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Compre o Livro

Lançamento – Hereges, de G.K. Chesterton

Filed under: Filosofia incluído por Martim Vasques da Cunha
Data do post: 29 de março de 2011

E se vocês quiserem saber mais sobre o livro e a palestra, visitem o site da editora: http://www.ecclesiae.com.br/.


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Curso – Luiz Felipe Pondé fala sobre Nelson Rodrigues

Filed under: Literatura incluído por Martim Vasques da Cunha
Data do post: 23 de março de 2011
Cultura sem limites. Cursos na Livraria Cultura.
O Anjo da Canalhice: o gênio de Nelson Rodrigues Uma interpretação inusitada do nosso maior dramaturgo, com uma visão filosófica que será marcada pelo humor, pela tragédia e pelo espanto de viver.
Datas: 2 e 9 de abril (duas aulas). Dias da semana: sábados, das 10h às 13h.  Investimento: 3x de R$ 184,00
www.culturasemlimites.com.br
Informações: 11 6900-8151 ou fabio@culturasemlimites.com.br
Local: Livraria Cultura Conjunto Nacional Livraria Cultura - ler para ser.

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Um passeio noturno

Filed under: Literatura incluído por Martim Vasques da Cunha
Data do post: 22 de março de 2011

Fazia muito tempo que o seu pai não o chamava para passear, principalmente para os dois observarem a cidade à luz do crepúsculo e, portanto, quando ouviu a voz dele perguntando se queria dar uma volta, sequer titubeou. Abandonou o videogame que jogava compulsivamente no computador há quase duas semanas e foi todo feliz rumo ao Jaguar que chegara em casa naquela semana.

Ele estava sorridente quando o carro começou a se movimentar. Perguntou ao pai:

-         Como foi o seu dia?

-         Cansativo. Muito cansativo. Tive um dia terrível na companhia.

-         O meu também.

-         Na escola?

-         Sim.

-         Mas você mal sabe o que é cansaço. Como pode saber disso? Na escola só se estuda…

-         Sim, mas estudar também cansa.

-         Talvez você tenha razão. Mas o meu cansaço é diferente do seu.

-         O que é isso? Quer medir desgraça?

-         Não, não quero – o pai voltou a sorrir – Quero apenas conversar contigo.

-         Eu também quero.

-         Por quê? Aconteceu alguma coisa?

-         Não, não aconteceu nada, fica tranqüilo. Só também queria conversar contigo, escutar a sua voz.

-         Está tudo bem na escola? Nos estudos?

-         Sim, está. Já disse pra você ficar “sussa”.

-         “Sussa”. O que é isso? Está no dicionário?

-         No meu, pelo menos está.

-         E o que significa?

-         Pra você ficar tranqüilo…

-         Ah, sim, “sussa”. Sossegado, é isso, não é?

-         Acho que sim. Leia mais…


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Homens cultos na Universidade?

Filed under: Debates incluído por Julio Lemos
Data do post: 17 de março de 2011

Por Julio Lemos

Vou dizer algumas sobre o texto do Wolf (parte 1 / parte 2) e do Malzoni, e espero que minha intervenção não seja de todo inútil.

Malzoni dissolveu um problema. Porque, suspendendo aqui, falsamente, o PNC, o princípio da não contradição, ao mesmo tempo (i) haveria; e (ii) não haveria um problema com a Universidade. A suspensão é falsa porque duas coisas podem ser e não ser alguma coisa (ou talvez ter ou não ter um predicado) ao mesmo tempo, todavia sob perspectivas diferentes.

A Universidade, se já teve o papel de formar homens cultos, nunca deve tê-lo exercido bem. Não houve, e nem haverá, um século de ouro universitário. Os pais mandam seus filhos para lá e pronto. Ali aprenderam, no passado, retórica, lógica, aritmética, direito, astronomia…, e hoje aprendem cálculo diferencial, estatística, direito tributário, oceanografia… e continuam incultos. É uma catástrofe? Não. Porque a cultura pela cultura, e esse ar de hello, I´m a bloody man of letters que muita gente gosta de afetar é um luxo oriental divertido (embora produza efeitos muito bons e úteis), mas que nunca atrairá toda a gente.

