O sacrilégio de Obama
Data do post: 18 de agosto de 2010

Uma das maneiras de indicar vitória em uma guerra é, sem dúvida, marcar a posse de algo – fincar uma bandeira ou construir um prédio no território onde ocorreu a luta.
É uma espécie de “etiqueta” entre os vencedores e os vencidos.
Por isso, enquanto o Brasil se preocupa com uma eleição que já está decidida desde o início dos tempos, algo mais grave ocorre nos EUA: o debate sobre se deve ou não construir uma mesquita a dois quarteirões do Ground Zero*, o lugar onde ficavam as torres do World Trade Center, as mesmas que desabaram com o ataque terrorista de 11 de setembro.
As discussões ficaram tão acaloradas que até Barack Hussein Obama entrou na confusão – e, pela primeira vez na história dos EUA, um presidente americano defendeu explicitamente os muçulmanos, afirmando que não havia problemas na construção da mesquita, claro, desde que tudo fosse mantido dentro dos limites da “tolerância religiosa”. Não seria hora de mudar seu nome para Al-Bama?
Como bem apontou Charles Krauthammer, trata-se de um sacrilégio de marca maior. Não se deve construir nenhuma mesquita naquele lugar porque simplesmente deve-se respeitar os mortos que ali foram abatidos.
Mas a suposta tolerância liberal pensa diferente. Acha que todos devem ter uma chance de expressão. Não se sabe se isto é culpa ou pura pusilanimidade.
O que estes supostos democratas não percebem é que a democracia, para funcionar corretamente, deve ter e impor seus limites. É por essa razão que ela não é um valor em si e apenas um sistema de governo; a democracia precisa de uma ordem pré-existente antes de que possa providenciar as liberdades e os direitos de seus cidadãos. E tal ordem não está inscrita nas leis e sim nos costumes de cada povo, que foram alimentados por uma determinada tradição que tem os anos para comprovar a sua eficácia. Em outras palavras: uma democracia nunca pode ser uma anarquia.
Contudo, o que Obama et caterva propõem não é nem uma democracia, nem uma anarquia. É a mais absurda das oligarquias – que, se não for controlada a tempo, se tornará uma oclocracia, o governo da ralé. Sim, da ralé – a ralé espiritual que pensa que uma construção é só uma construção e que uma rosa é só uma rosa.
E, enquanto isso, ficamos aqui, de camarote, pensando em nossas eleições já decididas e vendo o caso mais grave de inflitração muçulmana em um governo americano desde que Alger Hiss foi descoberto como espião da KGB.
C´est drôle, n´c´est pas?
* Agradeço ao leitor Marco pela correção a respeito da proximidade da mesquita em relação ao Ground Zero, mas ainda assim isto não é motivo para “deixar para lá”. Dois quarteirões, mesmo no padrão nova-iorquino – quem foi àquela cidade sabe que caminhar nela, mesmo que seja por um quarteirão, é uma distância considerável – ainda possui um simbolismo de posse que não pode ser negado.
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"Obamis é da paiz"
Data do post: 9 de outubro de 2009
Agora é oficial. O Prêmio Nobel resolveu agraciar uma escritora que ninguém ouviu falar – Herta Who the Fuck Is Mueller quando ainda estão por aí Philip Roth, Thomas Pynchon, Javier Marías, Claudio Magris, Mario Vargas Llosa, Tom Stoppard e Geoffrey Hill – e também o nosso admirado Obamis, também conhecido como a Nova Encarnação de Jesus Cristo (pelo menos, segundo próprio e, claro, Vladimir Soloviev). Mas como aqui na Dicta ficamos acima dessas platitudes, convido o leitor a recuperar o fôlego e ler este artigo de James Bowman, chamado The Death of Politics, que já em Abril mostrava uma análise correta de tal situação, em que qualquer presidente será visto não mais como um político e sim como uma celebridade:
The politics of celebrity is, first and foremost, moralistic. Though celebrities love to think of themselves as “controversial,” the point of their intervention in politics is always to abolish controversy. About that favorite celebrity cause, global warming, for instance, Al Gore and the other celebrities keep telling us there is no controversy. It is not a political but a moral issue. Those who oppose their position on what is to be done about “climate change” — assuming they have such a position and not just a posture — are not political opponents but wicked and immoral. And — what do you know? — they are often the same wicked and immoral people who lied in order to engage in an immoral war or pursued terrorists by immoral means. Or who brought about economic crisis by failing to make “hard choices.” Or, as the new President said in another part of his inaugural address, gave way to “petty grievances and false promises, the recriminations and worn out dogmas, that for far too long have strangled our politics.”
E se alguém ainda acha que o (Ig)Nobel foi correto em premiar o sujeito que finge sair do Iraque para continuar no Afeganistão, lembre-se que isso não é o mais importante, pois Philip Larkin, o poeta inglês mais rabugento do mundo, nos deixou uma futura lição:
Next year we are to bring all the soldiers home
For lack of money, and it is all right.
Places they guarded, or kept orderly,
Must guard themselves, and keep themselves orderly.
We want the money for ourselves at home
Instead of working. And this is all right.It’s hard to say who wanted it to happen,
But now it’s been decided nobody minds.
The places are a long way off, not here,
Which is all right, and from what we hear
The soldiers there only made trouble happen.
Next year we shall be easier in our minds.Next year we shall be living in a country
That brought its soldiers home for lack of money.
The statues will be standing in the same
Tree-muffled squares, and look nearly the same.
Our children will not know it’s a different country.
All we can hope to leave them now is money.
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Em que uma frase de “Star Wars” explica como o mundo mudou
Data do post: 20 de janeiro de 2009
“So this is how liberty dies, with thunderous applause”.
Cortesia do Lew Rockwell blog.
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