Trust is all we need
Data do post: 10 de dezembro de 2010
Os dois maiores fatos desta semana não têm uma relação aparente: a prisão de Julian Assange, criador do Wikileaks, e o discurso de Mario Vargas Llosa em Estocolmo, na semana em que recebeu o Prêmio Nobel de Literatura 2010.
Ah, mas eles têm sim senhor. Em artigo curto e lúcido de Theodore Dalrlymple sobre o assunto, o nosso amigo doutor aponta a verdadeira razão para que o Wikileaks seja considerado um braço do totalitarismo cultural que nos enreda atualmente:
The idea behind WikiLeaks is that life should be an open book, that everything that is said and done should be immediately revealed to everybody, that there should be no secret agreements, deeds, or conversations. In the fanatically puritanical view of WikiLeaks, no one and no organization should have anything to hide. It is scarcely worth arguing against such a childish view of life.
The actual effect of WikiLeaks is likely to be profound and precisely the opposite of what it supposedly sets out to achieve. Far from making for a more open world, it could make for a much more closed one. Secrecy, or rather the possibility of secrecy, is not the enemy but the precondition of frankness. WikiLeaks will sow distrust and fear, indeed paranoia; people will be increasingly unwilling to express themselves openly in case what they say is taken down by their interlocutor and used in evidence against them, not necessarily by the interlocutor himself. This could happen not in the official sphere alone, but also in the private sphere, which it works to destroy. An Iron Curtain could descend, not just on Eastern Europe, but over the whole world. A reign of assumed virtue would be imposed, in which people would say only what they do not think and think only what they do not say.
Se o nosso amigo está correto ou não, só o tempo dirá. Contudo, tivemos com Mario Vargas Llosa o exemplo de que a confiança ainda impera nas relações humanas – e da forma mais amorosa possível. Em seu discurso, Vargas Llosa fez um elogio à literatura e à leitura como forma de libertação interior dos possíveis totalitarismos que poderemos enfrentar. O momento mais emocionante não foi a declaração de amor à Madame Bovary ou a Dom Quixote, mas sim à uma pessoa mais próxima, sua esposa Patrícia, que, durante 47 anos, organizou a sua vida inteira para a única coisa que sabia fazer direito: escrever.
Quem não se emocionar com tamanha prova de confiança, tenha certeza de que não é um ser humano.
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Rand ou Capra?
Data do post: 9 de dezembro de 2010
Joe Carter, editor online da First Things, traçou um paralelo inusitado entre George Bailey, o protagonista de “It’s a Wonderful Life”, o clássico natalino de Frank Capra, e Howard Roark, o herói do romance “The Fountainhead”, de Ayn Rand. O paralelo vem a calhar porque, em primeiro lugar, há semelhanças exteriores entre os dois: ambos são arquitetos e ambos ao longo da vida viram-se no dilema de seguir suas aspirações custe o que custar ou deixá-las de lado pelo bem alheio. Bailey capitula, Roark persegue seus valores até o fim, mesmo quando isso lhe custa passar meses sem nenhum cliente e até abandonar temporariamente a arquitetura para trabalhar numa pedreira.
O que Carter tem em mente é a comparação das duas posturas éticas, que podemos chamar aqui, para simplificar, de altruísmo e egoísmo. O altruísta é quem sacrifica seus valores pelas outras pessoas, e o egoísta é quem os persegue mesmo que isso vá contra a vontade alheia. O curioso é que Carter elege George Bailey (ou o que ele considera que George Bailey representa) como o exemplo moral a ser seguido. O homem que nunca fez o que queria, e que sempre cedeu às pressões externas, e cuja vida portanto era frustrada a ponto dele contemplar seriamente o suicídio, é visto como um ideal; afinal, ele não fez o que lhe deixaria feliz; ele se sacrificou.
Até que ponto a vida sacrificada pelos outros (isto é, que abandona os próprios valores e portanto é infeliz) é boa para essas mesmas pessoas a quem se quer ajudar é um ponto a ser considerado. Imagine que sua esposa ou seu marido seja alguém constantemente infeliz; deixou de lado seus sonhos e aspirações para viver ao seu lado e te servir, e seus dias são por isso amargos e mal-humorados. E o melhor vem agora: quando você pergunta o que acontece com ele, e por que ele é tão amargo, a resposta é: “Ora, você não sabe? Sacrifiquei minha felicidade para te fazer feliz.” Delícia, hein?
