Para onde vão os tiros
Data do post: 26 de julho de 2009
É conhecido o suposto episódio em que Chesterton responde à pergunta que o jornal London Times fez a vários escritores: “O que há de errado com o mundo?”. Sua resposta teria sido uma carta com o seguinte conteúdo:
Dear Sirs,
I am.
Sincerely yours,
G. K. Chesterton
Real ou não, o fato combina perfeitamente com o caráter do nosso amigo. O que está errado com o mundo não é a corrupção em níveis alarmantes, os crimes, a modernidade, a maçonaria ou a Igreja. Leia o restante deste post publicado no Feliz Nova Dieta.
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St. … Chesterton?!?
Data do post: 15 de julho de 2009
Em sua recente conferência de Oxford, a Chesterton Society decidiu que dará início ao processo de postulação para a canonização do grande escritor inglês.
Depois da beatificação de Newman, será que teremos um dia São Gilberto Chesterton? Deixo-os com este soneto, escrito por ele em 1922, no dia da sua conversão ao catolicismo:
The Convert
After one moment when I bowed my head
And the whole world turned over and came upright,
And I came out where the old road shone white,
I walked the ways and heard what all men said,
Forests of tongues, like autumn leaves unshed,
Being not unlovable but strange and light;
Old riddles and new creeds, not in despite
But softly, as men smile about the dead.
The sages have a hundred maps to give
That trace their crawling cosmos like a tree,
They rattle reason out through many a sieve
That stores the sand and lets the gold go free:
And all these things are less than dust to me
Because my name is Lazarus and I live.
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Celtic Fields Forever
Entre os anos de 1927 e 1939, Gudmund Hatt descobriu na Jutlândia, parte hoje da Dinamarca, um certo número de viereckige Äcker, terrenos quadriculados. Eles datam de época pré-histórica e são parte de um antiquíssimo sistema de agricultura. Rapidamente o nome celtic fields inundou o mundo científico; a razão é que se tratava de uma surpresa – como podiam homens pré-históricos utilizar uma técnica tão avançada de agricultura, quase tão avançada como a centuriatio romana, sobre a qual os historiadores insistem em dizer que era já muito complexa para os tempos da fundação de Roma? (Aqui discordo deles. A centuriatio data provavelmente de antes do séc. VI a.C., e os restos da centuriação mais antiga encontrada em Terracina, do séc. IV a.C., não são uma prova de que ela não tivesse existido antes).
Evidentemente, não vou falar aqui de agricultura. O que o assunto confirma é uma velha idéia de Chesterton: nossos antepassados não eram burros. E isso não só cientificamente, como também humanamente. Não estou de acordo com o mito supostamente islâmico dos “macacos saindo dos homens”, uma espécie de evolucionismo ao contrário, mas é bom lembrar de vez em quando que muitas vezes nossos mitos são ainda mais absurdos.
Outro exemplo da “não-burrice” dos nossos antepassados é a sua língua. Desde o séc. XIX, desde Franz Bopp e gente do tipo, tentou-se criar uma hipótese sobre uma ‘base retroativa’ comum ao latim, ao grego, ao sânscrito (esp. o que veio antes, o védico, muito bem documentado), ao zend-avesta, etc. O resultado é uma língua inteligente, complexa, extremamente rica: o indo-europeu. Quem for a um congresso da UCLA saberá do que falo. É muito mais difícil dominar o sânscrito do que qualquer língua moderna; e o védico é ainda mais rico em termos de vocabulário. E assim por diante. Há 100 anos se tem insistido que o latim ajuda na formação intelectual, embora toda a gente o julgue coisa de velhos, algo inútil e ultrapassado. Algumas línguas ligadas a povos bastante primitivos exibem a mesma particularidade: senso comum, capacidade de descrição extremamente concreta, flexibilidade, riqueza poética, a ponto de fazer o inglês atual (não o de Shakespeare, por favor), mesmo literário, uma coisa de bárbaros.
Divirto-me pensando em antigos pirralhos gregos “das elite” discutindo filosofia. Mas como seria a vida sentimental, os modos, a sensibilidade dos antepassados dos babilônicos? Há sinais arqueológicos imediatos de civilização entre aquele pessoal pelo menos desde 7.500 a.C. Por que não antes? De certo nos surpreenderíamos com o fato de que, além de um pouco rudes, esses seres hipotéticos podiam ser extremamente irônicos ou mesmo simplesmente divertidos. É um bom exercício de imaginação.
Muitas vezes o que estraga a nossa representação é o excessivo peso colocado sobre o que pensamos fosse a sua religiosidade, os seus taboos, o seu ritualismo imbecil. Não duvido que se dessem, dentro dessa selva de obscurantismo, os seus exemplos de livres pensadores no bom sentido, antepassados de Heráclito und so weiter. E com isso não quero reforçar o péssimo hábito que têm os diretores de cinema ocidentais de achar que em cada família do passado houvesse uma corajosa Lisa Simpson que questionasse gratuitamente, com a cabeça de um homem do séc. XX ou XXI, as crenças e as ideologias vigentes.
