Que bela confusão!

Cada vez que eu vejo algum repórter especial da Globo News (o canal da desinformação brasileira) entrevistando algum mandarim sobre a atual crise econômica na Européia (meus momentos preferidos são quando o William Waack chama a bancada do PSDB inteiro para vaticinar sobre um assunto que mal entende ou quando Jorge Pontual exibe seu habitual anti-americanismo), pergunto-me: Por que ainda não entrevistaram o Spengler?

Eis que ele faz a lição de casa para todos nós, com seu texto na coluna do Pajamas Media:

On paper, there’s no crisis at all, only a negotiation. Italy, Greece, and other failing companies put their assets up for sale, and allow the Chinese and other Asians to take over the corporate monopolies on which the system of state corruption is founded. Bondholders take a loss, some of the European banks go bankrupt, and they in turn are sold off to foreigners. It took a few months to arrange all of this in Thailand in 1997.

The trouble is that the whole of the southern European political structure lives off corruption, and a large part of the population has been corrupted as well. Without control of the assets that otherwise should be auctioned off to foreigners, the politicians and their hangers-on will be fleas on a dead dog. That is to say that the sort of solution that looks good on paper is one that would not include a role for most of the people who currently wield power in Greece and Italy.

Germany is just as paralyzed as Italy or Greece. Most Germans know perfectly well that the countries where they vacation are corrupt to the hilt, because they pay for their summer home by wiring money to a bank account in Liechtenstein. No-one actually pays full price above board for a home in Umbria or Mykonos. In that case, the seller would have to pay taxes.

Although the German public is resigned to southern European bankruptcy, the German government is not; the entire political class of Germany is dedicated to European solidarity as an antidote to German nationalism and cannot imagine throwing the Greeks under the bus (that is, pushing them out of the Euro). So the Eurocrats spin one unworkable, unacceptable bailout scheme after another. And each time the Greeks display their empty pockets and grin. Both sides are existentially incapable of doing what is required. Neither Eurocrats nor Greek (or Italian) politicians would find employment in the post-crisis world.

That is what keeps the market in a state of near-panic. There is no way to align the players for a solution except by pushing the situation to, and perhaps over, the brink. To put the Italian (let alone the Greek) political class into receivership, it may require actual, national receivership: banks shut their doors, pension checks aren’t mailed, oil refiners close, tankers are turned back at the ports for lack of cash. I do not think any such thing will occur. Nor do I think that an Italian national bankruptcy will mean much for the world economy.

Remember that two thirds of the world’s population (China, India, peripheral Asia, Latin America) is still enjoying strong economic growth. The US economy is weak but not crashing. Europe is a big chunk of the world’s GDP, and it is crashing, but its importance is diminishing by the year. It’s not the end of the world; it’s just the end of the Europeans.

Para um sujeito que se tornou um notório pessimista, até que deixou uma nuvem de otimismo no ar.

 

4 comentários em “Que bela confusão!

  1. Pode soar meio besta — até porque é uma raça que anda com muito espaço –, mas eu sinto falta de um economista entre vocês. Como bem colocou o Celso lá do NPTO, economia é a ciência social que melhor se adaptou ao formato de blog.

    Seria bom alguém que fizesse uns posts curtos feito os do Joel Pinheiro.

  2. Cara, chega a ultrapassar, e muito, a linha da irresponsabilidade uma declaração como essa:

    “Nor do I think that an Italian national bankruptcy will mean much for the world economy”.

    Deixa transparecer que o autor do artigo não tem conhecimento do basicão de economia, nem da ordem de grandeza das dívidas na EU, nem do quão perigoso é uma crise bancária. Não se brinca com isso gente, é a face mais cruel das economias de mercado.

    Realmente estou de acordo com o amigo acima, sinto falta de alguém que entenda, minimamente, de economia entre vcs.

  3. Para desafinar o coro dos “descontentes”…

    Curti o artigo do Spengler e não sinto falta de alguém que entenda minimamente de economia entre o pessoal da Dicta.

    A Europa (Eurábia?) está morta a um bom tempo e agora o cheiro da defunta está insuportável. A crise é causada pelo indecisão entre enterrá-la ou tentar ressuscitá-la.

    Por fim, este combo de artigos do Martim estão ótimos…

    Abraços,

    Henrique Santos

  4. Henrique,

    Concordamos no ponto “A crise é causada pelo indecisão entre enterrá-la ou tentar ressuscitá-la”, mas acho que por caminhos diferentes.

    A questão é que – e aí é onde entra a economia – a avalização dos custos e benefícios da renúncia às suas soberania por partes dos diversos países da EU torna-se, em última instância, uma questão econômica, de quem paga a conta. E, obviamente, se vai continuar pagando no futuro…

    Não se trata de: “Without control of the assets that otherwise should be auctioned off to foreigners, the politicians and their hangers-on will be fleas on a dead dog. That is to say that the sort of solution that looks good on paper is one that would not include a role for most of the people who currently wield power in Greece and Italy”.

    Ao contrário, muitíssimo ao contrário. É uma decisão da sociedade de cada um dos países, pois são elas que, no fundo, vão incorrer em sacrifícios (perda de soberania) para se ter uma solução para o impasse da dívida (já que a sua federalização é a única saída, mas federalizar não faz sentido se não for de forma completa, com perda de soberania dos países sobre suas políticas fiscais).

    Fica a sugestão.

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