IFE - Instituto de Formação e Educação
RSS

Compre o Livro

Servidão voluntária

Filed under: Religião,Sociedade incluído por Joel Pinheiro
Data do post: 11 de abril de 2011

Bem que gostaríamos de culpar o extremismo islâmico até pelo assassino do Realengo. Mas sejamos justos: tudo indica que ele era apenas louco; e para um louco até um filme ou uma música dos Beatles pode servir de pretexto para matar; quanto mais uma religião cuja relação com a violência é ambígua.

O que é um fato inegável é a conversão de europeus ao Islã, ou melhor,  a versões particularmente virulentas do Islã. Quão profundo é o poço de desespero no qual alguém tem que cair para que se sinta atraído a uma religião (que se entenda que me refiro a certo tipo de Islã, e não a todas as suas possíveis variações) que tem a oferecer basicamente duas coisas: um sistema de obrigações sobre as quais não é preciso pensar, apenas obedecer; e um inimigo facilmente identificável a se demonizar (os EUA)? Que o secularismo relativista facilitaria a expansão do Islã (o velho truísmo: you can’t beat something with nothing) era de se esperar; mas que ele próprio forneceria uma massa de niilistas desesperados dispostos a se submeter ao culto da pura irracionalidade e da força bruta é uma constatação surpreendente.

3/4 dos conversos são mulheres. O que se conclui disso? Que talvez elas sejam as mais vitimadas pela ausência de valores e pelo culto hedonista que se tornou a religião semi-oficial da Europa? Seja como for, eu só espero que, para o bem delas, os novos muçulmanos europeus não importem de terras tradicionalmente islâmicas as antigas tradições do assassinato de honra (bem, já estão importando; e sendo justo com o Islã, há muitos muçulmanos que condenam a prática como contrária à sua religião) e da punição física às vítimas de estupro.

Uma nota curiosa: na página do New York Times linkada acima (o último link), o comentário com maior número de recomendações é de um sujeito que iguala o tratamento dado à mulher nas tribos de Bangladesh (onde uma jovem de 14 anos foi morta a chicotadas por ter sido vítima de estupro) ao machismo dos EUA. A isso só se pode dizer: depois não venham reclamar!


Comments (4)

Por que tantas mulheres européias se convertem ao Islã?

Filed under: Religião,Sociedade incluído por Joel Pinheiro
Data do post: 30 de outubro de 2010
Tags: ,

Tablóide também tem reportagem boa. Eve Ahmed, que escreve para o Daily Mail, foi criada muçulmana mas abandonou a fé por sentir-se presa e controlada por uma infinidade de regras. Qual não é seu espanto ao constatar que muitas mulheres ocidentais bem-sucedidas escolhem, de livre e espontânea vontade, prestar obediência total e irrestrita a Alá.


Comments (16)

Uma revolução que não deve ser esquecida

Filed under: Sociedade incluído por Martim Vasques da Cunha
Data do post: 17 de fevereiro de 2010

Existem revoluções e revoluções. Segundo Hannah Arendt – é, eu sei que vocês acham que não gosto dela, mas tenho de admitir que, às vezes, a moça lançava bons argumentos – há as revoluções não-desejadas, como a Russa, que pretendem alterar a estrutura do mundo, e as desejadas, como a da Independência Americana, que são uma reação a uma determinada injustiça. Da minha parte, os termos reforma (como uso em meu ensaio sobre Joaquim Nabuco, publicado na Dicta 3) ou restauração são mais adequados para esta última, pois implicam no respeito à estrutura objetiva do real.

Creio que este é o caso da Revolução de Veludo da Tchecoslováquia, evento que aconteceu há 20 anos e que é devidamente relembrado por André Glucksmann em um belo artigo para o City Journal. Quando comemoravam-se a queda do Muro de Berlim, esqueceram-se, por incrível que pareça, do trabalho de resistência feito por Vaclav Havel, Jan Patocka (que morreu devido ao rigor dos interrogatórios a que foi submetido) e outros do grupo Carta 77.

Havel, que era um dramaturgo tcheco desconhecido do grande público, tornou-se o líder de um movimento que tinha uma denominação ambígua – os dissidentes. Foi justamente sua visão de artista que o permitiu, junto com Alexander Solhzenitsyn, fazer a melhor análise da sociedade totalitária (tanto em seu aspecto político como cultural) em um ensaio definitivo chamado O poder dos sem-poder. Além disso, quando ficou seis anos preso, acusado de “perturbar a ordem social”, conseguiu escrever uma das obras mais comoventes do final do século XX, as Cartas a Olga, uma reunião de epístolas à sua então esposa, que guarda em cada linha profundas meditações sobre a responsabilidade humana frente a um horizonte metafísico.

