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	<title>Comentários sobre: Eles só usam black-tie</title>
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	<description>Leituras interessantes e bases para a formação cultural</description>
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		<title>Por: As três soluções &#124; Dicta &#38; Contradicta</title>
		<link>http://www.dicta.com.br/eles-so-usam-black-tie/comment-page-1/#comment-3730</link>
		<dc:creator>As três soluções &#124; Dicta &#38; Contradicta</dc:creator>
		<pubDate>Thu, 21 Jan 2010 19:42:08 +0000</pubDate>
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		<description>[...] é a pergunta que me fazem nas últimas semanas, depois que eu publiquei um texto chamado Eles só usam black-tie. Se você se lembra do que escrevi, falo de que estamos a viver em uma época entrópica, em um [...]</description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>[...] é a pergunta que me fazem nas últimas semanas, depois que eu publiquei um texto chamado Eles só usam black-tie. Se você se lembra do que escrevi, falo de que estamos a viver em uma época entrópica, em um [...]</p>
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		<title>Por: Ricardo Leal</title>
		<link>http://www.dicta.com.br/eles-so-usam-black-tie/comment-page-1/#comment-3594</link>
		<dc:creator>Ricardo Leal</dc:creator>
		<pubDate>Sat, 19 Dec 2009 21:21:43 +0000</pubDate>
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		<description>Linha de conexao um pouco esticada, mas em plano mais largo em cima do post haverah quem descubra sentido nesta reflexao de Rene Girard sobre &quot;guerra e apocalipse&quot; - leitura bastante apropriada em tempo de Advento.
http://www.firstthings.com/article/2009/07/apocalypse-now</description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>Linha de conexao um pouco esticada, mas em plano mais largo em cima do post haverah quem descubra sentido nesta reflexao de Rene Girard sobre &#8220;guerra e apocalipse&#8221; &#8211; leitura bastante apropriada em tempo de Advento.<br />
<a href="http://www.firstthings.com/article/2009/07/apocalypse-now" rel="nofollow">http://www.firstthings.com/article/2009/07/apocalypse-now</a></p>
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		<title>Por: Rodrigo Leandro</title>
		<link>http://www.dicta.com.br/eles-so-usam-black-tie/comment-page-1/#comment-3587</link>
		<dc:creator>Rodrigo Leandro</dc:creator>
		<pubDate>Sat, 19 Dec 2009 13:29:33 +0000</pubDate>
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		<description>&quot;Mas é uma tensão que deve se colocar na mente de um libertário xiita: é moralmente lícito atacar ou até matar um agente do governo, por exemplo, um cobrador de impostos?&quot;
Joel, tenho até medo da sua resposta. Mas a faço: para você é lícito ou não?
Para quem acompanha este blog você sempre pareceu mais libertário do que cristão. Infelizmente!</description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>&#8220;Mas é uma tensão que deve se colocar na mente de um libertário xiita: é moralmente lícito atacar ou até matar um agente do governo, por exemplo, um cobrador de impostos?&#8221;<br />
Joel, tenho até medo da sua resposta. Mas a faço: para você é lícito ou não?<br />
Para quem acompanha este blog você sempre pareceu mais libertário do que cristão. Infelizmente!</p>
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		<title>Por: Joel Pinheiro</title>
		<link>http://www.dicta.com.br/eles-so-usam-black-tie/comment-page-1/#comment-3585</link>
		<dc:creator>Joel Pinheiro</dc:creator>
		<pubDate>Sat, 19 Dec 2009 01:09:57 +0000</pubDate>
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		<description>Felipe, comentário muito no ponto esse seu. Eu, por mim, não tenho dúvida que o libertarianismo, quando se converte em visão de mundo e passa a ditar a priori até mesmo explicações sobre eventos históricos particulares, é uma ideologia no pior sentido (psicológico e intelectual) do termo.

Contudo, no campo prático, é menos nociva do que outras, pois seus próprios defensores não aceitariam usar da violência e da coerção para impor sua utopia.