Será que é isso mesmo que Carter espera que aceitemos como o maior bem? Vou deixá-lo falar: “What makes George Bailey one of the most inspiring, emotionally complex characters in modern popular culture is that he continually chooses the needs of his family and community over his own self-interested ambitions and desires—and suffers immensely and repeatedly for his sacrifices.” (Itálico dele). Por algum motivo, eu não me sentiria muito “inspirado” se meus pais ou meus amigos ou meus colegas de trabalho fossem assim.
Já Howard Roark ele considera um mau exemplo, um adolescente rebelde e vândalo (acusação curiosa, dado que em nenhum momento ele pratique vandalismo). Perseguir um ideal alto, indo além do auto-sacrifício frustrado pelo “bem” alheio, é um sonho pueril e mau. Um gênio criador, que percebe claramente a grande obra artística ou produtiva a qual é chamado a fazer no mundo, deve abrir mão dela para se tornar mais um membro indistinto da massa.
Vejam bem: sou o primeiro a apontar os inúmeros defeitos de Roark como personagem e da filosofia de Ayn Rand. Sem dúvida ele estaria dentre as últimas pessoas das quais eu gostaria de sentar do lado num jantar. Mas fidelidade aos valores mais altos da própria existência não é um defeito. A ética altruísta do sacrifício pede-nos uma traição e um fracasso que demanda, como pagamento, a chantagem emocional de todos à nossa volta. Um homem amargo e frustrado não contribui para o bem alheio; ele é ruim para si e ruim para os demais.
A própria idéia de que fazer o próprio bem é mau e fazer o bem alheio é bom é suspeita. Por que comprar e gostar de um picolé para mim é mau mas comprar um picolé para outra pessoa se deliciar é bom? Se se deliciar com um picolé é bom, então é bom quando o outro faz e também quando eu faço. Imagine se todos adotassem a ética do sacrifício altruísta em suas vidas: todo mundo infeliz e miserável à custa de, e para, todo mundo.
Voltemos ao exemplo do casamento. Acima descrevi o que me parece um casamento mau e doentio, no qual cada lado condena-se à miséria para o bem do outro, e que resulta claramente no mal do outro. O casamento saudável, por outro lado, é aquele em que cada lado vê no bem do outro o próprio bem. Um bom pai de família abrirá mão de muita coisa para cuidar melhor de seus filhos e passar tempo com sua esposa; mas ao fazer isso ele estará perseguindo a sua felicidade, pois essas coisas que ele prioriza em suas ações são exatamente as que ele mais valoriza, e por isso ele é feliz, e por isso podemos dizer que, ao perseguir o bem para sua família ele persegue o bem para si mesmo.
The Fountainhead tem um personagem que representa exatamente as escolhas de George Bailey de “It’s a Wonderful Life”, embora levadas ao extremo: seu nome é Peter Keating. Peter é um arquiteto promissor mas completamente sem espinha, que faz tudo para aparecer bem; ele é incapaz de escolher por si próprio e quer sempre agradar aos outros. Depois de um curto período de glória, amarga o esquecimento do público e o fato de nunca ter produzido nada de valor real. Ao mesmo tempo, na esfera pessoal, abandonou o verdadeiro amor de sua vida em troca de uma mulher que nada tinha a ver com ele, só para seguir os desígnios maquiavélicos de sua mãe. É um personagem que, embora não contemple o suicídio, evoca mais pena do que George Bailey.
Afinal, o próprio “It’s a Wonderful Life” admite uma análise muito mais benevolente do que a de Joe Carter. George Bailey, de fato, deixou de lado muitos valores em sua vida; há um quê de mediocridade e falta de coragem inegáveis em sua trajetória. Contudo, foi ao mesmo tempo alguém que conquistou outras coisas importantes às quais ele ainda não dá o devido valor. O fim do filme, quando ele se dá conta de tudo que ele de fato tem (uma ótima família, amigos, etc), não é um elogio do auto-sacrifício (no sentido de sacrificar o próprio bem), e sim uma indicação de que nós, muitas vezes, não damos o correto valor aos diversos bens que se nos apresentam e que conquistamos enquanto lamentamos a perda de bens menores. Diferentemente de Peter Keating, o altruísta completo, George Bailey teve sim sua dose de egoísmo, ou seja, conseguiu para si um bem que é parte importante na vida de um homem feliz. O homem bom, afinal de contas, não é o que sacrifica seus valores, mas o que persegue, sem concessões, os valores corretos. Por isso mesmo, o desfecho não é o suicídio (seguido, quem sabe, da doação de órgãos para salvar vidas anônimas: o altruísmo perfeito), e sim a felicidade e a descoberta de que a vida é maravilhosa para quem sabe olhá-la.
