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Quero uma ideologia para viver…

Arquivado em: Sociedade incluído por Martim Vasques da Cunha
Data do post: 8 de fevereiro de 2010

… pelo menos é o caso deste texto de Patrícia Campos Mello, publicado em seu blog no Estadão, a respeito dos tea-parties. Trata-se de um primor de desinformação, encharcado de “preconceito ideológico”. Obviamente, a ideologia aqui em questão é a “obamista”, e seu relato sobre a resistência dos tea-parties – adjetivada com os clichês de sempre, como “direitista”, “radical”, “histérica”, etc. – mostra também um medo que prova que tal movimento pode se tornar cada vez mais representativo nos EUA.

O problema central de um texto deste naipe é o de ver o mundo pelos prismas ideológicos – vícios dos quais o jornalista brasileiro parece padecer como se fossem virtudes. Talvez a pessoa nem perceba isso, mas eles estão lá o tempo todo e é muito díficil tirá-los do seu organismo. Trata-se de um peculiar mecanismo de sobreviência psíquica; o jornalista precisa fazer isso senão ele morre – não só profissionalmente como também existencialmente.

O detalhe que chama a atenção para o serviço de desinformação apresentado pelo texto é que a resistência dos tea-parties não é, em hipótese nenhuma, uma resistência da “direita” ou da “esquerda” e sim de pessoas que, como bem observa o relato, divergem em muitas coisas, mas também estão unidas por um interesse em comum: o desejo de que o Estado não se meta mais na sua vida. Da mesma forma que o Nelson Mandela de Clint Eastwood fez no filme Invictus, uma parcela do povo americano decidiu se unir através de um problema concreto apresentado pelas exigências do real – e não através de uma retórica populista que, a propósito, o próprio Obama percebeu que terá de se afastar se quiser governar decentemente pelos próximos três anos (além de, claro, ganhar as eleições do Congresso de 2010 e as presidenciais de 2012).

Além disso, a jornalista em questão quer embelezar o seu relato com uma sofisiticação acadêmica, ao citar justamente o ensaio de Richard Hofstadter entitulado The Paranoid Style in American Politics. Ora, pois, este é um dos ensaios mais superestimados já escritos; Hofstadter argumenta que a política americana é uma forma mentis que sempre apela para a culpa do outro – ou seja, a responsabilidade do político não ter dado certo na realização de seus projetos é sempre do “comunista”, do “conservador”, do “reacionário”, do “extremista”, do “radical”. Em outras palavras, trata-se do princípio do bode expiatório explicado para dummies. A ironia do artigo é que a própria jornalista cai na retórica deste raciocínio distorcido ao apelar para o termo – olhem só! – “paranóica” para classificar a existência dos tea-parties. Ou seja, a culpa de quem impede a concretização das políticas de Obama cai nos ombros de um movimento a-partidário, já rotulado como “oposição organizada”, quando não passa de uma resistência informal de pessoas que simplesmente querem ser deixadas em paz (E, a propósito, o dia em que os tea-parties virarem uma espécie de “terceira via” tenham certeza de que fracassou – e talvez seja por isso que o apoio de pessoas como Glenn Beck e Sarah Palin pode ser muito mais prejudicial do que vantajoso).

Sugiro à jornalista que não cite mais o ensaio de Hofstadter (Se quiser algo parecido e mais honesto, leia Patriotic Gore, de Edmund Wilson, em especial a sua introdução, uma perfeita amostra de como um intelectual da esquerda pode se soltar das amarras da ideologia política quando necessário); além de datado, mostra uma incompreensão básica de um detalhe essencial da verdadeira política americana: ela é feita através de intimações da vida e não através de slogans ideológicos. Provas destas intimações? Só lembrarmos de 1776, dos Founding Fathers, do Federalista, de Alexander Stephens, de Martin Luther King e Ronald Reagan. E toda vez que  o governo americano partiu para a última alternativa se deu mal – vejam os casos de Lincoln, Roosevelt, Kennedy, Nixon, Bush, Jr. e agora Barack Obama.

Pena que não existem possibilidades de se realizarem tea-parties aqui no Brasil – aliás, todas devidamente sufocadas não só por textos como os que são publicados no site do Estadão e outros órgãos supostamente “plurais” da nossa imprensa, como também por uma soi-disant oposição “liberal e conservadora”, que escolheu a apatia como meio de vida.


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Por que não cometer suicídio?

