Nas livrarias no dia 30/07
Data do post: 24 de julho de 2010

Após quase uma década esgotado nas prateleiras das livrarias e de um trabalho meticuloso de três anos, As horas de Katharina será finalmente relançado no dia 30 de julho, e desta vez com um brinde: a peça inédita A andorinha ou: a cilada de Deus, que Bruno Tolentino deixou pronta meses antes de sua morte, ao 66 anos. Você já pode encomendar o seu exemplar aqui e depois se deleitar com a introdução de Alcir Pécora, com o rigor de Juliana P. Perez nos comentários, com as notas de variação de Jessé de Almeida Primo e ficar hipnotizado com a capa de Cláudio Pastro. E, claro, aguardem em breve mais novidades sobre o lançamento.
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Out of her secret Paradise?
Data do post: 23 de julho de 2010
Pegando carona na recente discussão sobre os famosos baús de Kafka e a briga pela divulgação do seu conteúdo, Michael Rosen escreve hoje no Guardian sobre o poema inédito de Shelley, Poetical Essay, descoberto em 2006 e que permanece sem publicação até agora, por escolha pessoal do dono do manuscrito.
Rosen reclama daquilo que entende ser um verdadeiro absurdo: o direito de propriedade deveria atingir apenas o papel em si, mas jamais o poema. Levado o raciocínio às últimas consequências, eu só poderia ter um quadro de, sei lá, Matisse, se divulgasse reproduções acessíveis ao público?
A questão é: o meu direito de propriedade vale mais do que a possibilidade de desfalcar os Complete Works de um grande poeta? Opiniões?
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Dicta&Contradicta chega em Porto Alegre
Data do post:

É isso aí, tchê! Depois de uma longa travessia, chegamos a Porto Alegre. Pedidos não faltaram: as gaúchas nos queriam, os gaúchos também (obviamente, vimos isso com ressalvas), até que um de seus embaixadores, Eduardo Wolf, nossa mais recente descoberta jornalística, nos veio com uma oferta que não poderíamos recusar: um lançamento do nosso número 5 com palestra de ninguém menos que Luiz Felipe Pondé, que abriu um tempo em sua agenda movimentadissíma para discorrer sobre o trágico e a desgraça ao tomar um chimarrão…
Brincadeiras à parte, esperamos você, caro leitor de Porto, para o lançamento, que ocorrerá no dia 29 de julho, quinta-feira, às 20hs, e o verdadeiro tema da palestra de monsieur Pondé será ” O pensamento no deserto – Pensar no Brasil de hoje”, um verdadeiro oxímoro se pensarmos com cuidado. O local será a Livraria Cultura Shopping Bourbon, que fica na Av. Túlio de Rose, 80.
Até lá!
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A importância do toque
Data do post: 21 de julho de 2010
E a ciência mais uma vez nos dá evidências de algo que já era pressentido pela maioria. O contato físico direto, o toque, faz diferença em nossas relações com pessoas e objetos. Ter um livro em mãos é muito diferente de ler na tela do computador. O texto na tela parece menos real; a carta manuscrita tem mais importância que a datilografada; até o email impresso parece mais sério do que o lido na tela. Claro que a diferença é meramente psicológica. Mas dado que não somos puros “entes de razão”, esses efeitos psicológicos devem ser levados em conta, pois afetam a todos em algum grau.
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A ação moral depende da razão?
Data do post: 18 de julho de 2010
É a pergunta mais recente da série “Conversations” da Templeton Foundation, entidade que promove o diálogo entre ciência, filosofia e espiritualidade, financiando projetos, dando prêmios e organizando eventos culturais. A “conversation” é sempre uma boa oportunidade de ver opiniões diferentes em artigos enxutos escritos por gente gabaritada.
Pergunta-se se a moral depende ou não da razão humana. O que nos mostra como agir? Algum raciocínio prático? Os sentimentos? A adesão da vontade a uma lei? Participam da série o rabino-chefe do Reino Unido, Jonathan Sacks, o filósofo muçulmano Aref Ali Nayed, o jurista Stanley Fish, psicólogos, neurocientistas e, na defesa da boa e velha lei natural (que é, basicamente, responder à pergunta com um grande SIM), Robert P. George, de Harvard.
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Descoberto documento escrito mais antigo de Jerusalém
Data do post: 16 de julho de 2010
Encontrado em Jerusalém, pedaço de tábua de pedra com escrita cuneiforme acádia, datado do século XIV a. C., é o mais novo mais antigo documento escrito da cidade. Para minha decepção, nenhuma mensagem para nós: no fragmento de dois centímetros só há palavras comuns (“você”, “ele”, “fazer”, “depois”) fora de contexto. Quem saberá os mistérios para sempre perdidos com o resto da tábua?
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Um dos livros do ano
Data do post: 15 de julho de 2010

