Dalrymple sobre os EUA
Data do post: 10 de fevereiro de 2010
Dalrymple compara Europa e EUA. Longe de ser um pró-americano fanático, ele reconhece muitos problemas na terra do Tio Sam, mas é também lá que ele enxerga a maior esperança ocidental hoje em dia, se é que os americanos conseguirão se desviar da trilha traçada pelas nações européias. A “guerra cultural” dos EUA determinará o futuro da nossa civilização.
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Dalrymple e a crise econômica
Data do post: 10 de janeiro de 2010
Valorizando o estimado articulista, que nos brindou na última edição com um artigo inédito, mais um ótimo texto seu, desta vez sobre os culpados pela crise econômica: os governos e os grandes bancos, e todo o resto da sociedade. O economista em mim arde de vontade de colocar ali no meio a causa econômica próxima da imprevidência geral. Mas como análise social e cultural, é um primor.
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A arquitetura da tirania
Data do post: 24 de novembro de 2009
Finalmente, alguém teve cojones para afirmar o que era o óbvio ululante: o de que o arquiteto Le Corbusier não passa de um falastrão com pretensões totalitárias. Oh, estão chocados com essa afirmação? Bem, quem tem de aguentar as penitenciárias chiques de Oscar Niemeyer – um dos mais famosos discípulos de Le Corbu – que o diga (inclua nessa categoria lato sensu a maravilhosa magalomania que se chama Brasília).
O responsável por tal “descoberta” (na verdade, Tom Wolfe já tinha feito as mesmas afirmações em From Bauhaus to Our House em 1981) foi o nosso Theodore Dalrlymple, que, em seu mais recente artigo para o City Journal, destrói, com penetrante senso de humor, essa lenda da falsificação arquitetônica em parágrafos como este:
Le Corbusier does not belong so much to the history of architecture as to that of totalitarianism, to the spiritual, intellectual, and moral deformity of the interbellum years in Europe. Clearly, he was not alone; he was both a creator and a symptom of the zeitgeist. His plans for Stockholm, after all, were in response to an official Swedish competition for ways to rebuild the beautiful old city, so such destruction was on the menu. It is a sign of the abiding strength of the totalitarian temptation, as the French philosopher Jean-François Revel called it, that Le Corbusier is still revered in architectural schools and elsewhere, rather than universally reviled.
(E aí vem a pergunta que não quer calar: alguém se aventura em ler o texto em vez de reclamar na caixa de comentários?)
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The costs of abstraction
by Anthony Daniels
One of the most extraordinary episodes in the intellectual history of the twentieth century—if, indeed, something that lasted half a century or more can properly be called an episode—is the moral and sometimes material support given by much of the western intelligentsia to the Soviet tyranny, a tyranny that made all previous tyrannies seem relaxed, liberal, and almost amateurish by comparison. Men who found the slightest circumscription of their own freedom intolerable raised hosannas to the most systematic and concerted abrogation of personal liberty yet attempted; many were those who strained at gnats to swallow a camel.
No doubt the explanation for this phenomenon is psychologically and sociologically complex. A commonly cited factor that supposedly contributed to it was ignorance of the real situation obtaining in the Soviet Union: intellectuals were therefore able to project on to the Soviet Union their utopian fantasies unconstrained by any appreciation of the sordid realities. This explanation, however, is entirely false.
I mean no disrespect to the brave and colossal labors of figures such as Alexander Solzhenitsyn and Robert Conquest, nor do I deny the scope of their actual historical effect upon the opinions of the Western intelligentsia, when I say that they added nothing whatever of deep moral significance to the material that was readily available in the west in the 1920s and 1930s, and that could and should have enabled people to form a proper moral judgment about the Soviet Union and its “experiment,” and this at the very time when it was doing its worst. Everything about the Soviet Union was known at the time; the problem was that nothing was believed. Leia mais…
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Depois não digam que avisei…
Data do post: 3 de setembro de 2009
Eis que o doutor Theodore Dalrymple
(por que este nome tão difícil de escrever, ora pois?)
nos avisa da próxima bolha financeira neste seu novo artigo para o City Journal. O trecho é claro, sucinto e profético:
(só para quem acredita que funcionarismo público é, de facto, escravidão moral)
Except in one circumstance, that is: the possession of a salary and a pension that the government promises, implicitly or explicitly, to index against inflation. This is the situation of public-sector workers and is a pyramid scheme, too, perhaps the biggest of the lot, since events may require the government to renege on its obligations. But meantime, such employment will seem a safe haven, and the temptation will be for government to expand it, with the happy consequence—for itself—of increasing dependence. And dependence, too, undermines character.
