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Entrevista exclusiva com João Pereira Coutinho – Parte 2

Filed under: Especial incluído por dicta
Data do post: 17 de dezembro de 2008

E novamente cá estamos com o lusitano mais querido do país: João Pereira Coutinho. Ou, como o próprio assina em seu sítio (sorry, não agüentei): JP Coutinho. Ou, como resolvem chamá-lo, talvez para acrescentarem uma aura de intimidade: JPC.

Muitos nomes para apenas uma atitude. Por que reforçamos o fato de João ser um lusitano? Ora, pois, todos sabem que o povo português, sabe-se lá cargas d´água o porquê, é considerado um secto de proporções intelectuais diminutas. João Pereira Coutinho é a prova de que isso não passa de uma calúnia. Que ele é inteligente, isso ninguém duvida. Que ele se expressa corretamente, também. Que justamente é um português o melhor colunista do jornalismo mainstream – e também de uma fina ironia -, acho que nem sequer há uma sombra de suspeita.

Então, o que a Dicta&Contradicta pode oferecer de novo aos leitores de João Pereira Coutinho? Apenas a comprovação de uma atitude que anda em falta no Brasil: a honestidade intelectual. Nesta parte da conversação, ocorrida no Instituto Internacional de Ciências Sociais de São Paulo, ele concorda sem hesitar com que há um norte e um questionamento moral por trás de toda a ciência política que se preze. A partir daí, o espectador talvez conheça a faceta “não-escrita” das crônicas que animam nossas sonolentas terças-feiras na Folha de S. Paulo.

P.S. aos navegantes: O Especial Dicta entrará em recesso de Final de Ano. O blog continuará na ativa, mas vocês só terão novamente o lusitano mais amado do país no dia 07 de janeiro de 2009.


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Entrevista exclusiva com João Pereira Coutinho – Parte 1

Filed under: Especial incluído por dicta
Data do post: 9 de dezembro de 2008

Pois bem, pois bem! Como diriam os patrícios da terra lusitana, a Dicta&Contradicta, em seu Especial para o no. 2, resolveu dar aos seus leitores um presente de final de ano, algo que nem a Folha de São Paulo imaginou fazer: uma longa e cuidadosa conversa com João Pereira Coutinho, dividida em seis partes.

Quem é o gajo?, perguntará. Bem, além de ser colunista da Folha (diga-se de passagem, o melhor colunista do jornal), João Pereira é “uma alma pura” (palavras do próprio na abertura infame desta entrevista), um conversador de primeira, um performer artist, um excelente professor, um humorista impagável, um grande conferencista, um escritor de primeiro time (querem provas? Leiam seu Avenida Paulista, a ser publicado no ano que vem no Brasil, além do seu blog, onde encontra-se a maioria de seus textos) e um variado etecétera que prova que o homem (ou o gajo, como quiserem) é realmente polivalente. E, sobretudo, valente.

O leitor-espectador perceberá exatamente essa qualidade na conversa abaixo. João Pereira Coutinho não tem medo de dizer o que pensa. Eis sua valentia. Você pode discordar do que ele fala ou escreve, mas não pode negar que escutou algo idiossincrático, que ninguém mais poderia dizer exceto aquele sujeito.

Na primeira parte da conversação – feita durante a sua estadia em São Paulo devido ao curso que ele ministrou no Instituto Internacional de Ciências Sociais (IICS) -, veremos um João que não hesita em tirar sarro de si mesmo e do próximo. Esta capacidade de não se levar a sério, mas levar a sério o que faz é um dos choques que o leitor deve ter ao ler uma de suas crônicas na Folha. E também causa reações inesperadas – como, por exemplo, a risada histérica do entrevistador que fez as perguntas mais débeis para alguém com a humilde paciência de respondê-las como se fossem as mais sábias.


 


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A Gênese de ‘Do Enigma ao Mistério’ – XI

Filed under: Especial incluído por Guilherme Malzoni Rabello
Data do post: 19 de agosto de 2008

E hoje encerramos com a última parte da terceira aula do Bruno Tolentino. Eu sei muito bem como é cansativo ouvir as gravações completas, mas quem nos acompanhou por esses quase três meses sabe muito bem a riqueza do material.

