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A Gênese de ‘Do Enigma ao Mistério’ – IV

Filed under: Especial incluído por Guilherme Malzoni Rabello
Data do post: 1 de julho de 2008

Uma das opiniões mais unânimes de todas as pessoas que conheceram o Bruno Tolentino é a de que ele era uma “pessoa muito difícil”. Mas, se de fato seria uma mentira negar completamente esta afirmação, mais errado ainda seria aceitá-la sem nenhuma restrição.

Convivi com o Bruno apenas nos seus três últimos anos de vida e tenho certeza de que esse pequeno convívio não foi suficiente para me dar um panorama completo do seu comportamento. Principalmente porque nessa época ele já estava, senão debilitado, certamente menos ativo do que já havia sido. E como ele mesmo me disse uma vez: “ter saúde me faz um mal danado”.

Ao longo desses anos eu presenciei mais de uma “briga” arranjada pelo Bruno e ficou claro para mim que boa parte do seu comportamento era semelhante ao de uma criança. Todo mundo que já teve contato com crianças sabe das reações exageradas que elas costumam ter, dos momentos em que tudo é ruim simplesmente porque estão com sono etc. Mas também há as vantagens, as enormes vantagens de uma personalidade completamente desprovida de preconceitos, que está preocupada com a coisa que lhe é apresentada e não com o que vão pensar que ela pensa se gostar disto ou daquilo. Em outras palavras, o Bruno tinha mesmo uma simplicidade (e uso a palavra até nos seus sentidos mais elevados) impressionante ao lidar com absolutamente tudo. 

Isso fazia, por exemplo, com que ele conversasse com qualquer pessoa sobre qualquer assunto. E também explica a única coisa que o tirava do sério: a falsidade, querer parecer sem ser. Ah, era até engraçado ver a facilidade com que ele percebia isso e a facilidade com que destruía qualquer falsa pretensão.

Digo tudo isso porque o que aconteceu no final da primeira aula mostra um pouco esse lado. Como eu disse na semana passada, a felicidade do Bruno ao terminá-la para os seus trinta alunos só pode ser comparada a de uma criança quando chega o Papai Noel. E notem como a voz dele estava fraca no final, demonstrando o cansaço que certamente sentia. Mesmo assim, chegou em casa depois das 11 horas da noite e foi acordar todo mundo para contar o seu sucesso.

Eu não sei o que passou pela cabeça do Bruno nos dias que se seguiram, mas eles certamente foram decisivos para o andamento das coisas, como vocês verão na semana que vem…

***

Eu havia dito que a condição para editar as gravações seria publicá-las aqui para que todos tivessem acesso ao material original. Até agora só estou um pouco decepcionado com uma coisa: quase não recebi críticas. E já que ninguém as fez, eu mesmo terei de mostrar os meus erros.

Antes, apenas um comentário: como vocês ouvirão, esta parte foi certamente uma das mais difíceis de editar, talvez a mais difícil. Porque é ao mesmo tempo a mais densa e a mais confusa de todo o curso. Por isso a necessidade de cortes, transposições etc.

Mas nada pode justificar o fato de eu ter cortado a crítica que ele faz mais ou menos aos doze minutos sobre as concepções de “direita” e “esquerda”. Quando ouvi a gravação para preparar o post, pensei: “ué, por que será que deixei isso de fora? Ah, já sei. Deve ser porque não encaixaria no raciocínio”. Então fui acompanhando a gravação com o texto da revista e percebi que ela se enquadraria perfeitamente. Nesse caso, só posso pedir desculpas… E garantir que se um dia as aulas forem reeditadas, farei o que puder para modificar esta parte do texto.

