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Ignorantes, mas com opinião

Arquivado em: Sociedade incluído por Joel Pinheiro
Data do post: 4 de março de 2010

Indivíduos que cursaram as melhores universidades dos EUA não têm mais conhecimento sobre a história, economia ou instituições do país do que aqueles que não fizeram curso superior. O único efeito de se ter educação universitária parece ser a radicalização (para a esquerda) das opiniões políticas. Pelo menos é isso que diz um recente estudo.


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A política e os bispos

Arquivado em: Sociedade incluído por Joel Pinheiro
Data do post: 3 de março de 2010

Os bispos católicos da Inglaterra e de Gales lançarão um documento com seus pensamentos acerca da campanha política pelo poder no país. Tudo indica que os conservadores se elegerão, depois de uma longa hegemonia trabalhista, então a hora é boa para pronunciamentos desse tipo. Muito já era esperado: crítica às políticas que negam a vida humana, à aceitação civil do homossexualismo e à intolerância religiosa por parte do governo (que quer obrigar escolas católicas, por exemplo, a ensinar seus alunos onde fazer um aborto). E no meio dessas declarações, um insight novo, e que considero na mosca: os bispos alertam para o dano de se tentar substituir a virtude pessoal e cívica por regulamentações burocráticas.

Quanto da civilização ocidental não padece disso? Serviços e leis desenhados para resolver os problemas da vida dos cidadãos, mas cujo efeito acaba sendo destruir pouco a pouco suas vidas. Criação de direitos infinitos (direito à educação, ao lazer, à cultura, ao trabalho – ou seja, direito de ficar de braços cruzados enquanto outros provêm os serviços). Leis que prescrevem integralmente como deve se dar a conduta humana. Vigilância 24 horas por dia para se certificar que ninguém quebra as regras. Nem preciso dizer que a educação, o lazer, a cultura e o trabalho vão todos por água abaixo.

Infelizmente, os bispos ainda não enxergaram que seu ranço anti-mercado tem sua parte nesse sistema de incentivos torpes, e que o governo socialmente solidário que propõem é idêntico ao governo burocrático e viciador que condenam.


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Política de um filho

Arquivado em: Sociedade incluído por Joel Pinheiro
Data do post: 2 de março de 2010

Todos conhecemos a infame política chinesa de um só filho. Este livro relata algumas das experiências terríveis que a lei gerou.


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Viagem à Itália II – O Natal é para todos

Arquivado em: Sociedade incluído por Guilherme Malzoni Rabello
Data do post: 26 de fevereiro de 2010

Um mês foi o tempo que passei na Itália; um mês é o tempo que passou desde o primeiro post sobre a viagem. Mas viajar não é bater ponto, e escrever é aceitar que o tempo passa.

Então voltemos a uma tarde chuvosa. Havíamos almoçado no Trastevere e a garoinha que caía não deixou dúvidas quando um taxi apareceu. Era véspera de Natal e todos me diziam que seria impossível conseguir um taxi às nove da noite para ir ao Vaticano. Perguntei ao motorista se era mesmo tão difícil:

- Ma certo… C’é Natale per tutti!

- Vabbè… ma non ci sono taxisti mussulmani?

- Èh… ma non è tanto una questione religiosa… Perchè oggi c’è da mangiare. [vira para trás como se a rua fosse um detalhe desprezível]. È Il giorno che si mangia di più in tutto l`anno!

Isso me lembra da resposta dos italianos à proibição de cruzes em locais públicos e todo o rebuliço que se seguiu: prefeitos indignados, senhoras chorando, cruzes de 10m em praça pública, etc. e etc. O pessoal da Dicta ficou todo contente, como se fosse um gesto realmente heróico. Não sei não, acho que mais preciso foi meu taxista: non è tanto una questione religiosa, perchè c’è da mangiare!

Por lá, nada substitui a teatralidade do gesto; e nada passa muito da teatralidade do gesto…

*****

25.12.2009

- Hai vissuto un giorno storico ieri!

- Non lo sai, Principe, ero proprio li. La ragazza era a due passi di me!