Espero que meu trabalho não tenha desapontado muito e espero também poder trazer mais boas notícias sobre a obra do Bruno Tolentino. E já que é para se despedir deste primeiro especial, aproveito para agradecer a todos pela excelente acolhida que a Dicta vem recebendo. Nosso trabalho continua por aqui…

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A Gênese de ‘Do Enigma ao Mistério’ – X

Filed under: Especial incluído por Guilherme Malzoni Rabello
Data do post: 12 de agosto de 2008

Até agora, muitos de vocês devem ter estranhado: “Ué, mas o Bruno Tolentino não era aquele ‘Polemista’”? Esse é um rótulo com o qual discordarei sempre que apareça. Polêmica é algo que por si só não quer dizer absolutamente nada e o Bruno não era, nunca foi, um “polemista”, como muitos gostam de dizer. Na verdade, desconfio que essa classificação seja apenas uma desculpa para não encarar de frente uma obra que é muito maior que os seus críticos.

Dito isso, preparem-se: no áudio de hoje o Bruno realmente resolveu soltar os cachorros. Pessoalmente, acho a parte menos importante de toda a gravação, mas é inegável que o que segue é extremamente engraçado. Aliás, se a polêmica tem um lado positivo é o fato de fazer-nos rir. Mas aí já seria uma idéia minha – e o que interessa é a gravação que segue.

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A Gênese de ‘Do Enigma ao Mistério’ – IX

Filed under: Especial incluído por Guilherme Malzoni Rabello
Data do post: 5 de agosto de 2008

Hoje começamos a ouvir a terceira e última aula do Bruno Tolentino. Como não podia deixar de ser, mais uma vez ele mudou completamente de planos. A primeira aula foi uma introdução a um curso que trataria da questão de “O mundo como Idéia” a partir de grandes obras da literatura ocidental; a segunda aula foi uma meditação sobre a vida e a morte. Nesta terceira ele decidiu falar sobre o que ele, Bruno Tolentino, havia escrito – mas obviamente não conseguiu se ater a isto. Aproveitem…

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A Gênese de ‘Do Enigma ao Mistério’ – VIII

Filed under: Especial incluído por Guilherme Malzoni Rabello
Data do post: 29 de julho de 2008

No final da segunda aula, estávamos todos sem palavras. A sensação era muito estranha, porque se por um lado as palavras estavam cheias de esperança e beleza, por outro, deixavam muito claro que o tempo estava acabando.

Por isso, hoje não farei nenhum comentário. Apenas aproveitem a gravação…

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A Gênese de ‘Do Enigma ao Mistério’ – VII

Filed under: Especial incluído por Guilherme Malzoni Rabello
Data do post: 22 de julho de 2008

Nessa altura do campeonato, vocês já devem ter percebido que uma das atividades preferidas do Bruno Tolentino era contar histórias. Essa segunda aula está repleta delas. As histórias eram sempre impressionantes; às vezes, completamente mirabolantes. Isso fazia com que qualquer ouvinte desavisado tivesse a certeza de que eram fruto da imaginação do poeta, jamais a narrativa de de fatos idos e vividos.

Quase sempre, desconfiado que sou, eu me incluía no time dos ouvintes desavisados: “Ah, imagina se isso pode ser verdade… Dono de padaria no Alaska… Não, isso não existe…”. Ou alguma outra coisa do gênero. Mas quanto mais o tempo passa, mais as histórias vão se mostrando, quando não absolutamente verdadeiras, pelo menos plausíveis.

Por exemplo: há poucos dias, recebi uma ligação do meu amigo Jessé de Almeida Primo, que disse algo assim: “Olhe, Guilherme, aquela história lá que você ficou desconfiado, de Tomaz Antônio Gonzaga ser conhecido na Rússia. Eu não sei, mas li um livro…”. E depois de uma longa explicação, eu disse a ele: “Jessé, você não pode perder a chance de mostrar que eu estava errado publicamente, escreve isso e a gente publica no blog”. Então ele me passou o texto que segue, que além de ser muito interessante por si só, mostra mais uma das facetas do nosso autor. Agora é com o Jessé, por hoje eu fico por aqui!