(mas aposto que sempre tem um barnabé que vai querer chorar com esse parágrafo)
Como diria aquele personagem da Hanna-Barbera: eu te disse, eu te disse…
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Esqueceram de mim
Data do post: 22 de julho de 2009
Recentemente, dois artigos publicados sobre a questão da linguagem e do pensamento me fizeram perder o sono. O primeiro é de uma jovem pesquisadora, Lera Boroditsky, que argumenta que a linguagem molda o pensamento humano e que, portanto, cada um que vive em seu país ou em sua realidade teria um modo diferente de expressão. O segundo é de um velho conhecido nosso, o dr. Theodore Dalrymple, que vai por um caminho diferente – ele critica duramente os abusos do politicamente correto e do relativismo pós-moderno – embora também siga a mesma linha de raciocínio: a de que o pensamento, mesmo em uma fase considerada pré-verbal, é moldado pela linguagem.
A pergunta que se deve fazer é a seguinte: De onde vem a linguagem? Ela surge por geração espontânea ou a partir do funcionamento de nossas mentes? Podemos apreendê-la a partir da observação do datum da realidade? Rosenstock-Huessy, que dedicou toda a sua vida sobre este problema, diferenciava o que seria a linguagem A da linguagem B. A primeira é a cotidiana e tem um caráter funcional, e está presente, por exemplo, na comunicação básica entre dois seres humanos que discutem entre si sobre qual seria o melhor caminho para se chegar a uma cidade ou uma rua. A segunda é a formal, em que aplicamos sempre quando queremos escrever um texto, fazer um relatório, cantar em um coro, encomendar um defunto, celebrar um casamento, e por aí vai. É claro que esta é a linguagem que pertence exclusivamente aos homens, porque, neste momento, não nos interessa a que pertence aos animais.
Um outro critério surge quando percebemos que a linguagem sobre a qual Boroditsky e Dalrymple discutem é a de seres humanos adultos e maduros em seus respectivos termos biológicos e psíquicos. Ainda assim, a pergunta se complica: Como a linguagem se desenvolve, amadurece?
São perguntas simples, mas têm impacto em nossa cultura – em especial, em nossa cultura pós-pós-pós moderna, no interior da qual tentamos viver com alguma dignidade. Aparentemente, os estudiosos do assunto falam em crise da linguagem, em degeneração da linguagem – ou em revolução da linguagem. Neste ponto, fico novamente com Rosenstock-Huessy: estamos no meio de uma guerra da linguagem.
Segundo ele, as quatro doenças da linguagem humana caracterizam-se pelas seguintes disposições: a guerra é não escutar o que o inimigo diz, a crise é não dizer ao amigo o que fazer, a revolução é a gritaria inarticulada, e a degeneração é a repetição hipócrita.
Alguém duvida de que estamos no meio de uma guerra? (É claro que você duvidará se acreditar em Steven Pinker). Vivemos em um mundo onde ninguém confia em ninguém e, portanto, todos são inimigos potenciais – e, neste caso, a primeira coisa que se perde é justamente a capacidade de escutar o próximo, em uma perversão inédita da famosa Lei de Ouro sobre a qual toda sociedade se baseia.
Se estamos no meio de uma doença extrema da linguagem, como podemos curá-la? Bem, se nem eu sei de onde ela surge, como posso saber disso também? O fato é que, para se ter uma guerra – qualquer tipo de guerra – é necessário ter duas coisas: seres humanos com interesses conflitantes e uma realidade concreta que eu possa modificar segundo o meu intento, conforme os instrumentos disponíveis (Novamente, estes instrumentos não precisam ser armas letais e explosivas; podem ter um caráter mais sutil). Ora, estes dois requisitos estão fora do meu pensamento; logo, o que a minha linguagem apresenta é uma forma de representação destes elementos: um lugar objetivamente concreto que tem como palco um aglomerado de seres humanos com valores distintos e contrários. E como sei que seus valores são opostos e até incomensuráveis entre si, resultando no inevitável conflito?
