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Nosso desejo de morte favorito

Arquivado em: Religião incluído por Martim Vasques da Cunha
Data do post: 31 de janeiro de 2010

Quer saber qual é a visão-de-mundo que está por trás da Jihad terrorista e do Aquecimento Global? Então leia esta entrevista com Richard Landes, o único scholar que tem coragem de fazer esta conexão, sempre com a lucidez assustadora que lhe é peculiar.


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A voz judaica no debate religião-secularismo

Arquivado em: Religião, Sociedade incluído por Joel Pinheiro
Data do post: 27 de janeiro de 2010

Nas disputas intelectuais entre ateísmo e religião, é incomum ouvir a voz do Judaísmo. Pois aqui está ela: num discurso incisivo, o rabino chefe do Commonwealth britânico lida com as principais questões que confrontam a religião: por que ela sobrevive até hoje, tendo sua morte sido prevista tantas vezes no passado, ao menos desde o século XVIII? Qual o lugar dela nas democracias liberais? E qual deve ser sua postura no futuro?

Homem bem versado na cultura ocidental, e que no passado já foi um estudante de filosofia cético, Jonathan Sacks aponta os paralelos entre a cultura ocidental contemporânea e a cultura grega em seu período de declínio. Políbio comentava  no século III a. C., sobre seus conterrâneos: ”O fato é que o povo de Hellas seguiu pelo caminho falso da ostentação, da avareza e da preguiça, e ficaram, portanto, indispostos a se casar, ou, se se casavam, a criar os filhos; a maioria estava apenas disposta a criar um ou dois.” É, algum paralelo há.

The fact is, that the people of Hellas had entered upon the false path
of ostentation, avarice and laziness, and were therefore becoming
unwilling to marry, or if they did marry, to bring up the children born to
them; the majority were only willing to bring up at most one or two.

No final das contas, argumenta o rabino, só a religião dá significado à vida humana. O mercado, o Estado, a ciência e mesmo a filosofia são incapazes de cumprir esse papel. E o homem anseia por significado. É por isso que, mais de dois séculos depois do Iluminismo, editores da The Economist escrevem um livro notando o fato surpreendente (que também surpreendera Tocqueville em suas viagens à América) que “God is back”.

O Judaísmo sempre foi parte da cultura ocidental, mas uma parte à parte: tem suas peculiaridades e traços distintos da cultura cristã. São esses toques (por exemplo – novamente reproduzindo o que diz Sacks – a teologia, que nunca foi muito dependente da metafísica aristotélica, e que portanto não se sente diretamente abalada quando a teoria da seleção natural questiona a idéia de finalidade na natureza; ou ainda a observação de que, para um rabino, é muito mais difícil pregar para judeus do que para gentios, algo que já ocorrera com os profetas) que dão ao artigo um interesse especial, para além da argumentação central do autor, bem embasada em fontes históricas, lúcida e lógica.

Enfim, aqui está o discurso.

E aqui um pequeno artigo de comentário sobre o discurso, que faz uma boa síntese dele.


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Religião e vida pública

Arquivado em: Religião incluído por Joel Pinheiro
Data do post: 14 de janeiro de 2010

Tiger Woods deu suas escapulidas extra-conjugais. O fato caiu na boca do povo e agora a reprovação midiática é geral. Numa entrevista casual de rádio, perguntado sobre o que Tiger Woods deveria fazer agora, um jornalista sugeriu que ele se convertesse ao Cristianismo para obter o perdão de seus pecados. A celeuma foi geral.

A maioria das pessoas que tem alguma religião concorda que ela é algo importante em suas vidas; frequentemente o mais importante, que dá sentido e rumo à toda existência. Assim, não é algo que possa ser simplesmente ignorado fora da vida íntima. Um católico continua católico, e um budista continua budista, no trabalho, na política e na vida social.

Mas se o membro de cada religião se sentir mortalmente ofendido com as opiniões contrárias daqueles que não partilham de suas crenças e quiserem proibir suas manifestações públicas, o resultado será exatamente o banimento da religião da vida pública. Leiam a análise refinada (ainda que incitada por um debate um tanto ridículo) deste articulista do New York Times.