Essas foram as únicas palavras que consegui dizer ao anfitrião no almoço de Natal – e elas não expressam completamente a frustração da noite anterior. Ao contrário do que havia previsto o taxista no Trastevere, encontrar um taxi foi a parte mais fácil daquela noite.

No dia anterior havia conseguido um convite todo especial para a Missa do Galo. Vermelho. Com lugar marcado. Na décima segunda fila. Tudo indicava que seria uma noite de Natal muito especial – e não seria um atraso a acabar com o programa. A missa começaria às dez da noite e o convite avisava que “a entrada será permitida a partir das 20hs30″. “Vamos chegar às nove; é cedo o suficiente para não correr risco e, afinal, temos lugar marcado” –  foi o que pensei. Mas não o que aconteceu.

Chegamos à Piazza San Pietro e o que impressionou não foram as colunas de Bernini, mas uma fila que fazia um caracol de duas voltas entre elas. “Mas meu convite é vermelho”. Perguntei a um guarda onde seria a entrada e ele começou a acompanhar a fila com os olhos: era a mesma para todos. Pensei em furar a maldita, mas logo senti um misto de vergonha e medo – “furar fila de missa é Inferno na certa!”

Quarenta e cinco minutos se passaram e quando finalmente entramos na basílica uma sensação especial tomou conta de todos. Era como se estivéssemos na final do campeonato italiano, Roma x Lazio. Eu devia mesmo era ter furado aquela fila e chegado ao meu lugar em paz. Mas que nada, nesse momento até as Carmelitas davam cotoveladas umas nas outras para garantir o seu cantinho. Uma desordem completa.

Oito cotoveladas depois, cheguei à lateral da igreja rumo ao bendito lugar marcado, mas agora para ouvir da guarda papal que não poderíamos entrar. “É uma questão de segurança. O papa está chegando e lá dentro já está tudo lotado”, dizia o mais bravo. “Daqui a pouco a gente dá um jeito”, dizia o outro, mais caridoso com as várias pessoas que como eu tinham ficado presas naquela fila sem sentido.

E de repente entra o Papa. Agora sim uma comoção real, capaz até de ultrapassar a coluna que bloqueava completamente minha visão da cena.  Foi sem ver nada que ouvi apenas um grito histérico, seguido de um silêncio completo. Devem ter tido vários gritos e o silêncio certamente não foi completo. Mas não importa: para mim foi um grito e o mais completo silêncio. Vocês lembram da história. Só voltei ao normal quando cinco guardas passaram exatamente na minha frente arrastando uma moça com a brutalidade esperada para ocasião.

“Viva il Papa”. E a multidão respondeu: “Viva il Papa”. A música voltou a tocar e minha esperança de chegar ao lugar foi embora junto com o Cardeal que passou numa cadeira de rodas. O papa levantou, a missa prosseguiu e tudo o que conseguia ver era uma coluna da Basílica de San Pietro. Ainda tentei achar um lugar, furar o bloqueio, subornar o guarda… Não, antes de subornar o guarda simplesmente reconheci que todo aquele teatro – a fila, a multidão, a louca – tinham acabado com minha chance de assistir à Missa do Galo. Fui-me embora.

*****

“Mas e o Príncipe?” – dirá o leitor curioso.

Na Itália é assim: nada passa da teatralidade do gesto porque tudo está na teatralidade do gesto.


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Crianças infelizes

Arquivado em: Sociedade incluído por Joel Pinheiro
Data do post:

Se há uma manobra retórica que me irrita muito, e cria em mim profunda antipatia pelo texto e seu autor, é apelar para a segurança e bem-estar “das crianças”. É uma demagogia barata, que visa gerar, como resposta emocional automática e socialmente obrigatória, a indignação moral mais vulgar nos leitores.