Quer dizer, até o dia em que o raciocínio da legitimidade da auto-defesa leve alguns a justificar o ataque físico a qualquer defensor do Estado como um ato de defesa contra um agressor...
Contudo, até hoje, nunca vi quem pensasse assim. Mas é uma tensão que deve se colocar na mente de um libertário xiita: é moralmente lícito atacar ou até matar um agente do governo, por exemplo, um cobrador de impostos?</description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>Felipe, comentário muito no ponto esse seu. Eu, por mim, não tenho dúvida que o libertarianismo, quando se converte em visão de mundo e passa a ditar a priori até mesmo explicações sobre eventos históricos particulares, é uma ideologia no pior sentido (psicológico e intelectual) do termo.</p>
<p>Contudo, no campo prático, é menos nociva do que outras, pois seus próprios defensores não aceitariam usar da violência e da coerção para impor sua utopia.</p>
<p>Quer dizer, até o dia em que o raciocínio da legitimidade da auto-defesa leve alguns a justificar o ataque físico a qualquer defensor do Estado como um ato de defesa contra um agressor&#8230;<br />
Contudo, até hoje, nunca vi quem pensasse assim. Mas é uma tensão que deve se colocar na mente de um libertário xiita: é moralmente lícito atacar ou até matar um agente do governo, por exemplo, um cobrador de impostos?</p>
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		<title>Por: Joel Pinheiro</title>
		<link>http://www.dicta.com.br/eles-so-usam-black-tie/comment-page-1/#comment-3584</link>
		<dc:creator>Joel Pinheiro</dc:creator>
		<pubDate>Sat, 19 Dec 2009 01:02:53 +0000</pubDate>
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		<description>E me diga: por que o gasto público gera aumento dos preços? Se o gasto for 100% financiado por impostos, sem endividamento, então ele não aumenta a demanda agregada, e os preços como um todo não variam. Toda demanda a mais em um setor será demanda a menos em outro.

Ele só aumenta os preços se gastar do que não tem, isto é, se tirar dinheiro do nada. Isso pode ser feito pelo bom e velho método das prensas, mas também pode ser feito de outras formas, como via criação de crédito.

