AND THE WIND BEGAN TO HOWL…
Data do post: 31 de outubro de 2010
All Along The Watchtower
“There must be some way out of here,” said the joker to the thief
“There’s too much confusion, I can’t get no relief
Businessmen, they drink my wine, plowmen dig my earth
None of them along the line know what any of it is worth”
“No reason to get excited,” the thief, he kindly spoke
“There are many here among us who feel that life is but a joke
But you and I, we’ve been through that, and this is not our fate
So let us not talk falsely now, the hour is getting late”
All along the watchtower, princes kept the view
While all the women came and went, barefoot servants, too
Outside in the distance a wildcat did growl
Two riders were approaching, the wind began to howl.
Bob Dylan
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Por que tantas mulheres européias se convertem ao Islã?
Tablóide também tem reportagem boa. Eve Ahmed, que escreve para o Daily Mail, foi criada muçulmana mas abandonou a fé por sentir-se presa e controlada por uma infinidade de regras. Qual não é seu espanto ao constatar que muitas mulheres ocidentais bem-sucedidas escolhem, de livre e espontânea vontade, prestar obediência total e irrestrita a Alá.
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Imperdível! – Curso sobre René Girard
Data do post: 28 de outubro de 2010

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Tomás de Aquino encontra E. O. Wilson
Data do post: 26 de outubro de 2010
Num provocante artigo ao Huffington Post, Matt J. Rossano propõe S. Tomás de Aquino como padroeiro da psicologia evolucionária, aquela disciplina que tenta explicar comportamentos humanos com base em estratégias evolutivamente selecionáveis. No blog da First Things, um debate de nível surpreendentemente alto nos comentários sobre a possibilidade de uma tal ciência.
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A política de Mario Vargas Llosa
Data do post: 21 de outubro de 2010

Sim, este correspondente que vos escreve esteve em Porto Alegre na semana passada e passou três dias ao lado de Mario Vargas Llosa, Prêmio Nobel de Literatura 2010. Sim, vocês saberão mais sobre isso na próxima Dicta&Contradicta, aguardem. E, sim, o sujeito é uma simpatia, um escritor digno de figurar como exemplo de intelectual público – algo que não temos desde a morte de Albert Camus (aliás, uma de suas grandes influências).
Enquanto isso, no mundo internacional, todos elogiaram a Academia Sueca pela escolha do prêmio porque, afinal, Llosa é um grande contador de histórias. Contudo, como aponta a Spike, algumas pessoas na Suécia (tinha de ser…) resolveram reclamar porque o importante não era a literatura e sim a tal da política ”neoliberal” do escritor peruano.
No Brasil, o único país do mundo onde o feto é transformado em discussão política e “neoliberal” é equivalente a xingar a senhora sua mãe, esta é uma espécie de discussão que sempre volta à baila toda vez que alguém resolve enfiar o assunto das “privatizações” goela abaixo. Felizmente, Llosa foi recepcionado em Porto Alegre com palmas, aplausos e ovações unânimes que, neste caso, provam que talvez Nelson Rodrigues esteja errado.
Mas como no FEBEAPÁ tudo deve ser explicado – afinal, existem pessoas que reclamaram de Tropa de Elite 2, o filme mais didático do mundo, alegando que a narração em off prejudicava a sua qualidade artística – creio que é necessário ler este artigo do Washington Post que destrincha a complexidade política das posições de Llosa, analisando suas nuances e respeitando o fato de que, apesar de eventuais falhas – um agnosticismo que o impede de compreender corretamente o que é a experiência religiosa e um amor pelo liberalismo econômico que o faz confundir entre a liberdade exterior e a liberdade interior -, mostra que ele foi sempre um intelectual inclassificável e sobretudo corajoso no momento de definir as suas idéias.
(Ah, claro, e quem quiser ler mais sobre os romances e os ensaios de Mario Vargas Llosa, além de ter acesso às fotos familiares do Nobel em suas andanças por Madri, Londres e Nova York, não percam este fabuloso dossiê que o El País fez para homenagear o laureado.)
