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Aurea mediocritas

Filed under: Ciência,Educação,Sociedade incluído por Julio Lemos
Data do post: 17 de março de 2013

Vemos imperar uma mediocridade crônica no cenário intelectual brasileiro. E dessa vez ela não vem dos acadêmicos da USP dignos desse nome, que ao menos podem dizer que, em algum momento de suas vidas, se dedicaram a alguma questão difícil, dialogando com sábios alemães como Feuerbach ou Hegel; dessa vez não vem apenas dos beletristas e bacharéis, que ao menos sustentaram suas famílias com alguma profissão liberal; e nem do proletariado intelectual revolucionário das regiões mais pobres do Brasil. A nova mediocridade parece proceder dos “sem-academia” e dos que, nela tendo entrado, trocaram qualquer resquício de ciência pelas convicções de grupo e pela marcação de posições ideológicas de qualquer linha.

Um amigo recordava hoje de passagem da palestra que Max Weber deu em 1918 em Munique, no mesmo lugar onde estudei no doutorado há 3 anos. (À época, comentando o cenário brasileiro, um colega austríaco dizia que nunca tinha visto em sua terra darem ouvidos a vozes que não tivessem passado antes pelo rigor dos seminários acadêmicos e da “revisão por pares”. “Por mais que muitos acadêmicos tenham parado de estudar depois do doutorado, os que o fizeram se retiraram imediatamente do debate, convencidos de que não tinham nada que acrescentar”, dizia ele.)

A passagem de Max Weber na verdade diz o que qualquer intelectual que tenha passado pelo equivalente ao colegial na Europa, ou qualquer estudante de exatas no Brasil, teria por óbvio. Mas aos que estão “de fora” — aos que não têm a mínima ideia do que é contribuir para alguma área do saber — a passagem soa como uma grande e humilhante novidade:

Apenas por meio da especialização mais restrita o cientista se torna consciente, de uma vez por todas, e talvez para nunca mais [tornar-se consciente disso] em sua vida, de que ele conquistou algo que há de perdurar. Uma conquista realmente definitiva e boa é hoje sempre uma conquista especializada. E quem não tem a capacidade de se tornar cego a tudo o mais, por assim dizer, de ser tomado pela ideia de que a salvação da sua alma depende de ele estabelecer ou não uma conjectura correta sobre essa passagem nesse manuscrito particular — quem não tem essa capacidade pode cair fora da ciência. Ele nunca terá o que podemos chamar de uma ‘experiência pessoal’ da ciência. Sem essa estranha intoxicação, alvo do ridículo das pessoas de fora, sem essa paixão […], você não está chamado a fazer ciência e poderá ir fazer outra coisa.*

Digo ‘humilhante’ porque é difícil, a alguém que gastou muitos anos de sua vida apenas lendo livros e os comentando, e nunca teve a oportunidade de se dedicar a alguma questão genuína (uma Fragestellung, no texto de Weber) de alguma esfera do conhecimento, reconhecer que ficou para trás. A mediocridade, embora seja cômoda, exige o pagamento parcelado de um preço alto: sofrer progressivamente na carne a impossibilidade de refazer o caminho desde o começo, descobrindo a própria vocação para o trabalho intelectual duro e escondido — se ela existe — e tomando todas as medidas para que ela seja exercida com alguma dignidade. A mediocridade insistente, dogmática, de que falava no início, é incompatível com a humildade que a ciência exige. E fora da ciência encontraremos quase que exclusivamente a arena fácil da opinião, da posição política, da afirmação de convicções pessoais; mas não encontraremos resultados, e muito menos desafios. Enquanto a comodidade for o critério brasileiro de qualidade, especialmente nas humanidades, não sairemos do lugar em que os antigos padres-professores, e mais tarde Marx-professores, nos colocaram ao legar-nos  uma cultura entre beletrista e revolucionária (no pior sentido do termo, cultivado tanto à esquerda quanto à direita – - nesta última com o nome de ‘reação’).

O critério terá de ser o da excelência sobre a marcação de posições e a apologética que resume o debate intelectual brasileiro (e não falo apenas da pregação católica, padrão máximo de qualidade, que é um fenômeno dos blogs). Assim a imitação nacional dos debates involuntariamente humorísticos entre Chesterton e o autor de Pigmaleão dará lugar a uma forma de vida intelectual um pouco mais sólida.