Contudo, há também a preocupação legítima com as crianças. E, em nossos dias, é bastante evidente que algo de fato não vai bem com a molecada.  Uma recente pesquisa revela que as crianças inglesas estão crescentemente infelizes com a vida. Se feita em outros países, arrisco, os resultados não seriam muito diferentes; embora admita que a Inglaterra atual esteja sempre um passo a frente do resto do mundo quando o assunto é decadência social. Outra novidade é que 1 em cada 20 alunos do ensino secundário (11 aos 18 anos) ficou bêbado de duas a três vezes no último mês. Não acho que é preciso ser um reacionário de direita para achar ruim uma juventude cada vez mais alcoólatra, obesa, consumista, imediatista, ignorante, violenta, baderneira e mal-educada.

O governo inglês, sempre prestativo, concorda com o diagnóstico e, tomando a dianteira, já tem planos para corrigir essa tendência preocupante. Implementará, no currículo das escolas de todo o país, “aulas de felicidade”, cursos de saúde, economia pessoal e educação social. Será que vai funcionar?


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Herança e mérito

Arquivado em: Sociedade incluído por Joel Pinheiro
Data do post: 24 de fevereiro de 2010
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A composição da elite americana tem mudado. O poder não está mais nas mãos de umas poucas famílias (majoritariamente protestantes e brancas) cujos filhos podiam ter a certeza de herdar o poder dos pais – entrada garantida nas melhores universidades, altos cargos da política, direção das grandes empresas, financeiras e bancos. Ele é cada vez mais acessível a quem provar o  mérito próprio; isto é, a quem tiver o melhor desempenho na escola e, em seguida, nas melhores faculdades.

Mas será que a nova elite, meritocrática, é melhor do que a antiga, hereditária? David Brooks, do New York Times, tem suas dúvidas.

Afinal, no que consiste esse “mérito” que tem permitido a ascenção social? No domínio de técnicas e conhecimentos específicos da área em que se quer trabalhar; o político de hoje em dia é o político profissional, que domina a técnica da política; e o mesmo vale para o jornalista (um caso curioso, aliás, pois a elite jornalística não era composta de gente rica – ainda assim, era um clube de difícil acesso a quem vinha de fora), para o dono ou administrador de empresas, etc.  A velha elite ao menos provia à sua descendência uma educação abrangente, capaz de lidar com grandes idéias e conceitos. A perspectiva de deixar um legado aos filhos também produzia, segundo o articulista, um incentivo em se pensar no longo prazo, ao contrário dos tecnólogos atuais, para quem – da política ao mundo financeiro – só o presente importa.

Afinal, o que era melhor (ou pior)? O privilégio hereditário, fechado e excludente, mas promotor de uma formação mais global e humana; ou a meritocracia democrática, transparente e aberta a todos, mas produtora de fileiras de mentes formatadas às suas especializações?


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Causas e conseqüências

Arquivado em: Sociedade incluído por Martim Vasques da Cunha
Data do post: 18 de fevereiro de 2010
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A Folha de S. Paulo de hoje resolveu entrar na discussão iniciada por Marco Aurélio Garcia, o assessor especial de Lula-lá para assuntos internacionais, a respeito da “dominação imperialista” das TVs à cabo (o link é só para assinantes). Em uma primeira leitura, nada de errado: o jornal corretamente se posiciona contra as loucuras ditas pelo eminente professor – e até nos brinda com um artigo escrito por Marcos Augusto Gonçalves (ironicamente, seu nome forma o mesmo acrônimo do eminente professor – MAG) que, conhecido na imprensa por suas opiniões de cunho a rive gauche, decidiu desta vez ir para o lado bom da força.

Além disso, como qualquer reportagem que se preza, há as declarações dos mandarins do mundo cultural, de Bruno Barreto a Domingos Oliveira. Até Daniel Filho, o cineasta de maior sucesso no Brasil, foi corajoso o suficiente para dizer que o eminente professor não era para ser levado a sério pois “apoiava Hugo Chávez e Fidel Castro”. De brinde, temos análises sobre como as TVs a cabo trouxeram um novo nicho de mercado para o Brasil, mais empregos, possibilidades de criar produtos inovadores, etc.

