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Música e filosofia, ou Roger Scruton em sua melhor forma

Filed under: Música incluído por Joel Pinheiro
Data do post: 17 de janeiro de 2011

Roger Scruton está frequentemente certo, mas costuma ser irritante na mesma frequência. Em Culture Counts, por exemplo, em meio a bons argumentos sobre a importância da alta cultura, defende que o ensino e transmissão dela não têm como fim o benefício do indivíduo que a recebe. Quem é o beneficiário visado, então? Resposta inicial: a própria cultura. É curioso que ele veja uma dissociação entre o bem do estudante e o bem da cultura, mas até aí tudo bem; é defensável em alguma concepção ultra-platônica da ordem das coisas, o que é respeitável. Só que em breve fica claro o real sentido dessa estranha posição: o bem visado não é nem o do receptor e nem da cultura considerada como uma entidade abstrata; é o bem da sociedade. No mínimo ultrajante; pois é óbvio que, embora toda a sociedade (os fazendeiros, os comerciantes, os acadêmicos, os músicos, as donas de casa, as empresárias) se beneficie de que pessoas transmitam e contribuam com a cultura, nem por isso é ela (ou seja, os membros que não transmitem e contribuem) a finalidade do processo. Se minha meta fundamental é ajudar os outros, vou socorrer os desabrigados das enchentes no Rio (um fim nobre, diga-se de passagem), e não estudar em minúcias as concepções de intelecto agente em Vital de Furno e Mateus de Aquasparta. Qual a causa de cegueira tão grande em Scruton? Parece-me que é a rejeição a qualquer coisa que cheire a individualismo, que perpassa toda a sua obra com efeitos em geral deletérios.

Enquanto minha mente faz essas considerações, contudo, a leitura segue indolente e chega a passagens em que Scruton analisa peças musicais. E aqui me deparo com um gigante inigualável. Sua exposição não só deixa claro o domínio do autor sobre o tema, mas é também capaz de torná-lo palatável a alguém como eu, analfabeto musical.

Neste texto do começo de 2010 para a The American, temos Scruton em sua melhor forma tratando do seu melhor tema. O artigo é muito similar a um publicado na The American Spectator na mesma época (linkado aqui no site meses atrás), mas com uma grande vantagem: uma análise detalhada de várias obras, tanto clássicas como populares, com vídeos delas anexados. Scruton não apenas fala, mas mostra onde, como e por quê certa música é construtiva ou destrutiva do espírito, o que faz a boa e a má música pop, e porque a erudita está num patamar destacado.  O grande mérito dele é decantar seu profundo conhecimento musical de tal forma que um leigo absoluto possa ler e – acredito – entender pontos sobre a estrutura musical de uma peça e o que ela representa em termos sentimentais e filosóficos. Não é pouca coisa, dado que tanto do que se lê por aí oscila entre o técnico impenetrável e o vulgar mais boçal. Beneficio-me muito do amor de Scruton pela música; e bem sei que não sou eu e nem outros como eu a finalidade desse amor.


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Ainda vale a pena ouvir Richard Wagner?

Filed under: Música incluído por Martim Vasques da Cunha
Data do post: 8 de dezembro de 2010

A resposta a esta pergunta, segundo David P. Goldman, também conhecido como Spengler, é um sonoro “não“. Para ele, Richard Wagner – um dos gênios mais canalhas que já existiu na face desta terra – se tornou uma espécie de “muzak“, um exemplo a ser copiado na marcha imperial de Darth Vader ou na escala cromática de “Somewhere over the rainbow”. Deixemos o autor argumentar um pouco:

Wagner’s power comes, first of all, from his music, but we have lost the capacity to hear it the way Baudelaire and Mahler did. And our inability to hear Wagner’s music constitutes a lacuna in our understanding of the spiritual condition of the West. Despite Wagner’s reputation for compositional complexity, his musical tricks can be made transparent to anyone with a rudimentary knowledge of music. In some ways, Wagner is simpler to analyze than the great classical composers. Because—as Nietzsche said—Wagner is a miniaturist who sets out to intensify the musical moment, his spells, at close inspection, can be isolated.

Popular literature and program notes describe Wagner’s compositional technique in terms of the so-called leitmotif, or leading motive—a musical theme associated with a particular concept or character. This is true, but trivial. This device has become such a commonplace among film composers that we cannot help hearing, in Darth Vader’s “DA-da-da-DA-DUM-de-DA-DUM-de-DA,” a caricature of the giants’ motive in Das Rheingold—which is exactly what it is. Today we hear Wagner the same way we hear the background music to Star Wars. The lampoon has displaced our perception of the original work.

