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Sinal de virtude

Filed under: Filosofia,Sociedade incluído por Joel Pinheiro
Data do post: 28 de fevereiro de 2011

As duas imagens que tenho do militante são o socialista e o islamista. O que une a ambos? Uma coisa é o quererem implantar sistemas sociais não muito desejáveis para um homem racional, embora bem diferentes entre si (a não ser, é claro, naqueles que unem marxismo à umma). Mais do que nos fins, há uma igualdade que diz respeito aos meios: para fazer a revolução, implantar a ditadura do proletariado ou o califado universal, tudo vale. Vale matar inocentes (que, claro, por não estarem conosco, já não são tão inocentes assim), vale roubar, vale mentir. Pela causa posso cuspir na causa e jurar nada ter com ela.

Nem todos os movimentos dessas duas correntes têm essa característica. Mas ela foi e é prevalente o bastante para marcá-las. O mesmo já foi o caso até com o Catolicismo em certos lugares, mais especificamente na Inglaterra no início de era moderna (onde eles eram, verdade seja dita, brutalmente reprimidos; padres eram imediatamente condenados à morte). Alguns católicos, liderados por Guy Fawkes, tentaram explodir o Parlamento com todos os parlamentares dentro (a idéia ingênua de mandar uma carta para um parlamentar católico alertando-o do fato pôs tudo a perder, felizmente), indo inclusive contra os pedidos dos jesuítas disfarçados que ministravam em segredo pelo país. O problema é que mesmo entre os jesuítas circulavam diferentes versões da doutrina da equivocação e da reserva mental, o que ajudou na construção da caricatura do jesuíta sorrateiro, esguio, do qual é impossível extrair uma resposta que não seja dúbia. Houve muita propaganda falsa de protestantes e do governo inglês, mas os católicos no mínimo ofereceram material para tal campanha. Lições foram aprendidas.

Avancem a fita para os dias de hoje. Nos EUA, apesar da opinião pública radicalmente dividade, vigoram leis de aborto dentre as mais liberais do mundo; pode-se abortar por qualquer motivo e até bem tarde na gestação. Se o aborto falhar e o bebê nascer vivo, pode-se deixá-lo morrer. O movimento contrário ao aborto tem ganhado força. Gente que era pro-choice hoje é pro-life. Entre eles estão Bernard Nathanson, ex-médico abortista que, após ver imagens de ultrassom dos fetos que ajudava a matar, mudou de posição e passou sua vida fazendo campanha contra a prática, e até a Roe do Roe Vs. Wade, o processo que liberou o aborto, tornou-se ativista pro-life e converteu-se ao Catolicismo.

O movimento pro-life é difuso, abrangendo todas as classes e religiões (tendo inclusive partidários ateus), mas grande parte da força dele vem dos católicos americanos, que encabeçam diversas iniciativas. Uma delas, a Live Action, fez seus membros se apresentarem a clínicas de aborto da Planned Parenthood como prostitutas menores de idade acompanhadas de seu gigolô, que pede auxílio para testar e realizar abortos em suas “funcionárias”. O auxílio dado a eles prova que as clínicas da PP dão suporte a atividades ilegais e nada fazem para impedi-las; tudo devidamente filmado com câmeras escondidas.

Tática interessante, mas… seria ela moral? Afinal de contas, o que os membros do Live Action fazem é mentir, não é? Pode-se mentir por uma boa causa? Diferentes figuras do cenário católico americano deram suas opiniões. Peter Kreeft considera o ato obviamente correto. Mark Shea discorda.

É um caso difícil. Por um lado, não dá para negar que os membros da Live Action mentiram. Por outro, se concluirmos que sua ação é imoral, então todo o jornalismo investigativo e mais, toda infiltração policial em gangues de criminosos, tática consagrada da polícia, são igualmente imorais. Ademais, parece que há casos em que mentir é justificável, como o velho e conhecido “nazista à porta, judeus no sótão”. Alguns diriam que daí não se trata de mentira, mas apenas de um falsilóquio; na minha opinião, uma mal-sucedida tentativa de mudar definições para sumir com o problema.