O ideal de Newman, por exemplo, era proporcionar aos homens, na Universidade (e isso significa: a uma certa elite razoável), matéria farta para conversas do dia-a-dia. Transformar a sociedade em um locus civilizado, em que as pessoas não falam apenas dos resultados da última partida de rugby e seus aborrecidos trabalhos, mas também de Platão e Rabelais. Pensem mesmo numa Roma do século de ouro (lá pelo ano zero): gente como Cícero precisava de assunto; talvez para poder refletir com um ar de generalidade sobre a vida; para confundir os adversários; para encher o mundo de sutileza. Quem sabe Cícero de cor, hoje, faz a mesma coisa: torna o mundo um lugar mais agradável, mais sutil. E mais tarde, magicamente, a sociedade melhora. Porque as sutilezas de Cícero são fruto das de Aristóteles; e Aristóteles sabia das coisas. E quem sabe das coisas age melhor.

Por isso o risco de um debate sobre a cultura é sempre a de causar a impressão de generalidade e luxo oriental. Quase sempre se dá, de bandeja, aos leitores maliciosos o seguinte argumento: “sois fúteis o suficiente para falar de cultura em geral; obrigado e voltai sempre”. Não existe cultura; existe o tratado de geografia erudita de Varrão e quem o leu; existe a obra de Bach, que vale mais do que as ações do Citibank; existe o inferno, que é provavelmente gelado, segundo Dante. Uma defesa da cultura precisa ser uma defesa prática e concreta da excelência. Séculos de Platão na cabeceira de um punhado de homens cultos, como dizia um inglês qualquer, produziram, junto com outras coisas, essa pujança que é a Inglaterra. E a Inglaterra não é só útil: ela também é bela e sólida. A cultura é como um alguém diante do espelho. Se a imagem vale (a civilização nos livros), vale porque é o reflexo de uma civilização efetiva, formada pelas conversas e pelas ações, um tecido macio, refinado, mas resistente.


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Testemunha de um massacre

Filed under: Geral,História,Religião,Sociedade incluído por Renato Moraes
Data do post:
Immaculée Ilibagiza

Há livros que entram na categoria de testemunhos. Alguns deles são verdadeiramente históricos, e isso pode acontecer por dois motivos. Primeiro, porque o autor foi protagonista dos eventos que narra, sendo estes grandiosos e influentes. Um exemplo evidente dessa subcategoria são as memórias de guerra de Winston Churchill ou de De Gaulle, duas figuras de ação, dotadas, ao menos tempo, de uma sólida bagagem intelectual. Contudo, há muito lixo dentre esses testemunhos de protagonistas, porque são também uma forma fácil de ganhar dinheiro, aproveitando-se da própria popularidade e alimentando-a. Daí que políticos e gente famosa adore entrar nesse tipo de empreitada, como Tony Blair, Obama e Sarah Paulin, estes dois últimos contando dos seus sonhos e projetos. Os resultados são muito díspares, e não vou criticá-los, porque não os li, nem tenho interesse em fazê-lo. De fato, é preciso ser criterioso para encontrar aquilo que realmente ajuda e não é um mero panfleto datado.

O outro motivo para um relato desses ser histórico é que os autores, mesmo sendo gente então anônima e sem participação direta nas grandes decisões, possuem qualidades humanas extraordinárias, além de conseguirem descrever com talento e honestidade o que vivenciaram. Para mim, um dos mais importantes livros do século passado é Em busca de sentido – um psicólogo no campo de concentração, de Viktor Frankl, que entra exatamente nesta classe. Juntamos aí um homem brilhante, com enorme sensibilidade e talento literário, sincero e profundo, observando e descrevendo a vida em um campo de concentração durante o holocausto. O resultado não defrauda: é uma obra impactante, enriquecedora, que nos torna mais humanos e, se o permitimos, mais sábios. Acredito que esse livro deveria ser distribuído por todos os lugares, em cópias populares; é uma pena que não tenha a divulgação que merece.

Pois é exatamente com uma citação de Viktor Frankl que se inicia outro livro que incluo nessa mesma categoria: Sobrevivi para contar, de Immaculée Ilibagiza. São as lembranças de uma jovem de vinte e quatro anos, sobrevivente do genocídio de Ruanda, em 1994. Essa moça passou três meses em um banheiro, de aproximadamente 1,20 m2, junto com outras seis mulheres, enquanto o inferno acontecia à sua volta. Nada menos do que um milhão de membros da etnia tutsi foram massacrados em um par de meses. Ela esteve várias vezes a um passo da morte, com as milícias hutus procurando-a incansavelmente e revistando minuciosamente a casa em que ela se encontrava. Um armário diante da porta do esconderijo serviu para despistar os assassinos, o que ela atribui a uma intervenção da Providência.