Outro caso que poderia ter entrado na versão final são as considerações sobre “o mal como doença” e como isso se dá na literatura, conforme exposto lá pelo décimo sétimo minuto da gravação. Nesse caso já não tenho tanta certeza do meu erro, porque as referências que o Bruno faz ali são sobre as obras que seriam tratadas no curso tal como ele havia pensado até então. Mas na segunda aula ele já mudaria completamente de idéia, de maneira que nada do que foi proposto de fato aconteceu. Por outro lado, dirá o meu acusador, pouco importa a sequência, a continuidade, o curso; o que importa é que as considerações sobre Thomas Mann, Conrad, Shakespeare e Machado são sensacionais. Enfim, deixo para vocês decidirem. 

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Um minuto de silêncio

Filed under: Literatura incluído por Guilherme Malzoni Rabello
Data do post: 27 de junho de 2008

Hoje faz um ano que o Bruno Tolentino morreu. Aqui vai a nossa pequena homenagem,

A Explicação

Por Bruno Tolentino

[...]

É o real tudo aquilo que, à medida
em que nos abandona e se evapora,
sagra o aqui e o agora
entre os braços da Cruz, nosso sinal
de mais na escuridão.
Tudo o mais é ilusão,
mero jogo mental
que às vezes nos confunde,
mas que não pode desfazer o nexo
entre o instante mortal
e o perene esplendor da rosa-mundi.

Esse é o grande cordão umbilical,
o traço de união, aquele elo
que Eliot entreviu num roseiral
e o Velho do Restelo
num cais de Portugal.
É o mesmo nexo sobrenatural
que, às vezes, com uma rapidez de seta,
inexplicavelmente nos inquieta
ao deixar-se entrever à face lisa
do que eu chamo de espelho convexo
e Platão comparava a uma gruta.

Metáforas que valem como o indício
de que a mente se expande quando escuta
o sussuro imortal que anima a brisa,
sossega a ventania
e acode a cada rosa na agonia;
ele é que suaviza
o derradeiro amplexo
que desfigura e transfigura o ser,
ele é que acalma
e leva pela mão a pobre alma,
resgatada dos braços do suplício
para enfim perceber
o esplendor de um jardim muito maior
que seu curto reflexo.
Se enxergá-lo é difícil,
não ver é ainda pior
 


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A Gênese de ‘Do Enigma ao Mistério’ – III

Filed under: Especial incluído por Guilherme Malzoni Rabello
Data do post: 24 de junho de 2008

Como disse na semana passada, eu entrei na história dessas últimas aulas para ajudar o Bruno nas questões práticas. Normalmente, esta seria a função mais simples. Mas quando a “questão prática” envolvia o Bruno Tolentino, as tarefas mais simples ganhavam a dimensão de uma maratona. Ele era incrível justamente por isto; era capaz de recitar trechos e trechos e Dante com uma pronúncia perfeitamente florentina, mas era incapaz de organizar o quer que fosse.

Enfim, o primeiro “desafio” foi a ementa do curso. Em qualquer situação normal esta seria uma das partes mais fáceis, afinal o professor e o diretor da Instituição que promoveria o curso já haviam acertado todos os detalhes. Faltava apenas uma brevíssima descrição dos temas que seriam abordados. O problema foi justamente a “brevíssima” da frase acima. Como o responsável pela parte acadêmica era o Marcelo Consentino, coube a ele elaborar a ementa junto com o Tolentino. O curso quase não saiu por conta disso! O Marcelo ia à casa do Bruno e cinco horas depois saia de lá sabendo tudo sobre, digamos, Conrad, mas sem nenhum parágrado descritivo. A história foi assim até que um dia – acho eu - liguei ao Marcelo e disse algo assim: “Inventa uma ementa. Qualquer ementa! Não vai fazer difenrença nenhuma, o Bruno não vai seguir de qualquer jeito!”

Mas o problema não acabou aí. Entre a finalização da ementa e o começo do curso eu pensei em cancelar tudo mais de uma vez. Todo mundo sabia o tamanho do esforço que seria para o Bruno falar por duas horas, se locomover à noite etc. Mas não desistimos porque também era muito claro que ele precisava disso; que se não pudesse falar, não valeria a pena fazer mais nada.