Contudo, o pessoal da É Realizações acha o contrário. Amanhã, dia 9 de dezembro, começa uma seqüência de eventos que discutirá a importância de Richard Wagner, inclusive com o lançamento de um livro de ninguém menos que Roger Scruton:

Quais das versões você vai escolher? Ora não cabe a mim decidir. Afinal de contas, não foi para a posteridade que Wagner fez sua música?


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Música e moralidade, por Roger Scruton

Filed under: Geral,Música incluído por Joel Pinheiro
Data do post: 18 de fevereiro de 2010

Artigo de Roger Scruton sobre um de seus temas favoritos: a música. Fiquei feliz em vê-lo tratar da música pop (no sentido mais abrangente: tudo aquilo que não é erudito) com mais nuanças. Ela não compõe um bloco homogêneo que possa ser apenas aceito ou condenado como um todo; há distinções e análise dos diferentes efeitos e intenções de cada estilo. Não esperava vê-lo esboçar simpatia pelos Beatles e pelo Elvis!

Ainda assim, acho que outras considerações importantes não são feitas, por exemplo citar que nem toda música pop é feita para dançar. O que é, aliás, uma bom indagação: para quê servem, e como devem ser ouvidos (se é que há um modo próprio de cada tipo), os diferentes estilos de música popular?


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A neurociência é uma balela?

Filed under: Psicologia incluído por Martim Vasques da Cunha
Data do post: 31 de agosto de 2009

A afirmação é minha , é claro

(afinal, alguém tem de ser provocador por aqui, neste recanto de bons moços)

mas é o que dá a entender depois de ler este artigo do

(único e inclassíficavel e guru dos jovens conservadores – o que não é o meu caso)

Roger Scruton.


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O Islã e o Ocidente

Filed under: Geral incluído por dicta
Data do post: 8 de agosto de 2009

Aí vai o texto da semana, a demora na publicação tem um motivo muito importante. Quando decidimos que iríamos abrir o acesso ao texto de Roger Scruton recebemos três emails do Iêmen escritos em árabe. Demorou alguns dias até conseguirmos um tradutor, mas no final das contas não era nenhuma ameaça terrorista: felizmente apenas uma fã pedindo o email de um dos nossos editores…

*****

O Islã e o Ocidente
por Roger Scruton

O Ocidente hoje está envolto num conflito violento e dilatado contra as forças do radicalismo islâmico. Esta luta é sumamente difícil, tanto pela dedicação do nosso inimigo à sua causa, como – talvez principalmente – pela enorme desconjunção culturalpor que passaram Europa e América desde o fim da guerra do Vietnã. Em termos simples, os cidadãos do Ocidente perderam o seu apetite por guerras estrangeiras; perderam a esperança de conquistar qualquer vitória que não fosse temporária; perderam a confiança no seu modo de vida. De fato, não têm mais certeza sobre as exigências que esse modo de vida lhes faz.

Ao mesmo tempo, viram-se diante de um novo oponente, um oponente que crê que o modo de vida ocidental é profundamente defeituoso e que talvez seja mesmo uma ofensa a Deus. Num “acesso de desatenção”, as sociedades ocidentais permitiram que esse oponente ganhasse espaço no seu próprio seio; nalguns casos – como a França, o Reino Unido e a Holanda -, em guetos que apenas mantêm relações tênues e hostis com a ordem política que os circunda. E tanto na Europa como na América há um crescente desejo de apaziguamento: uma contrição pública habitual; uma aceitação, ainda que pesarosa, dos editos censuradores dos mulás; e um conseqüente passo em direção ao repúdio do nosso patrimônio religioso e cultural. Há vinte anos, seria inconcebível que o arcebispo de Canterbury pronunciasse um discurso em favor da incorporação da lei religiosa islâmica (a shariá) ao sistema legal inglês. Hoje, contudo, muitas pessoas julgam essa uma proposta razoável, talvez um avanço rumo a uma contemporização pacífica.

continua aqui…


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Sobre vinhos e conspirações

Filed under: Geral incluído por Guilherme Malzoni Rabello
Data do post: 10 de junho de 2009

“Every true-born Briton lives under a fixed persecution mania that someone is always trying to prevent him from getting a drink. Of course, this is true, but the significant thing is how  little they have succeeded.”