Sim, o grande mérito do Plano Real para controlar a inflação não-inercial foi a política monetária conservadora. De fato, ele além disso conteve a inflação inercial, criando uma unidade de valor mantida constante corrigida pelo aumento do índice de preços, e costuma-se citar também o efeito psicológico, a credibilidade da nova moeda, que fez com que os produtores parassem de aumentar o preço. Essas medidas combatem a inflação inercial, que, uma vez contraída a oferta monetária, está fadada a acabar mais cedo ou mais tarde. Pois se a quantidade de moeda é constante (ou cresce a uma taxa mais baixa), então os aumentos de preço acabarão por diminuir drasticamente a quantidade vendida (não há moeda o suficiente para comprar o que é produzido aos preços inflacionados), e os primeiros que baixarem seus preços (ou aumentarem-nos menos que a média) saem ganhando; um comportamento que tenderá a ser copiado.</description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>E me diga: por que o gasto público gera aumento dos preços? Se o gasto for 100% financiado por impostos, sem endividamento, então ele não aumenta a demanda agregada, e os preços como um todo não variam. Toda demanda a mais em um setor será demanda a menos em outro.</p>
<p>Ele só aumenta os preços se gastar do que não tem, isto é, se tirar dinheiro do nada. Isso pode ser feito pelo bom e velho método das prensas, mas também pode ser feito de outras formas, como via criação de crédito.</p>
<p>Sim, o grande mérito do Plano Real para controlar a inflação não-inercial foi a política monetária conservadora. De fato, ele além disso conteve a inflação inercial, criando uma unidade de valor mantida constante corrigida pelo aumento do índice de preços, e costuma-se citar também o efeito psicológico, a credibilidade da nova moeda, que fez com que os produtores parassem de aumentar o preço. Essas medidas combatem a inflação inercial, que, uma vez contraída a oferta monetária, está fadada a acabar mais cedo ou mais tarde. Pois se a quantidade de moeda é constante (ou cresce a uma taxa mais baixa), então os aumentos de preço acabarão por diminuir drasticamente a quantidade vendida (não há moeda o suficiente para comprar o que é produzido aos preços inflacionados), e os primeiros que baixarem seus preços (ou aumentarem-nos menos que a média) saem ganhando; um comportamento que tenderá a ser copiado.</p>
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	<item>
		<title>Por: José</title>
		<link>http://www.dicta.com.br/eles-so-usam-black-tie/comment-page-1/#comment-3583</link>
		<dc:creator>José</dc:creator>
		<pubDate>Fri, 18 Dec 2009 14:09:02 +0000</pubDate>
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		<description>Joel, não é possível negar a realidade: &quot;A causa da inflação é o aumento da oferta de moeda. Pura e simplesmente isso.&quot;??
Então o Plano Real reduziu a inflação drasticamente de um dia para o outro reduzindo a quantidade de moeda de um dia para o outro?! Não!
Eu sei que foram feitos diversos cortes, diversas emendas constitucionais, fecharam diversas torneiras do gasto público, mas tudo isso não foi feito em julho de 1994. O que se atacou principalmente naquele mês foi a inflação inercial!
Concordo que a médio prazo, sem as medidas de contenção monetária o Real teria ido para as cucuias. Mas não dá para negar o caráter específico da inflação brasileira nos anos 80-94.
Olha a ideologia, olha o dogmatismo!</description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>Joel, não é possível negar a realidade: &#8220;A causa da inflação é o aumento da oferta de moeda. Pura e simplesmente isso.&#8221;??<br />
Então o Plano Real reduziu a inflação drasticamente de um dia para o outro reduzindo a quantidade de moeda de um dia para o outro?! Não!<br />
Eu sei que foram feitos diversos cortes, diversas emendas constitucionais, fecharam diversas torneiras do gasto público, mas tudo isso não foi feito em julho de 1994. O que se atacou principalmente naquele mês foi a inflação inercial!<br />
Concordo que a médio prazo, sem as medidas de contenção monetária o Real teria ido para as cucuias. Mas não dá para negar o caráter específico da inflação brasileira nos anos 80-94.<br />
Olha a ideologia, olha o dogmatismo!</p>
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	<item>
		<title>Por: Gustavo Barreto</title>
		<link>http://www.dicta.com.br/eles-so-usam-black-tie/comment-page-1/#comment-3579</link>
		<dc:creator>Gustavo Barreto</dc:creator>
		<pubDate>Thu, 17 Dec 2009 23:30:30 +0000</pubDate>
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		<description>Ótimo texto, Martim! 

Mas por resistência acredito apenas na defendida por MacIntyre (Depois da Virtude. Edusc. Pg. 441):

&quot;O que importa neste estágio [de corrosão moral] é a construção de formas locais de comunidade, dentro das quais se possa sustentar a civilidade e a vida intelectual e moral durante a nova Idade das Trevas que já estamos vivendo. E se a tradição das virtudes foi capaz de sobreviver aos horrores da Idade das Trevas passada, não estamos totalmente desprovidos de base para ter esperança. Desta vez, porém, os bárbaros não estão esperando além das fronteiras; já estão nos governando há muito tempo. E é a nossa falta de consciência disso que constitui parte de nossos problemas. Estamos esperando, não Godot, mas outro - sem dúvida bem diferente - São Bento.&quot;

