Justiça Social VS. Elitismo Linguístico
Data do post: 11 de novembro de 2008
Vivemos num mundo desigual. Uns têm tudo, outros nada. Uns sabem muito, outros muito pouco.
Se valorizamos a justiça social, precisamos corrigir tais desigualdades. No caso do dinheiro, é fácil: basta tirar de quem tem e dar a quem não tem. Se isso fosse feito até igualar as rendas, chegaríamos à utopia.
Com o conhecimento, o problema é mais difícil, pois não é algo que possa ser tirado dos cultos e dado aos ignorantes. Além disso, é muito difícil, até impossível, dar a todos uma educação excelente (e cabe perguntar: “excelente” segundo os valores de quem? Por acaso existem verdades superiores e inferiores?). Por isso, a melhor saída é, obviamente, obrigar os mais eruditos a falar e escrever (e portanto pensar) como se fossem semi-analfabetos.
É com o bem-estar social e a cura das desigualdades em mente que autoridades locais inglesas vêm proibindo o uso de diversas expressões latinas elitistas, de difícil compreensão, como vice-versa, via e et cetera, por seus funcionários.
Alguns professores de línguas clássicas, decerto infectados pelo elitismo esnobe vitoriano e preconceitos medievais, protestaram contra a medida. Mas os que a defendem contam com bons argumentos: muitos habitantes da Inglaterra têm o inglês como segunda língua; outros, apesar de ingleses, mal sabem ler, e não dominam as nuances afetadas da língua latina. É muito provável que confundam a expressão latina eg (”por exemplo”), com o termo inglês egg (”ovo”), ainda mais dada a semelhança de sentido entre os dois.
Leia mais sobre essa importante vitória do povo inglês contra a opressão lingüística aqui.
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A Crise do Marxismo
Data do post: 24 de setembro de 2008
Será que o marxismo ainda vale a pena? Esta será a pergunta que o professor italiano Massimo Borghesi, da Universidade de Perugia, tentará responder na sua palestra “A Crise do Marxismo”, que acontecerá no dia 02 de outubro, uma quinta-feira, em Sao Paulo.
O evento é uma parceria entre o IFE (Instituto de Formação e Educação), que edita a revista Dicta & Contradicta, o IICS (Instituto Internacional de Ciências Sociais), famoso por seus cursos de Educação Clássica, o Núcleo Fé & Cultura da PUC-SP e da revista Communio, do Rio de Janeiro.
Massimo Borghesi é professor titular da disciplina de Filosofia Moral da Universidade de Perugia e tratará, na sua importante palestra, de temas como a crise da educação humanística e o desencanto que caracteriza a sociedade pós-moderna após a revolução estudantil de 1968 e a queda do Muro de Berlim.
A palestra acontecerá no auditório do IICS, localizado na Rua Maestro Cardim, 370, no bairro da Bela Vista, próximo do Metrô São Joaquim. O horário é das 19h30 às 22h.
As vagas são limitadas e as inscrições podem ser feitas através do e-mail humanidades@iics.org.br e do telefone 11-2104-0100. A entrada é franca.
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Colóquio sobre Ortega y Gasset e a singularidade ibérica
Data do post: 10 de setembro de 2008
Durante os dias 11 e 12 de Novembro de 2008, será realizado, no Instituto Cervantes/São Paulo, o Colóquio Internacional José Ortega y Gasset e a singularidade ibérica: leituras da sua obra no mundo contemporâneo, com o objetivo de aprofundar a compreensão do pensamento do filósofo espanhol, especialmente no que tange às leituras de sua obra e ao debate que suscita sobre as muitas percepções da singularidade ibérica no mundo contemporâneo.
De acordo com a organização do evento, “José Ortega y Gasset é um autor, em terras brasileiras, tão citado quanto pouco lido. Sua presença nos textos de teóricos da História, intérpretes do Brasil ou historiadores da historiografia, no entanto, é inequívoca. No mesmo sentido, sua importância para o pensamento latino-americano vem sendo relevada por pensadores das áreas ligadas às humanidades nas últimas décadas. Espera-se, com esse colóquio, poder aprofundar o debate sobre a sua obra no mundo ibérico e sobre a sua presença no pensamento brasileiro, assim como estabelecer conexões e laços entre pesquisadores e leitores interessados no pensamento orteguiano”.
O prazo para envio de propostas é até o dia 30 de setembro através do e-mail nei@unifesp.br. A aprovação da comunicação será realizada até a primeira semana de Outubro.
Os inscritos para participar do colóquio receberão certificados do Núcleo dos Estudos Ibéricos da Unifesp (co-organizadora do evento) e do Instituto Cervantes.
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De Beethoven, rock e a beleza
Na semana passada, assisti a um DVD do Concerto para Violino e Orquestra em Ré, opus n. 61, de Beethoven, executado pelo violinista Itzhak Perlman e a Orquestra Sinfônica de Berlim, regida por Daniel Barenboim. Foram apresentações realizadas em fevereiro de 1992, e seu resultado é espetacular! Afinal, todos os ingredientes dessa mistura são ótimos. Perlman é um violinista extraordinário, que toca com gáudio, fruindo da música que produz; é curioso observar como o violino fica pequeno nas suas mãozorras, que o tratam com carinho, como se fosse uma criança recém-nascida. A Filarmônica de Berlim dispensa apresentações, mas nunca é demais ressaltar que uma excelência daquelas só é possível depois de anos de trabalho exaustivo e exigente, realizado por pessoas talentosas, com paixão pelo que fazem. E o que dizer de Beethoven? Esse concerto é especialmente bonito, uma autêntica epifania, que eleva a alma e conduz ao assombro e à reflexão. O DVD em questão é mesmo uma maravilha.
