Para a vossa edificação…
Data do post: 10 de março de 2009
… mais dicas do mundo maravilhoso da Internet para os caros leitores que desejam sair de suas pequenas vidas e perceber o enrosco em que se meteram – esse período peculiar que chamamos de “mundo contemporâneo”. Eis aqui algumas delas:
- Novamente, por indicação do poeta e tradutor Nelson Ascher, leio com afinco o blog de Richard Landes, The Augean Stables. Especialista em movimentos revolucionários e mileniaristas, Landes é um dos poucos scholars que resolvem aplicar o seu saber no confronto do debate público – e geralmente vence porque tem os bons argumentos (e, claro, a verdade, essa enjeitada) ao seu lado. Mas um dos exemplos mais bizarros de seu comportamento é o comentário que ele fez a um texto de Roger Scruton, Islam and the West: Lines and Demarcation. Ficamos na dúvida sobre quem está certo, se Landes ou Scruton, tamanha a imponência deste duelo de titãs. Raramente vemos dois sujeitos que pensam a mesma coisa sobre o mesmo problema (no caso, o Jihadismo que ataca o Ocidente), mas que discordam de maneira tão contundente. Da minha parte, há momentos em que Landes acerta e há momentos em que tendo a concordar com Scruton, por um único motivo - Landes não tem uma percepção correta do que foi o Cristianismo. Para ele, a religião surgida com a vinda de Cristo é um anúncio do Fim do Mundo, equivalente a outras seitas mileniaristas que ocorreram na época ou que surgiriam depois. Fazer essa equivalência é a mesma coisa que igualar Cristo a um dos inúmeros “falsos messias” que circulavam pela Judéia. Landes critica Scruton por ser uma espécie de “apologeta” cristão, enquanto o seu trabalho seria mais “científico”. Não sei de nada, mas minha simpatia – algo nada científico, sei bem - vai para Scruton. Em todo caso, leiam o texto e tirem suas próprias conclusões.
- Leiam também o depoimento que conta o que a imprensa jamais informará sobre o caso do aborto em Alagoinha (dêem graças ao Pedro Sette Câmara por esse serviço de utilidade geral).
- E vamos ver os doze passos que Tio Roger coligiu para aprendermos como destruir a economia dos Estados Unidos, uma cortesia do sr. Barack (HUSSEIN) Obama.
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Em que se descobre que nós, os jovens, nunca tivemos controle sobre nossas vidas
Data do post: 4 de março de 2009
Pois é, caro leitor, esta é a primeira lição que aprendemos com a famosa “crise” que ninguém sabe de onde veio e para onde vai. Nós, os jovens, somos incapazes de compreender que as coisas saíram do nosso controle. Acreditávamos que poderíamos dominar “a história” – mas o fato é que ela voltou e está prestes a atacar sem nenhuma misericórdia. Não passamos de “sitting ducks”, imaginando que um milagre (obâmico?) resolverá os problemas.
Sou eu quem fala isso? Não, senhor. Quem escreve sobre isso é Richard Cohen, colunista do The Washington Post, neste texto prudente e de uma serenidade que beira o bom e velho estoicismo.
Depois não digam que ninguém os avisou.
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Conselhos de Spengler
Data do post: 5 de fevereiro de 2009
Por indicação do poeta, tradutor e crítico Nelson Ascher, descobri há tempos a coluna de Spengler, que publica no jornal Asia Times. Em um texto recentemente publicado, há este trecho antológico, um pequenino conselho dele a um recém-empossado presidente de uma grande potência ocidental:
Leiam as outras colunas de Spengler. Não aconselhável para os fracos de coração.
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Jonathan Lethem relembra John Updike
Data do post: 29 de janeiro de 2009
A New Yorker faz um tributo a John Updike, um dos escritores do seu staff, e que morreu esta semana. O depoimento de Jonathan Lethem, autor de A Fortaleza da Solidão, é o mais comovente até agora:
Eis o retrato do artista diante da desolação humana.
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A longa noite da estrela vermelha
Data do post: 22 de janeiro de 2009
Leiam este diálogo histórico entre Simon Sebag Montefiore, autor de “O Jovem Stalin” e “A Corte do Czar Vermelho”, e o casal Jung Chang e Jon Halliday, autores de “Mao – A História Desconhecida”.
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Em que uma frase de “Star Wars” explica como o mundo mudou
Data do post: 20 de janeiro de 2009
“So this is how liberty dies, with thunderous applause”.
Cortesia do Lew Rockwell blog.
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Em que Calvin explica ao mundo o que é o bailout
Data do post: 14 de janeiro de 2009
Como sempre, uma cortesia do Tio Roger.