Com apenas a força do espírito, articulada com uma persuasão racional em convencer o povo a acreditar que estava na hora de um governo justo voltar ao país, Havel fez uma restauração silenciosa, sem usar nenhuma violência. Quando foi eleito presidente, teve um mandato de quase dez anos que poderíamos chamar de “digno”, apesar de ter perdido sua maior luta – a separação da República Tcheca com a Eslováquia -, de sido traído por seu primeiro ministro, o soi disant liberal-conservador Vaclav Klaus (que acha que as preocupações espirituais de Havel não passam de “devaneios socialistas”), e de ter se rendido às exigências da União Européia e da ONU para reestruturar o seu país economicamente (bem, se eu estivesse na pele dele, talvez faria a mesma coisa – afinal, a política é também uma arte das circunstâncias).

Atualmente, fora de suas exigências presidenciais, Havel ainda luta o bom combate. É o principal articulador da Declaração de Praga pela Consciência Européia, abaixo-assinado mundial que exige que o comunismo seja colocado no mesmo patamar de atrocidade que o nazismo. Eis aqui um toque de gênio e de coerência: Havel sabe que, no mundo intelectual europeu, o comunismo é visto como uma ideologia que não foi tão destruidora como a de Hitler. Logo, a Declaração é uma reação contra uma idéia que, por falta de uma educação histórica correta, ainda seduz as pessoas – e ele conheceu na carne o que esta sedução faz quando é ensinada como a solução de todos os problemas do mundo (aliás, se você não assinou este abaixo-assinado, um dos poucos que prestam, faça isso agora).

Mas o que isso tem a ver com o Brasil?, perguntará o afoito leitor. Tem a ver o fato de que Havel pode ser um exemplo para nós. Guardadas as devidas proporções, a situação na Tchecoslováquia nos anos 60-80 é muito parecida com a do Brasil dos dias de hoje: um país apático, que se oferece voluntariamente para o holocausto do totalitarismo cultural e entregue por uma elite que não faz nada, exceto discutir o sexo dos anjos. Para quem ainda sonha de forma infundada, utópica e perigosa que haverá uma espécie de reação tupiniquim a lá tea-party, o exemplo de Havel é a prova de que não se precisa de discursos ideológicos da direita, da esquerda, do centro ou de qualquer partido político, para restaurar a dignidade humana. Afinal, como dizia Krzysztof Kieslowski, uma dor de dente continua sendo uma dor de dente, seja na Polônia, na Ucrânia, na França ou até no Brasil, não é mesmo?


Comments (4)

Dalrymple sobre os EUA

Filed under: Sociedade incluído por Joel Pinheiro
Data do post: 10 de fevereiro de 2010

Dalrymple compara Europa e EUA. Longe de ser um pró-americano fanático, ele reconhece muitos problemas na terra do Tio Sam, mas é também lá que ele enxerga a maior esperança ocidental hoje em dia, se é que os americanos conseguirão se desviar da trilha traçada pelas nações européias. A “guerra cultural” dos EUA determinará o futuro da nossa civilização.


Nenhum comentário ainda.  Seja o primeiro a comentar!

Reflections on the revolution in Europe

Filed under: Sociedade incluído por Joel Pinheiro
Data do post: 24 de setembro de 2009
Tags: ,

O que acontece quando uma cultura que tem vergonha de si mesma e acha que o único valor é a diferença, o multiculturalismo, entra em contato com outra que tem bastante certeza de si mesma e que quer se universalizar? Um congresso sobre as maravilhas da diversidade? Valiosíssimas trocas de experiências e aceitação mútua? Mãos dadas em roda ao som de kumbaya?

Uma válida nova contribuição para um tema já bem discutido.


Comments (1)

Thank God America Isn’t Like Europe!

Filed under: Do lado de lá incluído por Joel Pinheiro
Data do post: 27 de março de 2009
Tags: ,

O título diz tudo. Artigo que vale a pena ser lido, pois faz um excelente ponto. E se utiliza da genética e da psicologia evolutiva de uma maneira surpreendente.


Comments (1)