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(*) Trad. livre da passagem original, que transcrevo: ”Nur durch strenge Spezialisierung kann der wissenschaftliche Arbeiter tatsächlich das Vollgefühl, einmal und vielleicht nie wieder im Leben, sich zu eigen machen: hier habe ich etwas geleistet, was dauern wird. Eine wirklich endgültige und tüchtige Leistung ist heute stets: eine spezialistische Leistung. Und wer also nicht die Fähigkeit besitzt, sich einmal sozusagen Scheuklappen anzuziehen und sich hineinzusteigern in die Vorstellung, daß das Schicksal seiner Seele davon abhängt: ob er diese, gerade diese Konjektur an dieser Stelle dieser Handschrift richtig macht, der bleibe der Wissenschaft nur ja fern. Niemals wird er in sich das durchmachen, was man das „Erlebnis“ der Wissenschaft nennen kann. Ohne diesen seltsamen, von jedem Draußenstehenden belächelten Rausch, diese Leidenschaft, [...] hat einer den Beruf zur Wissenschaft nicht und tue etwas anderes” (Wissenschaft als Beruf).


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Lésbicas, letras e números

Filed under: Ciência,Educação,Geral,Literatura,Sociedade incluído por Julio Lemos
Data do post: 21 de novembro de 2012

Recentemente, Michael Gove — personagem da política britânica que, espero, voltará a ser mencionada aqui — argumentou em favor do estudo das “coisas inúteis”… como o lesbianismo poético francês. Minha ideia aqui é reforçar esses estímulos.

Antes, um pouco de contexto. Desde 2010, Michael Grove é o Ministro da Educação (literalmente, “Secretário de Estado da Educação”) da Grã-Bretanha, membro do Parlamento e do Partido Conservador. Seu foco como ‘ministro’ é a educação sem firulas: exames exigentes, reformas pontuais e profundas, e um adeus ao funcionalismo público. É bom lembrar que a jurisdição, por assim dizer, do seu ministério, se restringe aos jovens (até 16 anos). Muitos vêem nele um herói do exemplo, mais que do gogó. O ministro Gove, todavia, gosta de discursos, e faz questão de pontuar a sua ação com referências claras aos seus porquês. No início de novembro, Sir James Dyson, empresário e engenheiro britânico, atacando o romantismo de Gove, fez propaganda do utilitarismo na educação, dizendo — literalmente — que os jovens não deveriam perder tempo estudando abre aspas poesia lésbica francesa fecha aspas.

O coro dos seus defensores pôs-se então a fazer propaganda do lesbianismo poético descendente de Safo; a eles me junto, mas para ampliar um defesa que considero demasiado restrita — especialmente porque, no Brasil, ciência nos dá sono.

Se corrigimos o modo ainda tosco dos nossos colegas de Humanas no Brasil, muito ainda ficará por fazer. Para começar com um exemplo típico: a literatura pouco aproveita de si mesma. Um escritor aprende com tudo, menos com a literatura, que constitui tão-somente o seu ponto de partida (como dizia Luhmann, “a linguagem é um meio [medium]“, e não um sistema auto-referente). Um escritor nunca encontrará a sua própria voz se permanecer na infância mimética — na imitação dos seus antepassados. As respostas sempre estão fora da sua própria área de atuação. Basta lembrar da boa e velha admoestação de veteranos e maveriques: “meu jovem, vai arranjar briga em um bar e larga esses livros”. Goethe tinha o que dizer porque era um grande cientista; encontrou suas respostas nas ciências naturais, especialmente na fisiologia vegetal e na ótica. Homero, um ou muitos, as encontrou na guerra e nas crônicas bélicas; Shakespeare aprendeu com o teatro em tempo real e vendo o drama como um negócio; Pascal as encontrou na física e na matemática; Thomas Pynchon, na engenharia aeronáutica; todos eles, em alguma medida, mais na vida e no estudo experimental que nos tomos. E é por esse motivo que a literatura é útil para quem não se ocupará dela profissionalmente. Porque ela não será a sua área. Um administrador de empresas tira muito mais da literatura que de organogramas e reuniões regadas a jargões do management: aprenderá a conversar, a pensar, a ser exato e conciso com os escritores. Com os mesmos escritores que, por sua vez, tinham aprendido a contar histórias e a escrever enquanto faziam cálculos e contratos de seguro, como Franz Kafka; ou viajando em navios comerciais, comandando-os, fechando acordos ou agindo como espião internacional, como Daniel Dafoe, autor de Robinson Crusoe. Miguel de Cervantes também deve muito à guerra, como nosso contemporâneo malcriado Evelyn Waugh. Georges Bernanos apanhou muito na Primeira Guerra e mais tarde passou anos administrando uma fazenda no Brasil, para o qual emigrou em 1938. Parte de sua família vive até hoje no Mato Grosso do Sul, como reportou-me há algum tempo uma amiga, que conheceu e entrevistou sua bisneta Naíra Bernanos (e outros parentes). Em síntese, as Humanidades aprendem tudo o que importa, ou seja, o que lhes concede independência, fora da sua praia. (Cientistas e matemáticos é que podem se gabar de viver apenas em seu mundo — e mesmo assim se beneficiam do êxtase periódico.)