Não quero adiantar história do livro. Apenas desejo comentar que ler sobre essas situações limite leva a ponderar a própria vida e a enxergar o mundo de uma maneira diferente. A selvageria humana, quando libertada dos seus freios, é algo assustador, que se repete com frequência em lugares e tempos díspares. Amigos e vizinhos, que a recebiam em suas casas, querem três dias depois – literalmente – esquartejá-la. A propaganda falsa e a instilação do ódio possuem uma eficácia diabólica. As centenas de milhares de cadáveres são o mais visível de uma tragédia como essa, e podem fazer com que duvidemos do homem e mesmo de Deus.

Contudo, para mim, esses eventos são uma das melhores provas de que Deus existe e o ser humano tem valor. Porque neles sempre aparecem respostas excepcionais, que dignificam a nossa espécie. A reação de Immaculée é impressionante, e culmina com o perdão aos assassinos da sua mãe e de seu irmão. A evolução espiritual dessa mulher, acontecida em um minúsculo banheiro, no qual ela passava os dias e noites em silêncio, apenas rezando e meditando, mostra que o mais importante é o que passa no interior do ser humano, e que suas ações decorrem disso. Quanto a Deus, se ele não estivesse presente, qual o sentido do sofrimento daquela gente? Interessante que Voltaire, em seu confortável escritório em alguma cidade europeia, escreva palavras indignadas contra Deus devido ao terremoto de Lisboa, enquanto os portugueses, que sofreram na pele o desastre, tenho certeza que rezavam e pediam ajuda à divindade.

A mesma lição traz a ruandesa. Seu testemunho está salpicado de relatos miraculosos, sobre os quais se pode ou não acreditar. O indubitável é a fortaleza de Immaculée, que ela afirma, uma vez e outra, tirar da oração. Lendo o que ela escreveu, é difícil deixar de lhe dar um voto de confiança. Sem alçar os voos psicológicos e mesmo literários de Frankl, ela foi capaz de legar um testemunho tão sincero e poderoso quanto o do psiquiatra judeu. Isso não é pouco! Conhecer a tragédia que se abateu sobre o povo ruandês, e a maneira como essa jovem superou-a, é uma lição valiosa.


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De mal a pior

Filed under: Sociedade incluído por Martim Vasques da Cunha
Data do post: 15 de março de 2011

Conservador americano defende as virtudes do pessimismo em livro que precisa ser lido no Brasil.

Por Túlio Borges

Não são poucos os conservadores que ficaram ou ainda estão eufóricos com o novo Congresso americano, configurado pelas eleições de novembro. John Derbyshire, articulista da National Review, definitivamente não é um deles.

Para ele, os Estados Unidos vão de mal a pior e isso é, em grande medida, culpa do otimismo irracional e fantasista das elites americanas. O mundo seria bem mais tolerável se os americanos fossem mais realistas, isto é, pessimistas. Não pessimistas exagerados, mas homens que reconhecem os limites da natureza humana e, conseqüentemente, o perigo das ideologias. Homens como os Founding Fathers, por exemplo. Esse é o argumento central do mais recente livro de Derbyshire, We Are Doomed: Reclaiming Conservative Pessimism [Nós estamos perdidos: resgatando o pessimismo conservador], publicado no final de 2009 e relançado há poucos meses em brochura.

O autor elege uma boa e longa lista de alvos, todos merecidamente ridicularizados: o multiculturalismo e o culto da diversidade; senadores caquéticos e outros representantes do poder estatal; a decadência da cultura, observada na cada vez maior incidência de picaretas que se passam por artistas; a afeminação da sociedade moderna; teorias educacionistas; bem como o politicamente correto e o igualitarismo. Também expõe a falácia por trás de irresponsáveis projetos de política populacional e política externa. Segundo ele, que cita o excelente trabalho de Samuel P. Huntington, a América abre suas fronteiras a hordas de bárbaros ao mesmo tempo em que tenta convertê-los à democracia por meio de custosas e sangrentas intervenções militares. Como vemos, as ilusões otimistas têm adeptos na esquerda e na direita.