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A lei do ressentimento
Data do post:

The Social Network, de David Fincher, é uma pequena pérola sobre o ressentimento como mola propulsora dos relacionamentos da chamada Geração Facebook – em outras palavras: a geração que estamos vivendo justamente agora. Se não atinge o brilhantismo de Seven, Fight Club e Zodíaco, pelo menos não chega ao constrangimento que foi O quarto do pânico e O curioso caso de Benjamin Button.
É um dos poucos filmes que se observa a presença de um roteirista em vez da do diretor. No caso, o roteiro em questão é de Aaron Sorkin que, depois de A few good men e The west wing, foi alçado à categoria de um David Mamet no quesito diálogos rápidos e incisivos. Não é nada disso: Sorkin tem ainda de comer muito feijão e arroz para chegar ao mesmo patamar do autor de Glengarry Glen Ross.
Ainda assim, o filme diverte e faz o espectador refletir sobre o que verdadeiramente importa: este mistério chamado relacionamento humano. O ponto de partida de The Social Network é que Mark Zuckerberg criou o Facebook porque levou um merecido pé na bunda. Ao som da música hipnótica de Trent Reznor – que quando acerta faz coisas lindas, mas quando erra sai de baixo – observamos Zuckerberg como um nerd mimado, quase autista, que não se importa com ninguém, passa por cima de todos e, no fim, vai ficar sozinho como todos nós, apesar de ter todo o dinheiro do mundo.
Lembrei-me de Ortega y Gasset quando via a figura de Jesse Eisenberg mimetizando os passos de Zuckerberg na ciranda demente que só o ressentimento faz com as pessoas. O protagonista de The Social Network é o perfeito senhõrito satisfecho, o senhorzinho satisfeito que, achando-se um gênio da informática, usa e abusa de quem dá a idéia original e de quem dá o dinheiro para o seu projeto, chupa-os como um parasita e cai no auto-engano perpétuo de quem acha que criou algo revolucionário. Não fez nada disso. Como diria o escritor Bruce Sterling, “o Facebook não passa de uma favela virtual comandada por um moleque que age como um cacique.”
Os senhorzinhos satisfeitos do nosso tempo acham que a civilização se fez por acaso e não por esforço. Acreditam piamente que são os outros que devem trabalhar por e para ele. Desconhece a tradição de inúmeras escolhas difíceis que foram feitas e que formam a corrente de responsabilidade que estruturou o mundo onde vive.
E não pensem que David Fincher não meditou sobre isso e que sou quem está a alucinar nas entrelinhas. O óbvio contraponto de Mark Zuckerberg na película não está em Eduardo Saverin, o amigo que foi passado para trás, mas sim nos gêmeos Cameron e Tyler Winklevoss – que alegaram que tiveram a idéia principal do Facebook roubada sem a menor consideração por Zuckerberg. Eles são tudo o que Zuckerberg gostaria que fosse, não só em termos físicos como também morais: têm disciplina, querem agir como cavalheiros, aceitam a derrota com nobreza e, quando partem para o ataque, sabem que é o último recurso. Aliás, são eles quem recebem o melhor conselho de vida no filme, saído da boca de Larry Summers, diretor de Harvard e que diz as seguintes palavras com a brutalidade que só a experiência é capaz de afirmar: “Esqueçam isso. Partam para outra. Façam novos projetos”.
Eles não são senhorzinhos satisfeitos. São os poucos nobres que ainda restam neste planeta. Nobreza significa conquistar as coisas com mérito, esforço, dedicação, paciência – e, de novo a palavrinha que irrita nossas sensibilidades democráticas, disciplina. Mark Zuckerberg é um homem-massa desprovido de qualquer moral exceto o ressentimento e a inveja; os gêmeos Winklevoss são os eternos beautiful losers que um dia saberão que a arte da perda é a única que vale a pena se aperfeiçoar.
Porque, no fim, baby, you´re a rich man indeed, mas o que importa é que a única forma de escapar do ciclo de ressentimento é a resignação. Partir para novos projetos, novos horizontes. Reinventar-se. Jamais olhar para trás. E saber que o passado é coisa para otários.
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Ainda vale a pena ouvir Richard Wagner?