O intuicionismo moral do Peter Kreeft não me convence; o argumento de autoridade do Mark Shea também não – embora ele faça uma distinção que me parece relevante: no caso do nazista na porta, é o inimigo que intima  a responder-lhe; no caso da Live Action, são os próprios agentes que tomam a iniciativa de dar informações falsas para enganar o adversário. Ainda assim, aceitando sua posição, teríamos que concluir que o jornalismo investigativo e a infiltração policial em gangues criminosas são sempre imorais? Há uma diferença entre mentir e interpretar um papel falso (num contexto em que isso sirva para enganar o interlocutor)? Para mim a prova da honestidade de um movimento ou militância está na capacidade de fazer esse tipo de auto-questionamento. Ao invés de transformar a causa anti-aborto num ideal que a tudo santifica, colocam também ela dentro de uma estrutura moral.

Excesso de auto-questionamento é um vício destrutivo à própria causa; ausência dele é inescrupulosidade; na medida certa, um brilhante sinal de virtude.


Comments (28)

28 Comentários »

  1. Muito bom texto, justamente porque não tenta dar uma solução fácil para o problema. É por isso que a Prudência é considerada a rainha das virrtudes! Abraço.

    Comentário by Helder Melo — 28 de fevereiro de 2011 @ 6:21 pm

  2. Joel e Helder,
    Já está ficando chato esse negócio de sempre concordar com vocês, mas o diabo é que concordo mesmo. O artigo está excelente. Anos atrás, quando era professor de direito, abordei a questão da mentira sob ângulo jurídico e adotei sua mesma posição.
    Parabéns pela isenção e sabedoria na análise de problema tão complexo, mas cuidado procês não serem chamados de “petralhas disfarçados”!

    Comentário by virgilio campos — 28 de fevereiro de 2011 @ 7:55 pm

  3. Joel,

    Mas, afinal, você considera errado o que fizeram os anti-abortistas e correto o jornalismo investigativo? É isso ou entendi errado?

    Comentário by Wagner — 28 de fevereiro de 2011 @ 9:44 pm

  4. Ótimo texto, difícil discordar…

    Classifico, com certa rapidez, como um caso de hierarquia de valores. A vida acima da verdade…

    Isso responde também à distinção de Mark Shea. A defesa dos valores absolutos pode chegar ao ataque.

    As vidas que, quem sabe, serão presevadas, agradecerão.

    Não sei se estou sendo muito simplista e sem auto-questionamentos… mas enfim, se eu tivesse que tomar semelhante decisão, essas seriam minhas premissas.

    Comentário by André Ricardo — 28 de fevereiro de 2011 @ 9:51 pm

  5. Sim, André, sua argumentação é forte. Joel a levantou também. Então não é lícito mentir para criminosos? E quando o crime é “lícito” pelas leis da pólis?

    Comentário by Helder Melo — 28 de fevereiro de 2011 @ 11:11 pm

  6. Mas que salada sr. Joel Pinheiro.

    Comentário by Luis Machado — 1 de março de 2011 @ 10:36 am

  7. Não tenho opinião formada, Wagner. Meu instinto seria dizer que o policial que se infiltra numa gangue, como parte de uma operação orquestrada pela polícia, não faz nada de errado. E daí, por conseguinte, a encenação da Live Action também não teria problema. Mas não o afirmo com certeza.

    Comentário by Joel Pinheiro — 1 de março de 2011 @ 11:14 am

  8. Caro André Ricardo, acredito que nenhum cristão endosse, em princípio, a hierarquia de valores na qual “a vida está acima da verdade”. O exemplo dos mártires, pelo menos, não consiste senão em testemunhar o oposto disso. Sobre a questão principal, o problema para mim acaba sendo mais simples porque, ao contrário do Joel, aceito a solução do falsilóquio como plenamente persuasiva.

