Análise cultural de qualidade

James Bowman é articulista da The New Atlantis. Li seus ensaios hoje pela primeira vez, e fiquei muito bem impressionado. Os dois que aqui linko tratam da cultura moderna. O primeiro, “Reality and the Postmodern Wink” descreve a infantilização dos adultos, manifestada na produção cinematográfica recente (o autor foi crítico de cinema por 18 anos, e conhece-a de perto). O segundo, “Is Stupid Making Us Google?”, é sobre os efeitos da computação e da internet no aprendizagem de crianças e jovens. Essas ferramentas têm potencializado, afirma Bowman, as tendências educacionais e progressistas (marcadas pela rejeição de toda e qualquer tradição), e seus resultados são preocupantes.

2 comentários em “Análise cultural de qualidade

  1. Uma das atrações deste site: boas dicas. 2) Por seu intermédio, também li pela primeira vez um texto do Bowman, esse que contrasta a realidade e a piscadela cúmplice do pós-moderno. Excelente. Grato ainda ao Borges por linkar o site do JB. 3) Descrita de maneira mais crua que a do JB, essa infantilização perversa dos gostos e hábitos, associada a um distanciamento da realidade, sugeriria a muitos autores antigos (da Roma e da Grécia clássicas) um ambiente inadequado a homens livres. Para os antigos e para gente mais próxima de nós, como Josef Pieper (http://www.newjerusalem.com/pieper.htm) , homens verdadeiramente livres não empregariam tão grande parte do seu tempo de lazer escolhendo entre 50 canais de imagem que oferecem trivialidades de apelo imediato. 4) Sob o risco de barbarizar-se, o homem livre, nessa perspectiva que parece estar rapidamente perdendo o foco, demanda um tipo de lazer contemplativo; uma “skolé”, como diziam os gregos, algo que os romanos transformariam em “schola”. Engraçado que a palavra “schola” podia ter para eles também um sentido, digamos assim, de disciplina horizontal, que conotava um corpo militar ou político (ao menos era assim no Império). 5) Nem por isto o sentido “horizontal” apagava o outro, “vertical”, de certo modo vivo em português ainda: escola como algo que remete a aprendizagem/lazer; à busca da sabedoria associada à famosa expressão “ócio [ie, skolé] com dignidade”. 6) Algo que, por sua vez, contrapunha-se e de certo modo complementava o neg-ócio, o tempo dedicado ao que não era contemplação e busca de proximidade com o real e sua ordem em sentido mais forte (e isto é basicão, bem distante de qualquer etimologice). 7) Em tempos de lazer pré-dirigido e programado, heterônomo no fundo, calcado numa estética reduzida ao mais primário sentir/perceber, desvalorizam-se, perdem força tanto a noção de real quanto a genuína capacidade de entrega à fantasia. 8. Sobra um cinismo generalizado, que pode ser terreno fértil para quem não tem compromisso com a liberdade na esfera pública, porque interiormente já perdeu a noção do que ela significa.

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