grau deve também diminuir. Quem sabe aí a universidade consiga recuperar (se é que algum dia alcançou) seu ideal de formação humana e intelectual universalizante.


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A deformação da linguagem

Filed under: Filosofia incluído por Martim Vasques da Cunha
Data do post: 19 de maio de 2010

Em entrevista publicada no caderno Sabático, do jornal O Estado de S. Paulo (que, pouco a pouco, transforma-se em uma publicação oficial da esquerda hegemônica, muito mais que a Folha de S. Paulo – ah, a vingança é um prato que se come frio…), Alfredo Bosi, o outro monarca do pensamento literário (sempre em competição com Antonio Candido), discorre sobre as ideologias e as contraideologias.

O monarca número 2 até fala algumas coisas corretas, mas o problema de toda a entrevista é que tanto o repórter que fez as perguntas como o próprio Bosi se comunicam em uma linguagem impenetrável. Aí vem a pergunta: Será que eles sabem pedir uma pizza como uma pessoa normal?

É claro que não. Ontem peguei o livro para dar uma folheada e, já pelo índice, deu para perceber o que vinha pela frente. Para Bosi, a ideologia maléfica é, óbvio, o liberalismo de direita; e a tal da contraideologia seria a esquerda cristã, seja lá o que isso for, pois, como vocês sabem, marxismo e Jesus Cristo nunca combinaram, exceto neste adorável FEBEAPÁ.

(Ah, e prometo que vou ler o livro com cuidado e darei mais informações a vocês, meus caros leitores. Stay Tuned!)

Como se não bastasse, o divertido é ler as notas de rodapé, esta vítima do pedantismo acadêmico (notas de rodapé são sempre divertidas de ler quando têm realmente algo a dizer; no Brasil, elas sempre ficam jogadas no canto, prestes a serem abandonadas – como foram – para o desprezo dos estudantes. Não percebem que o rodapé é a arma do verdadeiro scholar). Bosi só cita como referência de estudo a sua própria tchurma da USP – Janine, Chauí, et caterva – ou então umas teorias que fazem sentido apenas em reunião de departamento. É algo edificante de se ler…

Mas não se você preza a linguagem de alguma forma. Seja na universidade, seja no jornalismo, quem sai estuprada é a linguagem, que deveria expressar corretamente o real tal como é – e este não admite qualquer espécie de ideologia. Porém, se este pessoal não consegue pedir uma pizza, será que se espera coisa diferente quando se trata das coisas fundamentais?

Bem vindos ao mundo maravilhoso da novilíngua!


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De volta ao bem e o mal

Filed under: Sociedade incluído por Joel Pinheiro
Data do post: 17 de maio de 2010
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Parece que a moralidade está in, e o relativismo, out. Artigo de Suzanne Fields.


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Curso – A banalidade do Mal: Hannah Arendt e o Caso Eichmann

Filed under: Geral incluído por dicta
Data do post: 13 de maio de 2010

 

IICS - Depto. de Humanidades
A banalidade do Mal: Hannah Arendt e o caso Eichmann.
Programa
Na figura do criminoso nazista Adolf Eichmann
revela-se a sombra do mal contemporâneo.

1. Vida e obra de Hannah Arendt. Eichmann e o seu papel da Solução Final.
2. Julgamento de Eichmann. Do Mal Radical para o Mal Banal.
3. Os Julgamentos de Nuremberg. O Mal na Política.
4. A defesa de Eichmann e o colapso moral na Alemanha.
5. Culpa e responsabilidade sob o totalitarismo.
6. Pensar, querer e julgar.

   
Coordenação:
Newton Pereira
Professor de Filosofia Contemporânea e Filosofia Política na UNIFAI.
Doutorou-se na FFLCH/USP em 2008 com tese confrontando Hannah Arendt e Martin Heidegger.
Membro da Sociedade Brasileira de Fenomenologia e do grupo de estudos de Democracia, Norberto Bobbio.
____________________
Datas:
24, 31 de maio;
7, 14, 21 e 28 de junho
Dias da semana: segundas-feiras
Horário: 19h30 às 22h
Investimento: R$ 360,00
em até 2x sem juros
____________________
 
Obs: As aulas serão introduções aos livros, mas recomenda-se um conhecimento antecipado para a melhor compreensão dos temas a serem abordados. Logo após a inscrição, o aluno receberá indicações bibliográficas no site do departamento.
Saiba mais Inscreva-se
Depto. de Humanidades do Instituto Internacional de Ciências Sociais

 

 

Mais informações e inscrições: www.iics.org.br/humanidades


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A ausência de fé de Alexis de Tocqueville

Filed under: Filosofia incluído por Martim Vasques da Cunha
Data do post: 12 de maio de 2010

Em seu novo ensaio publicado na New Yorker, James Wood resolveu escrever sobre ninguém menos que Alexis de Tocqueville, o patrono dos conservadores moderados, por assim dizer. Wood tem lá os seus problemas – ele implica em demasiado com as referências espirituais dos escritores que analisa, talvez um reflexo do seu problema pessoal com a fé, já desenvolvido em livros anteriores – mas ninguém pode dizer que o homem lança umas hipóteses instigantes. Em seu texto sobre Tocqueville, desenvolve a premissa de que o célebre A Democracia na América é um livro sobre o advento de uma nova fé que veio para substituir a velha – no caso, o igualitarismo democrático em lugar do bom e velho Cristianismo – como se isso fosse, na verdade, um reflexo das lutas constantes do nosso querido Alexis com sua própria ausência de fé:

Society, Tocqueville felt, needs religion’s emphasis on the afterlife. God guarantees the authority of morals (goodness comes from God), and, more generally, religion leads democratic man away from the narcissism and materialism endemic to non-aristocratic societies. Yet how does one continue to renew religious belief in an age of radical doubt? Tocqueville’s solution has a whiff of characteristic French cynicism, even of hypocrisy. It is basically what Voltaire called croyance utile, “useful belief.” Religion doesn’t have to be true, Tocqueville thought, but it is very important that people profess it. So, he writes, whenever religion has put down deep roots in a society, one must “guard against shaking it; but rather preserve it carefully as the most precious inheritance from aristocratic centuries; do not seek to tear men away from their old religious opinions to substitute new ones.” Materialism seems to have been a fearful abyss for Tocqueville, teeming with the devils of unbelief, nihilism, and disorder. In a pungent sentence, he avers that, if a democratic people had to choose between metempsychosis and materialism, he would rather have citizens believe that their souls will be reborn in the bodies of pigs than that they themselves are just matter.

É uma reflexão ousada o suficiente para quem acha que conservadorismo é apenas um bando de jovens carolas que escutam música erudita – e, claro, se você acha isso, aguarde a próxima Dicta, que, olhem só, terá um ensaio muito especial sobre Tocqueville.


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