IFE - Instituto de Formação e Educação
RSS

Compre o Livro

Felicidade objetiva e subjetiva

Arquivado em: Filosofia incluído por Joel Pinheiro
Data do post: 2 de agosto de 2008

Um artigo recente da revista Philosophy Now retoma a concepção clássica de “eudaimonia”, ponto central e finalidade de todas as éticas da Antigüidade. Em geral, o termo é traduzido por “felicidade”. O problema é que, hoje, “felicidade” significa principalmente bem-estar subjetivo. Para os antigos, o termo denotava, antes de tudo, a condição objetiva do indivíduo que vive de acordo com sua natureza humana, ou seja, que atualiza, em si, todas as potencialidades do seu ser. Para isso é que precisamos cultivar as virtudes, aquelas disposições e tendências internas que nos ajudam a se comportar consistentemente de acordo com o bem objetivo. Quem vive de acordo com o bem objetivo de sua natureza humana tem, naturalmente, grande bem-estar subjetivo, mas isso é uma conseqüência de se viver bem, e não a própria definição da felicidade.

O artigo é muito bom em fazer a distinção entre as duas concepções, e argumentar que, embora a felicidade meramente psicológica (subjetiva) receba toda a atenção hoje em dia, é necessário também considerar fatores objetivos, e propriamente éticos, que são muitas vezes deixados de lado. Longe de se restringir apenas aos filósofos antigos, traz para a discussão nomes improváveis de se associar à tradição da ética das virtudes, como David Hume e John Stuart Mill.

No final das contas, parece-me que a separação feita pelo artigo entre felicidade subjetiva e objetiva é radical demais; é claro que a distinção é válida e importante, mas ele não chega a estabelecer nenhuma relação entre elas, fazendo parecer que uma nada tem a ver com a outra. Além disso, a conclusão de que são preciso alguns parâmetros objetivos (por exemplo, não matar) dentro dos quais cada um procurará seu bem-estar subjetivo da forma que melhor lhe aprouver é, sem dúvida, muito distante da concepção clássica do que é a ética. Ainda assim, é um artigo muito elucidativo e com considerações e questionamentos relevantes; vale a pena ser lido.


Comentários (2)

Grandes homens numa hora dessas?

Arquivado em: Filosofia incluído por Julio Lemos
Data do post: 22 de junho de 2008

As sociedades modernas – pensemos por exemplo na canadense –, altamente diferenciadas e complexas, estão divididas em inúmeros compartimentos: de corporações e instituições públicas a pubs irlandeses e casas de strip-tease, passando pelos cada vez mais raros “lares” nos quais habitam as… famílias, ou o que quer que seja.

Se essa rápida descrição é insuficiente para dar uma idéia da complexidade moderna, ao menos basta para nos levar à conclusão de que nela não há espaço para os “grandes homens”. As razões para isso? Bem, talvez possamos dizer simplesmente que as pessoas não têm idéia do que é um “grande homem” e portanto não sabem por onde começar.

Para Aristóteles – e então voltamos para a Atenas do séc. V a.C. –, um homem que conseguisse unir na prática um ideal de excelência pessoal a uma ação marcante na sociedade civil, mesmo que isso se limitasse a uma influência quase imperceptível sobre os demais homens do seu tempo e espaço – esse homem seria grande.

A pergunta então seria: podemos imaginar um homem magnânimo vivendo no século XXI? Leia mais…


Comentários (6)