Data do post: 8 de dezembro de 2010

A resposta a esta pergunta, segundo David P. Goldman, também conhecido como Spengler, é um sonoro “não“. Para ele, Richard Wagner – um dos gênios mais canalhas que já existiu na face desta terra – se tornou uma espécie de “muzak“, um exemplo a ser copiado na marcha imperial de Darth Vader ou na escala cromática de “Somewhere over the rainbow”. Deixemos o autor argumentar um pouco:
Wagner’s power comes, first of all, from his music, but we have lost the capacity to hear it the way Baudelaire and Mahler did. And our inability to hear Wagner’s music constitutes a lacuna in our understanding of the spiritual condition of the West. Despite Wagner’s reputation for compositional complexity, his musical tricks can be made transparent to anyone with a rudimentary knowledge of music. In some ways, Wagner is simpler to analyze than the great classical composers. Because—as Nietzsche said—Wagner is a miniaturist who sets out to intensify the musical moment, his spells, at close inspection, can be isolated.
Popular literature and program notes describe Wagner’s compositional technique in terms of the so-called leitmotif, or leading motive—a musical theme associated with a particular concept or character. This is true, but trivial. This device has become such a commonplace among film composers that we cannot help hearing, in Darth Vader’s “DA-da-da-DA-DUM-de-DA-DUM-de-DA,” a caricature of the giants’ motive in Das Rheingold—which is exactly what it is. Today we hear Wagner the same way we hear the background music to Star Wars. The lampoon has displaced our perception of the original work.
Contudo, o pessoal da É Realizações acha o contrário. Amanhã, dia 9 de dezembro, começa uma seqüência de eventos que discutirá a importância de Richard Wagner, inclusive com o lançamento de um livro de ninguém menos que Roger Scruton:

Quais das versões você vai escolher? Ora não cabe a mim decidir. Afinal de contas, não foi para a posteridade que Wagner fez sua música?
É hoje o grande dia
Data do post: 6 de dezembro de 2010

E não vão achando que isso é tudo. Aqui sempre guardamos uma surpresa para o final. Quem for hoje ao Teatro Eva Herz saberá do que estou falando. A conversa será para gente grande!
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Saul Bellow, o rei da melancolia literária
Data do post: 3 de dezembro de 2010

Enquanto o mundo se preocupa com Julian Assange, o editor do Wikileaks, verdadeiro personagem que parece ter saído das páginas de um Thomas Pynchon ou de um Don DeLillo, os EUA encaram o volume de cartas deixado por Saul Bellow e que foi publicado no mês passado.
Neste artigo sensacional de Joseph Epstein - figurinha fácil do mundo high brow nova-iorquino – sabemos que Bellow era, como se esperava, um sujeito díficil de lidar, com contradições e incongruências que só os gênios da literatura estão autorizados a ter.
Ao mesmo tempo, sabemos que sua “vida triste” foi resultado de uma dedicação exclusiva à vocação literária que, se não lhe trouxe felicidade, pelo menos nos deu Augie March, Tommy Wilhem, Moses Herzog e o sr. Sammler.
Mas, ora bolas, quem disse que qualquer trabalho traz felicidade? Bellow é o exemplo consumado do escritor que, mesmo com seu sucesso, continuava inquieto. Talvez a melancolia seja o preço a pagar por suportar um daimon que não fazia concessões a ninguém, nem mesmo aos seres mais queridos. Em outras palavras: até o mais brilhante de nossa raça sempre será um suffering joker.
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Dicta&Contradicta No. 6 – Índice
Data do post: 1 de dezembro de 2010
Esquentando os motores para o lançamento, como já é de praxe, publicamos hoje o Índice da Dicta 06. E não nos esqueçamos do lançamento, na próxima terça – dia 07/12 – às 19h30 na Livraria Cultura do Conjunto Nacional. Com José Padilha e Bráulio Mantovani (e, quem sabe, algumas outras surpresas na hora…).
A nossa impressão é de que essa é a melhor Dicta que já fizemos. E para vocês, o que parece?