Forte abraço.</description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>Ótimo texto, Martim! </p>
<p>Mas por resistência acredito apenas na defendida por MacIntyre (Depois da Virtude. Edusc. Pg. 441):</p>
<p>&#8220;O que importa neste estágio [de corrosão moral] é a construção de formas locais de comunidade, dentro das quais se possa sustentar a civilidade e a vida intelectual e moral durante a nova Idade das Trevas que já estamos vivendo. E se a tradição das virtudes foi capaz de sobreviver aos horrores da Idade das Trevas passada, não estamos totalmente desprovidos de base para ter esperança. Desta vez, porém, os bárbaros não estão esperando além das fronteiras; já estão nos governando há muito tempo. E é a nossa falta de consciência disso que constitui parte de nossos problemas. Estamos esperando, não Godot, mas outro &#8211; sem dúvida bem diferente &#8211; São Bento.&#8221;</p>
<p>Forte abraço.</p>
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	<item>
		<title>Por: Felipe Svaluto Paúl</title>
		<link>http://www.dicta.com.br/eles-so-usam-black-tie/comment-page-1/#comment-3572</link>
		<dc:creator>Felipe Svaluto Paúl</dc:creator>
		<pubDate>Thu, 17 Dec 2009 17:23:11 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">http://www.dicta.com.br/?p=1849#comment-3572</guid>
		<description>Mais uma referência do Martim ao &quot;not with a bang but a whimper&quot;, já um clássico desse site... 

De resto, vamos insistir que o libertarianismo não é uma ideologia - assumindo aqui o sentido aroniano (porque para Marx evidentemente é) do termo, aparentemente aquele adotado por vocês? Acho que o Joel Pinheiro já frequentou suficientes fóruns libertários orkutianos para pelo menos relativizar um tanto essa afirmação...

Para o debate:

a) O libertarianismo tem toda uma filosofia da história orientada por um princípio fundamental: uma dicotomia supostamente existente em todas as civilizações humanas entre aqueles que produzem e aqueles que, via Estado, se apropriam da produção alheia e legitimam (de diferentes maneiras) essa apropriação. A história da humanidade é a história da luta de classes - classes que não se definem pela posse ou não dos meios de produção, mas sim pela propriedade (ou acesso, fica melhor talvez) dos meios de coerção (e legitimação da coerção) e pela efetivação dessas &quot;iniciações de agressão&quot; de diferentes maneiras sancionadas por também diversas porções das várias sociedades ao longo da História. Como corolário menor disso, o libertarianismo desenvolve um profundo revisionismo histórico que contesta as verdades hegemônicas no campo (sempre a serviço do Estado, mais ou menos &quot;compradas&quot; a depender da tosquice do libertário em si) - revisionismo que em pelo menos um caso se aproxima enormemente de pensamento que é (presumo) inequivocamente ideológico para todos nós: um Roosevelt que teria propositalmente abandonado frota obsoleta em Pearl Harbor a fim de provocar ataque japonês que justificasse a entrada americana na guerra, concepção alegremente partilhada entre o isolacionismo libertário e o (mais famoso?) revisionismo neonazi. 

b)O libertarianismo, particulamente na sua vertente anarco-capitalista, é discurso bastante milenarista - gnóstico mesmo, quem sabe: até então dividido pela dualidade fundamental que mencionei, o mundo (ou porção do mundo) entraria numa fase inteiramente nova com o desaparecimento do Estado, o Mal com maiúscula. Aqui, a utopia tem gradações de razoabilidade, dependendo do libertário: para uns, a coisa seria idílica mesmo, já que o Estado é o criminoso por excelência das sociedades em que existe; para outros, alguns problemas ao menos se colocariam, merecendo discussão para além do &quot;as agências privadas resolverão isso&quot; - mas mesmo o paraíso leninista teria questões a resolver, certo?

c) Há hoje algo mais &quot;intelectuais de gabinete&quot; e jacobino que o libertarianismo? Apesar dos revisionismos históricos todos - eles são tentativa de resposta para o problema, na verdade -, os libertários têm enormes dificuldades em encontrar experiências humanas de largo espectro que se coadunem com o ideal da doutrina; a despeito disso, estão em sua maioria - o ceticismo não é o forte do grupo, como o Joel deve ter percebido - certíssimos das verdades absolutas que alcançaram, notadamente aquela (a filosofia política mais simples da história) já exposta acima: Estado é roubo, roubo é crime; logo o Estado é ilegítimo e precisa desaparecer. Um grupo de intelectuais pretender tamanha reengenharia social sobra a realidade (novamente: apesar dos revisionismos todos, que sociedade complexa existiu sem Estado?) não é jacobinismo no último?