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Feliz Natal

Arquivado em: Religião incluído por Joel Pinheiro
Data do post: 24 de dezembro de 2009

As aparências podem enganar. O verdadeiro sentido do Natal não é comprar presentes, e nem mesmo celebrar o nascimento do Papai Noel. Quer saber um pouco mais sobre essa festa, oriunda de uma cultura tão estranha à nossa? Leia aqui sobre as origens do velho rechonchudo, em artigo de Alastair Sooke para o Telegraph. E se os seus interesses pendem mais para a arqueologia do que para a história, que tal entrar na busca pelos ossos de S. Nicolau? Agora parece que eles estão na Irlanda.

O nascimento de um menino pobre num estábulo num canto esquecido do Império é comemorado 2010 anos depois; e seus ensinamentos e exemplos, uma religião excluída dentro de uma religião excluída, fundaram uma civilização. Dá o que pensar, e traz à mente as palavras de Sto. Agostinho: se o mundo se converteu sem milagre algum, então este é um milagre ainda maior.

Feliz Natal a todos!


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Direto da sacristia

Arquivado em: Artes plásticas, Religião incluído por Joel Pinheiro
Data do post: 20 de novembro de 2009

Se antes falei da arte islâmica, agora trago algo da arte católica. Vejam que legal: a igreja de S. João de Latrão, em Roma, agora pode ser explorada virtualmente. A resolução das imagens é excelente, permitindo muitas ampliações sem perder nitidez. Selecione o ponto do mapa para onde você quer ir. Uma vez lá, expere seu computador baixar as imagens e depois olhe para os lados, para cima, para baixo e para trás com as setas do teclado. No canto inferior direito da tela, há botões de controle do zoom.

“Pô, mas ver igreja na Internet? Que carolice!” – Meu caro, clique no link e veja as imagens antes de qualquer comentário; você vai se impressionar. O patrimônio artístico presente na catedral deve encantar até mesmo os mais convictos secularistas.


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Astrobiologia e Fé

Arquivado em: Religião incluído por Joel Pinheiro
Data do post: 16 de novembro de 2009

O Vaticano organizou uma conferência sobre a astrobiologia, a ciência que estuda a possibilidade de vida em outros planetas, procurando seus sinais e teorizando sobre as possíveis formas em que ela se daria. Claro, é uma ciência ainda sem nenhum grande achado para fazer seu nome valer, mas já é levada a sério na comunidade científica.

Pessoalmente, sem evidência nenhuma para tanto, acho muito improvável que exista vida inteligente fora da Terra. Mas, quem sabe…

Este artigo entra um pouco nas polêmicas teológicas que a descoberta de vida extra-terrestre traria para a visão de mundo judaico-cristã. Não há consenso entre as autoridades eclesiásticas sobre o que isso significaria para a Fé cristã. Não há nenhuma contradição necessária nos pontos essenciais, mas é certo que muitas opiniões tradicionalmente aceitas teriam que ser revistas.

Ele só erra feio ao falar de Giordano Bruno, que não foi condenado por nenhuma tese científica, mas por seus escritos mágicos e cabalísticos. Indo de país em país da Europa, e sendo sucessivamente excomungado por todas as igrejas pelas quais passou (católica e protestantes), Giordano Bruno era um verdadeiro agitador e escrevia textos altamente inflamados. Claro, nada justifica tê-lo colocado na fogueira; mas mártir da ciência ele não foi.

Veja também o comentário de Márcio Antonio Campos, da Gazeta do Povo, sobre o evento.


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Um encontro do secularismo com o sagrado

Arquivado em: Religião incluído por Joel Pinheiro
Data do post: 16 de outubro de 2009

Aqui, uma matéria interessante. O relato de um jornalista, presumo que seja agnóstico ou ateu, sobre sua experiência de ir visitar os restos mortais de Teresa de Lisieux, mais conhecida como Sta. Teresinha do Menino Jesus, que ficaram expostos na Inglaterra por algumas semanas – ou seja, um programa católico com “C” maiúsculo, água benta e tudo o mais que tem direito. Um breve encontro de duas visões de mundo.