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Richard John Neuhaus (1936-2009)
Richard John Neuhaus morreu hoje aos 72 anos. Para quem não sabe, ele era um dos fundadores e editores da revista First Things, uma das parceiras da Dicta&Contradicta. Era um grande ensaísta e um grande apologeta.
Em uma singela homenagem, leiam o obituário de Joseph Bottom e um ensaio do próprio Neuhaus sobre o que é viver em direção à morte.
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O quatrocentão John Milton
Data do post: 9 de dezembro de 2008
John Milton, que não é o personagem de Al Pacino em O Advogado do Diabo e sim um dos maiores poetas ingleses de todos os tempos, faz hoje quatrocentos anos. Como os ingleses sabem fazer esse tipo de comemoração de forma decente (não como nós, tupiniquins, que mal sabemos homenagear Machado de Assis), o Christ’s College de Cambridge (onde Milton estudou quando jovem) fez um ciclo de eventos que inclui nada mais nada menos que um site fantástico, palestras por Quentin Skinner e Geoffrey Hill (sublime como sempre) e leituras de 24 horas de trechos de Paradise Lost, aquele épico em que a linguagem é tão bonita que até Satã vira herói.
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Será o dr. Hoppe a reincarnação do dr. Fantástico?
Data do post: 14 de outubro de 2008
Por indicação de Pedro Sette Câmara, soube que Tom Palmer, vice-presidente para programas internacionais do Cato Institute, alegou que Hans Hermann Hoppe – o economista citado há dois posts e que profetizava a criação de um Estado Total após o estouro da bolha imobiliária – escreveu para um jornal cripto-neonazista chamado Junge Freiheit (numa tradução capenga significa algo como “liberdade jovem”). Graças ao Google, descobri um artigo do próprio Palmer, em que fazia a denúncia e explicava por que não aceitava os argumentos de Hoppe.
O que eu li de Hoppe não indica nada de “nazi” em suas análises, mas Palmer não é um sujeito que acusa qualquer um injustamente; almocei com ele quando visitou o Brasil e pareceu-me um homem ponderado, sensato e, sobretudo, muito claro em seus ideais. No seu artigo, o que assusta não são as refutações contra o autor de Democracy: the God that Failed (todas plausíveis, se formos observar que, de fato, o dr. Hoppe tem um quê de “porra louca” em seus textos), mas a evidência de que há, entre os liberais clássicos (o Cato Institute e o Liberty Fund) e os chamados “anarco-capitalistas” (Lew Rockwell e algumas facções do Mises.Org), uma rixa interna em que só a liberdade perde.
Pois uma coisa é a divergência de opiniões; a outra coisa é quando pessoas que deveriam lutar juntas contra um inimigo comum – no caso, o golpe na consciência ocidental que rompe com todo e qualquer elo da tradição cultivada por séculos – resolvem partir para caminhos opostos.
Palmer é coerente em suas observações contra Hoppe; mas será que Hoppe está completamente errado em suas profecias? O perigo é que ambos estão certos, cada um a seu modo. A questão sobre Hans Hermann Hoppe é se ele apóia ou não uma ideologia que prega o extermínio de seres humanos. Se Palmer estiver certo, juro que sou o primeiro a meter a mão na cara do dr. Hoppe, independente ou não dele ser a última encarnação do profeta Elias (afinal, Nietzsche, outro sujeito que os “nazis” adoram, também previu muita coisa e acertou na mosca; errou só no essencial); se Palmer errou, então estamos fritos de qualquer maneira, porque Hoppe está certo em pelo menos uma coisa: já vivemos na Era do Estado Total.
O fato da obra de Hoppe ser justamente uma denúncia de um movimento totalitário e revolucionário – ideologias que foram compartilhadas por socialistas, nazistas e fascistas (Ainda tem dúvidas a respeito disso? Não leu nenhum livro de História? Então leia As Benevolentes, de Jonathan Littell, uma ficção que dissipa qualquer névoa a respeito da “rivalidade mimética” entre o nazismo e o socialismo) - me faz analisar o texto de Palmer com um pé atrás. Mas, repito, Tom Palmer não me parece ser um sujeito que gosta de fazer declarações maliciosas. Portanto, só tenho a lamentar o problema crescente para aqueles que defendem a liberdade de expressão, de consciência e, no fim, da sua própria vontade: O que faremos quando um reino divide-se contra si mesmo – enfim, quando Satanás expulsa Satanás?
Sem dúvida, não procurarei Bill Ayers para saber a resposta.
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