Paralelamente a cada edição impressa de Dicta&Contradicta pretendemos preparar um conteúdo especial para publicação online. Serão textos, fotos, arquivos de audio e vídeos relaciondos com a última revista, mas guardados numa sessão “Especial” para os leitores do nosso blog.
Vinte anos esta noite. Naturalmente, a Dicta não deixaria passar em branco uma data tão importante. Mas depois de liberar o acesso a todos os textos já publicados em papel, aproveitamos a oportunidade para editar um especial exclusivo para o site. São quatorze posts nos quais tentamos manter o nosso compromisso de trazer comentários abrangentes e profundos. Do resultado caberá sempre ao leitor julgar, portanto, boa leitura!
ATUALIZAÇÃO: O video abaixo realmente estava com problemas até este domingo. Problemas solucionados! Para compensar, além de 5 chibatadas no editor, vamos disponibilizar uma parte maior da palestra. Na semana que vem as perguntas do IFE para o prof. Eduardo. Desculpem pelo incômodo e até a próxima.
Segue a terceira parte da palestra de Eduardo Giannetti no lançamento da Dicta 3. Quem não viu as duas primeiras pode clicar aqui e aqui, ou simplesmente em “Especial” no menu do site.
Então já sabemos que, para o Eduardo Giannetti, três atributos do que se poderia chamar de pensamento sério são: permanência no tempo, originalidade e compromisso prático. Agora vamos começar a ver se existe isso no Brasil. O que será que será?
Já estava demorando, mas acho que a espera vai valer a pena: começamos hoje publicar o especial dessa edição! Como alguns já desconfiavam, o convidado dessa vez será o Eduardo Giannetti da Fonseca, que nos deu uma excelente palestra no lançamento da Dicta 3. O Eduardo dispensa maiores apresentações e a palestra não precisa de adendos ou comentários.
E aqui termina a conversação frutífera e divertida com nosso lusitano favorito, João Pereira Coutinho. Como diria John Lennon, esperamos que você tenha gostado do show e que sua satisfação tenha sido garantida. Enquanto isso, acompanhe os últimos oito minutos e quarenta segundos de conversa e saiba como João gostaria de ser recebido por Deus no Paraíso (um momento James Lipton-Bernard Pivot que o entrevistador ousou cometer para que o público fale mal dele pelas costas), como elabora suas crônicas para a Folhade S.Paulo e, por fim, a gentileza e a retribuição inusitadas que ele recebe de seus amigos e leitores brasileiros.
Esta quinta parte da conversa com João Pereira Coutinho talvez seja a mais profunda e a mais reveladora. Agora, o espectador saberá que nosso lusitano favorito é um adepto do “desejo mimético” de René Girard (influências de Pedro Sette Câmara e Martim Vasques da Cunha, nossos girardianos de plantão?), admite a influência estilística de Eça de Queiroz em sua escrita e – alas! -, como qualquer jornalista que se preza, foi condenado na Justiça portuguesa por criticar um vereador. Mais uma prova que João não faz parte do armazém de secos e molhados (apud Millôr Fernandes) que se tornou o jornalismo brasileiro.
A pessoa ideal para ser seqüestrada em São Paulo. Esta é mais uma auto-definição que o nosso lusitano favorito, João Pereira Coutinho, faz sobre “sua alma pura que luta contra a corrupção do mundo”. Por quê? Nesta parte da conversa, João se identifica com ninguém menos que Immanuel Kant – chega a acreditar que as pessoas acertam os seus relógios e hábitos pelas suas manias, da mesma forma que o povoado de Konisberg fazia quando o filósofo iluminado passava pela praça pública. Mas, ao contrário de Kant, João Pereira Coutinho não escolhe se fechar na gaiola da irrealidade (ok, bem que ele gostaria de estar preso em uma universidade para provar a sua benevolência, como o próprio diz) e, de brinde, nos dá suas opiniões sobre dois dos mais polêmicos assuntos da condição humana: Deus – e, last but not least, as mulheres. Como João disse no final de seu último artigo na Folha de S.Paulo: Quem viver, verá.
Depois do recesso de Natal (que, segundo as mensagens comemorativas da Amazon.com, não é mais Natal e sim apenas the twelve days of Holiday) e de Ano-Novo, voltamos à nossa programação normal com a terceira parte da entrevista exclusiva com João Pereira Coutinho. Nesse meio tempo, o próprio João resolveu escrever duas das suas colunas mais polêmicas – uma em que afirma que a sapatada dirigida a George W. Bush somente prova que o Iraque melhorou muito e outra em que, com uma didática de história de ninar, explica aos leitores brasileiros quais são as verdadeiras razões dos ataques de Israel contra o Hamas na faixa de Gaza. Obviamente, algumas pessoas chiaram. Como veremos nesta seqüência da conversa, João dá uma explicação críptica para aqueles que não entendem os seus textos: eles devem ser lidos com senso de humor. Aliás, segundo o próprio, esta é a diferença essencial entre um conservador e um esquerdista: o primeiro sempre tem senso de humor, o segundo mal sabe o que é isso.
Portanto, quando ocorre o debate supostamente honesto entre as chamadas “direita” e “esquerda”, o que está em jogo não é a validade de cada ideologia – que terminará no reducionismo sobre a condição humana – mas uma simples questão a respeito de quem tem senso de humor. Para João Pereira Coutinho, que prefere Evelyn Waugh a James Joyce, como exemplo de escritor supra-sumo* do modernismo, o humor tem uma capacidade redentora, própria de quem não se vê como exemplo de vida e sim apenas como mais um grão que será contado, entre tantos, quando o Dono da Casa finalmente chegar de sopetão.
*Sim, por enquanto será usada a ortografia anterior ao Ultra-Badalado-Acordo (última homenagem ao uso dos hífens – como sentiremos a sua falta!), aquela que mal foi aprendida nas escolas e agora tentam impor outra para que ninguém saiba mais como escrever.
E novamente cá estamos com o lusitano mais querido do país: João Pereira Coutinho. Ou, como o próprio assina em seu sítio (sorry, não agüentei): JP Coutinho. Ou, como resolvem chamá-lo, talvez para acrescentarem uma aura de intimidade: JPC.
Muitos nomes para apenas uma atitude. Por que reforçamos o fato de João ser um lusitano? Ora, pois, todos sabem que o povo português, sabe-se lá cargas d´água o porquê, é considerado um secto de proporções intelectuais diminutas. João Pereira Coutinho é a prova de que isso não passa de uma calúnia. Que ele é inteligente, isso ninguém duvida. Que ele se expressa corretamente, também. Que justamente é um português o melhor colunista do jornalismo mainstream – e também de uma fina ironia -, acho que nem sequer há uma sombra de suspeita.
Então, o que a Dicta&Contradicta pode oferecer de novo aos leitores de João Pereira Coutinho? Apenas a comprovação de uma atitude que anda em falta no Brasil: a honestidade intelectual. Nesta parte da conversação, ocorrida no Instituto Internacional de Ciências Sociais de São Paulo, ele concorda sem hesitar com que há um norte e um questionamento moral por trás de toda a ciência política que se preze. A partir daí, o espectador talvez conheça a faceta “não-escrita” das crônicas que animam nossas sonolentas terças-feiras na Folha de S. Paulo.
P.S. aos navegantes: O Especial Dicta entrará em recesso de Final de Ano. O blog continuará na ativa, mas vocês só terão novamente o lusitano mais amado do país no dia 07 de janeiro de 2009.