Música e moralidade, por Roger Scruton
Artigo de Roger Scruton sobre um de seus temas favoritos: a música. Fiquei feliz em vê-lo tratar da música pop (no sentido mais abrangente: tudo aquilo que não é erudito) com mais nuanças. Ela não compõe um bloco homogêneo que possa ser apenas aceito ou condenado como um todo; há distinções e análise dos diferentes efeitos e intenções de cada estilo. Não esperava vê-lo esboçar simpatia pelos Beatles e pelo Elvis!
Ainda assim, acho que outras considerações importantes não são feitas, por exemplo citar que nem toda música pop é feita para dançar. O que é, aliás, uma bom indagação: para quê servem, e como devem ser ouvidos (se é que há um modo próprio de cada tipo), os diferentes estilos de música popular?
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Até tu, Sibelius?
Data do post: 3 de dezembro de 2009
Para não dizerem que eu sou injusto com a posteridade dos mortos, lá vou procurar mais encrenca com esta história de “quem-foi-e-quem-não-foi-nazista-e-como-isso-interefere-na-sua-magnífica-obra-de-arte-ou-filosófica”.
Se antes era o tio Heidegger e a tia Arendt, agora vamos para o vovô Sibelius.
Para ser mais respeitoso, Jean Sibelius, provavelmente ao lado de Gustav Mahler o maior compositor sinfônico do século XX – na humilde opinião deste melômano amador.
O motivo disso tudo é a publicação de um artigo que revela dados assustadores de que vovô Sibelius poderia ser mais do que um mero observador do Nazismo.
Bem, eis mais um exemplo de moral luck que ronda por aí.
Leiam o artigo e reclamem na caixa de comentários, por favor.
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Trilha sonora da queda
Data do post: 9 de novembro de 2009
Todo grande evento histórico tem sempre uma música para acompanhá-lo, uma melodia que entra na cabeça do indivíduo anônimo que o vive. Os exemplos são muitos: as marchas militares que avançavam com os britânicos na praia de Dunquerque, as canções de cabaret que antecipavam a decadência moral da Alemanha nazista, até mesmo sobrou para uma tal de tropicália ser a trilha sonora do período de “ditabranda” no Brasil. Não seria exceção com o Muro de Berlim e sua conseqüente queda. Apresentamos aqui uma variedade de estilos, do pop ao clássico minimalista, passando até pelas sonoridades eletrônicas inspiradas pelos ruídos estranhos feitos na praça do Reichstag na calada da noite.
Sem dúvida, “Heroes” (assim mesmo, com aspas), de David Bowie, é o hino dos amantes que se amaram à sombra do Muro. A letra já diz tudo: I can remember/ Standing by the wall/ and the guns, shot above our heads/ and we kissed, as though nothing could fall. Bowie resolveu passar uma temporada na Alemanha Ocidental e fez aquilo que todos consideram sua obra-prima: a trilogia de Berlim, composta pelos anti-climáticos Low (1977), “Heroes” (1977) e Lodger (1978). Neste vídeo, o camaleão do rock canta a sua versão em alemão, entitulada “Heiden“, ainda mais desesperada que a original, com imagens do filme Christiane F., que mostram muito bem a desolação da juventude que vivia nas duas Berlins. Não indicado para os neocarolas que visitam este site.
Aqui é Bowie novamente, com sua elegância habitual, fazendo uma palhinha no filme Christiane F., personificando o Thin White Duke de Station to Station (1976). Reparem nas imagens de uma juventude que não tinha pudores de mostrar o seu desespero em público. Creepy and spooky.
Se David Bowie é a trilha sonora para o tremor e temor que rondava o zeitgeist do Muro de Berlim, seriam os seus discípulos da Irlanda, o U2, que fariam a trilha sonora da reunificação. Na exata época em que o Muro caiu, o U2 tentava a compor o álbum que seria o seu retorno triunfal, Achtung Baby! (1991), gravado nos mesmos estúdios e com o mesmo produtor da trilogia bowiniana – o sr. Brian Eno. A canção que abria o disco, Zoo Station, é um primor de alegria cibernética: I´m ready to duck/ I´m ready to dive/ I´m glad to say/ I´m happy to be alive/ I´m ready/ I´m ready for the crush. Além disso, a apresentação dela no show do Zoo TV é uma das coisas mais impressionantes feitas na história do rock. Confiram.