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A Mancheias

Arquivado em: Literatura, Religião incluído por Rodrigo Duarte Garcia
Data do post: 5 de setembro de 2009
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Até onde eu sei, o conceito de booktown nasceu em Hay-on-Wye, no País de Gales, e se espalhou por toda a Europa. São cidadezinhas pequenas que basicamente vivem de e para livros. Apenas para que se tenha uma noção, Hay-on-Wye tem 1.300 habitantes e 20 livrarias, com mais de dois milhões de livros à venda.

A idéia é mesmo muito boa e eu ainda me lembro com certa nostalgia de uma tarde vazia, no verão de 2004, passada com meu irmão e o nosso presidente – Guilherme Malzoni Rabello – em Wigtown, na Escócia, entre milhares de estantes e livrarias empoeiradas (ainda saí de lá com uma edição muito antiga da Ilíada e Odisséia).

Pensei em tudo isso porque recentemente fiquei sabendo da existência da pequena Stillwater, em Minnesota: foi a primeira booktown fora da Europa e é famosa por abrigar o maior sebo especializado em teologia do mundo, Loome Theological Booksellers (é possível comprar online, mas nem tudo está lá). E existe um detalhe interessante: embora seja meio creepy – o lugar fica em uma antiga igreja da (famosa!) Swedish Covenant Church -, existe até mesmo a possibilidade de se hospedar na livraria.


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O Inferno é uma Raspadinha de Limão

Arquivado em: Religião incluído por Joel Pinheiro
Data do post: 4 de agosto de 2009

Talvez você já tenha parado para pensar sobre o Inferno. Se você é católico, ou protestante, ou judeu, ou muçulmano, provavelmente já pensou no assunto. Se você é ateu, agnóstico ou similares o tema também já deve ter cruzado a sua mente, talvez como mais um motivo para não aderir a uma religião.

O que eu acho é que a versão popular do inferno precisa de um revisão conceitual. A imagem da punição extrínseca (o diabinho cozinhando um pobre coitado num caldeirão, que foi parar lá por um desígnio mais ou menos arbitrário de um Deus justiceiro) deve ser substituída pela punição intrínseca (o sofrimento como conseqüência necessária da hierarquia de valores pela qual o homem vive e não abandona por teimosia). Foi para ilustrar esse conceito (que não é novo! Muitas mentes melhores que a minha já pensaram isso antes; uma delas é citada no fim do texto) que descrevi num texto um sonho que tive e que representou para mim, numa escala pequena, o que deve ser o inferno.

Talvez não interesse a ninguém; os cristãos já conhecem aquilo em que crêem, e os ateus não se interessam pelo que está tão longe de sua visão de mundo. Em todo caso, escrito está, e ofereço aqui para o público leitor.

O Inferno é uma Raspadinha de Limão – publicado no Terra à Vista


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Pegando carona

Arquivado em: Religião incluído por Martim Vasques da Cunha
Data do post: 28 de julho de 2009

Graças ao tovaritch Júlio Lemos, fui atrás a respeito de Rémi Brague. Já tinha ouvido falar de seu trabalho e fiquei sinceramente espantado com o escopo que ele apresenta em seu A Lei de Deus – História Filósofica de uma Aliança, publicado aqui pela Loyola (alías, se alguém merece o troféu Vamos-Tirar-o-Brasil-da-Lama, o prêmio deste ano certamente iria para a famosa editora que já publicou Henrique de Lima Vaz, Marcelo Perine, Giovanni Reale, Eric Weil e, agora, Brague e Voegelin). Pesquisando aqui e acolá, descobri que o Intercollegiate Studies Institute antecipou-se a todos e realizou um simpósio sobre o livro de Brague, já catalogado como “inovador” e “pioneiro”. Você pode ler os textos do simpósio aqui, aqui e aqui, todos escritos por scholars novinhos em folha.

Quando o Brasil vai tomar coragem e fazer algo parecido?

Update: Graças ao leitor Marcos Fontoura, descobri esta preciosidade: Rémi Brague entrevistando ninguém menos que René Girard. Alguém duvida que este foi um momento em que a História deu um sorriso?


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