4) Por último, mas não menos importante: as cizânias internas e os anátemas todos que recaem sobre qualquer um que ouse duvidar da fé revelada. Aqui, só um chatíssimo rol de exemplos me permitiria fundamentar a tese - mas novamente, os exemplos pululam em todos os fóruns libertários por aí: quem não é anarco-capitalista é socialista - mesmo o minarquista não passaria de um &quot;criminoso comum&quot;; há algo mais típico da mentalidade ideológica que um &quot;quem não está conosco (os fiéis realmente autênticos), está com eles - e contra nós?&quot;

Ficam as questões aí - e lembrando que sou por ora Secretário do partido Libertários no RJ, mas me considero apenas liberal e tenho várias reservas a esse libertarianismo salvífico...

Abraços.</description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>Mais uma referência do Martim ao &#8220;not with a bang but a whimper&#8221;, já um clássico desse site&#8230; </p>
<p>De resto, vamos insistir que o libertarianismo não é uma ideologia &#8211; assumindo aqui o sentido aroniano (porque para Marx evidentemente é) do termo, aparentemente aquele adotado por vocês? Acho que o Joel Pinheiro já frequentou suficientes fóruns libertários orkutianos para pelo menos relativizar um tanto essa afirmação&#8230;</p>
<p>Para o debate:</p>
<p>a) O libertarianismo tem toda uma filosofia da história orientada por um princípio fundamental: uma dicotomia supostamente existente em todas as civilizações humanas entre aqueles que produzem e aqueles que, via Estado, se apropriam da produção alheia e legitimam (de diferentes maneiras) essa apropriação. A história da humanidade é a história da luta de classes &#8211; classes que não se definem pela posse ou não dos meios de produção, mas sim pela propriedade (ou acesso, fica melhor talvez) dos meios de coerção (e legitimação da coerção) e pela efetivação dessas &#8220;iniciações de agressão&#8221; de diferentes maneiras sancionadas por também diversas porções das várias sociedades ao longo da História. Como corolário menor disso, o libertarianismo desenvolve um profundo revisionismo histórico que contesta as verdades hegemônicas no campo (sempre a serviço do Estado, mais ou menos &#8220;compradas&#8221; a depender da tosquice do libertário em si) &#8211; revisionismo que em pelo menos um caso se aproxima enormemente de pensamento que é (presumo) inequivocamente ideológico para todos nós: um Roosevelt que teria propositalmente abandonado frota obsoleta em Pearl Harbor a fim de provocar ataque japonês que justificasse a entrada americana na guerra, concepção alegremente partilhada entre o isolacionismo libertário e o (mais famoso?) revisionismo neonazi. </p>
<p>b)O libertarianismo, particulamente na sua vertente anarco-capitalista, é discurso bastante milenarista &#8211; gnóstico mesmo, quem sabe: até então dividido pela dualidade fundamental que mencionei, o mundo (ou porção do mundo) entraria numa fase inteiramente nova com o desaparecimento do Estado, o Mal com maiúscula. Aqui, a utopia tem gradações de razoabilidade, dependendo do libertário: para uns, a coisa seria idílica mesmo, já que o Estado é o criminoso por excelência das sociedades em que existe; para outros, alguns problemas ao menos se colocariam, merecendo discussão para além do &#8220;as agências privadas resolverão isso&#8221; &#8211; mas mesmo o paraíso leninista teria questões a resolver, certo?</p>