Digo isso porque é comum encontrar a reclamação de Lorde Dyson — de que a literatura é inútil aos nossos jovens — com sinal trocado entre acadêmicos de Letras e intelectuais. Dizem alguns que tudo o que não é literatura é inútil à pureza da arte. (O que não significa, aqui, que a busca da arte pela arte, até com desprezo de certos parâmetros exteriores, seja um erro; tomada cum grano salis, a tese faz sentido. O contexto aqui é mais o dos efeitos da arte nas outras esferas — fato inegável.) São os mesmos que dizem que a literatura (o ócio!) é inútil aos negócios; que os negócios (férias do ócio!) são inúteis para a literatura; ou que o lesbianismo parisiense desvia os católicos do bom caminho. Deliram todos, ao que parece. Sugiro que se interessem pelas coisas, mesmo que seja por contabilidade ou engenharia naval; o saldo sempre é positivo.

O estudo — como bem lembrou um dos defensores de Gove — vem de studium, que é o entusiasmo latinizado, a pura curiosidade livre de vícios e de virtudes. Trata-se do único móvel capaz de nos levar a produzir e a criar, mesmo em sentido utilitarista. Sem o exercício da curiosidade, o homem de negócios está morto; será no máximo um funcionário público. Ou talvez até um advogado — que, de tanto ouvir a sua classe dizer que tudo o que não é jurídico é inútil, tornou-se ele mesmo um títere sem utilidade alguma.

* * *

É preciso, dito isso, abandonar o beletrismo de Humanas e atualizar a própria educação liberal, ao menos no Brasil. O primeiro passo é extirpar o preconceito algo cômico — porque procura diminuir algo que é, muitas vezes, grandioso e exige muito trabalho — que as nossas Humanidades nutrem com respeito às ciências. Preconceito, aliás, totalmente ausente nos organizadores da série Great Books of the Western World. O beletrista (tanto o conservador como o clássico professor marxista) é capaz de exaltar a literatura, por ser guardiã dos valores da civilização, e ao mesmo tempo desprezar os seus efeitos palpáveis: a tecnologia, a técnica, o cálculo, a experimentação, o conforto, a automatização, os computadores. E também efeitos menos palpáveis, como a desconfiança diante dos sonhos da religião política, o ceticismo diante de todo tipo de esoterismo e misticismo, que  impregnam a cultura brasileira. (“Aqui, dizia um amigo, até o paleoconservadorismo pega; só não pega o amor à exatidão”.) São todos efeitos da civilização ocidental; curiosamente, não raro ela é isoladamente defendida enquanto são atacadas benesses suas visíveis como a luz elétrica, as cidades planejadas, elevadores, telefones, smartphones, computadores, Internet, liberdade de comprar e vender. Para citar um exemplo, é conhecida a repulsa de Russell Kirk aos carros, a que ele chamava “Jacobinos mecânicos” (wtf?), bem como aos computadores. Por mais que se trate de patologia, não deixa de ser impressionante, como o mal de Alzheimer ou a paralisia infantil.

O segundo passo é agregar, ao amor pelas letras, o amor pelos números e a habilidade correspondente (numeracy). Nós brasileiros somos suspeitos para discorrer a respeito — afinal, somos campeões em matemática. Nosso país ficou com a 53ª posição entre 65 países no Programa Internacional de Avaliação de Alunos elaborado pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico. Uma posição formidável. Ainda assim, não podemos ficar confortáveis com nosso desempenho impressionante. Ainda chamamos de “fetichismo” o amor pelos números e pelo rigor lógico. Os países anglo-saxãos, conhecidos por seu horror à matemática, sempre souberam valorizar esse aspecto essencial da ciência.

Ironias deixadas de lado, carecemos também de curiosidade por esse lado exato das “coisas inúteis”, característico dos países civilizados. Philip Womack, um dos defensores de Gove, rememora:

I knew, when memorising my Physics GCSE syllabus, that I was motivated to get an A so that I would be able to apply to a good university; but I also knew that I would never have to do Physics again as an academic subject. But boy am I glad that I was made to do it, even though I was never going to be a particle physicist – I can now read up on quantum mechanics, or astronomy, without feeling left behind.

A acusação de fetichismo ou, pior, “cientificismo”, é claramente uma glorificação da preguiça que herdamos dos nossos antepassados bacharéis (e, infelizmente, dos velhos padres professores). Para um bacharel em direito, números dão muito trabalho; são chatos. E todo escritor e acadêmico de Humanas brasileiro é um bacharel, tenha ou não se formado em direito. Surpreende que tenhamos poucos prêmios Nobel, mesmo com o grande esforço dos departamentos de biologia, química, ciências médicas, matemática e física? E que achemos grande coisa a filosofia profunda dos franceses dos anos 60? Ou que nossa grande reclamação tenha como objeto a “hegemonia marxista”? Nada disso deveria surpreender. Temos preguiça. Muita preguiça. Tudo o que exige uma resposta exata, uma curiosidade incansável, provoca sono. Para outros, 2+2=4 é conservador demais.

