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Goethe e a retidão

Arquivado em: Filosofia incluído por Julio Lemos
Data do post: 22 de fevereiro de 2010

Goethe conhecia muito bem a natureza humana. Difícil dizer se foi o gênio — esse “quase mito” tipicamente romântico-germânico — ou o contato com os homens eminentes do passado e do presente que lhe trouxeram esse conhecimento.

O fato é que os dois versos a seguir estão entre os mais densos, os mais ricos em sentido da sua obra:

Ein guter Mensch, in seinem dunklen Drange,
Ist sich des rechten Weges wohl bewußt
(Faust I, 328-329).

“Um bom homem, por obscura que seja sua luta / Está ciente de que há apenas um caminho correto” (trad. livre).

Com isso Goethe revelava duas coisas: que o homem tem a sua liberdade limitada pelas circunstâncias e pela sua consciência (um duplo ‘obstáculo’, interior e exterior, mas sempre redutível à realidade); e que mesmo assim está dotado da prudência — ao menos sob a forma do dever — para decidir corretamente, mesmo que erre por algum motivo alheio ao seu controle.

Aí a tragédia e a esperança que rondam o coração do homem. Não à toa a sua obra da juventude, o “Werther”, traga já nas suas primeiras linhas a pergunta/afirmação: Bester Freund, was ist das Herz des Menschen!, que é o coração humano!


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Dois anos sem Bruno Tolentino

Arquivado em: Literatura incluído por Martim Vasques da Cunha
Data do post: 27 de junho de 2009

“(…) e o mundo é cada vez mais estrangeiro”.

Soneto 99 de A Imitação da Música (in: O Mundo como Idéia)

Toda vez que alguém me pergunta sobre ou então me lembro da minha convivência com Bruno Tolentino, chego sempre à seguinte conclusão: ele foi o único sujeito de quem posso dizer com certeza que era um gênio.

Mas hoje, dois anos depois de sua morte, não sei se responderia da mesma forma. É claro que Bruno era, de facto e de jure, aquilo que, na falta de expressão melhor, chamaríamos de “gênio” – até porque era realmente capaz de momentos brilhantes e de momentos em que era nada mais nada menos que “genioso”. Entretanto, depois de ter muito meditado sobre o uso e o abuso desta palavra – até mesmo Arnaldo Jabor conseguiu torná-la insuportável quando elogia alguém em suas colunas ou em declarações na televisão – creio que Bruno Tolentino não era apenas um “gênio”. Era, sobretudo, e aqui plagio descaradamente o ensaio de Joseph Brodsky sobre W. H. Auden (por sua vez, um exemplo para Bruno), a pessoa mais inteligente que já conheci – e acho que não conhecerei outra.

Explico-me: como já disse uma vez aqui, creio que o “gênio” é uma espécie de ruptura, não de continuidade, dentro do continuum da tradição de um país ou de vários países – aquilo que denominaremos mais tarde, se tudo der certo, de “civilização”. O próprio Bruno, alías, baseou a sua argumentação de polêmica cultural neste princípio ao se confrontar com o concretismo em Os Sapos de Ontem; para ele, os irmãos Campos eram uma ruptura para pior, herdeiros da anti-tradição do Modernismo de 1922, enquanto o modernismo europeu (o de Eliot e de Yeats) era um diálogo com a tradição ocidental e também a sua superação. O exemplo mais próximo que tivemos nesta linha foi a chamada Geração de 45, com Cecília Meirelles, João Cabral de Melo Neto e Murilo Mendes, sem contar, claro, com os inclassificáveis Carlos Drummond de Andrade e Manuel Bandeira.

Se estes poetas não eram propriamente “gênios”, eram também pessoas inteligentes que construíram uma obra idem porque preservavam a estrutura da língua e da linguagem – algo que os concretistas sempre quiseram derrubar com a chamada “morte do verso”. Mas este não é o xis da questão: para mim, Bruno Tolentino não pode ser catalogado como um “gênio” porque sua obra – um verdadeiro enigma para as limitações provincianas da nossa intelligenstia – cumpre exatamente aquilo que esperamos de pessoas inteligentes. Mas o que seria isso – ser inteligente?