O momento mais significativo, no entanto, foi o início do curso. Até o dia da primeira aula havia cinco inscritos. Ninguém sabia o que fazer: normalmente o Bruno falaria para cinco pessoas sem nenhum problema, mas todo aquele esforço para cinco pessoas? Não seria mais fácil levar essas pessoas até a casa onde ele morava? Sem contar a frustração de decidir pronunciar as suas últimas palavras e ficar sabendo que apenas cinco pessoas se interessaram. Mas seguimos em frente, o Bruno fazendo piada como sempre, e qual não foi a nossa surpresa ao chegarmos para a aula e encontrarmos algo em torno de 30 alunos no local. Foi um problema, mas daquele tipo de problema que todos querem ter, com os alunos sentados no chão (já que havíam separado uma sala para cinco pessoas). E a felicidade do Bruno em falar para 30 pessoas era algo indescritível.

Até hoje este é o fato externo que mais me marcou ao longo de todas as três aulas. Já tirei muitas conclusões dele, mas não vou cansar vocês com elas. Cada um que tire as suas…

***

Em relação à edição do texto, agora vocês vão começar a ter noção das minhas escolhas. Peço que as critiquem! Uma das partes mais delicadas foi a VI parte do texto impresso. O começo dela está no áudio abaixo. Precisei mudar a ordem dos parágrafos, excluir várias repetições etc.

Como vai ficar claro com o áudio, a primeira aula foi ficando gradativamente mais confusa, mas também gradativamente mais impressionante. Isso foi uma grande dificuldade, porque o raciocínio não era linear, mas era também a descrição mais vital que eu já ouvi o Bruno pronunciar sobre o “mundo como Idéia”. Decidi excluir várias passagens, como a que ele faz referência à governanta escocesa que ele teria tido, os vários intelectuais com os quais ele conviveu na infância etc. É a mesma história: estas digressões, sensacionais na boca do Bruno, num texto escrito trariam mais confusão do que qualquer outra coisa.

Outras histórias não poderiam ser excluídas de maneira nenhuma. A mais interessante delas foi quando ele contou aquela coisa de Tomás Antônio Gonzaga ser o terceiro poeta mais lido da Rússia, ou da Ucrânia que seja. Não faço a mais vaga idéia da veracidade disto, de fato não apostaria minhas economias nesta história; mas se non è vero, è ben trovato – e totalmente tolentiniano.

Mas há também o que não pode ser transcrito, dois pequenos acidentes saborosos que estão na gravação: quando toca o telefone celular do poeta e ele não sabe o que fazer, e quando ele pede uma água sem perceber que há uma exatamente na sua frente (e só depois de algum tempo uma pessoa tem coragem de se levantar e dizer, sem pronunciar as palavras, “olha, tá aí na sua cara!”).  

E eu fico por aqui, com um aviso aos corações mais fracos: se preparem para, daqui pra frente, gravações cada vez mais emocionantes.

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A Gênese de ‘Do Enigma ao Mistério’ – II

Filed under: Especial incluído por Guilherme Malzoni Rabello
Data do post: 17 de junho de 2008

A história das três últimas aulas de Bruno Tolentino começou no dia 22 de dezembro de 2006. Lembro-me perfeitamente do espanto que senti ao receber um telefonema de Renato Moraes avisando que o Bruno havia sido internado com uma grave crise hepática. No dia seguinte, fomos ao hospital e, depois de visitá-lo, conversamos com o médico de plantão. Ele estava muito debilitado, e a pergunta óbvia não podia faltar: “Doutor, o sr. acha que ele consegue escapar dessa?” Ao que o médico respondeu: “Veja bem, no momento ele não corre perigo. Se o quadro continuar a se desenvolver desta maneira, poderá sair daqui. Mas um paciente com esse quadro não tem uma expectativa de vida muito longa”.