André Maurois, após ler The Everlasting Man, escreveu algo interessante: “Descobri que a ciência moderna nada sabe sobre o homem pré-histórico, e isso pelo simples fato de que ele é pré-histórico” (Poets and Prophets, p. 120). E isso, se tivermos senso crítico, dá o que pensar.
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Romantismo prático
Data do post: 5 de maio de 2009
Não vou discutir aqui nem as causas nem os méritos da revolução sexual dos anos 60. Vou apenas constatar que algo foi perdido: a possibilidade daquele romance mais, digamos, cavalheiresco entre homem e mulher. A ausência de compromissos reais, ou seja, de perigos reais caso eles sejam quebrados, tira também muito do valor e da “graça” (fun) de se comprometer, pois permite uma entrega menos sincera.
Este curto texto parte desse pensamento (cuja origem é G K Chesterton) para fazer algumas reflexões muito válidas sobre homens e mulheres. Sem abrir mão do que há de bom no feminismo (a mulher não é um objeto, apêndice ou serva do homem) - que, aliás, tem origem mais antiga do imaginamos – se indaga sobre quais traços de conduta e de caráter, no que diz respeito aos relacionamentos e às diferenças entre homens e mulheres, precisam ser resgatados nos dias de hoje.
Um bom uso dos poucos minutos que sua leitura demandará.
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Feliz Páscoa!
Data do post: 11 de abril de 2009
Já me adianto aqui em desejar a todos os leitores do revista e/ou do site uma feliz Páscoa!
Para tornar tudo mais agradável, publico aqui este poema do G.K. Chesterton sobre a data, que encontrei navegando pela internet. Notem o ponto de vista inusitado: o do jumento.
The Donkey
When fishes flew and forests walked
And figs grew upon thorn,
Some moment when the moon was blood
Then surely I was born;
With monstrous head and sickening cry
And ears like errant wings,
The devil’s walking parody
On all four-footed things.
The tattered outlaw of the earth,
Of ancient crooked will;
Starve, scourge, deride me: I am dumb,
I keep my secret still.
Fools! For I also had my hour;
One far fierce hour and sweet:
There was a shout about my ears,
And palms before my feet.
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Mitos e Verdades em G.K.Chesterton
Data do post: 6 de outubro de 2008
O velho e bom Chesterton será o tema da palestra ministrada por Ian Boyd, nada mais nada menos o presidente do Chesterton Institute for Faith and Culture e editor da revista da The Chesterton Review. O evento acontecerá no dia 16 de outubro, uma quinta-feira, das 19h30 às 22h e é uma realização em conjunto entre o IICS (Instituto Internacional de Ciências Sociais), o Núcleo Fé e Cultura da PUC-SP e da revista Communio do Rio de Janeiro.
Ian Boyd, além de ser um dos grandes especialistas na obra do inglês mais divertido do século XX (só Evelyn Waugh e P.G. Woodhouse chegam ao mesmo patamar), é PhD. em literatura inglesa pela Universidade de Saskatchewan, no Canadá, e autor do livro The novels of G.K. Chesterton: a study in art and propaganda.
O evento acontecerá no auditório do IICS, localizado na Rua Maestro Cardim, 370, Bela Vista, próximo ao metrô São Joaquim.
A palestra tem vagas limitadas e as inscrições podem ser feitas pelo e-mail humanidades@iics.org.br (com nome, telefone, endereço e e-mail para contato) ou pelo telefone 11-2104-0100. A entrada é franca.
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Chesterton sobre o politicamente correto
Data do post: 17 de julho de 2008
And the problem for Obama is that people tend to vote for a presidential candidate they feel personally comfortable with. If people aren’t comfortable with humor about Obama – if they’re reluctant to laugh at him for fear of being thought racist, or of crossing some line of political correctness – then some of them probably aren’t comfortable with him, period.
Palavras de Noam Sheiber que me parecem chestertonianas, a respeito das gozações que não deram certo (ao menos no caso da democrata New Yorker, em cuja capa foi publicada uma charge, vamos dizer assim, provocadora – fogo amigo?). Se não podemos tirar sarro, então há alguma coisa errada. Não é que devamos estimular a sátira de mau gosto que tanto se pratica, e muito menos o racismo ou a intolerância religiosa.
O perigo do politicamente correto começa pela ausência de senso de humor. Qual não foi a minha surpresa quando, ao procurar uma passagem de Chesterton sobre o assunto, aleatoriamente, encontrei de cara justamente essa aqui: “It is the test of a good religion whether you can joke about it”?
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