Derbyshire mostra que o governo americano – considerado um grande problema por Reagan e até mesmo por Clinton – não para de crescer e que alguns congressistas estão há mais tempo no poder do que os piores ditadores do planeta (o ex-presidente egípcio Hosni Mubarak aparece na lista, ao lado do ameaçado carniceiro líbio Muammar Gaddafi); que os dispendiosos planos progressistas para a educação (“mais dinheiro! Mais dinheiro!”) foram testados ad nauseam, mostraram-se completamente errados e continuam a ser defendidos como se nada tivesse acontecido; que o politicamente correto tem tudo que ver com a crise imobiliária de 2008, na medida em que os bancos haviam sido forçados por sucessivas medidas governamentais a estender crédito financeiro a grupos que não tinham qualquer condição de pagá-los, especialmente minorias. O presidente Barack Obama, que segue culpando Republicanos e capitalistas pela crise, é na verdade quase tão responsável quanto o “conservador compassivo” George W. Bush. Como advogado em meados da década de 90 e como senador por Illinois a partir de 2005, Obama ajudou a forçar os bancos a violarem a lógica econômica em nome da igualdade, contribuindo, assim e entre outras coisas, para o enriquecimento dos lobistas da Fannie Mae e da Freddie Mac.

We Are Doomed é uma polêmica sagaz, ocasionalmente hilária. Pelo que escreve sobre políticos que perderam o senso do ridículo, Derbyshire não deve ter lá muita apreço por John Boehner, o Republicano chorão que assumiu a liderança da Câmara. Seu livro também é bastante pessoal, repleto de digressões autobiográficas. Algumas são muito engraçadas, como, por exemplo, o episódio em que o autor, que é casado com uma mulher de origem chinesa, avisa ao filho adolescente que se ele ficar assistindo programas como Sex and the City, começará a menstruar. Ou também quando ele confessa falar três ou quatro vezes por semana para o casal de filhos que eles devem arrumar um emprego governamental (é lá que está o dinheiro numa América cada vez mais estatista e despótica, um Estado “otomano” onde os cidadãos viraram súditos).

Os onze capítulos centrais (o primeiro e último do livro funcionam, respectivamente, como introdução e conclusão) são temáticos (política, cultura, economia, etc.) e podem ser lidos isoladamente. E a qualidade não é homogênea. Se o segundo capítulo, sobre a ideologia da diversidade, é soberbo, infelizmente não se pode dizer o mesmo de alguns outros. O quarto capítulo, sobre a cultura, curiosamente carece de imaginação. Sua única boa seção é aquela que trata dos supostos poetas americanos de hoje. E se o sexto capítulo, sobre a natureza humana e os avanços da neurociência, é o mais instigante, também é muito equivocado. Nele, Derbyshire faz o que nem mesmo Thomas Hobbes se atreveu a fazer e transforma a ciência moderna em metafísica. Afirma que as novas pesquisas apontam para o solapamento de conceitos como a razão e o livre-arbítrio. Ironicamente para um pessimista, ele demonstra muito otimismo em relação ao poder explanatório da biologia e, como um bom darwinista, se esquece de que ela só fornece um retrato parcial do ser humano e de que não é possível demonstrar racionalmente a inexistência da razão. Outro interessante defeito, que se destaca no último capítulo, é certa nostalgia Boomer, que concebe os anos 50 como uma era dourada e não como o prelúdio da crise da década seguinte.

Se o livro como um todo é instigante, nem sempre é convincente. Sua superficialidade e despretensão são ao mesmo tempo uma virtude e um defeito. E a prosa simples, que parece ter sido escrita às pressas, reflete todas essas características. Mais propriamente um matemático do que um literato, Derbyshire não exibe a profundidade de um George Santayana, a sutileza de um Albert Jay Nock, ou a exuberância retórica de um H. L. Mencken – talvez inclusive por não ser muito otimista quanto à capacidade intelectual de seus leitores. No fim das contas, We Are Doomed não é um clássico – e corre o risco de envelhecer rapidamente.

De todo modo, trata-se de um livro muito inteligente e divertido, que precisa ser lido pelos brasileiros – iludidos ou não. Se, como afirmam Derbyshire e seu colega Pat Buchanan, os Estados Unidos correm o risco de acabarem virando “um Brasil balcanizado”, os brasileiros têm imitado as piores coisas dos americanos. Algumas das iniciativas políticas mais tolas de nosso vizinho do norte estão em seu estágio inicial por aqui e gozam de imensa popularidade. Ouvir a conversa de bar de um pequeno grupo de gestores governamentais é tudo aquilo de que precisamos para comprovar o fato.

Por sua natureza, We Are Doomed é o tipo de livro que o desesperado conservador brasileiro pode levar para ler no avião. O difícil será evitar o pensamento de que a aeronave está fadada a cair, como naquele famoso quadro que Evelyn Waugh encomendou para adornar a sala.