É aqui que entra – e eu vou usar agora o meu artifício de curto-circuito, sempre criticado pelos meus algozes, mas que empresta um certo charme às minhas alucinações – o problema da consciência. Uso o termo aqui não como um poder, e sim como um ato; ou seja, ele, segundo Sto. Tomás de Aquino, implica na relação de conhecimento a alguma coisa que pode ser resolvida em cum alio scientia – isto é, o conhecimento aplicado a um caso específico e individual.
O caso específico e individual é sempre o próprio ser humano, em especial a natureza humana. Poderia ir além e afirmar que trata-se da condição humana – mas isso seria transformar o ato de consciência em algo abstrato, o que não é a minha intenção. A consciência é este locus específico onde julgo as ações que devo ou não devo fazer; e, com ela, posso captar a realidade exterior que está à minha frente em todas as suas variantes. É um locus que ilumina a estrutura do real e, ao mostrar os seus paradoxos, permite a sua expressão dentro de uma linguagem articulada, madura e, sobretudo, compreensível para os meus semelhantes. Contudo, para isso acontecer de fato, tenho de entender que o meu semelhante também tem a capacidade de realizar esse mesmo ato e que também tem esse locus que ilumina o real. Só assim pararei de vê-lo como um desconhecido, como um inimigo – e só assim poderemos escutar um ao outro e parar com a guerra da linguagem (E se você quiser saber mais sobre isso, leia o fundamental Anamnesis, de Eric Voegelin, lançado recentemente no Brasil).
O nó górdio de todas as discussões sobre o pensamento e a linguagem – uma discussão que, diga-se de passagem, parece-se muito com o enigma do ovo e da galinha ou até mesmo do biscoito Tostines – é que a consciência humana foi jogada para debaixo do tapete. Em uma apresentação acadêmica que fiz há alguns anos, um professor da FAAP, encharcado de Adorno e Derrida, perguntou-me se eu acreditava que o ser humano tinha uma consciência, algo de que ele próprio duvidava. A única coisa que respondi foi que, para chegar àquela dúvida, foi necessário um ato de consciência. Não obtive refutação – o que também indicou consciência da parte dele. E se por acaso insisto – chegando ao ponto de ser monomaníaco – em assuntos aparentemente díspares, como o surgimento de uma casta burocrática que quer acabar com a liberdade de religiões, destruindo justamente a base de uma tradição que foi construída entre trancos e barrancos e que ainda nos sustêm, ou então no perigo que há no surgimento de movimentos progressistas que se unem com criminosos e lunáticos para diminuir a liberdade ínfima que tenho dentro do meu corpo, é porque o que está em jogo é a consciência como um dom que não me pode ser extirpado sem dor.
Quando se esquece da consciência, esquece-se também de que a função da linguagem é descobrir novas maneiras de exprimir uma realidade inesgotável em suas possibilidades. E, ao esquecer de ambas, o ser humano é apenas um instrumento – não a imago Dei que o Ocidente sempre soube existir. Thomas More descobriu, ao escrever a sua Utopia, que o verdadeiro perigo das épocas futuras é que talvez as pessoas não tenham uma clara consciência do mal que possam praticar. O perigo ainda está aí. E talvez seja por isso que não consegui dormir ao ler os textos de Lera Boroditsky e Theodore Dalrymple; porque, afinal de contas, a minha consciência não permitiu que eu ficasse em silêncio.
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Michael Jackson, drogas e o sentido da vida
Data do post: 1 de julho de 2009
“Toda unanimidade é burra.”
Apesar de nunca ter encontrado alguém que discordasse da afirmação, eu também fico extremamente incomodado quando todo mundo parece estar falando a mesma coisa. E a bola da vez, como não poderia deixar de ser, é o Michael Jackson.