Arquivado em: Psicologia, Sociedade incluído por Joel Pinheiro
Data do post: 6 de fevereiro de 2010

Charlotte Raven, inglesa de classe média alta, foi diagnosticada com a doença de Huntington. É uma síndrome raríssima, mas relativamente famosa nos últimos anos graças à série House (pelo menos foi assim que eu fiquei sabendo dela). Pouco a pouco, o cérebro se degenera, e a pessoa perde o controle dos próprios movimentos (contorções e espasmos involuntários dos membros) e torna-se sentimentalmente instável e intelectualmente débil. A morte demora a vir, mas a incapacitação para o convívio social chega rápido. Os primeiros sintomas manifestam-se, em geral, por volta dos quarenta anos (idade de Charlotte). Uma vez detectado o gene da doença, é certo que o indivíduo, cedo ou tarde, apresentará os sintomas. Não há cura conhecida.

Em suma, descobrir que se é portador do gene não é uma notícia fácil de digerir. Dá para entender porque muitos consideram o suicídio. E foi essa a decisão inicial de Charlotte: se matar. A questão era como: dose de heroína letal num quarto de hotel; algo menos dramático em casa; quem sabe uma passada na sede da Dignitas (empresa que faz eutanásia), na Suíça. Tinha também que justificar a própria escolha para o marido, que não aceitava, e para a filha, pequena demais para ser devidamente informada sobre a situação da mãe. Foi com o tempo, com um auto-conhecimento mais profundo e com uma visita a uma vila de doentes na Venezuela que Charlotte mudou sua decisão, e escolheu viver. Leiam a história completa aqui.


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Domar o dragão?

Arquivado em: Sociedade incluído por Joel Pinheiro
Data do post: 5 de fevereiro de 2010

Qual a melhor maneira para o Ocidente lidar com a China? Tentar adaptar seus valores às particularidades chinesas ou proclamá-los sem concessões? É uma questão que já criou conflitos entre jesuítas e dominicanos e agora pesa sobre governos e empresas ocidentais. Artigo do Wall Street Journal.


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A união através da realidade

Arquivado em: Cinema incluído por Martim Vasques da Cunha
Data do post: 4 de fevereiro de 2010

Realmente, só Clint Eastwood, com seu Invictus, para me fazer ir ao cinema ver um filme que romantiza a figura de Nelson Mandela, figurinha-chave nos meios socialistas fabianos e, para quem não sabe, chefe de uma organização terrorista na África do Sul na década de 60 (tudo bem, o apartheid é um “genocídio ético”, mas nunca deve se combater um mal com outro mal).

Eastwood mostra que ainda é um mestre nos cinqüenta minutos iniciais, expondo um país desconhecido a todos nós com rápidos movimentos de câmara e um senso muito peculiar da ambigüidade humana. Mandela é retratado como um grande estadista e, se a história do filme for suficientemente verídica, tenho de dar o braço a torcer e assumir que o homem fez um “milagre” – pelo menos em termos políticos.

O “milagre” em questão é unir um povo profundamente cindido entre si, prestes a entrar em uma guerra civil, através de um argumento não-ideológico. O Mandela interpretado por um Morgan Freeman com gravitas moral é um autêntico praticamente da política do ceticismo, mesmo que não saiba. Em uma cena fantástica, os revolucionários africanos querem mudar o nome do time de rugby, o hino nacional e as cores da bandeira, tudo em uma canetada só, como fazem os sovietes do PT nas Confecons da vida. Mandela é avisado da loucura e aparece de surpresa; argumenta que , se eles fizerem isso, será justamente o que a “minoria branca” espera: a cisão completa. “A reconciliação começa com o perdão”, diz ele. Uma de suas assessoras o refuta: “Mas você deve atender às exigências do povo” – e então Mandela responde que não, ele não foi eleito somente para representar o povo, mas também para liderá-lo e, muitas vezes, avisá-lo que está completamente errado.

Exceto por duas cenas realmente constrangedoras para um cineasta do calibre de Eastwood (a saber: a seqüencia da visita da favela e o momento em que o personagem de Matt Damon entrega um ingresso à empregada negra), Invictus pode ser exibido como uma bela aula de ciência política. A moral da história é seguinte: é possível unir um país sem recorrer às ideologias abstratas; basta apenas encontrar pontos em comum que unem a sociedade, interesses que mexam com as virtudes e não com as paixões baixas do ser humano. No caso, o esporte mexe com a competitividade, que pode ir para a inveja ou para a rivalidade saudável. Foi esta última que o Mandela do filme explorou; e a conseqüência prática foi simples: impediu uma guerra civil. Se isso não foi um milagre – mesmo a curto prazo – é a prova concreta de que a única forma de unir as pessoas não são com idéias rocambolescas de igualdade e sim com o respeito ao real, a única autoridade a que um verdadeiro estadista deve se submeter ao governar um país.


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Educação e Cultura brasileiras: cada vez piores?