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O anel sem palavras
Data do post: 20 de outubro de 2010
Na semana passada a Orquestra Sinfônica Brasileira apresentou no Theatro Municipal do Rio de Janeiro um programa que não queria ter perdido. O vídeo acima é só uma pequena amostra do que os cariocas assistiram no dia 16/10, e o paulistano aqui não estava lá.
A música foi o principal, é claro; mas eu tenho uma razão a mais para lamentar: tive a honra de escrever as notas críticas desse programa para revista da OSB; convivi com essa música por um bom tempo e perdi a chance de vê-la ao vivo. Mas nos contentemos com as gravações, e espero que gostem do que escrevi aí embaixo.
Richard Wagner e a beleza da promessa
O imperador Dom Pedro II certamente teve uma noite longa em 13 de agosto de 1876. Ao seu redor estavam o rei Ludovico II e os compositores Liszt, Tchaikovsky, Grieg e Gounod. Foi um domingo intenso na Baviera: naquele dia, Richard Wagner (1813-1883) inaugurava seu festival e sua casa de ópera em Bayreuth, com a presença dos já citados e mais algumas dúzias dos mais importantes nobres e plebeus de uma Europa que, como hoje, começava a perceber que muito haveria de mudar nos anos que estavam por vir.
Do outro lado do Atlântico, o The New York Times publicava por três dias consecutivos reportagens de capa sobre o que acontecia no palco alemão. E naquele palco de Bayreuth era apresentado pela primeira vez o ciclo completo das quatro óperas de O Anel dos Nibelungos.
Eis uma primeira noção da grandeza do que será apresentado neste concerto pela Orquestra Sinfônica Brasileira. Grandeza levada às últimas conseqüências em todos os sentidos: da orquestração à pretensão filosófica, da inovação técnica à beleza dos movimentos.
Mas todo esse circo fez com que surgisse em torno de Richard Wagner uma mitologia que, no final das contas, serve sobretudo para nos afastar do que realmente importa – sua música. Portanto, sejamos breves como o foi Otto Maria Carpeaux: “Wagner foi homem terrível e mau caráter”, idolatrado pelos seguidores por ser (ainda nas palavras de Carpeaux) “propagandista do racismo, do anti-semitismo, do vegetarianismo, de confusas ideias budistas”. Mas, hoje, isto é o que menos importa: Richard Wagner já não representa uma ameaça aos cofres do reino nem às esposas dos amigos; e não será na sala de concertos que vamos avaliar a sua (danosa! danosa!) influência política. Vão-se os dedos, ficam os anéis…
O Anel Sem Palavras é uma seleção feita pelo Maestro Lorin Maazel de trechos sinfônicos das quatro óperas que compõem o ciclo O Anel dos Nibelungos (O ouro do Reno, A Valquíria, Siegfried e O crepúsculo dos deuses). Mas, ao contrário do que pode parecer, o ouvinte definitivamente não encontrará na seleção de Maazel apenas uma música de acompanhamento, ocasional e fragmentada. Pelo contrário, para além das especificidades técnicas (também elas importantes), a grande revolução de Wagner foi conceber a ópera como um verdadeiro drama musical. Para que isso se tornasse possível, a orquestra, a música instrumental passou a desempenhar na ópera de Wagner o papel de uma espécie de viga mestra, de fio condutor a partir do qual todos os outros elementos (vozes, personagens, enredos etc.) se desenvolvem e se encontram para dar unidade ao conjunto. O Anel, por sua grandeza, é o melhor exemplo disto.