O que parece difícil de compreender, entretanto, é que o amor à exatidão é, ou deve ser, comum à literatura e à matemática.

Restaria provar que as lésbicas também preferem a exatidão. Mas deixarei essa demonstração ao leitor.

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Notícias da Academia

Filed under: Educação,Filosofia incluído por Julio Lemos
Data do post: 14 de agosto de 2012

Mesmo que persista um movimento de saída da Academia — motivado quase sempre por mediocridade e desistência –, e que muitos confundam o genuinamente acadêmico com o academicismo, é ali que hoje se pensa a sério. Entre os que fazem da Universidade um bunker do falecido pós-modernismo (nos EUA, entocados nos departamentos de literatura e, aqui, nos de filosofia e ciências sociais), da picaretagem intelectual e da mera leitura de textos filosóficos e aqueles que pregam a deserção pura e simples estão umas poucas pessoas decididas a colocar em prática o amor scientiae . Há exceções geniais na história — como o esquisito-mor e puritano Wittgenstein, que tinha horror à Academia. (E os esquizofrênicos, como Foucault, que a odiavam e viviam nela.) Mas elas apenas confirmam o que tem sido a regra nos últimos séculos.

Nessa linha, pensei em dar notícia de dois eventos, sem com isso pretender desmerecer os outros tantos que ocorreram recentemente ou ocorrerão. Ambos colocam São Paulo — e, em consequência, o país — no circuito internacional de estudos filosóficos: o Third Colloquium on Metaphysical Logic, ocorrido nos dias 6 e 7 de agosto, inaugurado por conferência do Prof. Hartry Field, da NYU, e organizado pelo Depto. de Filosofia da USP; e The Analytic-Continental Divide, minicurso do Prof. Jean-Michel Roy, da Escola Normal Superior de Lyon, a realizar-se nos dias 14, 16, 22, 23, 28 e 29 de agosto na sala 24 do mesmo departamento (info aqui).

Faz-se pesquisa de ponta no Brasil em física, matemática, química, biologia, medicina. Em ciências humanas, ainda falta muito para entrarmos na arena; mas é o esforço discreto de professores e alunos que fará a diferença no futuro. Enquanto isso, e mesmo independentemente, é desejável que surjam publicações — espero seja o caso da Dicta&Contradicta – que façam uma ponte entre o saber das universidades e os indivíduos que procuram uma boa formação.

PS.: Como muito bem lembrou um leitor e amigo, entre 20 e 24 de agosto ocorrerá na Universidade de Brasília a I Conferência da área latino-americana da International Plato Society, com o tema Platão: Estilo e Personagens. As mesas redondas serão transmitidas on-line pelo site http://www.archai.com.br.


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De livros e submundos

Filed under: Ciência,Educação,Sociedade,Tecnologia incluído por Julio Lemos
Data do post: 2 de maio de 2012

Em virtude da enorme utilidade da disponibilização irrestrita de livros online, o assunto sempre volta à tona. A verdade da premissa, creio, ninguém disputa: há poucas coisas mais úteis para a cultura do que o livre e fácil acesso aos livros. Conversamente, não há nada mais limitante do que ter de gastar dinheiro e tempo para poder consultar um livro. Mais especificamente, é impossível pesquisar, em qualquer área do conhecimento humano, sem ter à mão praticamente toda — e aqui há exigências necessárias e as há opcionais, o útil e o luxuoso — a literatura produzida a respeito.

Se quero escrever algo de relevante sobre a imortalidade da alma em Aristóteles, por exemplo, precisarei, além de conhecer o grego clássico, de um número considerável de artigos e livros sobre o tema em várias línguas (inglês, francês, italiano e alemão). (E digo algo de relevante porque, se não consultar a literatura, ou tentarei reinventar a roda ou, invariavelmente, direi asneira.) Pensando concretamente, onde estão esses livros? Antigamente era necessário viajar, ao menos quando se tratava de ciências humanas. (A maioria dos institutos de matemática, química, física, etc. está integrado a uma rede de periódicos especializados; são áreas que, via de regra, dispensam pesquisa histórica; quase toda bibliografia, além de reduzida se comparada a uma de humanas, é composta de artigos.) Numa biblioteca como a Bayerische Staatsbibliothek, hoje com quase 10 milhões de volumes em seu acervo, eu certamente encontraria o material completo para minha pesquisa sobre Aristóteles; bastava, então, viajar para Munique, ou para outra cidade provida de uma biblioteca gigantesca, como Washington, Paris, Londres ou Roma. Tempo e, principalmente, dinheiro.

