Apologia do Tédio

Teria o declínio da civilidade entre crianças e jovens relação com o fim do tédio? Não falo do tédio enquanto sensação subjetiva – esse persiste – mas do tipo de situação que antes o provocava: horas sem nenhum grande estímulo sensorial  e sem nada para fazer. Para as crianças eletronicamente hiper-estimuladas, a sensação do tédio é comum (embora demande muito menos para se fazer sentir), mas não existe mais o tempo vazio que, por bem ou por mal, ela dedicaria à reflexão, por falta de algo mais interessante. A gratificação instantânea e a hiper-estimulação sensorial têm, por esse motivo, consequências sobre como a criança e o jovem vivem e interagem em seu círculo social. O artigo é do psicólogo Adam J. Cox para The New Atlantis.

6 comentários em “Apologia do Tédio

  1. Olá Joel,

    A percepção não é nova. Basta relembrarmos do pico de proficiência de criação de teses científicas nas universidade americanas durante o inverno, no século XIX. A questão é que considero o termo “tédio” inadequado; melhor a “ausência de responsabilidades cotidianas”.

  2. O problema é que grande maioria das pessoas não aguenta a ausência de responsabilidades cotidianas, porque simplesmente não sabem o que fazer com o tempo livre.
    A expressão “ócio criativo” é muito bonita, mas é para poucos. A maioria prefere se deixar esquecer num cotidiano de trabalho medíocre, porque a maioria é medíocre.

  3. Link corrigido para o clássico do Pieper na Amazon, em paperback, em inglês . T.S. Eliot e Roger Scruton apresentaram os ensaios em edições anteriores; James Schall nesta de agora. Depois do link para o livro, inseri um outro, para ensaio de Roger Kimball na “New Criterion”, sobre “Leisure and its Discontents”. Verdade que a leitura exige tempo e supõe uma pausa nos negócios, que aliás ajuda a colocar em perspectiva. É amplamente acessível, porém, e nada entediante.

    http://www.amazon.com/Leisure-Basis-Culture-Josef-Pieper/dp/1586172565/ref=sr_1_1?s=books&ie=UTF8&qid=1283694500&sr=1-1

    http://findarticles.com/p/articles/mi_hb3345/is_5_17/ai_n28731045/

  4. Talvez não seja supérfluo acrescentar: o lazer de que trata Pieper, ou mesmo o “tédio” a que se refere o psicólogo no artigo objeto do post, contrastam com o que alguns filósofos chamariam de trabalho escravo – aquele que não tem por horizonte senão o do trabalho “produtivo” em si, e que frequentemente associa-se a um pseudo-lazer também escravo, “filled with fancies and empty of meaning”, como no verso do Eliot citado no ensaio da New Criterion.

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