Sim, o projeto sempre foi ambicioso. E, como tudo na Alemanha, também ele seria resumido numa única palavra, praticamente impronunciável nos trópicos: Gesamtkunstwerk, a “obra de arte total”. Ou seja, Wagner não queria apenas explorar o sistema tonal em suas profundezas (como o fez), não queria apenas propor um novo princípio para a ópera (como também o fez): ele queria criar um mundo no qual alcançaríamos a redenção pela obra de arte. Os sentimentos e ensinamentos que a Europa (ou, pelo menos, os intelectuais europeus da moda) não mais encontravam na religião ganhariam forma e expressão a partir do gênio criativo (e criador) do ser humano; ou, mais especificamente, a partir do gênio de Richard Wagner.
É a crença no humano sem nenhuma modéstia e talvez, justamente por isso, a melhor expressão da modernidade. A arte de Wagner está cheia até a medula desta crença no homem capaz de, com suas teorias, criar um mundo novo; com sua arte, atingir o que os medievais reservavam aos místicos; com sua ciência, resolver todo e qualquer problema.
Diante de um monumento como este nos restam, a nós ouvintes, apenas duas perguntas: 1. A teoria de Wagner está contida na obra de Wagner? e 2. Wagner cumpriu o que nos prometeu?
À primeira pergunta cabe a cada um dos ouvintes responder. A crítica não tem uma resposta pronta e é bom mesmo que não tenha, afinal nenhum texto substituirá a experiência de ouvir Wagner. Nesse sentido, o Anel Sem Palavras é uma oportunidade de ir direto ao núcleo da questão.
Quanto à segunda, o tempo nos mostrou que, na verdade, Wagner confundiu o pôr do sol com a aurora. O que parecia um começo brilhante para um novo mundo e uma nova arte mostrou-se o melancólico fim de um tempo que não volta. A música não seguiu os grandiosos caminhos que ele tinha planejado e esta mesma crença em soluções finais cobrou seu preço em milhões de cadáveres. Mas nada disso tira a extraordinária beleza de Wagner. Aquela beleza que só existe numa promessa sincera. Uma promessa, é bem verdade, que sempre foi impossível, mas que nem por isso deixou de trazer consigo uma beleza real e tocante.
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Enquanto isso, no ateísmo militante…
Ateus e secularistas se reuniram em Los Angeles para discutir o futuro do movimento. Em meio a falas de Richard Dawkins e Sam Harris, o debate que ganhou o evento foi: devem adotar uma postura mais cooperativa com os religiosos ou partir para o confronto aberto? Chris Mooney defendeu a posição conciliadoa, e PZ Myers, famoso por ter queimado o Alcorão e desecrado a Hóstia Consagrada, defendeu – com uma postura que lembra mais um menino mimado e birrento do que qualquer outra coisa – o conflito.
Além desse evento, os irmãos Hitchens (Christopher, o ateu, e Peter, o cristão anglicano) travaram um debate amigável em Washington sobre se a civilização pode sobreviver sem Deus. É de certa forma um prelúdio para o debate mais formal – com vencedor e perdedor – entre Christopher e Tony Blair (que se converteu ao Catolicismo depois de deixar o poder), que será realizado em novembro com a pergunta: “A religião é uma força de paz ou conflito no mundo moderno?”.
É uma pena que essa cultura do debate franco com questões claras e posições bem demarcadas não exista no Brasil. Faz falta.
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Dostoiévski: um gigante em uma biografia gigantesca

Para minha satisfação, e em parte tristeza, terminei o último dos cinco volumes da biografia de Dostoiévski, escrita por Joseph Frank, que foi professor de Literatura nas universidades de Princeton e Stanford. A tristeza é aquela de quando terminamos um livro excelente, em cuja companhia permanecemos meses: começa a bater a saudade, e sabemos que nunca mais leremos aquela obra pela primeira vez.
Todos os volumes da biografia, editada no Brasil pela Edusp, somam mais de 3.000 páginas. Nem acredito que os enfrentei! No entanto, posso assegurar, sem medo de exagerar, que foi uma das melhores coisas que li na vida. Cada volume apresenta trechos antológicos, e não consigo destacar um em relação aos outros: tudo é muito interessante.
