IFE - Instituto de Formação e Educação
RSS

Compre o Livro

A política de Mario Vargas Llosa

Filed under: Literatura,Sociedade incluído por Martim Vasques da Cunha
Data do post: 21 de outubro de 2010

Sim, este correspondente que vos escreve esteve em Porto Alegre na semana passada e passou três dias ao lado de Mario Vargas Llosa, Prêmio Nobel de Literatura 2010. Sim, vocês saberão mais sobre isso na próxima Dicta&Contradicta, aguardem. E, sim, o sujeito é uma simpatia, um escritor digno de figurar como exemplo de intelectual público – algo que não temos desde a morte de Albert Camus (aliás, uma de suas grandes influências).

Enquanto isso, no mundo internacional, todos elogiaram a Academia Sueca pela escolha do prêmio porque, afinal, Llosa é um grande contador de histórias. Contudo, como aponta a Spike, algumas pessoas na Suécia (tinha de ser…) resolveram reclamar porque o importante não era a literatura e sim a tal da política ”neoliberal” do escritor peruano.

No Brasil, o único país do mundo onde o feto é transformado em discussão política e “neoliberal” é equivalente a xingar a senhora sua mãe, esta é uma espécie de discussão que sempre volta à baila toda vez que alguém resolve enfiar o assunto das “privatizações” goela abaixo. Felizmente, Llosa foi recepcionado em Porto Alegre com palmas, aplausos e ovações unânimes que, neste caso, provam que talvez Nelson Rodrigues esteja errado.

Mas como no FEBEAPÁ tudo deve ser explicado – afinal, existem pessoas que reclamaram de Tropa de Elite 2, o filme mais didático do mundo, alegando que a narração em off prejudicava a sua qualidade artística – creio que é necessário ler este artigo do Washington Post que destrincha a complexidade política das posições de Llosa, analisando suas nuances e respeitando o fato de que, apesar de eventuais falhas – um agnosticismo que o impede de compreender corretamente o que é a experiência religiosa e um amor pelo liberalismo econômico que o faz confundir entre a liberdade exterior e a liberdade interior -, mostra que ele foi sempre um intelectual inclassificável e sobretudo corajoso no momento de definir as suas idéias.

(Ah, claro, e quem quiser ler mais sobre os romances e os ensaios de Mario Vargas Llosa, além de ter acesso às fotos familiares do Nobel em suas andanças por Madri, Londres e Nova York, não percam este fabuloso dossiê que o El País fez para homenagear o laureado.)


Comments (13)

From Russia With Love

Filed under: Geral,Sociedade incluído por Rodrigo Duarte Garcia
Data do post: 26 de junho de 2009

Vejo com interesse a notícia de que algumas agências de turismo russas vêm oferecendo cruzeiros na costa da Somália, a clientes que pagam pequenas fortunas para participar de viagens de caça aos piratas que aterrorizam a região.

São iates fortemente armados que percorrem e patrulham calmamente – a menos de 5 milhas náuticas – uma das rotas marítimas mais perigosas do mundo (Djibouti a Mombasa), à espera de eventuais ataques dos famigerados piratas africanos. Uma vez abordados pelos bandidos,  os barcos respondem com lançadores de granadas, metralhadoras e até pequenos mísseis.

A partir daí, surgem problemas bastante interessantes. Sem pensar muito especificamente nas questões técnicas de Direito Internacional, o que dizem disso os liberais e libertários em vocês? O Estado deveria interferir e proibir esse tipo de coisa? É moralmente admissível, em se tratando “apenas de uma reação”? Cartas para a redação.


Comments (12)

Será o dr. Hoppe a reincarnação do dr. Fantástico?

Filed under: Do lado de lá incluído por Martim Vasques da Cunha
Data do post: 14 de outubro de 2008

Por indicação de Pedro Sette Câmara, soube que Tom Palmer, vice-presidente para programas internacionais do Cato Institute, alegou que Hans Hermann Hoppe – o economista citado há dois posts e que profetizava a criação de um Estado Total após o estouro da bolha imobiliária – escreveu para um jornal cripto-neonazista chamado Junge Freiheit (numa tradução capenga significa algo como “liberdade jovem”). Graças ao Google, descobri um artigo do próprio Palmer, em que fazia a denúncia e explicava por que não aceitava os argumentos de Hoppe.

O que eu li de Hoppe não indica nada de “nazi” em suas análises, mas Palmer não é um sujeito que acusa qualquer um injustamente; almocei com ele quando visitou o Brasil e pareceu-me um homem ponderado, sensato e, sobretudo, muito claro em seus ideais. No seu artigo, o que assusta não são as refutações contra o autor de Democracy: the God that Failed (todas plausíveis, se formos observar que, de fato, o dr. Hoppe tem um quê de “porra louca” em seus textos), mas a evidência de que há, entre os liberais clássicos (o Cato Institute e o Liberty Fund) e os chamados “anarco-capitalistas” (Lew Rockwell e algumas facções do Mises.Org), uma rixa interna em que só a liberdade perde.

Pois uma coisa é a divergência de opiniões; a outra coisa é quando pessoas que deveriam lutar juntas contra um inimigo comum – no caso, o golpe na consciência ocidental que rompe com todo e qualquer elo da tradição cultivada por séculos – resolvem partir para caminhos opostos.

Palmer é coerente em suas observações contra Hoppe; mas será que Hoppe está completamente errado em suas profecias? O perigo é que ambos estão certos, cada um a seu modo. A questão sobre Hans Hermann Hoppe é se ele apóia ou não uma ideologia que prega o extermínio de seres humanos. Se Palmer estiver certo, juro que sou o primeiro a meter a mão na cara do dr. Hoppe, independente ou não dele ser a última encarnação do profeta Elias (afinal, Nietzsche, outro sujeito que os “nazis” adoram, também previu muita coisa e acertou na mosca; errou só no essencial); se Palmer errou, então estamos fritos de qualquer maneira, porque Hoppe está certo em pelo menos uma coisa: já vivemos na Era do Estado Total.

O fato da obra de Hoppe ser justamente uma denúncia de um movimento totalitário e revolucionário – ideologias que foram compartilhadas por socialistas, nazistas e fascistas (Ainda tem dúvidas a respeito disso? Não leu nenhum livro de História? Então leia As Benevolentes, de Jonathan Littell, uma ficção que dissipa qualquer névoa a respeito da “rivalidade mimética” entre o nazismo e o socialismo)  - me faz analisar o texto de Palmer com um pé atrás. Mas, repito, Tom Palmer não me parece ser um sujeito que gosta de fazer declarações maliciosas. Portanto, só tenho a lamentar o problema crescente para aqueles que defendem a liberdade de expressão, de consciência e, no fim, da sua própria vontade: O que faremos quando um reino divide-se contra si mesmo – enfim, quando Satanás expulsa Satanás?

Sem dúvida, não procurarei Bill Ayers para saber a resposta.


Comments (2)