    Comentário by João — 1 de março de 2011 @ 1:20 pm

  9. Haja discernimento. Sobre os limites, exigências e possibilidades da reserva mental e do que é conscientemente ambiguo, vale e muito assistir ao filme que emplacou o Oscar em 1966:

    http://www.imdb.com/video/screenplay/vi4276487193/

    Quanto ao jesuíta, além de sorrateiro e esguio será também esquivo, esgueirando-se aqui e ali para honrar (ou não) a Companhia.

    Comentário by Ricardo Leal — 1 de março de 2011 @ 1:53 pm

  10. Acho que vale considerar a questão da vida e da morte aí. Digamos, coloquem-se no lugar do policial que acredita estar salvando vidas em sua empreitada disfarçada — é uma idéia simples aqui, sem retoques e complicações. Vale mentir para salvar uma vida, ou várias vidas, que você considera inocente? Eu acredito que sim.

    Eu realmente acredito que a questão recai sobre o que fulano pensa sobre aborto. A perda de uma vida inocente não vale pelo menos, sei lá, mil pessoas personificando gigolôs e prostitutas menores de idade? Eu acho que vale mais, bem mais, incalculavelmente mais.

    Comentário by João Carlos — 1 de março de 2011 @ 4:53 pm

  11. Comparar anti-abortistas com jornalismo investigativo e infiltração policial?! Verdade acima da vida?!

    Às vezes o pessoal aqui entre numas discussões bem surreais… eu nunca sei se estão falando a sério mesmo.

    Comentário by Isidoro — 1 de março de 2011 @ 6:47 pm

  12. Isidoro, sua posição ficará mais forte se você der argumentos para confrontar as posições das quais discorda ao invés de apenas usar um “?!” para desqualificá-las de saída.

    Comentário by Joel Pinheiro — 1 de março de 2011 @ 8:26 pm

  13. Isidoro, hierarquia de valores não é nada surreal. É importante entendê-la para tomar decisões nos conflitos diários de cada pessoa.

    João. Brilhante colocação. Tento solucionar da seguinte forma: Eles arriscaram, por amor (maior dom), perder a vida terrena para que muitos outros pudessem conhecer a verdade e, através dela, ter vida eterna. Ou seja, a vida saiu ganhando.

    Helder. É justamente isso que quis dizer. O cara citado pelo Joel falou que a situação é bem diferente do “nazistas na porta, judeus no sótão”. Bem, se é diferente, é porque essa é de defesa contra o mal (nazistas), enquanto aquela é para atacar o mal (aborto). Por isso, é admissível.

    Ok?

    Comentário by André Ricardo — 1 de março de 2011 @ 8:30 pm

  14. João, e o caso da Live Action parece-lhe um falsilóquio?

    Como determinar a diferença entre mentira e falsilóquio? Parece-me que essa doutrina foi inventada ad hoc para que fosse possível sustentar, ao mesmo tempo, que toda mentira é errada e que certas mentiras são corretas, e portanto receberam um novo nome para deixarem de ser mentiras, adicionando alguns novos componentes extrínsecos ao conceito da mentira (ex: o direito do interlocutor de saber a verdade).

    João Carlos: mas essa sua resposta me parece padecer do mesmo consequencialismo que permite qualquer ato em função de uma boa causa.

    Comentário by Joel Pinheiro — 1 de março de 2011 @ 8:30 pm

  15. 1.Esse argumento usado pelo Isidoro (“?!”) é o mais profundo que tenho visto ultimamente ser usado pelas hostes relativistas. Isto é, ancoram-se no “politicamente correto” e naquilo que é a “opinião pública”.