E isso vale, como eu dizia, para todas as áreas: da metafísica à oceanografia. Quem nunca ouviu falar nos preços dos livros de medicina? E quem — entre os realmente curiosos — nunca quis aprender uma linguagem de programação e perdeu o sono porque os melhores tratados sobre a tal linguagem eram muito caros?

E aqui entra a utilidade da premissa de que falávamos: hoje, ou ao menos há alguns meses, não era necessário viajar. Combinando (i) uma biblioteca como a Florestan Fernandes da USP, que é muito boa, e uma assinatura do JSTOR (‘portal’ poderoso de periódicos com acesso online, normalmente por meio de uma instituição de ensino) com (ii) o Internet Archive e os extintos Gigapedia e library.nu, meus recursos de pesquisa eram praticamente ilimitados e, vá lá, 80% digitais.

O que é que mudou? A maioria dos livros escaneados indexados nesses dois últimos sites não estão mais acessíveis em virtude de problemas legais. Objetivamente, a maioria dos países proíbe a disponibilização de livros fora do domínio público. Seria possível afirmar, de acordo com algum critério superior ao direito positivo — a legislação efetivamente vigente –, que essa proibição é justa? A questão, como todos sabem, não é simples. E o argumento se põe assim: se é certo que nossa premissa é verdadeira — o acesso irrestrito é útil e desejável –, é correto afirmar que daí se segue que qualquer obstáculo ao livre acesso constitua uma injustiça?

Não creio que seja necessário ir tão longe.

Um dos problemas é a mudança nas regras do jogo. Os livros fora do domínio público foram produzidos dentro de certos pressupostos: entre eles, que seriam vendidos. Se preciso de um livro, que é um bem para mim, devo estar disposto a, dentro de parâmetros razoáveis, pagar o preço correspondente. E aqui entra outro fator de complicação: o chamado uso acadêmico. A expressão, aqui, está em lugar de “consulta para fins acadêmicos”. Trata-se de um fator de complicação porque a distinção entre os vários tipos de uso que se pode fazer de um livro, para efeitos legais, não se faz com o pé nas costas. Em termos teóricos, a distinção, de fácil transformação em statement, é entre uma leitura para elaboração de pesquisa e uma leitura para qualquer fim y diferente do anterior. Na prática, sei muito bem quando estou usando um livro numa pesquisa e quando, por exemplo, o estou usando para ganhar dinheiro (quando o vendo: o caso do uso que leva, em última instância, à perda subsequente do direito de usar) ou para recreio, ou então num sentido, por assim dizer, amadorístico, simplesmente para satisfazer uma curiosidade. Talvez fosse possível estabelecer uma categoria de livros que, mesmo usados para outros fins, por definição (ou ficção jurídica) são empregados em pesquisas: “livros acadêmicos”.

Mas qualquer consideração, penso, sobre o quase tautológico uso acadêmico de livros acadêmicos (o mesmo vale para artigos, embora só possam ser vendidos na forma impressa com outros artigos; separadamente, só por transferência eletrônica), ou seja, sobre o seu uso próprio, precisa enfrentar um ponto inescapável: o do custo. E evitando levantar as óbvias objeções (ora, um livro impresso custa caro) e as responder, prefiro dizer simplesmente que, em algum momento, será necessário que as instituições acadêmicas — privadas ou públicas — banquem diretamente todo o processo de produção e distribuição de monografias, tratados, enciclopédias e artigos. Se são acadêmicos, seu custo para o pesquisador tem de ser zero — assim como, normalmente, é zero para o autor. (Isso significa que o preço é pago pelas Universidades e instituições análogas.)

E isso se relaciona diretamente com a ideia, já mencionada, das regras do jogo. Os consumidores de conhecimento puro é que ditam as regras do consumo. Se eles não compram mais livros, ou ao menos não por esse preço (vejam só: artigos acadêmicos custam hoje em média cerca de USD 30,00), e se criam um subsistema subterrâneo de troca de livros digitalizados, é sinal de que o mercado precisa mudar. Ou abaixa os preços — o que está ligado à disponibilização eletrônica por iustum pretium –, ou continua a ter prejuízos. A produção e as condições de possibilidade de disponibilização sempre existirão. Se não há editora que publique, há uma revista eletrônica — esperamos, respeitável — que o faz; ou o próprio autor digitaliza o texto (ou melhor, o deixa como está, porque certamente foi compilado em LaTeX ou algo parecido) e o disponibiliza em seu site pessoal, como, e. g., fizeram com os artigos de Peter van Inwagen.

“As pessoas dão um jeito” é a melhor descrição de como funcionam as coisas em sociedade, mesmo quando estamos diante das relações de produção e consumo. Não é preciso conceber um sistema regulatório, de modo apriorístico, porque o sistema é na verdade quase todo empírico e sobrevém ao que já está arranjado informalmente. Primeiro vem o homem; depois o alfaiate e o terno.