Túlio Sousa Borges é bacharel em Relações Internacionais e escreve sobre política e cultura.


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Méritos bretões

Filed under: Arqueologia,História incluído por Joel Pinheiro
Data do post: 14 de março de 2011

Uma rápida curiosidade histórica. Sempre pensamos nos romanos como os grandes construtores de estradas no mundo antigo. Acontece que foi descoberto que parte das estradas originais da Inglaterra, outrora atribuídas aos romanos, eram na verdade anteriores à chegada do império.


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Curso – Modernidade atormentada: Dostoiévski e os Irmãos Karamazov

Filed under: Literatura incluído por Martim Vasques da Cunha
Data do post: 13 de março de 2011
Cultura sem limites. Cursos na Livraria Cultura.
Fiódor Dostoiévski Modernidade atormentada: Dostoiévski e Os irmãos Karamázov
Datas: 21 e 28 de março; 4 e 11 de abril (quatro aulas). Segundas-feiras, das 19h às 21h30. Investimento: 3x de R$ 184,00
www.culturasemlimites.com.br
Informações: 11 6900-8151 ou fabio@culturasemlimites.com.br
Local: Livraria Cultura Conjunto Nacional Livraria Cultura - ler para ser.

 

Update: Geralmente, odeio dar entrevistas – sempre segui o conselho de Peter Drucker de que, se eu não quisesse ficar velho, teria de evitar entrevistas e intelectuais -, mas abro a exceção ao meu amigo Bruno Garschagen, que resolveu me fazer algumas perguntas sobre o projeto Cultura Sem Limites. Você pode ler a entrevista aqui.


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O Desabamento

Filed under: Literatura incluído por Martim Vasques da Cunha
Data do post: 12 de março de 2011

Entraram no bar por volta das cinco da tarde, pediram duas canecas de chope, acenderam cada um os seus cigarros e depois de três ou quatro goles, um fez a seguinte pergunta ao outro:
- Você sabe por que eu quis vir aqui?
- Não.
- Não sabe mesmo?
- Nem desconfio.
O outro respondeu com um muxoxo enquanto tomava um novo gole de chope.
- Sabe quem costuma vir aqui?
- Não.
- O Alberto.
- Que Alberto?
- Aquele Alberto. O que queria ser santo.
Agora parava de olhar sem foco. O amigo havia capturado a sua atenção.
- Qual é o horário em que ele costuma aparecer?
- Por volta das seis.
- Hora do jantar?
- Exato.
- Ele sempre foi cheio de manias.
- Manias, não. Hábitos.
- Ele dizia que o hábito era uma segunda virtude, lembra-se?
- Lembro sim. Mas há alguma?
- O quê?
- Virtude.
- Não sei. Deve existir. Dizem que existe.
- Ele sempre dizia que existe.
- Tinha de dizer isso. Era o sustento dele. Leia mais…


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Duas objeções às lições de Wolf

Filed under: Debates incluído por dicta
Data do post: 11 de março de 2011

Por Guilherme Malzoni Rabello

Vamos assumir logo de uma vez? Todo mundo aqui concorda com o Mario Vargas Llosa!

Se você, leitor, esperava o contrário, só posso pedir desculpas e avisar que você não está sozinho. A coincidência chega a ser engraçada: depois do Eduardo Wolf dizer o óbvio nesse site (parte 1parte 2), intelectuais do mundo inteiro se juntaram para criticar o direitista-reacionário Vargas Llosa por um motivo qualquer. Se tiverem paciência, podem conferir as notícias em diferentes idiomas aqui, ou aqui, nesse outrolá também (e por fim aqui).

Mas essa é uma casa de respeito e este é um debate sério. Interessa-me, portanto, não o que disse Vargas Llosa, com o que todos concordamos; interessa-me a glosa que Eduardo Wolf fez de Vargas Llosa, e a essa, sim, tenho um ou dois comentários a fazer. Então, aux armes!

A crítica da crítica da crítica… e a moral da história?

Segundo o que foi publicado, a primeira lição que podemos tirar de Vargas Llosa seria o disparate das reações que suas idéias suscitam. Novamente eu concordo com o Wolf, mas será que isso tem alguma importância?

Em primeiro lugar, nem o mais desavisado dos distraídos fica surpreso com o fato. Chamar o Vargas Llosa de direitista é mais ou menos como pedir ao Chico Buarque que assine um manifesto, ou olhar o Macaco Tião fazendo palhaçada no zoológico. Todas elas têm sua graça, mas não são propriamente uma novidade.

Leia mais…


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