Até aí, tudo bem. Contudo, o que mais assusta nas declarações é a completa falta de consciência do nexo entre as causas e as conseqüências. O que esta casta audio-visual não percebe é que ela é a responsável por esta situação. Deu um tiro no próprio no pé.  Mas optou pela estratégia da avestruz: é como se vivesse em um outro país e acreditasse que, por viver em um lugar onde as instituições democráticas estão aparentemente estáveis, usufrui de uma liberdade única. Trata-se de um equívoco; afinal, a cultura de uma sociedade não se mede pelo grau de liberdade exterior, que, através da manipulação do fisiologismo político, pode se revelar como uma mera ilusão com o passar do tempo, e sim pela abertura a uma liberdade interior, conquistada a custo de uma luta interior consigo mesmo, que permite o cidadão se expressar de maneira equilibrada, sem se deixar levar pelas paixões baixas, respeitando as virtudes humanas e os princípios da democracia.

(E se você imagina que a casta artística está sozinha nesta celeuma, saiba que esta não é uma situação exclusiva: os publishers da grande imprensa também sofrem pela descoberta de que criaram os mesmos jornalistas que hoje os atacam pelas costas – ex: Franklin Martins e Paulo Henrique Amorim.)

O fato é que foram essas mesmas pessoas do meio áudio-visual, em concluio com a casta intelectual da academia, que possibilitaram o clima de cultura totalitária que impera no país. Vivemos hoje no reino de Sto. Antonio Gramsci, ora pro nobis, graças aos produtos destes cidadãos. Se Marco Aurélio Garcia acha que pode falar tais bobagens e sair impune porque elas são justamente a conseqüência de uma evidência clara e simples: a de que a TV e o cinema possibilitaram uma mudança no comportamento das pessoas que elas sequer se deram conta. Não, não vou fazer referências ao termo ”lavagem cerebral”, muito menos a uma “conspiração” para manipular as almas de nossos pequenos tupinambás. Estou a falar de uma estética pobre, de uma dramaturgia pobre, de uma visão-de-mundo de pobre – enfim, de toda uma cosmologia de Terceiro Mundo da qual o eminente professor é somente o resultado final. Os exemplos disso estão aí para qualquer olho que queira ver abaixo do seu nariz: a ausência de qualquer problematização moral das relações humanas; a glamourização da bandidagem (um dos fatores que mais influencia na onda de crimes que afligem a população); a insistência quase obsessiva em analisar qualquer evento social através dos prismas ideológicos (de preferência, os da esquerda); e, claro, a desinformação proposital a respeito de certos fatos históricos, tanto os que ocorreram no Brasil como os que aconteceram no mundo.

A pobreza estética é o primeiro reflexo da pobreza do espírito – e o preço que se paga por uma suposta riqueza econômica. Enquanto a casta artística não se der conta da sua parcela de responsabilidade pela situação perigosa em que estamos, tudo continuará como antes no quartel de Abrantes. Mas, para ter esta consciência, é necessário ter um confronto consigo mesmo que nenhum dos nossos artistas teria a coragem de realizar – o preço justo a se pagar por um pouco de verdadeira liberdade interior. Até lá, quem paga o pato somos nós.


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Uma revolução que não deve ser esquecida

Arquivado em: Sociedade incluído por Martim Vasques da Cunha
Data do post: 17 de fevereiro de 2010

Existem revoluções e revoluções. Segundo Hannah Arendt – é, eu sei que vocês acham que não gosto dela, mas tenho de admitir que, às vezes, a moça lançava bons argumentos – há as revoluções não-desejadas, como a Russa, que pretendem alterar a estrutura do mundo, e as desejadas, como a da Independência Americana, que são uma reação a uma determinada injustiça. Da minha parte, os termos reforma (como uso em meu ensaio sobre Joaquim Nabuco, publicado na Dicta 3) ou restauração são mais adequados para esta última, pois implicam no respeito à estrutura objetiva do real.

Creio que este é o caso da Revolução de Veludo da Tchecoslováquia, evento que aconteceu há 20 anos e que é devidamente relembrado por André Glucksmann em um belo artigo para o City Journal. Quando comemoravam-se a queda do Muro de Berlim, esqueceram-se, por incrível que pareça, do trabalho de resistência feito por Vaclav Havel, Jan Patocka (que morreu devido ao rigor dos interrogatórios a que foi submetido) e outros do grupo Carta 77.