<p>c) Há hoje algo mais &#8220;intelectuais de gabinete&#8221; e jacobino que o libertarianismo? Apesar dos revisionismos históricos todos &#8211; eles são tentativa de resposta para o problema, na verdade -, os libertários têm enormes dificuldades em encontrar experiências humanas de largo espectro que se coadunem com o ideal da doutrina; a despeito disso, estão em sua maioria &#8211; o ceticismo não é o forte do grupo, como o Joel deve ter percebido &#8211; certíssimos das verdades absolutas que alcançaram, notadamente aquela (a filosofia política mais simples da história) já exposta acima: Estado é roubo, roubo é crime; logo o Estado é ilegítimo e precisa desaparecer. Um grupo de intelectuais pretender tamanha reengenharia social sobra a realidade (novamente: apesar dos revisionismos todos, que sociedade complexa existiu sem Estado?) não é jacobinismo no último?</p>
<p>4) Por último, mas não menos importante: as cizânias internas e os anátemas todos que recaem sobre qualquer um que ouse duvidar da fé revelada. Aqui, só um chatíssimo rol de exemplos me permitiria fundamentar a tese &#8211; mas novamente, os exemplos pululam em todos os fóruns libertários por aí: quem não é anarco-capitalista é socialista &#8211; mesmo o minarquista não passaria de um &#8220;criminoso comum&#8221;; há algo mais típico da mentalidade ideológica que um &#8220;quem não está conosco (os fiéis realmente autênticos), está com eles &#8211; e contra nós?&#8221;</p>
<p>Ficam as questões aí &#8211; e lembrando que sou por ora Secretário do partido Libertários no RJ, mas me considero apenas liberal e tenho várias reservas a esse libertarianismo salvífico&#8230;</p>
<p>Abraços.</p>
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	</item>
	<item>
		<title>Por: Rondinelly</title>
		<link>http://www.dicta.com.br/eles-so-usam-black-tie/comment-page-1/#comment-3571</link>
		<dc:creator>Rondinelly</dc:creator>
		<pubDate>Thu, 17 Dec 2009 17:20:40 +0000</pubDate>
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		<description>Curioso, você e o Drezner (http://drezner.foreignpolicy.com/posts/2009/12/16/its_an_entropic_day_in_the_neighborhood) falando de entropia no mesmo dia: da entropia globalizada à entropia tupiniquim, visões semelhantes, mas com esperanças distintas.</description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>Curioso, você e o Drezner (<a href="http://drezner.foreignpolicy.com/posts/2009/12/16/its_an_entropic_day_in_the_neighborhood" rel="nofollow">http://drezner.foreignpolicy.com/posts/2009/12/16/its_an_entropic_day_in_the_neighborhood</a>) falando de entropia no mesmo dia: da entropia globalizada à entropia tupiniquim, visões semelhantes, mas com esperanças distintas.</p>
]]></content:encoded>
	</item>
	<item>
		<title>Por: Joel Pinheiro</title>
		<link>http://www.dicta.com.br/eles-so-usam-black-tie/comment-page-1/#comment-3569</link>
		<dc:creator>Joel Pinheiro</dc:creator>
		<pubDate>Thu, 17 Dec 2009 14:17:56 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">http://www.dicta.com.br/?p=1849#comment-3569</guid>
		<description>A causa da inflação é o aumento da oferta de moeda. Pura e simplesmente isso.

Se o governo brasileiro realmente quisesse conter a inflação, era só parar as prensas. Inflação inercial? Ok, poderia adotar alguma medida contra ela também, embora seja só uma questão de tempo entre o fim da expansão monetária e o fim da inflação inercial.</description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>A causa da inflação é o aumento da oferta de moeda. Pura e simplesmente isso.</p>
<p>Se o governo brasileiro realmente quisesse conter a inflação, era só parar as prensas. Inflação inercial? Ok, poderia adotar alguma medida contra ela também, embora seja só uma questão de tempo entre o fim da expansão monetária e o fim da inflação inercial.</p>
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