Mais informações aqui.
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I Write Like
Muitos já devem ter visto, mas este negócio do I Write Like é bem divertido. Funciona assim: você insere uma amostra de qualquer texto e o site automaticamente analisa o seu estilo e o compara ao de algum escritor famoso – de Nabokov a Stephen King. Infelizmente, por enquanto é só em inglês mesmo.
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“But H Mirren is super”
Data do post: 14 de julho de 2010

E nada como ler uma entrevista com Geoffrey Hill, nosso velho conhecido, à revista Standpoint, e ter como brinde alguns poemas inéditos como amostra de seu próximo livro, Oraclu, a ser publicado no segundo semestre na Inglaterra.
No meio da conversa, Hill solta esta pérola de assustadora lucidez sobre as relações entre poesia e democracia:
Art, he believes, has “a right to be difficult” if it so wishes. “Cogent difficulty, that yields up its meaning slowly, that submits its integrity to the perplexed persistence of readers of goodwill, is one of the best safeguards that democracy can have.” Why? Because “tyranny requires simplification…Propaganda requires that the minds of the collective respond primitively to slogans of incitement. And any complexity of language, any ambiguity, any ambivalence implies intelligence. Maybe an intelligence under threat, maybe an intelligence that is afraid of consequence, but nonetheless an intelligence working in qualification and revelation…resisting, therefore, tyrannical simplification.
Outro momento impagável é quando ele pergunta ao entrevistador, que é um de seus melhores amigos desde a adolescência, se quer assistir mais um episódio de Prime Suspect, clássica série de TV policial produzida na Inglaterra e que tem como atriz principal ninguém menos que Helen Mirren, que, antes de ser a Rainha Elizabeth, foi também isso aqui, olhem só:

Ou seja, poeta que é poeta também adora uma sitcom ou uma boa trama policial. E gostar de mulher, é claro.
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De olhos bem fechados
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Um das opiniões mais lamentáveis do nosso zeitgeist é a crença idiota de que a China pode ser civilizada simplesmente porque é um “país em franca expansão econômica”, como se isso fosse garantia de que lá pode se respirar um pouco de liberdade.
Qualquer um com dois dedos de testa sabe que isso não é verdade – e Guy Sorman escreveu um texto no City Journal relatando o que realmente acontece na China.
Anotem estes três nomes: Wei Jingsheng, Hu Jia, and Liu Xiaobo. O primeiro está exilado nos Estados Unidos depois de ser expulso por defender o retorno da democracia na China. O segundo está preso em Pequim porque denunciou como a burocracia se omitiu em relação aos casos de AIDS no país. E o terceiro também está preso e, como seu motivo foi justamente a defesa da abertura da Internet e da criação de leis na China, resolveram deixá-lo incomunicável durante os seus onze anos de encarceramento, sem poder falar com um advogado ou sequer escrever para a sua esposa.
E olha que o aspecto econômico não está tão bom como parece. Como explica Sorman:
The new China seduces us with the Olympic Games in Beijing and with “Expo 2010,” a world’s fair currently taking place in Shanghai. But when we look behind the stage curtain, we see a nation divided in two. There are the rich, who consist of Communist bureaucrats and military brass. And then there are the ordinary people, who show themselves to be well-informed and ready to rebel against the Party and its clients. Peasants rise up to overthrow local potentates; workers demand decent salaries; migrants, who work in factories or building construction, refuse to be driven back to their villages (where there is no work) at the whim of the Party; some courageous journalists denounce corrupt officials; Taoists, Buddhists, and Christians organize in groups to pray or to offer charitable services; university scholars call for democracy, or at least decency, from leaders, and for social equity. Between these two social classes there is, to be sure, a hesitant new middle class, but inflation is wearing it down and a real estate bubble will, sooner or later, bring it to ruin.
Uma maravilha, não é mesmo?
E enquanto isso, na nossa América Latrina, Hugo Chávez, o bufão da Venezuela, cada vez mais explícito com suas conexões cubanas, mandou prender Alejandro Peña Esclusa, presidente da Unoamérica, a única entidade civil que resolveu ter a coragem de ir contra os mandos e os desmandos chavistas. Em uma história digna de relatório da KGB, acusam Peña Esclusa de terrorismo ao descobrirem, dentro de sua casa, explosivos que seriam usados para uma bomba; como acredito que um terrorista jamais esconderia seus artefatos de maneira tão displicente, só há uma única possibilidade para tal fato: a de que Esclusa não é e nunca foi um terrorista e que isso não passa de uma tremenda armação.
O problema é que, tanto no caso da China como no da Venezuela, a mídia e a opinião pública ficaram de olhos bem fechados. Não querem ver o que realmente acontece debaixo de seus narizes. É uma omissão que ninguém sabe se é proposital ou um dos sintomas da loucura coletiva. Se for uma mistura de ambos, só posso dizer que isso não é um bom prognóstico para nós, especialmente após as eleições de Outubro, seja lá quem for vencê-las.
Edmund Burke dizia que a única coisa necessária para o triunfo do mal é que os bons não façam nada. Não tenham dúvidas de que o mundo se encontra exatamente nessa situação.
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