From Russia with love: era uma vez a vodka e a caipirinha…
Por Jessé de Almeida Primo

Introduzindo o leitor deste site às circunstâncias que antecederam à transcrição das aulas de Bruno Tolentino, em A Gênese de ‘Do Enigma ao Mistério’- III, Guilherme Malzoni Rabello citou um trecho em que o poeta diz que Tomaz Antônio Gonzaga figurava em terceiro lugar na preferência dos russos.

Considerando que essa informação tem aquele ar de que “é bom demais para ser verdade”, nosso comentarista teve o cuidado de dizer que se non è vero, è trovato.

Nosso comentarista é sensato, mas há uns dez anos li um opúsculo de um autor russo que, de certa forma, corrobora a informação de nosso saudoso poeta. O problema é que não me lembro do nome do livro (se não me engano, A literatura brasileira na Rússia), e muito menos do nome do autor. Seria um milagre guardá-lo na memória, dada a operação mental que memorizar nomes russos me exige, mas me esforçarei para descobrir o dito cujo e informá-lo a vocês, caros leitores. Por outro lado, como guardei as informações, não poderia deixar de divulgá-las antecipadamente.

Segundo esse autor, os aldeões russos já acompanhavam com interesse notícias do Brasil desde o século XVII, por meio da leitura dos textos dos viajantes que por aqui passaram, e que os aldeões liam em francês.

No século XVIII, já com o advento das Luzes (embora eu repute mais sérias as luzes geradas pela Eletropaulo, sem esquecer a COELBA, da minha Bahia-iá-iá), seu interesse aumentou ainda mais com a entrada de cena da nossa Arcádia Mineira, pois os aldeões vibravam com a liberdade que nossos poetas mineiros inspiravam e cujos poemas eram lidos também na versão francesa.

Esse interesse intensificou-se ainda mais com o advento do romantismo brasileiro, quando a escravatura virou um dos temas oficiais das nossas letras, tendo como carro-chefe os poemas de Castro Alves. Os aldeões se identificavam com o destino dos escravos, viam-se refletidos neles*, procuravam saber o máximo que podiam sobre o assunto e alguns escritores russos (de popularidade restringida ao local) faziam sucesso escrevendo romances ou peças nos quais figuravam nossas paisagens e nossa gente, e nos quais primavam pelo exotismo, que não é muito diferente do que concebem outros estrangeiros, que imaginam haver sucuris, macacos e micos leões dourados, e o Olodum passeando placidamente pelas calçadas de Copacabana de mãos dadas com o homo brazilianus em trajes típicos: bermudas brancas, camisas floridas e chinelas a la Jorge Amado.

Ou seja, essa seqüência de interesses dos vodkas pela cultura brasileira desde o nosso período colonial me faz crer que o “vero” está começando a marcar mais pontos.

That’s all, folks.

*Se os aldeões soubessem o que lhes aconteceria no século XX arrastar-se-iam de joelhos de uma ponta da Rússia a outra para pedir perdão ao Czar.

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A Gênese de ‘Do Enigma ao Mistério’ – VI

Filed under: Especial incluído por Guilherme Malzoni Rabello
Data do post: 15 de julho de 2008

Antes de conhecer o Bruno Tolentino, eu já conhecia sua obra. Porém, mais do que a obra, conhecia a sua fama de “polemista”, de destruidor de reputações. Conhecê-lo pessoalmente foi, de certa forma, um grande desapontamento. Como era possível que alguém que adorava apontar o ridículo da pretensão de cultura de tantos fosse tão simples no trato pessoal?

O ‘professor’ Bruno Tolentino era exatamente assim. Por várias razões, não pude acompanhar o longo curso que ele deu sobre poesia brasileira em 2006. Mas sabia o que estava acontecendo e – sobretudo - encontrei-me várias vezes com os alunos do curso, que iam frequentemente à casa do Tolentino conversar sobre as palestras. Como não podia sair muito de lá (não era uma locomoção fácil), ele simplesmente chamava as pessoas para conversar. Tenho certeza de que isso era do que ele mais gostava; de ser professor, no melhor sentido da palavra: ensinar não este ou aquele conteúdo, mas sim a pensar por si mesmo.