Dicta&Contradicta No. 6 – Índice
Editorial
Principal
Breve discurso sobre a cultura, por Mario Vargas Llosa
Elogio da disciplina. Em vôo com Mario Vargas Llosa, por Martim Vasques da Cunha
“Eu não sou o Capitão Nascimento”, por Bráulio Mantovani
Do lado de lá
O Deus dos matemáticos, por David P. Goldman
Perfil
O caminho para a Casa-Grande, por Carlo Eugênio Nogueira
Feliz Nova Dieta
por Julio Lemos
Filosofia
Os dilemas da Igualdade, por Anthony Daniels
Dois métodos, por Olavo de Carvalho
O Bom e o Bem, por Joel Pinheiro da Fonseca
Literatura
O seqüestro de Machado de Assis, por Eduardo Wolf
Samuel Taylor Coleridge e a Arte de Cantar Navios-Fantasmas, por Rodrigo Duarte Garcia
A poesia de Gerardo Mello Mourão, por Odorico Leal
Poema
Alguns poemas de Antes de amanhã, por Marco Catalão
Poema traduzido
Antologia Poética, por Nelson Ascher
Conto
Bravuras e bravatas, por Raimundo Carrero
Conto traduzido
Na Sala Virgínia, por Arlo Bates
Música
As Polonaises de Chopin, por Álvaro Siviero
Artes plásticas
Hyppolite Taine – Arte e História, por Marcelo Consentino
Cinema
Identidade e tempo em Andrei Tarkovsky, por Julio Lemos
Anatomia do poema
por Pedro Sette Câmara
A invocação da Ilíada, Homero
Vaso grego, Alberto de Oliveira
E todavia a trave na garganta…, Jorge de Lima
Blade Runner, I, Alberto da Cunha Melo
Explicação, Cláudio Neves
Sátira
Entrevista comigo mesmo, por Peter Panter
Livros
O que significa existir?, por Gabriel Ferreira da Silva (The Modern Philosophical Revolution. The Luminosity of Existence, David Walsh)
Perplexidade: um guia para a verdade, por Felipe Garrafiel Pimentel (Verdade: um guia para os perplexos, Simon Blackburn)
Liberdade para quê?, por Guilherme Malzoni Rabello (Freedom, Jonathan Franzen)
As ilusões do eu e da liberdade, por Adriano Martinho Correia (A ilusão da alma. Biografia de uma ideia fixa, Eduardo Giannetti)
A história distinta de uma tradição, por Fábio Lacerda (God, Philosophy, Universities: a Selective History of the Catholic Philosophical Tradition, Alasdair MacIntyre)
O fôlego mais longo, por Pedro Gonzaga (Aforismos, Karl Kraus)
Thomas Mann contra Hitler, por Bruno Garschagen (Ouvintes alemães!, Thomas Mann)
O Romantismo entre nós, por João Vicente Vidal (Romantismo. Uma questão alemã, Rüdiger Safranski)
Além do alfabetismo, por Felipe Ortiz (Como ler livros, Mortimer J. Adler e Charles Van Doren)
Memórias de um jornalista de milícias, por Alfred Bilyk (Hitch 22, Christopher Hitchens)
Uma HQ de peso, por Marcelo Soriano (Cachalote, Daniel Galera e Rafael Coutinho)
Olhar aguçado, perspectiva ampla, por Joel Pinheiro da Fonseca (Science and Poetry, Mary Midgley)
O lançamento que não houve
A soberania de Iris Murdoch, por Guilherme Malzoni Rabello
Gênesis
Um método de estudo, por Hyppolite Taine
Humor
Emepebê, biografia não autorizada, por Ruy Goiaba
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O filme que não houve
Data do post: 30 de novembro de 2010
Dia desses encontrei-me com o Bráulio Mantovani para conversar sobre a Dicta. Como na semana que vem estaremos juntos para o lançamento, estava ficando chato não o conhecer pessoalmente. Mas este blog não virou (ainda!?) um site de fofocas e só contei a história para dar o devido crédito por uma grande dica:
A revista Esquire publicou em seu site um especial com The 7 Greatest Stories in the History of Esquire Magazine… in Full. Pareceram-me sensacionais… diversão garantida para depois do lançamento. (Quer dizer, vocês terão outra coisa para ler a partir da próxima terça. Por isso, por favor, leiam as reportagens antes!)
Duas delas têm relação direta com a Dicta 06. A reportagem eleita como “a maior” já publicada pela revista, Frank Sinatra Has a Cold, é citada pelo nosso correspondente aéreo e pode servir como uma boa dica do que quase esperar de nosso encontro com Mario Vargas Llosa. A segunda – que foi a dica de Mantovani – é sobre o massacre na escola de Beslan. A reportagem The School seria a base de um dos vários roteiros que ele começou a escrever mas naufragou pelo caminho. É um texto muito impressionante e por ele só podemos imaginar o grande filme que perdemos…
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O mergulho nas trevas
Data do post: 29 de novembro de 2010

(Francis Ford Coppola visita o Brasil nesta semana, com direito à premiére exclusiva de seu novo filme, Tetro. Abaixo, um ensaio sobre sua obra, uma das poucas na história do cinema que une ambição, tragédia e uma considerável dose de loucura.)