    Comentário by Wagner — 1 de março de 2011 @ 9:34 pm

  16. Gente! Que conversa maluca é essa? Será que voltei no tempo e fui parar na Bizâncio do século IV? Mentir, todo mundo mente. Bicho mente: se camufla, finge ser quem não é, imita som alheio, distrai atenção fingindo ir prum lado e não indo ou indo pro lado contrário, etc. Eu tinha um cão que ficava dormitando no jardim, mas quando sentia eu vindo por trás pra dar o flagra ficava em pé ligeiro e latia pra rua feito doido pra mostrar serviço! Me desculpem por contar “causos”, mas é pra contrabalançar a chatice do hiperintelectualismo e hipermoralismo de amigos que chegam até a citar os mártires cristãos como exemplo, como se fosse devido a eles o triunfo do cristianismo. Não foi: grande parte do exército de Constantino era de cristãos, mas eles, como qualquer outro soldado pagão, queimavam incenso à estátua do “divino” imperador que só se converteu no fim da vida! Os soldados cristãos mentiam ou não mentiam? Mas foi mentindo que levaram Constantino ao triunfo e ao triunfo do Cristianismo! A mentira valeu ou não valeu?

    Comentário by virgilio campos — 2 de março de 2011 @ 12:15 am

  17. Uma diferença digna de nota entre mártires (que se recusaram a mentir) e os infiltrados da live action é o assunto sobre o qual mentem.

    O mártir via-se entre morrer ou mentir sobre aquilo que há de mais elevado e valioso nele; negar aquilo que ele mais valoriza. O sujeito com o guarda nazista à porta nega apenas um fato contingente distante da essência de quem ele é.

    Mentir sobre valores é mais sério do que sobre fatos contingentes do mundo externo. Em alguns casos, esse segundo parece ser certo. O primeiro, a meu ver, nunca é.

    Comentário by Joel Pinheiro — 2 de março de 2011 @ 12:28 am

  18. Nossa, como vocês gostam de rotular quem não concorda com o pensamento de vocês usando frases feitas, hein? “Politicamento correto”, seguidor da “opinião pública”, “hostes relativistas”… Sejam mais originais.
    A MINHA opinião é que vocês me parecem um tanto quanto “descolados” da realidade, da vida como ela é. Ficam tentando pautar seus comportamentos por opiniões filosófico-religiosas de alguns autores, teorizando demais. O buraco é beeem mais embaixo, minha gente.
    Ou vocês acham que jornalistas investigativos e policiais infiltrados ficam fazendo essas considerações todas antes de exercer suas funções?
    Na vida real há mais coisas com o que se preocupar além da “verdade” ou “mentira” teorizadad por gente que nunca pegou no trampo de verdade.

    Comentário by Isidoro — 2 de março de 2011 @ 12:36 am

  19. Joel, se lembrarmos o que acontecerá com aqueles que negarem a Verdade, sabemos que ainda é a vida que está em jogo…

    Isidoro, vc reclama que tentamos pautar nosso comportamento por “opiniões” filosófico-religiosas.
    Qual critério é melhor então para pautar comportamentos?

    Vejo que além do relativismo, vc padece do vulgar pragmatismo. Os policiais que padecem desse mal são justamente os que se corrompem.

    Comentário by André Ricardo — 2 de março de 2011 @ 1:23 am

  20. André Ricardo,

    Qual critério é melhor? Para viver no maravilhoso mundo do pensamento platônico, eu diria que as opiniões filosófico-religiosas são as melhores mesmo. Mas para (sobre)viver no mundão de meu Deus, o bom, velho e “vulgar” pragmatismo ainda é a melhor opção. Pelo menos para quem continuar vivo.
    Como bem disse o Virgílio, parece que vocês vivem na Bizâncio do século IV.