Uma pessoa inteligente caracteriza-se por estar disposta a estar aberta à verdade do real – e esta verdade pode ser expressada por um paradoxo terrível que Bruno sabia muito bem como comunicar com o uso do famoso adágio lux sine umbra non est. Não há luz sem sombra. Ele foi a pessoa mais inteligente que conheci porque era capaz, muitas vezes em uma questão de segundos, de agarrar a essência de uma pessoa ou de um problema intelectual, e defini-la de um modo supreendente para todos, sem ser abstrato, chegando ao ponto de usar a linguagem chula. Uma tarde, por exemplo, enquanto conversávamos sobre um jovem poeta que era aclamado pela crítica nacional, Bruno definiu a sua poesia da seguinte forma: “Esse sujeito é incapaz de pedir uma pizza pelo telefone” (E era verdade: os versos daquele sujeito pareciam ser de alguém que preferiu a dislexia como modo de vida). Mas é claro que essa atitude – que era honesta e impiedosa, chegando ao limite da insensibilidade com muitas pessoas que realmente o admiravam – não era somente uma grife de gypsy-scholar metido a besta. Era sobretudo um princípio moral: Bruno Tolentino sabia que a vida era um palco de luz e sombra, ambas misturadas, e que a função do poeta era trazer ao leitor aquela firmeza de alma que só um permanente state of wonder pode provocar nas pessoas, e isso quando elas decidem ver o mundo tal como é – e não como eles querem que seja.

Se Bruno fosse um “gênio”, sua obra teria fracassado – o que não acontece porque ela é um portal para novas descobertas, não o fim de uma era. Cada vez que releio um poema, um ensaio ou estudo um verso tolentiniano, percebo que Bruno não só dialogava com toda a tradição – de Machado de Assis a Yves Bonnefoy, passando por Santa Teresa D´Ávila e Charles Baudelaire – mas também sempre desbravava um novo caminho para os novos poetas. Há, contudo, sempre um pseudo-contraponto. Li recentemente um artigo escrito por um desses “falsos novos poetas” badalados por essas editoras de butique, que, a partir da análise de um único soneto de A Imitação do Amanhecer, já diagnosticava que Bruno Tolentino era um fóssil do passado. Uma verdadeira estultice: como analisar a obra de um sujeito através de um soneto de um livro que é, na verdade, um painel de mais de 537 sonetos? O que falta a este rapaz é a apreensão de que a obra de Bruno exige do leitor a aceitação do mesmo princípio moral que o guiou em sua complicada vida: o de que a vida (e a poesia) tem uma margem de ambigüidade inexplicável – e que as coisas não podem ser definidas tão facilmente.

Desta maneira, creio que Bruno Tolentino não foi um “gênio”, mas sim uma pessoa extremamente inteligente que criou uma obra genial. Este paradoxo – tão comum em seus versos e em sua postura diante das outras pessoas – mostra a dificuldade de entender o que ele queria. Bruno foi um homem muito solitário – e talvez esta tenha sido a sua verdadeira tragédia. Mas, mesmo assim, não desistiu: a sua inteligência o fez ser mais que um professor – era também um “educador de sensibilidades”. Ele nos fazia retornar à experiência verdadeira da poesia e nos forçava a ver que a arte tinha uma dinâmica particular que não podia ser insultada. Isto foi, alías, o meu primeiro insight para sentir sua ausência quando, um dia, ao escutar uma excelente palestra de um amigo meu sobre Hamlet em um ambiente repleto de supostos magistrados, chegou o momento dos debatedores. Era uma mulher e um homem: ela era uma juíza federal, cheia de referências aos Derrida-e-desce e aos Foucaults da vida, e ele era um advogado beletrista, sócio de uma importante casa de cursos. A juíza fez uma palestra de quase uma hora sobre como a peça de Hamlet deveria ser chamada de Ofélia porque Shakespeare era, afinal de contas, um machista misógino, enquanto o tal advogado perguntou ao palestrante se era possível uma interpretação GLS de Hamlet. Fiquei chocado que alguém se aventurasse a fazer tal pergunta; certamente, se Bruno estivesse vivo e ali presente, levantaria-se de imediato e daria um safanão na cara do sujeito. Claro que o motivo não seria apenas a polêmica pela polêmica – acusação injusta que atingiu postumamente a obra de Bruno. A verdadeira razão seria essa “educação de sensibilidade” que Bruno cultivava em cada um que conhecia e que ele fazia questão de extrair em conjunto sobre os mais variados assuntos: desde como era trabalhar com Auden, passando sobre como era uma conversa com Bonnefoy e Geoffrey Hill, até o vislumbre de um detalhe em um quadro de Uccello e, sem dúvida, o respeito que devemos ter com a luz do dia que some em um pôr-do-sol.

Confesso que só fui sentir falta de Bruno muitos meses depois da sua partida porque, de certa forma, a sua obra inteira nos ensinou a ficarmos preparados para a sua morte. Mas não era algo mórbido: quando leio O Mundo como Idéia ou As Horas de Katharina tenho a impressão de que, apesar de seu sentimento trágico da vida, Bruno Tolentino sabia que ela valia muito a pena. Não é à  toa que resistiu a uma doença cruel até o fim, independentemente do sofrimento – do qual saiu irreconhecível, mesmo para os seus amigos mais próximos. Havia uma perseverança nele que, sem dúvida, deixava todos espantados – e que talvez não fosse deste mundo.