A biografia transita por três níveis: a vida propriamente dita de Dostoiévski, que é o fio que unifica tudo; a análise da sua obra literária; e o ambiente cultural e político daqueles anos na Rússia. Joseph Frank é habilidoso ao entretecer os assuntos, mantendo sempre o ritmo e chamando a atenção do leitor; parece até um romance do biografado.
Por sinal, a vida de Dostoiévski é impressionante. Sua formação intelectual, os flertes revolucionários da juventude, o tempo de prisão, os anos no exército, o retorno à vida cultural e a confecção das suas obras-primas, as disputas ideológicas nas quais se envolveu, a profunda humanidade da sua vida familiar, sua consagração pública nos últimos anos… Os vários eventos são contados com profundidade e agilidade, e o biógrafo chega às motivações religiosas e morais do biografado, que dão o sentido último de sua existência.
A grandeza do escritor russo chega a esmagar. Ao mesmo tempo, tomamos conhecimento das suas limitações – sua exagerada xenofobia, os laivos de antissemitismo, suas previsões exageradas a respeito da civilização européia, o temperamento irritadiço e difícil –, que não obscurecem a admiração que sentimos por ele. Afinal, como não nos sentirmos gratos com alguém que nos legou Crime e castigo, O idiota, Os demônios e Os irmãos Karamázov? Olhe que apenas falei de seus grandes livros, sem citar uma série de outros escritos de valor.
Por falar me gratidão, também me sinto em dívida com Joseph Frank, por ter feito algo tão bom! O livro é rigoroso, exato, maneja fontes primárias e há um enorme trabalho por trás dele. Poderia ser árido, mas é exatamente o contrário: uma leitura deliciosa. A tradução é bastante satisfatória: apesar de alguns erros, o português é de qualidade e fluido, o que se agradece. A Edusp merece uma salva de palmas por ter se metido nessa empreitada.
Haveria muito o que falar de Dostoiévski. Acredito que entendi melhor suas motivações e o ambiente no qual elaborou seus livros e artigos. Fico curioso para saber o que ele escreveria se estivesse no Brasil de hoje. Pois a Rússia trilhou o caminho contra o qual ele alertou durante décadas, e nesse sentido foi um derrotado na batalha ideológica que travou. No entanto, o comunismo soviético acabou por cair, enquanto Dostoiévski seguirá sendo lido, servindo de aviso contra a ideologia e o abandono da fé cristã pelos intelectuais.
Como pequena amostra, cito um trecho da biografia, que trata dos últimos momentos do autor com seus filhos, já no leito de morte, e que serve como um resumo de toda a obra:
“Pediu que seu exemplar do Novo Testamento [que ele recebeu trinta anos antes, quando estava na prisão] fosse dado ao filho Fédia e que se lesse aos filhos a parábola do Filho Pródigo. Liubov [filha de Dostoiévski] lembrou-se mais tarde de que ele disse: se algum dia cometessem um crime (prestupliénie, palavra que tem um sentido mais amplo do que um simples delito penal), confiassem em Deus seu Pai, pedissem-Lhe perdão e estivessem certos de que Ele se regozijaria com seu arrependimento, assim como fez o pai com a volta do Filho Pródigo. Era essa parábola de transgressão, arrependimento e perdão que queria deixar como última herança aos filhos; e podemos considerar que isso constitui seu próprio entendimento definitivo do sentido de sua vida e da mensagem de sua obra” (v. 5, p. 923).
Soube que, em inglês, foi lançada uma versão condensada dessa biografia em um único volume, com aproximadamente 1.000 páginas. Imagino que também será de qualidade, porque foi o próprio Joseph Frank quem a realizou. De qualquer modo, duvido que a trocaria pela versão completa.