É engraçado, mas nesses momentos sempre temos a tendência de fugir da realidade, como quem estivesse à beira do abismo e pensasse: “Humm. Até que não é tão fundo assim”. Fosse como fosse, naquele instante ficou claro que o Bruno não tinha mais muito tempo, que a partir daquele momento ele faria muitas coisas pela última vez.

Como o médico havia previsto, o quadro desenvolveu-se bem e, antes do fim do ano, ele estava novamente em casa. Recuperou-se aos poucos. O momento decisivo foi depois do Carnaval, quando a profa. Ana Lydia Sawaya se encontrou com o prof. Dante Gallian (ambos são da Escola Paulista de Medicina). A Ana Lydia era quem estava hospedando o Bruno nos últimos meses de vida, junto com outras moças do movimento Comunhão e Libertação, e o Dante era então do Centro de Extensão Universitária, que no ano anterior havia promovido um curso – aliás excepcional – do Bruno sobre poesia brasileira.

A situação naquele momento era absolutamente incerta: a saúde do Bruno era relativamente estável, mas ele ainda se encontrava debilitado pelo que havia passado. Ou seja, não era possível fazer qualquer previsão do que iria acontecer: sim, havia um abismo por perto, mas ele sempre fora ótimo equilibrista; e quem sabe não surpreenderia a todos mais uma vez? Mesmo assim, os dois professores encontraram-se e decidiram que o Bruno precisava dar aulas, pois era aquilo o que ele mais queria. Com isso decidido, a Ana Lydia foi conversar com o Bruno, que lhe disse algo como: “Filhinha, eu quero dar essas aulas, mas sou péssimo para organizar qualquer coisa. Chame o Guilherme que ele pode ajudar com isso”. Foi então que entrei na história e combinei com os três que me encarregaria de toda a infra-estrutura prática do curso (buscar o Bruno em casa, levá-lo de volta, avisar se houvesse algum problema etc.). Como auxiliar acadêmico, o Bruno chamou o Marcelo Consentino, que ajudaria com a ementa do curso, com uma substituição eventual caso o Bruno não pudesse dar alguma aula, etc.

* * *

A história continua na semana que vem. Mas queria acrescentar aqui uma nota sobre a gravação e o texto publicado na revista. Como disse na semana passada, a decisão mais difícil foi mudar a ordem das aulas no texto impresso; ainda terei muito a dizer sobre isto ao longo desta série, mas posso começar dizendo que o motivo principal foi a falta de unidade entre as aulas. Isso não é de maneira alguma uma crítica ao conteúdo; antes foi o que provavelmente as tornou tão ricas. Mas o fato é que não havia uma unidade temática explícita (não foram três aulas preparadas em seqüência); pelo contrário, cada uma foi como que a primeira aula de um curso completamente diferente. Mas a intenção era a mesma: a urgência de dizer o que mais lhe ocupava o coração. Por isso, é natural que a cada semana ele abordasse temas completamente diferentes, mas que mesmo assim tinham um fio condutor comum.

Foi por isso que, cheio de dúvidas, decidi organizá-las em outra ordem: quem estava lá, com certeza teve uma experiência única e pôde perceber claramente a unidade, pela própria maneira como as coisas se desenvolveram; já quem apenas lesse a transcrição não conseguiria perceber o esforço de elocução, o ritmo da fala, e ficaria apenas com um texto confuso. Para quem leu a revista e quer conferir o meu trabalho linha por linha, a primeira aula está nas duas partes finais do texto (V e VI). Os cortes dessa parte foram pequenos e, na sua maioria, justificam-se facilmente, como por exemplo quando o Bruno fazia referência ao curso que ele havia dado no ano anterior: os alunos eram em grande parte os mesmos, os leitores certamente não o serão.

