“But H Mirren is super”
Data do post: 14 de julho de 2010

E nada como ler uma entrevista com Geoffrey Hill, nosso velho conhecido, à revista Standpoint, e ter como brinde alguns poemas inéditos como amostra de seu próximo livro, Oraclu, a ser publicado no segundo semestre na Inglaterra.
No meio da conversa, Hill solta esta pérola de assustadora lucidez sobre as relações entre poesia e democracia:
Art, he believes, has “a right to be difficult” if it so wishes. “Cogent difficulty, that yields up its meaning slowly, that submits its integrity to the perplexed persistence of readers of goodwill, is one of the best safeguards that democracy can have.” Why? Because “tyranny requires simplification…Propaganda requires that the minds of the collective respond primitively to slogans of incitement. And any complexity of language, any ambiguity, any ambivalence implies intelligence. Maybe an intelligence under threat, maybe an intelligence that is afraid of consequence, but nonetheless an intelligence working in qualification and revelation…resisting, therefore, tyrannical simplification.
Outro momento impagável é quando ele pergunta ao entrevistador, que é um de seus melhores amigos desde a adolescência, se quer assistir mais um episódio de Prime Suspect, clássica série de TV policial produzida na Inglaterra e que tem como atriz principal ninguém menos que Helen Mirren, que, antes de ser a Rainha Elizabeth, foi também isso aqui, olhem só:

Ou seja, poeta que é poeta também adora uma sitcom ou uma boa trama policial. E gostar de mulher, é claro.
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Hail Hill!
Data do post: 22 de junho de 2010
Enquanto o mundo esquerdopata chorava a morte de José Saramago, a notícia mais importante do verdadeiro mundo literário passou em branco aqui no Bananão. É o fato de que Geoffrey Hill foi escolhido como o Professor de Poesia na Universidade de Oxford, uma cátedra que, para nós do FEBEAPÁ não significa muita coisa, mas para os ingleses significa simplesmente o topo no quesito ” clássico da língua”. Em outras palavras: Hill tornou-se oficialmente, e sem que tivesse puxado o saco de nenhuma patota ideológica, o maior poeta vivo da língua inglesa, e ficará lado a lado com Keats, Wordsworth e Coleridge quando obviamente se for desta para melhor.
Se vai ganhar ou não um Nobel no futuro, pouco importa. O que importa agora é ler, por exemplo, o pequeno texto de Erico Nogueira sobre as reflexões de Hill a respeito de Ezra Pound – e, claro, se puder, comprar imediatamente os Collected Critical Writings do atual bardo e lê-los sem se preocupar se a literatura pode ou não desafalecer graças aos Saramagos da vida.
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O quatrocentão John Milton
Data do post: 9 de dezembro de 2008
John Milton, que não é o personagem de Al Pacino em O Advogado do Diabo e sim um dos maiores poetas ingleses de todos os tempos, faz hoje quatrocentos anos. Como os ingleses sabem fazer esse tipo de comemoração de forma decente (não como nós, tupiniquins, que mal sabemos homenagear Machado de Assis), o Christ’s College de Cambridge (onde Milton estudou quando jovem) fez um ciclo de eventos que inclui nada mais nada menos que um site fantástico, palestras por Quentin Skinner e Geoffrey Hill (sublime como sempre) e leituras de 24 horas de trechos de Paradise Lost, aquele épico em que a linguagem é tão bonita que até Satã vira herói.
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