Assim, à guisa de despedida, deixo-lhes a seguinte citação:

“Ele foi um grande poeta (a única coisa que está errada com esta frase é o tempo de seu verbo, já que a natureza da linguagem faz com que o que alguém realiza em seu contexto permaneça invariavelmente no presente), e me considero intensamente afortunado por tê-lo conhecido. Mas mesmo que não o tivesse encontrado de todo, ainda me restaria a realidade de sua obra. Devemos agradecer ao destino por termos sido expostos a esta realidade, pela generosidade dessas dádivas, mais preciosas ainda porque não se destinavam a alguém em particular. Podemos dizer que se tratava de uma generosidade do espírito, só que o espírito sempre precisa de um homem para refratar-se através dele. Não é o homem que se torna sagrado devido a esta refração: é o espírito que, assim, se torna mais humano e compreensível. Isto – e o fato de que o homem é finito – já bastaria para nos fazer venerar este poeta”.

As palavras são de Joseph Brodsky e são sobre W.H. Auden. Mas eu não mudaria uma linha, pois dizem a mesma coisa sobre Bruno Tolentino. Independentemente de ser um gênio ou uma pessoa inteligente, o fato é que era um grande poeta – e um dos maiores, em qualquer língua. E quando os grandes poetas se encontram, seja lá onde estão, sabemos que são um dos poucos grupos – junto com os santos e os mártires – que podem dizer com certeza que, independentemente das sombras dentro das luzes existentes em nossas vidas, eles realmente venceram o mundo.


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Variedades Virtuais

Arquivado em: Geral incluído por Martim Vasques da Cunha
Data do post: 17 de fevereiro de 2009

Pérolas que só a blogsfera traz para você, caro leitor:

- The Voegelin View: excelente site feito por discípulos de Eric Voegelin. Na edição desta semana, tem a reprodução de uma conversa de Voegelin com estudantes irlandeses. A cada parágrafo há um trecho mais antológico que o outro.

- Novamente, Spengler, o colunista misterioso do Asia Times, nos dá o caminho das pedras para entendermos o que acontece com a nossa “crise econômica”. Na coluna de hoje, ele prova por A mais B que os EUA continuarão a ficar cada vez mais ricos, apesar de tudo e, principalmente, de todos.

- Leiam o excelente blog de Érico Nogueira, o nosso Rimbaud de Bragança, Ars Poetica, em que podemos ler deliciosos ensaios sobre Geoffrey Hill, Rilke e, claro, Bruno Tolentino.


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Scorn not the Internet

Arquivado em: Literatura incluído por Joel Pinheiro
Data do post: 13 de agosto de 2008

Só o futuro poderá julgar o efeito da Internet sobre a cultura. As mudanças que ela trouxe para nossos hábitos de ler e escrever são muitas, e atuam, não raro, em sentidos contrários.

Um grande e inegável benefício, contudo, é a disponibilização gratuita da obra de grandes autores do passado. Não é mais preciso comprar caros volumes para se ler a poesia completa de Wordsworth (o que não significa que a compra dos volumes não traga inúmeras vantagens!). Há muito material online, em bons sites, à espera de quem o acesse.

Neste soneto, cuja finalidade é defender o valor do soneto, Wordsworth nos lembra de alguns grandes nomes da literatura ocidental, cuja obra, com a Internet, está à nossa disposição.

Scorn not the Sonnet

          Scorn not the Sonnet; Critic, you have frowned,
          Mindless of its just honours; with this key
          Shakespeare unlocked his heart; the melody
          Of this small lute gave ease to Petrarch’s wound;
          A thousand times this pipe did Tasso sound;
          With it Camoens soothed an exile’s grief;
          The Sonnet glittered a gay myrtle leaf
          Amid the cypress with which Dante crowned
          His visionary brow: a glow-worm lamp,
          It cheered mild Spenser, called from Faeryland              
          To struggle through dark ways; and, when a damp
          Fell round the path of Milton, in his hand
          The Thing became a trumpet; whence he blew
          Soul-animating strains–alas, too few!


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Um minuto de silêncio

Arquivado em: Literatura incluído por Guilherme Malzoni Rabello
Data do post: 27 de junho de 2008

Hoje faz um ano que o Bruno Tolentino morreu. Aqui vai a nossa pequena homenagem,

A Explicação

Por Bruno Tolentino

[...]

É o real tudo aquilo que, à medida
em que nos abandona e se evapora,
sagra o aqui e o agora
entre os braços da Cruz, nosso sinal
de mais na escuridão.
Tudo o mais é ilusão,
mero jogo mental
que às vezes nos confunde,
mas que não pode desfazer o nexo
entre o instante mortal
e o perene esplendor da rosa-mundi.

