Educação musical
Data do post: 31 de julho de 2008
É o historiador Paul Johnson quem dá a dica: Essays in Musical Analysis, de Donald Francis Tovey (1875-1940). Na opinião dele, o melhor livro sobre música da língua inglesa.
Quem sabe pode servir para pessoas como eu, ainda pouco educadas musicalmente (chegando lá aos poucos, espero…), iniciarem-se nos mistérios da apreciação profunda e entendida das grandes produções musicais do Ocidente.
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De Beethoven, rock e a beleza
Na semana passada, assisti a um DVD do Concerto para Violino e Orquestra em Ré, opus n. 61, de Beethoven, executado pelo violinista Itzhak Perlman e a Orquestra Sinfônica de Berlim, regida por Daniel Barenboim. Foram apresentações realizadas em fevereiro de 1992, e seu resultado é espetacular! Afinal, todos os ingredientes dessa mistura são ótimos. Perlman é um violinista extraordinário, que toca com gáudio, fruindo da música que produz; é curioso observar como o violino fica pequeno nas suas mãozorras, que o tratam com carinho, como se fosse uma criança recém-nascida. A Filarmônica de Berlim dispensa apresentações, mas nunca é demais ressaltar que uma excelência daquelas só é possível depois de anos de trabalho exaustivo e exigente, realizado por pessoas talentosas, com paixão pelo que fazem. E o que dizer de Beethoven? Esse concerto é especialmente bonito, uma autêntica epifania, que eleva a alma e conduz ao assombro e à reflexão. O DVD em questão é mesmo uma maravilha.
Sinto que muitas lacunas musicais da minha formação vão sendo preenchidas apenas agora. Quando adolescente, durante anos ouvia minhas horas diárias de rock. Lembro-me que por meses escutava, todos os dias, a versão ao vivo de “Stairway to heaven”, do Led Zeppelin, e o disco vinil Fragile, do Yes. Não digo que sejam um lixo, pois seria injusto. De fato, continuo a gostar de várias coisas do rock, como Beatles, Bob Dylan, Echo and the Bunnymen, New Order, The Clash, The Who… No entanto, a música erudita é tão superior! O rock, assim como a MPB, o jazz, a música americana, irlandesa ou italiana, “são bons, sim, mas…”, mas tão abaixo da música barroca, clássica e romântica, que não me animo mais a ouvi-los. Às vezes, tenho a tentação de dizer sobre a minha adolescência: “Quanto tempo perdido!”
Acredito que seria importante educar as pessoas para ouvir a música erudita. Dizer que todos os tipos de música têm o mesmo valor, no meu modo de ver, é um triste erro, uma repetição em ponto pequeno do grande equívoco que é o relativismo. Faltou para mim a necessária educação para entender a música erudita antes, para descobrir como apreciá-la. Aliás, essa é exatamente uma das suas principais diferenças com relação à música popular: exige certo preparo para ser degustada, pela sua riqueza e sofisticação. Por sinal, mesmo a melhor música popular muitas vezes não nos apetece em um primeiro momento, até que conseguimos captá-la melhor. Nesse sentido, quando ouvi pelas primeiras vezes Sgt. Pepper’s, dos Beatles, e Exile on Main Street, dos Stones, me pareceram uma bomba; depois, fiquei vidrado em ambos. O mesmo se deu com João Gilberto e Miles Davis. Isso acontece em um nível muito mais alto com a música erudita, que pode demorar um pouco para ser apreciada, mas traz um retorno sem dúvida compensador.
No fundo, é uma questão de educação, de cultura, isto é, de cultivar o espírito. E a música erudita é ótima para isso.
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Zapateado
Data do post: 10 de julho de 2008
A história da música no século XX é um assunto que pode dar o que pensar. Não existem saídas fáceis. Se, por um lado, temos a impressão de que vários compositores se transformaram em cozinheiros revoltados e resolveram bater panela nas salas de concerto, por outro, é inegavel que peças como A Sagração da Primavera de Stravinsky, para citar apenas um exemplo, são no mínimo thought-provoking.
Agora, imaginem um compositor espanhol na década de 1930, casado com uma turca de família judia. Imaginem que esse casal resolva viajar para a Alemanha em 1936, e, apesar da “situação pouco agradável”, alugue uma casa em Freiburg. Depois da Alemanha, eles mudam-se para Paris e em 1939 este compositor escreve o que se tornaria sua obra mais importante.
O que esperar dela? Dissonâncias, atonalismo, ritmos descontínuos? Nada disso! O compositor em questão chama-se Joaquín Rodrigo e escreveu belíssimas obras completamente “caretas”. Mas tudo isso foi só mesmo para indicar este excelente post sobre Rodrigo, escrito por Bob Shingleton.
E, como aperitivo, ouçam Julian Bream tocando Zapateado, um dos movimentos das Tres Piezas Españolas do compositor.
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