Havel, que era um dramaturgo tcheco desconhecido do grande público, tornou-se o líder de um movimento que tinha uma denominação ambígua – os dissidentes. Foi justamente sua visão de artista que o permitiu, junto com Alexander Solhzenitsyn, fazer a melhor análise da sociedade totalitária (tanto em seu aspecto político como cultural) em um ensaio definitivo chamado O poder dos sem-poder. Além disso, quando ficou seis anos preso, acusado de “perturbar a ordem social”, conseguiu escrever uma das obras mais comoventes do final do século XX, as Cartas a Olga, uma reunião de epístolas à sua então esposa, que guarda em cada linha profundas meditações sobre a responsabilidade humana frente a um horizonte metafísico.

Com apenas a força do espírito, articulada com uma persuasão racional em convencer o povo a acreditar que estava na hora de um governo justo voltar ao país, Havel fez uma restauração silenciosa, sem usar nenhuma violência. Quando foi eleito presidente, teve um mandato de quase dez anos que poderíamos chamar de “digno”, apesar de ter perdido sua maior luta – a separação da República Tcheca com a Eslováquia -, de sido traído por seu primeiro ministro, o soi disant liberal-conservador Vaclav Klaus (que acha que as preocupações espirituais de Havel não passam de “devaneios socialistas”), e de ter se rendido às exigências da União Européia e da ONU para reestruturar o seu país economicamente (bem, se eu estivesse na pele dele, talvez faria a mesma coisa – afinal, a política é também uma arte das circunstâncias).

Atualmente, fora de suas exigências presidenciais, Havel ainda luta o bom combate. É o principal articulador da Declaração de Praga pela Consciência Européia, abaixo-assinado mundial que exige que o comunismo seja colocado no mesmo patamar de atrocidade que o nazismo. Eis aqui um toque de gênio e de coerência: Havel sabe que, no mundo intelectual europeu, o comunismo é visto como uma ideologia que não foi tão destruidora como a de Hitler. Logo, a Declaração é uma reação contra uma idéia que, por falta de uma educação histórica correta, ainda seduz as pessoas – e ele conheceu na carne o que esta sedução faz quando é ensinada como a solução de todos os problemas do mundo (aliás, se você não assinou este abaixo-assinado, um dos poucos que prestam, faça isso agora).

Mas o que isso tem a ver com o Brasil?, perguntará o afoito leitor. Tem a ver o fato de que Havel pode ser um exemplo para nós. Guardadas as devidas proporções, a situação na Tchecoslováquia nos anos 60-80 é muito parecida com a do Brasil dos dias de hoje: um país apático, que se oferece voluntariamente para o holocausto do totalitarismo cultural e entregue por uma elite que não faz nada, exceto discutir o sexo dos anjos. Para quem ainda sonha de forma infundada, utópica e perigosa que haverá uma espécie de reação tupiniquim a lá tea-party, o exemplo de Havel é a prova de que não se precisa de discursos ideológicos da direita, da esquerda, do centro ou de qualquer partido político, para restaurar a dignidade humana. Afinal, como dizia Krzysztof Kieslowski, uma dor de dente continua sendo uma dor de dente, seja na Polônia, na Ucrânia, na França ou até no Brasil, não é mesmo?


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Norma culta racista?

Arquivado em: Sociedade incluído por Joel Pinheiro
Data do post: 11 de fevereiro de 2010

Sinto muito aos que se sentem discriminados, mas erro de gramática não é cultura alternativa.


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Dalrymple sobre os EUA

Arquivado em: Sociedade incluído por Joel Pinheiro
Data do post: 10 de fevereiro de 2010

Dalrymple compara Europa e EUA. Longe de ser um pró-americano fanático, ele reconhece muitos problemas na terra do Tio Sam, mas é também lá que ele enxerga a maior esperança ocidental hoje em dia, se é que os americanos conseguirão se desviar da trilha traçada pelas nações européias. A “guerra cultural” dos EUA determinará o futuro da nossa civilização.


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