***

Uma nota sobre o meu método ao fazer esta edição. Conforme já disse anteriormente, num primeiro momento simplemente transcrevi as gravações, com todas as imprecisões da fala. À medida que progredia, fazia de vez em quando uma checagem. Depois de terminada essa primeira fase, no entanto, praticamente não voltei a ouvir a gravação. Isso foi necessário para que o trabalho andasse; por outro lado, erros cometidos na transcrição não puderam ser corrigidos. Até agora não peguei nada grave, mas já me torturei mais de uma vez: “como eu troquei essa palavra por aquela outra?!?”.

Uma das difíceis decisões - e que pode servir de exemplo para várias outras - é a referência explícita que o Bruno faz a Santo Tomás. Como vocês podem ver na revista, toda ela virou apenas uma nota de rodapé. E, pelo bem da verdade, quem sugeriu a nota (mesmo sem ouvir a gravação) foi o Henrique Elfes, nosso editor chefe. Minha vontade era não fazer nenhuma referência explícita ao Santo. Por quê? Ora, eu considero a história de Tomás de Aquino interessantíssima; aliás, curiosamente, no dia seguinte a esta aula dei uma palestra sobre ele, mas quando me pus a editar o texto cheguei à conclusão de que não poderia me desviar da linha de raciocínio. E a história de S. Tomás não era essencial ao tema ali tratado (além do que, convenhamos, o Bruno não foi o primeiro a falar dela e certamente não será o último). Por isso, foi cortada.

Por fim, só uma nota: reparem, mais uma vez, no tom de voz no final deste trecho, quando ele pede para fazer uma pausa.

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A Gênese de ‘Do Enigma ao Mistério’ – V

Filed under: Especial incluído por Guilherme Malzoni Rabello
Data do post: 8 de julho de 2008

Entre a primeira e a segunda aula do curso, o papa Bento XVI chegou ao Brasil. Ao longo dessa semana, não me recordo ter-me encontrado com o Bruno nenhuma vez; não conversei com ele sobre a situação, sobre o papa ou qualquer outra coisa.

Nesse momento, tudo parecia estar correndo conforme o planejado. A primeira aula havia sido um sucesso e o Bruno parecia recuperar-se bem. Por isso, foi uma grande surpresa – inclusive para mim – o caminho que a aula tomou.

O que segue não foi absolutamente uma continuação da primeira. Na verdade, esta aula foi praticamente um desabafo. Exatamente por isso, não me julgo capaz de acrescentar o que quer que seja. Só peço que reparem na grandeza deste homem, que naquele momento com certeza sabia claramente que “a Irrecorível” o arrastaria em breve, mas que mesmo assim manteve-se o mesmo Bruno de sempre: contando histórias como ninguém e nos fazendo rir das coisas sérias da vida.

***

Em relação à edição, se a primeira aula foi a mais difícil, esta foi a mais trabalhosa. Certamente foi a que mais cortes exigiu. Não foi nada fácil simplesmente passar por cima de passagens inteiras, de histórias inteiras. Mas achei que era o melhor caminho a seguir e explicarei os motivos ao longo das próximas semanas.

Por outro lado, decidi começar o texto impresso com esta aula justamente pelo tom de intimidade. De certa forma, foi o que imperou ao longo das três aulas e – é inegável – ganhou uma outra dimensão depois da morte do poeta. Isso precisava ficar claro mesmo para o eventual leitor que não soubesse quem era Bruno Tolentino. Por isso, faz sentido começar com a que talvez seja a frase fundamental para entender as três aulas: “eu desisti de morrer”. Demorei um bom tempo para entender o que ele quis dizer com isso. Espero que a gravação ajude vocês a chegar também a uma conclusão.

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A Gênese de ‘Do Enigma ao Mistério’ – IV

Filed under: Especial incluído por Guilherme Malzoni Rabello
Data do post: 1 de julho de 2008

Uma das opiniões mais unânimes de todas as pessoas que conheceram o Bruno Tolentino é a de que ele era uma “pessoa muito difícil”. Mas, se de fato seria uma mentira negar completamente esta afirmação, mais errado ainda seria aceitá-la sem nenhuma restrição.