P. S. Seguindo meu próprio conselho, autorizei a disponibilização, pela USP, da minha própria tese de doutorado, que pode ser acessada nesta página.


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Curso de Paleografia Latina

Filed under: Arqueologia,Educação,História incluído por Joel Pinheiro
Data do post: 19 de abril de 2012

Esta é para poucos, mas quem sabe alguns leitores se interessem! Do dia 07 ao dia 25 de maio ocorrerá, no departamento de Filosofia da USP (campus do Butantã), um curso de paleografia latina com a professora Greti Dinkova-Bruun da Universidade de Toronto. Paleografia latina significa aprender a ler os escritos de documentos antigos em latim. O curso abrange desde as maiúsculas romanas e as formas de escrita cursiva da Roma Antiga até a escrita humanista da Renascença europeia, passando por marcos importantes como a minúscula carolíngia (que mais tarde daria a base para nossas minúsculas) e a escrita gótica medieval. O tema é um tanto técnico mas de grande interesse para aqueles que se interessam pela história antiga e medieval; ler edições recentes de textos latinos, com maiúsculas e minúsculas, espaços e pontuação é uma experiência muito diferente de ler o manuscrito do qual aquele texto foi extraído.

Devido ao curto período do curso, a agenda será intensa: 9 seminários de 4 horas cada (das 14:00 às 18:00), às segundas, quartas e sextas. Os interessados podem entrar nesta página para ter mais informações e fazer sua inscrição (gratuita).


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Sobre uma superstição

Filed under: Educação,Filosofia,Geral incluído por Julio Lemos
Data do post: 5 de abril de 2012

Ted Honderich, editor do Oxford Companion to Philosophy, diz no prefácio que as superstições e ciências vêm e vão enquanto a filosofia permanece. Isso é verdade? Não sei. Mas ouso dizer que mesmo aquilo que alguns estudantes amadores e profissionais consideram “filosofia” não passa, na verdade, de um amontoado de superstições.

A primeira delas é que a filosofia implica a virtude ou uma vida feliz. E é sobre essa superstição que gostaria de escrever.

Vou partir de um argumento de autoridade. Mais precisamente, para não me acusarem de fazer uso de doutrinas infernais, vou recorrer a um velhinho carola como o Cardeal Newman, alguém que acreditava nas virtudes e na excelência como ideal de vida e vivia de acordo com ele.

Em Idea of a University, sobre o qual escrevi no primeiro número da Dicta&Contradicta, Newman diz que a ‘prática’ da filosofia é inútil para a vida, para a moral e, em última instância, para a felicidade, em especial no Discurso 5 sobre o conhecimento como fim em si mesmo. Sua ideia geral é que se deve estudar a filosofia de modo inteligente, ou seja, sem procurar nada mais que a excelência intelectual (a precisão conceitual, a clareza, o rigor lógico — afinal, Newman não é bobo).

Newman lembra que tem sido uma constante nos séculos os professores de filosofia pensarem que, com seus ensinamentos, tornarão os seus alunos virtuosos. (É verdade que hoje isso é incomum entre estudiosos sérios de filosofia, tendo se tornado mais uma tendência da  auto-ajuda e do esoterismo.) E lembra-nos a descrição de um filósofo ilustre, que ensinava com paixão a sua doutrina transcendental – pensemos em algo como o Pitagorismo –, e dos seus discursos aos alunos:

He discoursed with great energy on the government of the passions. His look was venerable, his action graceful, his pronunciation clear, and his diction elegant. He showed, with great strength of sentiment and variety of illustration, that human nature is degraded and debased, when the lower faculties predominate over the higher. He communicated the various precepts given, from time to time, for the conquest of passion, and displayed the happiness of those who had obtained the important victory, after which man is no longer the slave of fear, nor the fool of hope… He enumerated many examples of heroes immoveable by pain or pleasure, who looked with indifference on those modes or accidents to which the vulgar give the names of good and evil.

E o que aconteceu ao nosso venerável Filósofo? Morreu-lhe prematuramente a filha. Isolado em casa, recebeu a visita de um príncipe seu velho amigo, Rasselas (cf. The Prince of Rasselas, Prince of Abissinia, de Samuel Johnson). Ao vê-lo desconsolado, indagou o príncipe:

Sir, mortality is an event by which a wise man can never be surprised; we know that death is always near, and it should therefore always be expected. Have you, then, forgot the precept which you so powerfully enforced? Consider that external things are naturally variable, but truth and reason are always the same.

Respondeu o Filósofo:

What comfort can truth and reason afford me? Of what effect are they now, but to tell me that my daughter will not be restored?