    Comentário by Isidoro — 2 de março de 2011 @ 8:24 am

  21. Putz grila Isidoro… acho que vou ter que desenhar:

    Uma vez, uma pessoa muito próxima a mim, teve o seguinte conflito no ambiente de trabalho:

    Numa reuniao com o superior, repetiu o comentário que alguém tinha feito sobre determinada atividade. Para essa pessoa que me é próxima, tal comentário nao tinha nada demais. Entretanto, o superior enfureceu-se com o comentário e exigiu que essa pessoa próxima a mim denunciasse o infeliz, sob pena de demissao. A pessoa chorou muito, mas nao denunciou, nao delatou. Outros colegas, compadecidos, acabaram falando quem era.

    Essa pessoa me deu orgulho, pois preferiu sofrer a demissao a ser uma delatora. Isso é hierarquia de valores.

    Parece facil, nao é? Mas veja:

    No meu trabalho, passei pela seguinte situacao:

    Uma pessoa estava cometendo um erro, sem saber, e que iria prejudicar a ela, o chefe e todo o setor. Como nao tinha oportunidade de falar com ela diretamente e tinha que resolver o erro urgentemente, relatei o erro ao nosso superior.

    Juro, fiz isso pensando no bem dela e de todos, mas me arrependi. Com o meu pragmatismo, passei como delator. Gerando um desnecessario conflito no meu ambiente de trabalho.

    Ou seja, nao observei a hierarquia de valores, tentei ser paternalista e pragmatico.

    Claro, óbvio e evidentemente, que sao situacoes proporcionalmente menos graves e complexas que a apresentada pelo Joel. Mas me diga: Se tais conflitos aconteceram na minha vida, quem sou eu pra dizer que nunca me depararei com conflitos mais complexos, em que será necessario conhecer valores religiosos e filosoficos?

    Em tempo: As vidas que se perdem em milhares de abortos nao sao reais pra vc? Sao platonicas também?

    Comentário by André Ricardo — 2 de março de 2011 @ 2:30 pm

  22. Amigo André Ricardo,
    Fico alegre de não ser eu o único que conta “causos” aqui na Dicta. Os teus “causos” são bacanas mas neles a boa ética foi aplicada a dilemas pequenos; quero ver é a aplicação dela naqueles dilemas onde prisão, tortura e a própria vida estão em jogo! Como diz o matuto na minha terra, “é nessa hora que o cabra mija fino”!
    Amigo Joel, pela 1ª vez vou discordar de você. Então os soldados cristãos de Constantino fizeram mal em “adorá-lo”? Deviam ter se mantido “firmes na fé” e se entregado ao martírio permitindo que Maxêncio, primeiro, e Licínio, depois, vencessem? Com éticas rígidas como essas fica difícil lutar o bom combate e fazer triunfar o que é realmente importante.

    Comentário by virgilio campos — 2 de março de 2011 @ 3:47 pm

  23. Olha, Virgílio, no meu entender sim. A consequência dos atos (como por exemplo a conversão do mundo inteiro) não são mais importantes do que se manter a própria integridade. Tem que ver o grau de “mentira” que esses soldados eram obrigados a cometer. Negar o que há de mais elevado em si, seu valor mais alto, é mau. Imagine o estado desses homens, tendo que viver se submetendo àquilo que eles consideravam a coisa mais abjeta possível: adorar um outro homem como se fosse Deus. Rebaixar-se a isso é uma verdadeira blasfêmia contra Deus e com a própria alma.

    Claro, as circunstâncias atenuam; não digo que nenhum desses soldados fosse mau; digo que o ato era, apesar de compreensível, mau. Mas claro, teve consequências boas. Até aí, a traição de Judas foi o ato com a melhor consequência da história: a redenção do mundo, e nem por isso foi admirável. Lembro-me, em linhas gerais, de uma fala de Cristo: “É preciso que essas coisas aconteçam; mas AI daquele por quem o Filho do Homem for entregue…”.