As digressões eram o que representava o maior problema. O Bruno era mestre em pegar um tema que às vezes chegava a parecer banal, começar a contar uma longuíssima história que aparentemente não tinha nada a ver com aquilo, mas no final amarrar perfeitamente bem o assunto (não sem antes provocar algumas gargalhadas!), às vezes depois de alguns dias! Mantive essas digressões no texto, mas foi necessário cortar outras tantas. O motivo é o mesmo: na linguagem falada eram sensacionais, na escrita trariam mais confusão que qualquer outra coisa.

Mas já falei demais: aproveitem a primeira meia-hora da primeira aula, que foi gravada no dia 8 de maio de 2007. Na próxima semana, mais meia-hora (e outro pedaço da história dessas aulas).

Audio Bruno Tolentino II


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A Gênese de ‘Do Enigma ao Mistério’ – I

Filed under: Especial incluído por Guilherme Malzoni Rabello
Data do post: 8 de junho de 2008

Para o primeiro número da Dicta traremos um Especial e tanto: ao longo das próximas semanas, sempre às terças-feiras, postarei aqui as gravações das três últimas aulas do Bruno Tolentino, que deram origem ao ensaio Do Enigma ao Mistério, editado por mim e publicado na revista impressa.

Jamais aceitaria fazer a edição que vai na revista se não pudesse também divulgar o material bruto. Foi uma decisão muito difícil editar o que vocês ouvirão a partir da próxima semana. Da morte do Bruno ao dia em que recebi a versão final do texto, estes versos do Auden em memória de W. B. Yeats martelavam na minha cabeça: the words of a dead man/ are modified in the guts of the living.

Como transformar em texto escrito três aulas completamente diferentes? Que critérios usar para cortar uma passagem? Reescrever o que está confuso ou manter a confusão? Foram algumas perguntas que me fiz, e pretendo contar como cheguei às respostas. Porque o trabalho não foi pequeno, pelo contrário: as 14 páginas da revista foram tiradas de quase 40 de transcrição. Procurei justificar (para mim mesmo) cada uma das decisões tomadas, mas certamente cometi vários enganos. Estendo agora minha mão à palmatória: aos que leram a revista e gostaram do texto, garanto que muito mais virá; aos que leram e não gostaram, digo que com certeza a culpa foi minha.

Dividi o trabalho em quatro etapas. Na primeira, simplesmente transcrevi as três aulas, sem nenhuma revisão ou preocupação externa. Na segunda, provavelmente a mais difícil, decidi se daria uma estrutura ao texto, mudando a ordem das aulas, ou se manteria a ordem original. Com muito custo, escolhi a primeira opção: o texto da revista começa com a segunda aula, continua pela terceira e termina na primeira. Contarei ao longo do tempo por que fiz isto, mas já aproveito para avisar que aqui as aulas vão exatamente na ordem em que foram gravadas, sem qualquer edição de som.

Tendo decidido como seria o texto, comecei a prepará-lo, tentando manter sempre que possível as exatas palavras usadas pelo Bruno. Em algumas passagens consegui; em outras seria impossível, uma vez que era necessário manter a inteligibilidade. Por fim, precisava tirar os vícios de linguagem que permeavam todo o ensaio (comuns na fala, mas imperdoáveis na escrita). Este era o grand finale que o texto merecia. E não teria ficado nem próximo do que ficou se não fosse pela mão de ferro do nosso editor, Henrique Elfes, que ralhou com cada vírgula que eu havia colocado, com cada pronome desnecessário, e finalizou o texto como ninguém.

Eu fico por aqui; mas como vocês já devem estar curiosos, preparei para hoje um aperitivo. Separei nas gravações as partes em que o Bruno recitava os seus poemas. Até onde sei, nenhum dos que seguem haviam sido gravados por ele. Quem conheceu o Bruno, certamente se lembra do quanto ele gostava de falar e de como fazia isso com facilidade. Reparem no tom da voz (principalmente no último poema) e vocês verão o que está a caminho…

Especial 1.1

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