Seu argumento é tão simples, que compele naturalmente. Lendas socráticas à parte — entre os fracassados na adversidade, Newman cita Cícero, Catão e Sêneca, mas nessa patota incluo Sócrates, o chato-mor, por polêmica –, saber o que é bom em nada influi na prática do bem na adversidade, na “hora do vamo-vê”. A própria premissa da frase anterior já é uma concessão: só uma parte da filosofia, a ética filosófica, estuda a natureza do bem e das virtudes. Talvez possamos incluir a filosofia política. Os demais setores da filosofia não têm nem indiretamente que ver com o bem moral concreto; um filósofo tomista até chega a dizer, corretamente, que a ética estudada pelos filósofos não é sequer a ética prática, mas o que é inteligível e sistematizável na conduta prática (falo na Vernünftigkeit der Praxis de Martin Rhonheimer), e isso tudo sob um ponto de vista meramente especulativo, graças a Deus. Por isso a expressão “ética filosófica” afasta a pretensão de se fazer filosofia do modo tosco, deixando de lado a especulação para inculcar nos ouvintes e leitores critérios morais, condenar comportamentos ou provocar a indignação. Essas são tarefas da ética prática, e não da filosofia — e nada impede que uma pessoa ensine as duas coisas em momentos diferentes, se toma o cuidado de manter sempre as distinções pertinentes (não há coisa pior que vender como filosofia o que é “sabedoria”, com apoio em superstars como Platão e Aristóteles). Minha hipótese, aliás, é que o ensino discreto do rigor lógico exerce, sem querer, melhor influência do ponto de vista ético do que o discurso moral tout court.

Por isso, um filósofo pode entender mais de ética tomista que São Felipe Néri e privadamente agir como um irresponsável; a culpa não será da ética filosófica, mas dele. E é muito comum que o moralismo filosófico ande de mãos dadas com a perversão privada, algo que se pode perceber por meio da ordinária observação dos costumes; e que o ensino da filosofia como “modo de vida” e “ideal de vida feliz” ande de mãos dadas com a incompetência filosófica mais acentuada (porque os alunos se impressionam com argumentos morais e dormem quando são instados a acompanhar um argumento rigoroso). Por isso há todas as combinações possíveis: estultos imorais, gênios virtuosos, acadêmicos imorais, estultos virtuosos etc.

O estudo, como disse Newman, constitui uma arte liberal. Ele só dá frutos se for perseguido como um fim em si mesmo. Aplicações práticas aparecem quando não se cogita delas. O sujeito que ‘descobriu’ os números complexos — historicamente se costuma falar em Cardano (séc. XVI) –, embora fosse também um homem prático, mal imaginava que, séculos depois, esses números aparentemente inocentes teriam aplicação na física e na engenharia elétrica. Corrijam-me se eu estiver errado. Como aprendemos na escola, basta medir a voltagem de um circuito de corrente alternada, reparar que o oscilador mostra números imaginários (uma ‘voltagem imaginária’), e provar com o dedo para saber que o choque é real. (Pior: o próprio Cardano, matemático italiano, chegou às regras sobre probabilidade jogando compulsivamente, como o personagem de Dostoievsky.) A filosofia não é diferente.


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Uma Educação Finlandesa

Filed under: Educação incluído por Joel Pinheiro
Data do post: 12 de janeiro de 2012

Não é fácil identificar a causa, ou as causas, de um fenômeno que se dá fora de ambientes controlados. Os melhores médicos creram, por séculos, que a sangria ajudava na cura de seus pacientes quando na verdade ela era nociva. Curas ocorriam, mas ninguém sabia o verdadeiro porquê.

Parece-me que estamos na mesma situação, hoje em dia, com relação à educação. Certas crianças aprendem melhor do que as outras; certos países têm ensino melhor do que outros. Não há grandes mistérios em se medir isso: bastam provas e testes padronizados. O problema está na hora de explicar as diferenças. Intelectuais, professores e políticos todos têm a sua teoria sobre como melhorar o ensino.

Medir a qualidade do ensino em diversos quesitos é algo relativamente simples, embora diferentes métodos possam ser desenvolvidos e diferentes aptidões analisadas. Há provas uniformizadas que dão uma boa ideia do estado da educação de determinado lugar. Um desses exames padronizados e aplicado mundialmente é o PISA. E desde que o PISA começou a ser aplicado, em 2000, um fato chamou a atenção: dentre os países ocidentais, quem ocupava o primeiro lugar, disparado, era a Finlândia. Isso vale até hoje. Embora tenha ficado atrás de Shanghai em todas as provas, a Finlândia continua muito a frente de qualquer outra nação ocidental, inclusive das escandinavas Noruega e Suécia, cuja nota é medíocre em comparação e que sempre servem de parâmetro uns para os outros.