    Comentário by Joel Pinheiro — 2 de março de 2011 @ 9:57 pm

  24. Virgílio, concordo que são “causos” pequenos. Pequenos e que envolvem valores.
    Talvez para esses pequenos casos a decisão seja mais fácil por causa da educação de berço.
    Provavelmente para casos mais complexos é necessário uma família muito supimpa ou uma rígida formação filosófica e religiosa.
    Só narrei esses casos pra mostrar pro Isidoro como é importante, pro dia-a-dia mesmo, saber hierarquizar valores.

    Ah, acho que é até uma felicidade a minha vidinha ser tão simples a ponto de não ter muitos casos complexos a narrar.

    Comentário by André Ricardo — 3 de março de 2011 @ 9:12 pm

  25. Amigos Joel e André Ricardo,
    Vejam o seguinte “causo”: por volta de 1940, a católica familia Ratzinger é informada que seu filho adolescente, destinado ao sacerdócio católico, deve se juntar a “Hitlerjung” e viver como um jovem nazista, o que de fato ocorre. Em 1944, ela é informada que o seu filho já rapaz deve se juntar à “Wermacht” e lutar com valentia pelo “Fürher” e o “3º Reich”. Tal como na “Hitlerjung”, o jovem Ratzinger cumpre o seu dever na “Wermacht” sem oposição sua ou da sua devota família. Todos até tiram com orgulho retratos onde ele aparece envergando os seus lustrosos uniformes do mal.
    Pergunto: os Ratzinger, tal como milhões de outras famílias alemães católicas, deveriam aceitar servir a Satã ou recusar e irem para campos de extermínio? Vejam que nem ao menos havia a justificativa de honrarem Satã por uma boa causa, como no caso dos soldados cristãos de Constantino. Ponham os pés no chão e parem com exercícios intelectuais sobre pretensos dilemas éticos que não levam a nada.

    Comentário by virgilio campos — 4 de março de 2011 @ 12:55 pm

  26. Como já falei Virgílio, acho bom minha vidinha ser tão simples a ponto de não ter de enfrentar grandes dilemas. Isso, contudo, não me impede de refletir sobre como eu agiria caso ela desse uma reviravolta e me pusesse diante desses dilemas.
    Não quero botar um dedo acusador sobre a família Ratzinger, mas eu preferiria a morte a servir a nazistas, fascistas, comunistas, etc.
    Já quanto ao meu filho… bem, acho que só uma pessoa sacrificou seu filho por uma causa… ou seja: Faria de tudo para que ele vivesse. Teria pesar com a perseguição de judeus, mas meu filho seria mais importante.
    Não tenho certeza se, no calor da situação, minhas emoções seguiriam a razão e me permitiriam tomar tais decisões. Mas, repito, isso não me impede de conjecturar.
    Pode mandar mais outro.

    Comentário by André Ricardo — 5 de março de 2011 @ 9:56 pm

  27. Pronto André Ricardo; você chegou onde eu queria: “só uma pessoa sacrificou seu filho por uma causa…”! Lembra do filme “A Escolha de Sofia”? Apesar de achá-lo extraordinário nunca mais tive coragem de assistir de novo; choro só de lembrar a Sofia diante da câmara de gás sendo poupada, mas tendo de dar um dos filhos pro sacrifício pra salvar o outro, que morre depois. Ela sobrevive, mas pira e acaba suicidando-se! Aquilo é que foi dilema ético e humano do mais alto calibre! O resto é exercício intelectual! Grande abraço.

    Comentário by virgilio campos — 7 de março de 2011 @ 12:12 am

  28. O problema com esse questionamento não é, definitivamente, que haja algum problema com “discutir critérios para pautar comportamentos”.

    É achar que é necessário entrar em discussões dessa natureza para resolver coisas banais.

    Em suma, quem perde tempo se perguntando se a atividade investigativa é ou não imoral por conta de que o investigador “mente”, é um grande caçador de pelo em ovo.

    Tem problemas um tanto mais urgentes necessitando de neurônios aí.

    Comentário by Anônimo — 10 de março de 2011 @ 2:18 pm

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