Esse é o grande cordão umbilical,
o traço de união, aquele elo
que Eliot entreviu num roseiral
e o Velho do Restelo
num cais de Portugal.
É o mesmo nexo sobrenatural
que, às vezes, com uma rapidez de seta,
inexplicavelmente nos inquieta
ao deixar-se entrever à face lisa
do que eu chamo de espelho convexo
e Platão comparava a uma gruta.

Metáforas que valem como o indício
de que a mente se expande quando escuta
o sussuro imortal que anima a brisa,
sossega a ventania
e acode a cada rosa na agonia;
ele é que suaviza
o derradeiro amplexo
que desfigura e transfigura o ser,
ele é que acalma
e leva pela mão a pobre alma,
resgatada dos braços do suplício
para enfim perceber
o esplendor de um jardim muito maior
que seu curto reflexo.
Se enxergá-lo é difícil,
não ver é ainda pior
 


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The Lonely Hearts Club Band

Arquivado em: Geral incluído por Martim Vasques da Cunha
Data do post: 13 de junho de 2008
1818-20. Brush and sepia. 32,5 x 18,5 cm. Kupferstichkabinett. Berlín. Germany.
Woman in a Shawl. Caspar David Friedrich

Para o leitor de Dicta&Contradicta que acredita que o Valentine’s Day tupiniquim está repleto de açúcar-mascavo, eis aqui um poema de Carlos Drummond de Andrade que vem a calhar:

 A bruxa

                                              A Emil Farhat

Nesta cidade do Rio,
de dois milhões de habitantes,
estou sozinho no quarto,
estou sozinho na América.

Estarei mesmo sozinho?
Ainda há pouco um ruído
anunciou vida ao meu lado.
Certo não é vida humana,
mas é vida. E sinto a bruxa
presa na zona de luz.

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A Gênese de ‘Do Enigma ao Mistério’ – I

Arquivado em: Especial incluído por Guilherme Malzoni Rabello
Data do post: 8 de junho de 2008

Para o primeiro número da Dicta traremos um Especial e tanto: ao longo das próximas semanas, sempre às terças-feiras, postarei aqui as gravações das três últimas aulas do Bruno Tolentino, que deram origem ao ensaio Do Enigma ao Mistério, editado por mim e publicado na revista impressa.

Jamais aceitaria fazer a edição que vai na revista se não pudesse também divulgar o material bruto. Foi uma decisão muito difícil editar o que vocês ouvirão a partir da próxima semana. Da morte do Bruno ao dia em que recebi a versão final do texto, estes versos do Auden em memória de W. B. Yeats martelavam na minha cabeça: the words of a dead man/ are modified in the guts of the living.

Como transformar em texto escrito três aulas completamente diferentes? Que critérios usar para cortar uma passagem? Reescrever o que está confuso ou manter a confusão? Foram algumas perguntas que me fiz, e pretendo contar como cheguei às respostas. Porque o trabalho não foi pequeno, pelo contrário: as 14 páginas da revista foram tiradas de quase 40 de transcrição. Procurei justificar (para mim mesmo) cada uma das decisões tomadas, mas certamente cometi vários enganos. Estendo agora minha mão à palmatória: aos que leram a revista e gostaram do texto, garanto que muito mais virá; aos que leram e não gostaram, digo que com certeza a culpa foi minha.

Dividi o trabalho em quatro etapas. Na primeira, simplesmente transcrevi as três aulas, sem nenhuma revisão ou preocupação externa. Na segunda, provavelmente a mais difícil, decidi se daria uma estrutura ao texto, mudando a ordem das aulas, ou se manteria a ordem original. Com muito custo, escolhi a primeira opção: o texto da revista começa com a segunda aula, continua pela terceira e termina na primeira. Contarei ao longo do tempo por que fiz isto, mas já aproveito para avisar que aqui as aulas vão exatamente na ordem em que foram gravadas, sem qualquer edição de som.

Tendo decidido como seria o texto, comecei a prepará-lo, tentando manter sempre que possível as exatas palavras usadas pelo Bruno. Em algumas passagens consegui; em outras seria impossível, uma vez que era necessário manter a inteligibilidade. Por fim, precisava tirar os vícios de linguagem que permeavam todo o ensaio (comuns na fala, mas imperdoáveis na escrita). Este era o grand finale que o texto merecia. E não teria ficado nem próximo do que ficou se não fosse pela mão de ferro do nosso editor, Henrique Elfes, que ralhou com cada vírgula que eu havia colocado, com cada pronome desnecessário, e finalizou o texto como ninguém.

Eu fico por aqui; mas como vocês já devem estar curiosos, preparei para hoje um aperitivo. Separei nas gravações as partes em que o Bruno recitava os seus poemas. Até onde sei, nenhum dos que seguem haviam sido gravados por ele. Quem conheceu o Bruno, certamente se lembra do quanto ele gostava de falar e de como fazia isso com facilidade. Reparem no tom da voz (principalmente no último poema) e vocês verão o que está a caminho…

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