Arquivado em: Sociedade incluído por Joel Pinheiro
Data do post:

Artigo importante de Olavo de Carvalho. Que a educação e a cultura brasileiras não vão bem, isso todo mundo sabe. Mas não é todo dia que chegam dados para mostrar que elas têm piorado. Ao mesmo tempo em que o subsídio estatal aumenta. Estamos produzindo mais papers do que nunca; e nunca nossos papers foram tão irrelevantes. Há algo de profundamente errado aí, e a solução definitivamente não é aumento de recursos ou elaboração de mais um plano “revolucionário” para a educação.


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Matteo Ricci, um jesuíta entre a Europa e a China

Arquivado em: História incluído por Joel Pinheiro
Data do post: 1 de fevereiro de 2010

Está exposto em Washington o mapa mundi que o jesuíta Matteo Ricci, no século XVII, fez para o imperador Wanli da China, no qual o Reino Médio ocupa a posição central. Ao mesmo tempo, o missionário fazia questão de ressaltar, em seus comentários ao longo do mapa, tudo o que a cultura européia e o Cristianismo tinham a oferecer ao grandioso e orgulhoso império chinês.

Uma obra significativa não apenas por seu tamanho e detalhamento, mas também como evidência do encontro de culturas e civilizações até então praticamente isoladas.


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A fonte da tirania

Arquivado em: Filosofia incluído por Martim Vasques da Cunha
Data do post:

Anthony Daniels (também conhecido como Theodore Dalrymple) fala o- que-todos-sabem-sobre-Ayn-Rand-mas-tinham-medo-de-pensar:

Rand’s virtues were as follows: she was highly intelligent; she was brave and uncompromising in defense of her ideas; she had a kind of iron integrity; and, though a fierce defender of capitalism, she was by no means avid for money herself. The propagation of truth as she saw it was far more important to her than her own material ease. Her vices, of course, were the mirror-image of her virtues, but, in my opinion, the mirror was a magnifying one. Her intelligence was narrow rather than broad. Though in theory a defender of freedom of thought and action, she was dogmatic, inflexible, and intolerant, not only in opinion but in behavior, and it led her to personal cruelty. In the name of her ideas, she was prepared to be deeply unpleasant. She hardened her ideas into ideology. Her integrity led to a lack of self-criticism; she frequently wrote twenty thou- sand words where one would do.

Rand believed all people to be possessed of equal rights, but she found relations of equality with others insupportable. Though she could be charming, it was not something she could keep up for long. She was deeply ungrateful to those who had helped her and many of her friendships ended in acrimony. Her biographer tells us that she sometimes told jokes, but, in the absence of any supportive evidence, I treat reports of her sense of humor much as I treat reports of sightings of the Loch Ness monster: apocryphal at best.

A passionate hater of religion, Rand founded a cult around her own person, complete with rituals of excommunication; a passionate believer in rationality and logic, she was incapable of seeing the contradictions in her own work. She was a rationalist who was not entirely rational; she could not distinguish between rationalism and rationality. Of narrow aesthetic sympathies, she laid down the law in matters of artistic judgment like a panjandrum; a believer in honesty, she was adept at self-deception and special pleading.


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Nosso desejo de morte favorito

Arquivado em: Religião incluído por Martim Vasques da Cunha
Data do post: 31 de janeiro de 2010

Quer saber qual é a visão-de-mundo que está por trás da Jihad terrorista e do Aquecimento Global? Então leia esta entrevista com Richard Landes, o único scholar que tem coragem de fazer esta conexão, sempre com a lucidez assustadora que lhe é peculiar.


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Homeschooling na Alemanha

Arquivado em: Sociedade incluído por Joel Pinheiro
Data do post:

Uma família alemã recebeu asilo nos EUA para poder educar seus filhos em casa, o que é proibido na nação teutônica. Lá, a educação pública é compulsória. Segundo o juiz americano os homeschoolers são um grupo oprimido pelo governo alemão, em violação de seus direitos básicos; dado que a família Romeike foi ameaçada com multas e prisão se não desistissem de educar os filhos em casa, a opinião do juiz é corretíssima. Acompanhe a polêmica no site internacional da Deutsche Welle (texto em inglês).


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Ralph McInerny (1929-2010)

Arquivado em: Filosofia incluído por Joel Pinheiro
Data do post: 30 de janeiro de 2010

Perdemos no dia 29 um dos grandes tomistas contemporâneos, Ralph McInerny. Eu o conhecia por seu extenso trabalho de comentário e exposição de Tomás de Aquino; não sabia que ele era também um bem-sucedido autor de ficção. Vai fazer falta ao cenário intelectual, mas é uma boa adição ao rol das almas bem-aventuradas.


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