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“Tear down this wall”

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Data do post: 9 de novembro de 2009

A Guerra Fria foi, sobretudo, um conflito de gestos e palavras. E nesse quesito – goste-se ou não da figura - ninguém superou Ronald Reagan. No momento em que foi filmado, talvez não desse para antever a importância deste discurso – “words, words, words“. Mas agora, mais de vinte anos depois, talvez já seja possível dizer que depois disso realmente não havia mais solução para a farsa comunista. Enfim, words do have consequences.


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09/11/1989 – Bornholmer Strasser

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Esse foi o primeiro local a de fato abrir a fronteira entre as duas Alemanhas. O vídeo é interessante sobretudo porque ilustra perfeitamente o que disse Daniel Johnson num dos textos que publicamos nesse especial: os guardas realmente não sabiam o que fazer. E fica patente que a revolução de 1989 foi realmente popular – pessoas normais foram às ruas porque simplesmente não agüentavam mais, sem nenhum ideólogo coordenando a ação. Deu certo, pelo menos naquele momento…


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09/11/1989 – Brandenburger Tor

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Mais um vídeo daquela noite fatídica, agora no Portão de Brandenburgo – símbolo máximo da Berlim dividida. É interessante lembrar que exatamente nesse mesmo lugar, dois anos antes, o muro já tomava as primeiras marretadas nas palavras de Ronald Reagan. A partir dos 3 minutos, uma simples mulher alemã faz um desabafo aos policiais realmente emocionante. Aliás, nada menos alemão do que isso… mas, afinal, eles também têm coração.


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O muro cai em Potsdamer Platz

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Agora já estamos em plena madrugada do dia 12 de novembro. Devia estar frio, mas muita gente foi a Potsdamer Platz (hoje uma espécie de carro alegórico da arquitetura moderna) para realmente colocar o muro abaixo. O filme é amador, mas parte da sua força está justamente nisso.


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Trilha sonora da queda

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Todo grande evento histórico tem sempre uma música para acompanhá-lo, uma melodia que entra na cabeça do indivíduo anônimo que o vive. Os exemplos são muitos: as marchas militares que avançavam com os britânicos na praia de Dunquerque, as canções de cabaret que antecipavam a decadência moral da Alemanha nazista, até mesmo sobrou para uma tal de tropicália ser a trilha sonora do período de “ditabranda” no Brasil. Não seria exceção com o Muro de Berlim e sua conseqüente queda. Apresentamos aqui uma variedade de estilos, do pop ao clássico minimalista, passando até pelas sonoridades eletrônicas inspiradas pelos ruídos estranhos feitos na praça do Reichstag na calada da noite.

 

Sem dúvida, “Heroes” (assim mesmo, com aspas), de David Bowie, é o hino dos amantes que se amaram à sombra do Muro. A letra já diz tudo: I can remember/ Standing by the wall/ and the guns, shot above our heads/ and we kissed, as though nothing could fall. Bowie resolveu passar uma temporada na Alemanha Ocidental e fez aquilo que todos consideram sua obra-prima: a trilogia de Berlim, composta pelos anti-climáticos Low (1977), “Heroes” (1977) e Lodger (1978). Neste vídeo, o camaleão do rock canta a sua versão em alemão, entitulada “Heiden“, ainda mais desesperada que a original, com imagens do filme Christiane F., que mostram muito bem a desolação da juventude que vivia nas duas Berlins. Não indicado para os neocarolas que visitam este site.

Aqui é Bowie novamente, com sua elegância habitual, fazendo uma palhinha no filme Christiane F., personificando o Thin White Duke de Station to Station (1976). Reparem nas imagens de uma juventude que não tinha pudores de mostrar o seu desespero em público. Creepy and spooky.

Se David Bowie é a trilha sonora para o tremor e temor que rondava o zeitgeist do Muro de Berlim, seriam os seus discípulos da Irlanda, o U2, que fariam a trilha sonora da reunificação. Na exata época em que o Muro caiu, o U2 tentava a compor o álbum que seria o seu retorno triunfal, Achtung Baby! (1991), gravado nos mesmos estúdios e com o mesmo produtor da trilogia bowiniana – o sr. Brian Eno. A canção que abria o disco, Zoo Station, é um primor de alegria cibernética: I´m ready to duck/ I´m ready to dive/ I´m glad to say/ I´m happy to be alive/ I´m ready/ I´m ready for the crush. Além disso, a apresentação dela no show do Zoo TV é uma das coisas mais impressionantes feitas na história do rock. Confiram.

Philip Glass, o compositor minimalista mais pop do mundo, encontrou-se com David Bowie e Brian Eno nos anos 90 e, inspirado pelo que os dois fizeram na trilogia de Berlim, fez a sua “Heroes” Symphony, uma forma inventiva de dialogar com o rock de vanguarda e a música clássica instrumental.

O que acontece quando o Aphex Twin mistura o Bowie de 1977 com o Philip Glass da década de 90? Certamente aquilo que Rilke quis dizer ao afirmar que toda a beleza é terrível.


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