É claro que, como todo mundo, eu também virei fã do Rei do Pop na última semana, eu também ressuscitei os discos empoeirados e esquecidos no fundo do armário, eu também tomei banho cantando Billie Jean e precisarei me controlar para não ficar emocionado com o funeral. Mas, vocês hão de convir, existe algo de errado em transformar aquela aberração em modelo para os nossos filhos.
Se eu não estou totalmente errado, vale a pena ler o que o Dr. Theodore Dalrymple escreveu sobre o assunto na FrontPage de ontem:
“Michael Jackson is interesting to me in the way that a circus freak is interesting to me: that is to say, a certain morbid fascination attaches to him. By the end of his life, I confess that he put me in mind of those bottles in pathological museums containing six-legged lambs and babies with two heads. He was a monster, in the Eighteenth Century sense of the term, even if his monstrosity was the product of society and culture rather than of nature.”
[...]
“Trained to perform from a very early age, he lived and breathed and took his being from extreme vulgarity and bad taste. His life was Las Vegas made biography. I have nothing against Las Vegas, but it is for excursions, not the whole of existence.”
Como médico que é, o texto vai além da simples monstruosidade de Micheal Jackson e aborda as questões éticas na relação entre ele e os seus médicos: afinal, até que ponto um médico deve fazer as vontades do seu paciente? Em que momento ele deve falar “não” a certos pedidos esdrúxulos e simplesmente recusar um ”tratamento” claramente desnecessário?
O que me leva a outra questão, levantada pelo mesmo Dalrymple. Sempre tive um desconforto com a maneira com que habitualmente olhamos os drogados, tratando-os como vítimas de uma doença gravíssima. Na minha irrelevante experiência, sempre me pareceu que há uma inversão no que é normalmente aceito: não é a droga que leva alguém para o “mau caminho” (como as vovós gostam de dizer…), mas o mau caminho que leva às drogas e, normalmente, esse caminho foi escolhido por alguém que poderia muito bem ter ido para outro lado.
Por isso, foi uma enorme surpresa encontrar este livro, Romancing Opiates, no qual Dalrymple – falando com a experiência de quem tratou milhares de casos semelhantes – diz simplesmente que não há viciados em heroína, pelo menos do jeito que estamos acostumados a pensar. Diz ele que, do ponto de vista médico, um viciado em heroína que tente se livrar da droga não terá problemas maiores do que se tivesse com uma gripe forte.
Sim, eu também achei difícil de acreditar quando ouvi, mas a argumentação é muito convincente. Como é também interessante a apresentação do livro que ele fez em NY em 2006.
O vídeo, longo!, está aí embaixo. Antes, porém, preciso revelar o real motivo deste post. Na verdade não dou a mínima ao Micheal Jackson, nunca cantei Billie Jean e nem conheci nenhum drogado. Mas depois de assistir a esse vídeo, descobri o sentido da minha vida: quando eu crescer quero ser igual ao Myron Magnet. Ele é o editor do City Journal que faz a introdução do vídeo: isso sim é um editor que se preze!
Aviso às navegantes que já comprei outro óculos para usar em cima da cabeça e já estou deixando a barba como a dele; quanto à careca e à barriga… bem, essas vou deixar por conta da Mãe Natureza…
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Ideologias: a continuação da história
Data do post: 19 de março de 2009
Previram a morte das ideologias para décadas atrás. Hoje, o islamismo é prova de que as ideologias continuam fortes; as semelhanças com o leninismo que o precedeu são marcantes.
Ao mesmo tempo, outra ideologia ganha força no Ocidente: o ambientalismo.
Leiam este ótimo artigo de Theodore Dalrymple sobre a ideologia no mundo contemporâneo. Como sempre, o autor é bem-humorado e muito lúcido, e não cai no saudosismo pelos “bons e velhos tempos” que caracteriza o espírito de alguns de seus textos.
Minha única ressalva é à ausência de alternativas que ele nos deixa. Claro, aceitamos o mal que as ideologias causam. Mas a única alternativa apresentada no texto é a perpetuação e crescimento das “democracias liberais modernas”, esses ninhos de oportunismo, incompetência e falta de propósito. Melhor, sem dúvida, do que as respostas totalizantes de tantos “ismos”, mas ainda assim profundamente insatisfatória.
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