Os exames do PISA  são sérios (aqui o artigo da Wikipedia com os rankings do PISA 2009); não se trata de fraude ou manipulação. Palmas, portanto, para a Finlândia. Mas a que, especificamente, se deve esse desempenho inesperado?

O candidato mais óbvio é o Ministério de Educação finlandês, que já vem de fato colhendo esses louros há vários anos. Ele vem recebendo visitas de comissões de vários países para expor e mostrar as conquistas do sistema de ensino finlandês; e vários autores têm tirado suas conclusões sobre o que é que dá à Finlândia esse diferencial. Segundo a recente reportagem do The Atlantic, o segredo da Finlândia é que ela, ao contrário dos EUA, valoriza a igualdade e não a excelência. Não existem escolas privadas; não existe um sistema de cobrança e avaliação das escolas; não se premia as escolas com melhor desempenho. “Accountability is something that is left when responsibility has been subtracted.”

A tese é polêmica. Mas ao invés de considerá-la, quero levantar um outro ponto. Desde 2006 a amostra de países do PISA foi aumentada, incluindo diversos países em desenvolvimento. Um deles foi a Estônia. E desde então ela também passou a ocupar as posições mais altas no PISA dentre as nações ocidentais (nunca tão boas quanto as da Finlândia, mas ainda assim acima de Noruega, Suécia, Alemanha).

Há um fator em comum entre Finlândia e Estônia: as línguas de ambos os países não pertencem ao ramo indo-europeu comum a quase toda a Europa, mas ao ramo fino-úgrico; e são muito parecidas entre si. Poderia a língua explicar o desempenho educacional? A tese ainda parece duvidosa, mas considerem o seguinte: dentro da Finlândia há uma minoria de falantes do sueco. Essa minoria é, em média, mais rica do que a de falantes do finlandês. No entanto, as notas dela no PISA são muito inferiores às deles. A tese do papel da língua na educação finlandesa é exposta neste breve artigo de Taksin Nuoret.

Talvez o melhor para nossa educação seja abandonar de vez o ENEM (que ainda não escolheu se vai priorizar a igualdade ou a excelência) e implementar o ensino universal do finlandês.


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A agonia das universidades

Filed under: Educação incluído por Martim Vasques da Cunha
Data do post: 7 de novembro de 2011

Artigo de Anthony Grafton no New York Review of Books para ser lido nesses tempos de invasões uspianas:

(…) Vast numbers of students come to university with no particular interest in their courses and no sense of how these might prepare them for future careers. The desire they cherish (…) is to act out “cultural scripts of college life depicted in popular movies such as Animal House (1978) and National Lampoon’s Van Wilder (2002).” Academic studies don’t loom large on their mental maps of the university. Even at the elite University of California, students report that on average they spend “twelve hours [a week] socializing with friends, eleven hours using computers for fun, six hours watching television, six hours exercising, five hours on hobbies”—and thirteen hours a week studying.

For most of them, in the end, what the university offers is not skills or knowledge but credentials: a diploma that signals employability and basic work discipline. Those who manage to learn a lot often—though happily not always—come from highly educated families and attend highly selective colleges and universities. They are already members of an economic and cultural elite. Our great, democratic university system has become a pillar of social stability—a broken community many of whose members drift through, learning little, only to return to the economic and social box that they were born into.

Altere National Lampoon por Diretório Acadêmico, e o que temos é o fim do mundo tal como conhecemos e, olhem só, não é para se sentir nada bem com isso.


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A Arte da Ficção

Filed under: Educação,Literatura incluído por Renato Moraes
Data do post: 15 de junho de 2011

O escritor ANTONIO FERNANDO BORGES, um grande amigo da Dicta, vai ministrar um workshop sobre “A Arte da Ficção”:  serão encontros semanais, durante três meses, a um preço irresistível.

Quem mora no Rio não pode perder a oportunidade desta convivência direta com nosso professor. Recebi dele inúmeros conselhos valiosos para escrever melhor, e impressiona-me como ele sabe ir ao ponto para aprimorar o estilo e dar graça ao texto.

Os interessados devem entrar em contato pelo email: afborges@uol.com.br

 


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Curso – As Trajetórias do Ocidente

Filed under: Educação incluído por Martim Vasques da Cunha
Data do post: 10 de maio de 2011
Cultura sem limites. Cursos na Livraria Cultura.
As trajetórias do ocidente: uma história da cultura ocidental. Programa: ver site www.culturasemlimites.com.br
Prof. Leandro Oliveira - Doutorando em comunicação pela USP, é anfitrião do programa "Falando de Música", da OSESP.
www.culturasemlimites.com.br
Informações: 11 6900-8151 ou fabio@culturasemlimites.com.br
Local: Livraria Cultura Conjunto Nacional Livraria Cultura - ler para ser.

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