No meio da selva, com apenas um short, sem camisa, barbudo, os olhos faiscando, Francis Ford Coppola fala sem parar, gesticulando os braços como se fossem as hélices de um helicóptero. “O que eu quero fazer”, ele diz, “é um filme no melhor estilo Irwin Allen…. com ação, muita ação, repleto de sexo, com coelhinhas da Playboy balançando seus rabos para a esquerda e para a direita, e bombardeios a cada quinze minutos, e muitos, mas muitos astros…”. A declaração, dada para a câmera de sua esposa, Eleanor, em meados de 1977, é hilária: Coppola está empolgado como uma criança, e sua magreza – estranha para quem o conhece através das fotos dos últimos vinte anos – parece que vai desmoronar a qualquer momento, com uma barriguinha protuberante prestes a explodir.
O tal filme no melhor estilo Irwin Allen que ele tanto falava era “Apocalipse Now” (1979). Produzido ao custo de U$$ 20 milhões, uma fortuna na época, e filmado nas selvas das Filipinas, o filme foi a ousadia que nenhum diretor teria a coragem de fazer. Ninguém, exceto Francis Ford Coppola que, baseado na novela de Joseph Conrad, “O Coração das Trevas”, insistiu que se fizesse tudo em locação, sem nenhuma trucagem para captar, como o próprio afirmou em uma entrevista dada dez anos depois, “a insanidade da guerra”.
A loucura de Coppola volta às telas grandes e pequenas neste final de 2001 e, por incrível que pareça, ela se torna extremamente útil para compreender os nossos tempos após o Terror de 11 de setembro. “Apocalypse Now Redux” (2001), a versão de três horas e meia de um filme que já era insano demais para suportar duas horas e meia na poltrona do cinema, volta às salas neste mês de novembro, com cenas inéditas, nova trilha sonora, tudo devidamente supervisionado pelo próprio diretor. E, como se não bastasse, acabou de ser lançado em DVD a caixa de “O Poderoso Chefão”, com as três partes, mais um disco com cenas que não foram para a edição final, comentários do diretor, documentários, entrevistas – enfim, tudo aquilo que o DVD nos dá se você tiver tempo suficiente para ver e não esquecer. Leia mais…
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Todas as Dictas. Ou, até que enfim…
Data do post: 27 de novembro de 2010

Membro novo na família, hora de arrumar a casa!
Uma das lições mais importantes que aprendi nesses anos com a Dicta foi que você nunca termina uma edição, uma hora você simplesmente desiste. Como aqui nos recusamos a desistir, a conseqüência é que sempre terminamos os últimos retoques no computador de diagramação, quase na porta da gráfica.
O problema deste método é que a versão final dos textos transforma-se quase numa entidade metafísica. Existir existe, mas ninguém tem acesso a ela. (O computador do nosso diagramador é muito sofisticado para o nosso analfabetismo digital).
Mas a boa notícia é tiramos o mimeógrafo do porão, trabalhamos bastante e – nem acredito! – temos as versões finais dos textos da Dicta 04… (e da 05 também, esperem só mais um pouquinho).
É isso mesmo, o texto completo da Dicta 04 já está disponível no site.
Um dos meus números preferidos, com alguns dos melhores ensaios que já publicamos. Querem algumas dicas? Então lá vai (segundo o meu sempre arbitrário gosto):
- A pobreza do mal, por Theodore Dalrymple. Como vocês sabem, esse é o pseudônimo de Anthony Daniels e considero este um de seus grandes ensaios. (E que eu saiba nunca foi publicado em inglês. Ha! só na Dicta)
- Tucídides, o estudioso do comportamento político, por Donald Kagan. É muito difícil encontrar (e escrever) um bom ensaio de História. Eu acho que este é um dos poucos!
- O leilão do Sargento Pimenta, por Martim Vasques da Cunha. Este vai por dois motivos: em homenagem ao Paul McCartney, que parece ter feito belos shows por aqui; e, sobretudo, para vocês contrastarem com o que vos espera do mesmo autor na Dicta 06 (dizem que o Martim só não domina a arte da culinária, mas quem sabe ele ainda não aprende alguma coisa com a Marílena Chauí?!)
- E um caso único até agora: a Dicta 04 saiu com três textos que fazem rir: Carreiras para nossos filhos, História da literatura acidental e Uma ciência na corda bamba. Que coisa, não?
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