Philip Glass, o compositor minimalista mais pop do mundo, encontrou-se com David Bowie e Brian Eno nos anos 90 e, inspirado pelo que os dois fizeram na trilogia de Berlim, fez a sua “Heroes” Symphony, uma forma inventiva de dialogar com o rock de vanguarda e a música clássica instrumental.
O que acontece quando o Aphex Twin mistura o Bowie de 1977 com o Philip Glass da década de 90? Certamente aquilo que Rilke quis dizer ao afirmar que toda a beleza é terrível.
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Richard Strauss
Data do post: 12 de outubro de 2009
Paul Johnson fala sobre Richard Strauss, um de seus compositores favoritos, que morreu há 60 anos.
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Dez anos sem Amália Rodrigues
Data do post: 6 de outubro de 2009
Dois fados para cantar a saudade deixada pela diva do fado, Amália Rodrigues, que morreu há exatamente dez anos.
“O que é o fado?” No site do Le Monde, pequenas canções e uma curta entrevista.
No Youtube, um vídeo (dentre tantos outros) que exibe seu talento vocal num belo fado.
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Rock n’ Roll
Data do post: 21 de setembro de 2009
Permitam-me descer para o reino da “baixa cultura”, para o evento cultural único que teve lugar em São Paulo na sexta passada.
Jerry Lee Lewis veio ao Brasil. Eu, que estava conformado com a idéia de que essa lenda do rock (embora não “A ÚLTIMA LENDA VIVA DO ROCK” como anunciava, injustamente, o auto-falante do Credicard Hall) morreria sem que eu o visse tocar, tive a oportunidade de realizar um sonho. E lá estava para ouvir um idoso de 73 anos dedilhar seu piano.
Depois de um interminável show de abertura com uma banda cover de clássicos do rock (nada contra eles, talentosos todos; mas eu não estava lá para ouvir Pink Floyd), entrou a banda do Jerry Lee, tocando três ou quatro músicas antes dele entrar no palco. E aqui a diversão começou; teve início a viagem no tempo e espaço que nos levou para o Sul rural dos EUA nos anos 50.
Eis que surge, vestido de preto, um senhor bem velhinho, de movimentos lentos, calmos, corpo curvado e gordinho; parecia uma tartaruga; até que se sentou ao piano, e daí parecia um tigre. Acontece que as mãos tinham a mesma destreza de sempre, e a voz a mesma potência (ok, talvez não a mesma; é difícil ser objetivo em momentos como esse). O que se seguiu foi um turbilhão brutal de rock, temperado com uma ou outra música country ou um blues (todos ótimos; fiquei surpreso em ouvir “You Win Again”, um dos countries do começo da carreira de Jerry Lee). Claro que “Great Balls of Fire” e “Whole Lot of Shakin’ Goin’ On” não podiam faltar. Às vezes ele parava para falar algo à platéia ou à sua banda, e o sotaque enrolado de velho do interior da Louisiana tornava suas palavas quase incompreensíveis, o que só aumentava o valor da experiência.
Jerry Lee Lewis era, em sua época, o bad boy do rock. De toda a primeira geração, era o mais improvável de chegar à idade avançada. E, no entanto, aqui estava ele, uma força anárquica, tirando sons endiabrados do piano. Elvis, Johnny Cash, o comportado Carl Perkins, Roy Orbison; todos se foram, mas The Killer ainda está conosco, botando para quebrar.
Causou alguma tristeza ver que havia muitos lugares vagos. Bandas muito inferiores, cujas músicas não têm nem melodia quase, que falam de melancolia e vazio, sons distorcidos e cacofonia, enchem descampados. Mas uma vez começado o show isso foi esquecido. O que tínhamos aqui era a essência do rock, a liberação de uma energia vital que não pode ser contida, que obriga todo mundo a pular e dançar e sorrir sem motivo e sem dar a mínima para o que os outros vão achar. Do meu lado tinha um jovem de camiseta vermelha verdadeiramente possuído pela música, debatendo-se tresloucado - seria uma dança? – sem o menor controle dos movimentos. Se há uma ocasião em que tal comportamento é aceitável, até muito bem-vindo, é sem dúvida num show como esse.