Convivi com o Bruno apenas nos seus três últimos anos de vida e tenho certeza de que esse pequeno convívio não foi suficiente para me dar um panorama completo do seu comportamento. Principalmente porque nessa época ele já estava, senão debilitado, certamente menos ativo do que já havia sido. E como ele mesmo me disse uma vez: “ter saúde me faz um mal danado”.

Ao longo desses anos eu presenciei mais de uma “briga” arranjada pelo Bruno e ficou claro para mim que boa parte do seu comportamento era semelhante ao de uma criança. Todo mundo que já teve contato com crianças sabe das reações exageradas que elas costumam ter, dos momentos em que tudo é ruim simplesmente porque estão com sono etc. Mas também há as vantagens, as enormes vantagens de uma personalidade completamente desprovida de preconceitos, que está preocupada com a coisa que lhe é apresentada e não com o que vão pensar que ela pensa se gostar disto ou daquilo. Em outras palavras, o Bruno tinha mesmo uma simplicidade (e uso a palavra até nos seus sentidos mais elevados) impressionante ao lidar com absolutamente tudo. 

Isso fazia, por exemplo, com que ele conversasse com qualquer pessoa sobre qualquer assunto. E também explica a única coisa que o tirava do sério: a falsidade, querer parecer sem ser. Ah, era até engraçado ver a facilidade com que ele percebia isso e a facilidade com que destruía qualquer falsa pretensão.

Digo tudo isso porque o que aconteceu no final da primeira aula mostra um pouco esse lado. Como eu disse na semana passada, a felicidade do Bruno ao terminá-la para os seus trinta alunos só pode ser comparada a de uma criança quando chega o Papai Noel. E notem como a voz dele estava fraca no final, demonstrando o cansaço que certamente sentia. Mesmo assim, chegou em casa depois das 11 horas da noite e foi acordar todo mundo para contar o seu sucesso.

Eu não sei o que passou pela cabeça do Bruno nos dias que se seguiram, mas eles certamente foram decisivos para o andamento das coisas, como vocês verão na semana que vem…

***

Eu havia dito que a condição para editar as gravações seria publicá-las aqui para que todos tivessem acesso ao material original. Até agora só estou um pouco decepcionado com uma coisa: quase não recebi críticas. E já que ninguém as fez, eu mesmo terei de mostrar os meus erros.

Antes, apenas um comentário: como vocês ouvirão, esta parte foi certamente uma das mais difíceis de editar, talvez a mais difícil. Porque é ao mesmo tempo a mais densa e a mais confusa de todo o curso. Por isso a necessidade de cortes, transposições etc.

Mas nada pode justificar o fato de eu ter cortado a crítica que ele faz mais ou menos aos doze minutos sobre as concepções de “direita” e “esquerda”. Quando ouvi a gravação para preparar o post, pensei: “ué, por que será que deixei isso de fora? Ah, já sei. Deve ser porque não encaixaria no raciocínio”. Então fui acompanhando a gravação com o texto da revista e percebi que ela se enquadraria perfeitamente. Nesse caso, só posso pedir desculpas… E garantir que se um dia as aulas forem reeditadas, farei o que puder para modificar esta parte do texto.

Outro caso que poderia ter entrado na versão final são as considerações sobre “o mal como doença” e como isso se dá na literatura, conforme exposto lá pelo décimo sétimo minuto da gravação. Nesse caso já não tenho tanta certeza do meu erro, porque as referências que o Bruno faz ali são sobre as obras que seriam tratadas no curso tal como ele havia pensado até então. Mas na segunda aula ele já mudaria completamente de idéia, de maneira que nada do que foi proposto de fato aconteceu. Por outro lado, dirá o meu acusador, pouco importa a sequência, a continuidade, o curso; o que importa é que as considerações sobre Thomas Mann, Conrad, Shakespeare e Machado são sensacionais. Enfim, deixo para vocês decidirem. 

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