Linguagem e confusão
O livro Wittgenstein: The Man and His Philosophy traz uma história altamente relevante, que aproveito para traduzir aqui:
Um sábio chinês, em um passado longínquo, certa vez foi abordado pelos seus discípulos, que lhe perguntaram o que ele faria se lhe fosse concedido o poder de colocar em ordem os assuntos do país. Ele respondeu: “Eu certamente garantiria que a linguagem fosse empregada com correção”. Os discípulos ficaram perplexos. “Na verdade”, eles disseram, “se trata de um assunto meio banal. Por que o Sr. atribui tanta importância a isso?” E o Mestre replicou: “Se a linguagem não é empregada com correção, então o que é dito não é o que se quer dizer; se o que é dito não é o que se quer dizer, então o que deve ser feito permanece por fazer; e se permanece por fazer, a moral e a arte serão corrompidas; se a moral e a arte forem corrompidas, a justiça não funcionará; e se a justiça não funcionar, então o povo entrará num estado de confusão sem volta”.
É ou não é?
Comments (10)
10 Comentários »
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É.
Alguns dos linguistas hoje por aí deveriam ler essa história! Não é óbvio que se eu aprendo uma língua numa gramática “inventada” por mim, você numa gramática “inventada” por você e um outro numa gramática “inventada” por ele, mesmo numa língua comum, não conseguiríamos nos comunicar?!
Tem muita gente querendo ser anárquica onde não dá para ser…
Comentário by Leonardo Valverde — 29 de outubro de 2009 @ 11:24 am
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estranho porque essa história me remete muito mais ao Hobbes do Elementos da Lei do que ao Wittgenstein.
Comentário by Cesar Kiraly — 29 de outubro de 2009 @ 12:07 pm
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hã? mas não é, mesmo! qual é o link entre deixar por fazer oq deve ser feito > a corrupção da moral e da arte > justiça disfuncional? para mim, isso está mais para a politéia de platão. coisa d intelectual com saudade dos tempos pré-babel.
Comentário by luizgusmao — 29 de outubro de 2009 @ 12:43 pm
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Alguns comentários confirmam exemplarmente o texto que pretenderam comentar.
Comentário by Valder Palombo — 29 de outubro de 2009 @ 2:59 pm
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Confúcio.
Essa passagem é das mais clássicas: Analectos XIII, 3.
É a apresentação da ideia de “correção dos nomes” (Zhèngmíng).
Comentário by Fileleno — 29 de outubro de 2009 @ 3:53 pm
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Hehehe… tô com o Valder…
Para encontrar o “link”, sugiro abrir mão do convencionalismo semântico da turma e Wittgenstein e Carnap, e saber exatamente até que ponto ele é válido. Essa turma certamente contribuiu para a frescurada desconstrucionista que décadas depois invadiu os meios acadêmicos.
Aprender a ler também ajuda.Comentário by Edson — 29 de outubro de 2009 @ 4:53 pm
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Já dizia um antigo apresentador de TV: “quem não se comunica, se trumbica”, lembram?
Isso sempre me pareceu tão óbvio. Aliás, a maioria das parábolas chinesas se limitam a mostrar como as coisas, na maior parte do tempo, são bem mais simples do que pensamos.
Chega a ser cansativo ver como algumas pessoas (muitas, na verdade) tentam transformar o conhecimento do senso comum em celeumas político-ideológicas. Afff!Comentário by Ricardo — 30 de outubro de 2009 @ 9:17 am
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Né.
Comentário by Bruno Duarte — 30 de outubro de 2009 @ 6:31 pm
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não sei nada de “convencionalismo semântico”. continuo a esperar o link.
Comentário by luizgusmao — 30 de outubro de 2009 @ 11:39 pm
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beleza… concordo..
mas como se faz isso?? com uma lei, a exemplo da ortografia no Brasil?
Comentário by André Ricardo — 2 de novembro de 2009 @ 7:00 pm