Sinto que muitas lacunas musicais da minha formação vão sendo preenchidas apenas agora. Quando adolescente, durante anos ouvia minhas horas diárias de rock. Lembro-me que por meses escutava, todos os dias, a versão ao vivo de “Stairway to heaven”, do Led Zeppelin, e o disco vinil Fragile, do Yes. Não digo que sejam um lixo, pois seria injusto. De fato, continuo a gostar de várias coisas do rock, como Beatles, Bob Dylan, Echo and the Bunnymen, New Order, The Clash, The Who… No entanto, a música erudita é tão superior! O rock, assim como a MPB, o jazz, a música americana, irlandesa ou italiana, “são bons, sim, mas…”, mas tão abaixo da música barroca, clássica e romântica, que não me animo mais a ouvi-los. Às vezes, tenho a tentação de dizer sobre a minha adolescência: “Quanto tempo perdido!”
Acredito que seria importante educar as pessoas para ouvir a música erudita. Dizer que todos os tipos de música têm o mesmo valor, no meu modo de ver, é um triste erro, uma repetição em ponto pequeno do grande equívoco que é o relativismo. Faltou para mim a necessária educação para entender a música erudita antes, para descobrir como apreciá-la. Aliás, essa é exatamente uma das suas principais diferenças com relação à música popular: exige certo preparo para ser degustada, pela sua riqueza e sofisticação. Por sinal, mesmo a melhor música popular muitas vezes não nos apetece em um primeiro momento, até que conseguimos captá-la melhor. Nesse sentido, quando ouvi pelas primeiras vezes Sgt. Pepper’s, dos Beatles, e Exile on Main Street, dos Stones, me pareceram uma bomba; depois, fiquei vidrado em ambos. O mesmo se deu com João Gilberto e Miles Davis. Isso acontece em um nível muito mais alto com a música erudita, que pode demorar um pouco para ser apreciada, mas traz um retorno sem dúvida compensador.
No fundo, é uma questão de educação, de cultura, isto é, de cultivar o espírito. E a música erudita é ótima para isso.
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Fuga de cérebros
Data do post: 21 de julho de 2008
Post recente no blog Free Exchange, da Economist, atenta para o fato de que as universidades que mais conseguem ter alunos ingressando nos concorridos programas de doutorado dos EUA são chinesas.
Fato mais interessante, contudo, é a natureza desses alunos e, conseqüentemente, dos programas de doutorado. Majoritariamente, tais estudos se concentram nas ciências naturais e em áreas intensivas em métodos quantitativos (engenharia, economia, negócios, etc). Por quais motivos não existe uma fuga de cérebros, ou, equivalentemente, uma competição internacional, nas humanidades?
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The Burden of the Humanities
Data do post: 8 de julho de 2008
“The humanities are among those unquestionably nice endeavors, like animal shelters and tree-planting projects, about which nice people invariably say nice things. But there gets to be something vaguely annoying about all this cloying uplift. One longs for the moral clarity of a swift kick in the rear.”
E não tem medo de ir direto ao ponto:
“The thing most needful is not more money, but a willingness to think back to first principles. What are the humanities, other than disciplines with “humanistic content”? What exactly are the humanities for, other than giving pleasure to people who enjoy playing inconsequential games with words and concepts?“
O ensaio na íntegra, que recomendo, pode ser lido aqui.
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Platão ou Confúcio?
Data do post: 27 de junho de 2008
“Intellectual elitism, as much as an appreciation of Aristophanes’s bawdy humour, is the glue that binds Hellenists together—stoked, in some schools, by a feeling of official neglect or hostility from peers.”
Trecho tirado de um artigo na Economist sobre o estudo do grego clássico atualmente. Ponto interessante: como fica o estudo de uma língua morta (mas clássica) no mundo globalizado? Afinal, nos dias de hoje, a história gloriosa da Europa antiga parece apenas mais uma. É mesmo?
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Esquerda e direita e a crítica à Universidade
Data do post: 23 de junho de 2008
Uma coisa que me tem chamado a atenção é como as críticas feitas ao estado atual do ensino superior são fundamentalmente as mesmas ao longo de todo o espectro político-ideológico.
Compartimentalização do saber; especialização extremada que não permite mais uma visão do todo; ensino voltado exclusivamente para o mercado de trabalho. Sai-se, não formado, mas formatado.
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“It’s hard to build your soul when everyone around you is trying to sell theirs”
Data do post: 22 de junho de 2008
William Deresiewicz, ex-professor de inglês em Yale e Columbia, escreve na American Scholar sobre as desvantangens de uma educação de elite. Resista, leitor, aos parágrafos que circundam o politicamente correto e leia o diagnóstico que Deresiewicz faz da educação humanista nas escolas da Ivy League, especialmente em Yale. Seria a consequência do enfraquecimento da educação baseada na artes liberais?
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