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O novo gênio do pedaço
Data do post: 13 de outubro de 2010

Há cerca de uma semana descobriu-se que o mundo do entretenimento tem um novo gênio no pedaço: David Simon. Quem é leitor deste site deve se lembrar de seu nome quando comentei a respeito de uma introdução sua para a reedição de Paths of Glory, de Humphrey Cobb, pela Penguin Classics. Mas agora ele é oficialmente o hot shot do momento – e por um bom motivo: Simon foi o ganhador do McArthur Prize, também apelidado de “a bolsa do gênio”.
O McArthur Prize premia americanos nativos ou naturalizados com cerca de 500 mil dólares distribuídos em um prazo de cinco anos para que o sujeito continue a produzir obras inestimáveis para a cultura americana e ocidental.
De fato, David Simon cumpre todos os requisitos acima. Jornalista e produtor de TV, ele é o homem que concebeu The Wire, a melhor coisa já feita na televisão, uma série que ganha em quilômetros de complexidade narrativa e de dignidade humana em relação a The Sopranos (detalhe: sou fã das diabruras de Tony Soprano, mas prefiro as deduções de Lester Freamon). Se você acha que Força Tarefa, da Globo, é seriado policial de qualidade, é porque ninguém apresentou The Wire ao Marçal Aquino e ao Fernando Bonassi.
Além disso, Simon é capaz de se reinventar a cada nova série. A melhor prova disso é Treme, exibida atualmente na HBO Brasil, que se passa em uma Nova Orleans destruída pelo Katrina e que, ao contrário de sua obra anterior, troca a rispidez policial por uma melancólica atitude, embalada por música de primeiríssima qualidade (Uma característica de Simon: em The Wire, ele ousa colocar Tom Waits e Solomon Burke – falecido esta semana, may God rest his soul – na mesma trilha sonora.).
Para dar uma amostra de quão revolucionária é The Wire, eu fiz uma série de podcasts com meu amigo Freddy Bilyk que é transmitido no Loop, um pequeno canal de internet que, através da simplicidade tecnológica (literalmente a lá Cinema Novo: uma câmera no laptop e uma idéia na cabeça), gostaria de disseminar um pouco de conteúdo na cabeça de muitos leitores. O link para o primeiro da série está aqui e espero que você se divirta. Se isso não foi alcançado, que vá para Baltimore e fale com Omar Little para ver quem é que manda no jogo, true that.
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Apologia pro vita sua
Data do post: 12 de outubro de 2010
Uma fórmula de sucesso: descubra algo bastante genérico que você sabe fazer. Estipule metas altas; e as imagine desde já atingidas. Trabalhe duro dentro do âmbito da paixão (quando sabemos fazer bem, é porque temos paixão).
Digo genérico porque não servem habilidades isoladas, como construir pipas ou preparar bolos de chocolate. É preciso que se trate de uma característica primária sua. Exemplos: ser “caprichoso” (fazer tudo com minúcia e atenção), ser “profundo” (preocupado com temas filosóficos), ou tenaz, ou prudente, ou atencioso com pessoas, empático, etc. Eu poderia olhar cada um dos meus amigos e dizer: “este é do tipo empático” ou “este é um engenheiro nato”. O “engenheiro”, no caso, é só uma metonímia: ele poderá ser um excelente empresário ou advogado. O “intelectual” será um bom professor, se tiver paciência e empatia, ou então um matemático ou mesmo um jornalista.
Indicativo de que se tem uma habilidade é o interesse em determinados tipos de atividade. O talentoso lógico entende com rapidez problemas abstratos, e é capaz de passar a noite em claro resolvendo um problema cujo grau de apelo ao público médio é menor que zero. O comerciante revelar-se-á, desde pequeno, um ambicioso negociador, talvez trocando moedas no intervalo da escola até obter a melhor coleção. Se ignora essas habilidades e se força a se interessar por assuntos muito alheios a elas, fracassará certamente. Também o habilidoso fracassa; mas isso ocorre por motivos alheios à sua capacidade (como um empresário que sofre um derrame e se vê impossibilitado de se comunicar; ou um pianista que perde uma mão).
Leia o post na íntegra no blog Feliz Nova Dieta.
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