Pena que foi tão curto. Também, com essa idade deve ser muito cansativo dar um show tão intenso. Foram o quê? 40, 50 minutos? A mim pareceram 10.
Arrependo-me de não ter ido ao Chuck Berry, que tocou mês passado. Deve ter sido uma experiência algo semelhante.
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Novamente, o cara
Data do post: 25 de agosto de 2009
(Que os leitores me desculpem pela obsessão a respeito do little Jew who wrote the Bible, mas não posso resistir aos meus ímpetos e deixar de copiar a seguinte entrevista que Leonard Cohen deu ao jornal The Guardian – e que tem uma frase que adoraria colocar em um bumper sticker ou como estampa de camiseta: I´m blessed with a certain amnesia)
What have you learned from being back on stage?
Leonard Cohen: I learned that it’s hard to teach an old dog new tricks. I’ve been grateful that it’s going well. You can’t ever guarantee that it’s going to continue doing well, because there’s a component that you really don’t command.
What component is that?
LC: Some sort of grace, some sort of luck. It’s hard to put your finger on it – you don’t really want to put your finger on it. But there is that mysterious component that makes for a memorable evening. You never really know whether you’re going to be able to be the person you want to be or that the audience is going to be hospitable to the person that they perceive. So there’s so many unknowns and so many mysteries connected – even when you’ve brought the show to a certain degree of excellence.
In 2001, you said to the Observer that you were at a stage of your life you refer to as the third act. You quoted Tennessee Williams saying: “Life is a fairly well-written play except for the third act.” You were 67 when you said that, you’re 74 now – does that ring more or less true for you still?
LC: Well, it’s well written, the beginning of the third act seems to be very well written. But the end of the third act, of course, is when the hero dies. My friend Irving Layton said about death: it’s not death that he’s worried about, it’s the preliminaries.
Are you worried about the preliminaries? Leia mais…
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Ele é o cara
Data do post: 17 de agosto de 2009
Depois do caríssimo Joel Pinheiro ter se bandeado para os lados da MPB Paulista, vamos falar de música de verdade. Vamos falar do cara, Leonard Cohen. Ontem passei a madrugada vendo o documentário Leonard Cohen: I´m your man, hoje pela manhã acordei cantarolando Suzanne e agora leio este texto da New Yorker sobre o bardo dos desdichados. Se alguém duvida do que escrevo, desafio alguém a me dizer se Chico Buarque ou Caetano Veloso conseguiriam alcançar o sublime dos seguintes versos:
And Jesus was a sailor
When he walked upon the water
And he spent a long time watching
From his lonely wooden tower
And when he knew for certain
Only drowning men could see him
He said “All men will be sailors then
Until the sea shall free them”
But he himself was broken
Long before the sky would open
Forsaken, almost human
He sank beneath your wisdom like a stone
And you want to travel with him
And you want to travel blind
And you think maybe you’ll trust him
For he’s touched your perfect body with his mind.
É claro que não. E se vocês continuarem a insistir em tal absurdo, aqui vai um exemplo de como Cohen é, de fato, o cara.
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Pitanga em pé de amora
Data do post:
Música popular brasileira de alta qualidade. Pitanga em pé de amora é um grupo recente, formado por jovens, de música autoral, ou seja, tocam composições dos próprios membros do conjunto.
Samba, choro, frevo e marchinhas compõem o repertório desse conjunto, cujo talento e sofisticação são incomuns.
Fui num show deles no “espaço Cachuera”, onde se apresentarão por mais duas quintas-feiras, e saí bem impressionado. Vale a pena conferir a página da banda, embora, asseguro-lhes, a execução ao vivo seja muito melhor do que as gravações contidas ali. Falta agora lançarem um CD.
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O álbum de Natal de Bob Dylan
Data do post: 5 de agosto de 2009
Isso mesmo, você leu corretamente. Bob Dylan lançará um álbum de músicas natalinas; mas não espere o bardo fanho cantar “White Christmas”; na verdade, são canções tradicionais religiosas dos EUA.
Mais informações aqui
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