Evelyn Wagh

 

Vale a pena ler In Vino Veritas: I’ll Drink to That, do Roger Scruton – publicado na Standpoint desse mês. O ensaio é quase uma ode ao vinho e à importância que a bebida em geral, e o vinho em particular, tiveram no desenvolvimento da nossa sociedade. O que o texto talvez tenha de excessivo é compensado pela clareza com que mostra os danos de todo tipo de puritanismo. A consequência, diz lá o Scruton, é sempre trocar um “não” absoluto por um “sim” também absoluto e, diga-se, totalmente egoísta. Quem leu a Dicta 3 já sabe onde tudo isso vai levar…

Aliás, estou começando a perceber que uma das características do Scruton é que não importa se o assunto é vinho, arquitetura, política ou filosofia, ele sempre chega no mesmo lugar. Se isso é um defeito ou uma qualidade, por enquanto fica por conta de vocês, eu só queria mesmo era provocar. E se a idéia é provocar, lá vai só um techinho do texto:

“When people sit down together in a public place – a place where none of them is sovereign but each of them at home – and when those people pass the evening together, sipping drinks in which the spirit of place is stored and amplified, maybe smoking or taking snuff and in any case willingly exchanging the dubious benefits of longevity for the certain joys of friendship, they rehearse in their souls the original act of settlement, the act that set our species on the path of civilisation, and which endowed us with the order of neighbourhood and the rule of law. When, however, people swig drinks without interest in their neighbours, except as equal members of the wild host of hunter-gatherers, when their sole concern is the intoxicating effect and when the drink itself is neither savoured nor understood, then are they rehearsing that time before civilisation, in which life was solitary, poor, nasty, brutish and short.”

PS: “Mais uma indicação do Roger Scruton?” dirá o nosso leitor atento. “Não é possível, aí tem algum plano maligno. Será uma conspiração?”. Eu respondo: não, querido leitor. É só coincidência mesmo. E por falar nisso, se tiver um tempinho leia também esse texto e veja lá como a nossa mania conspiratória não é nada boa…


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Perdão e Ironia

Filed under: História incluído por Joel Pinheiro
Data do post: 14 de maio de 2009

É o que Ocidente tem (ou tinha) e o que falta ao Islã, segundo Roger Scruton, velho conhecido da Dicta.


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Para a vossa edificação…

Filed under: Do lado de lá incluído por Martim Vasques da Cunha
Data do post: 10 de março de 2009

… mais dicas do mundo maravilhoso da Internet para os caros leitores que desejam sair de suas pequenas vidas e perceber o enrosco em que se meteram – esse período peculiar que chamamos de “mundo contemporâneo”. Eis aqui algumas delas:

- Novamente, por indicação do poeta e tradutor Nelson Ascher, leio com afinco o blog de Richard Landes, The Augean Stables. Especialista em movimentos revolucionários e mileniaristas, Landes é um dos poucos scholars que resolvem aplicar o seu saber no confronto do debate público – e geralmente vence porque tem os bons argumentos (e, claro, a verdade, essa enjeitada) ao seu lado. Mas um dos exemplos mais bizarros de seu comportamento é o comentário que ele fez a um texto de Roger Scruton, Islam and the West: Lines and Demarcation. Ficamos na dúvida sobre quem está certo, se Landes ou Scruton, tamanha a imponência deste duelo de titãs. Raramente vemos dois sujeitos que pensam a mesma coisa sobre o mesmo problema (no caso, o Jihadismo que ataca o Ocidente), mas que discordam de maneira tão contundente. Da minha parte, há momentos em que Landes acerta e há momentos em que tendo a concordar com Scruton, por um único motivo - Landes não tem uma percepção correta do que foi o Cristianismo. Para ele, a religião surgida com a vinda de Cristo é um anúncio do Fim do Mundo, equivalente a outras seitas mileniaristas que ocorreram na época ou que surgiriam depois. Fazer essa equivalência é a mesma coisa que igualar Cristo a um dos inúmeros “falsos messias” que circulavam pela Judéia. Landes critica Scruton por ser uma espécie de “apologeta” cristão, enquanto o seu trabalho seria mais “científico”. Não sei de nada, mas minha simpatia – algo nada científico, sei bem - vai para Scruton. Em todo caso, leiam o texto e tirem suas próprias conclusões.

- Leiam também o depoimento que conta o que a imprensa jamais informará sobre o caso do aborto em Alagoinha (dêem graças ao Pedro Sette Câmara por esse serviço de utilidade geral).

- E vamos ver os doze passos que Tio Roger coligiu para aprendermos como destruir a economia dos Estados Unidos, uma cortesia do sr. Barack (HUSSEIN) Obama.


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Sobre os urinóis

Filed under: Artes plásticas,Filosofia incluído por Julio Lemos
Data do post: 3 de novembro de 2008

Se qualquer coisa pode ser tida como arte – e é essa a provocação lançada por Duchamp no século passado -, então não há mais qualquer base para o julgamento estético. Esse argumento, diz Roger Scruton, costuma ser imediatamente aceito porque “parece emancipar as pessoas do fardo da cultura, dizendo-lhes que todas aquelas veneráveis obras primas podem ser ignoradas impunemente”.

Tente ler impunemente Art, Beauty, and Judgement


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