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Dicta Entrevistada

Filed under: Deu na Mídia incluído por Joel Pinheiro
Data do post: 16 de janeiro de 2012

Augusto Nunes, que assina um dos blogs de maior sucesso da Revista Veja, publicou a entrevista feita, algumas semanas antes, com o atual presidente do IFE (que é o instituto que publica a Dicta), Marcelo Consentino, e Eduardo Wolf, um dos integrantes do corpo editorial da revista. É uma ótima oportunidade para quem não conhece a revista vir a conhecê-la, e para dar uma ideia aos leitores dos desafios envolvidos em se publicar uma revista cultural de peso no Brasil. Desafios que, longe de nos desestimular, só aumentam nosso empenho! Assistam à entrevista em três partes no site do Augusto Nunes.


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Dicta&Contradicta 7 – Começou bem…

Filed under: Deu na Mídia incluído por Guilherme Malzoni Rabello
Data do post: 5 de junho de 2011

Dicta&Contradicta 7 - VEJA - 08_jun_2011 - pag 80

Pois é, a primeira semana de junho já é passado e até agora não havíamos dito nenhuma palavrinha sobre a Dicta 7. A razão é simples: são tantas as novidades que a gente não sabe nem por onde começar.

A primeira delas muitos de vocês já devem ter visto: a revista Veja dessa semana publica um ensaio de duas páginas sobre Cesare Battisti escrito por Anthony Daniels exclusivamente para a Dicta&Contradicta. Como o julgamento é nessa quarta-feira, achamos que seria interessante o pessoal de Brasília saber o que nenhum brasileiro tinha dito e cedemos esse pedacinho para eles. Mas os nossos leitores não precisam temer: a edição que mandamos para a Veja é cinco vezes menos que o original da revista (e, garanto, de Che Guevera a Berlusconi, de Lula a Mitterrant, todo mundo leva o seu).

Que essa versão sirva, portanto, para trazer o assunto à tona. Ao longo da semana, como de costume, vamos divulgar o lançamento, a capa, o índice e o editorial. E, no meio do caminho, vocês vão descobrir por que a Dicta está de cara nova...

*****

Cesare Battisti: a sua ficção o condena

No próximo dia 8, o Supremo Tribunal Federal deverá decidir se o terrorista Cesare Battisti, condenado na Itália pelo assassinato de quatro pessoas, sentença confirmada pela Corte Europeia, tem o direito ou não de permanecer no Brasil. Independentemente da decisão a ser tomada pela corte constitucional brasileira — e espera-se que ela seja de extraditá-lo para seu país de origem — é fato indubitável que Battisti permanecerá um pária internacional. No artigo abaixo, o inglês Anthony Daniels faz uma análise do Battisti literato, demonstrando como, na condição de escritor, ele mostra sua verdadeira face de assassino frio. Um verdadeiro psicopata.

O sentimentalismo associado à violência política de esquerda é, evidentemente, uma enfermidade ocidental, cuja manifestação mais óbvia é o culto a “Che” Guevara. Foi esse sentimentalismo intrinsecamente desonesto que protegeu Battisti por tantos anos na França e agora o protege no Brasil. Apenas o sentimentalismo poderia torná-lo digno de simpatia, embora não se possa duvidar de que é uma figura bem fora do comum.

Cesare Battisti nasceu em 1954 e tornou-se (por escolha, não por necessidade) um criminoso. Foi preso pela primeira vez aos 17 anos por furto; aos 20, foi preso mais uma vez por assalto à mão armada. No cárcere, converteu-se ao marxismo revolucionário, o Islã da época, sob a influência de um preso oriundo de uma família abastada chamado Arrigo Cavallina. Ao sair da prisão, juntou-se à célula de Cavallina, chamada Proletari Armati per il Comunismo (PAC), que contava cerca de sessenta membros. Passou, assim, sem solavancos do banditismo ao terrorismo.

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“Eu escrevo para o Leo Strauss…”

Filed under: Deu na Mídia,Literatura incluído por Martim Vasques da Cunha
Data do post: 19 de fevereiro de 2011

CRÍTICA AUTOBIOGRAFIA

Hitchens costura memórias com honestidade brutal

Em estilo que ecoa Orwell e Bellow, jornalista expõe contradições de sua carreira

MARTIM VASQUES DA CUNHA
ESPECIAL PARA A FOLHA

Enquanto divulgava “Hitch-22″, seu livro de memórias, Christopher Hitchens foi diagnosticado com câncer no esôfago.
“Quando isso acontece conosco, as pessoas se perguntam: por que eu?”, escreveu em sua coluna na revista “Vanity Fair”. “Apenas me perguntei: por que não?” Afinal, por que não? Em “Hitch-22″, Christopher (ele odeia ser chamado de Chris) mostra as contradições dos seus (até agora) sessenta e um anos de existência.
Com uma prosa que une a precisão de George Orwell e o virtuosismo de Saul Bellow (suas maiores influências), lemos com dentes trincados sobre o suicídio da mãe, a educação de contestador socialista, a herança judaica oculta por quase 30 anos e o momento em que Margaret Thatcher o chamou de “menino safado”.
Estão lá também as amizades com Salman Rushdie e Martin Amis -com quem, aliás, foi a um puteiro em uma visita desastrada. Tudo, é claro, em nome da arte e da língua inglesa.
Mas, de todas essas histórias, nada nos prepara para a de Mark Daily, um norte-americano de 19 anos, esquerdista, contra qualquer espécie de combate bélico e que, um belo dia, decide se alistar na Guerra do Iraque.
O motivo? Convenceu-se dos argumentos apresentados nos artigos de Hitchens, que, no melhor estilo “Ardil 22″ (o clássico de Joseph Heller emprestado para batizar essas memórias), antes era um jornalista que havia defendido Saddam Hussein e agora queria vê-lo fora do poder a qualquer custo.
A coragem de mudar de opinião é nada se comparável à de encarar os pais de um jovem por cuja morte você pode ter sido o responsável.

CRISTIANISMO
E é neste episódio pungente que Hitchens mostra a sua maior virtude: uma brutal honestidade, obrigatória para quem enfrenta os radicais da direita e da esquerda, incapazes de perceber que a vida só nos faz a seguinte pergunta: “E por que não?”.
É essa mesma honestidade que também nos faz pensar se, na verdade, Hitch (como ele gosta de ser chamado) não passa de um cristão “malgré lui”.
É claro que a ideia o faria espumar de indignação, graças à propaganda que o próprio pratica sobre o seu ateísmo militante. Mas, ao mesmo tempo, é intrigante imaginar que, para quem encarou a realidade no seu lado luminoso e sombrio, e acumulou tantas contradições, esse fato seria o mais perturbador de sua existência -justamente quando enfrenta uma terrível doença. E por que não? Afinal, não é para isto que os contestadores existem: para mostrar que a vida não é um armazém de secos e molhados?

MARTIM VASQUES DA CUNHA é editor da revista “Dicta&Contradicta” e doutorando pela USP


HITCH-22
AUTOR Christopher Hitchens
EDITORA Nova Fronteira
TRADUÇÃO Alexandre Martins
QUANTO R$ 69,90 (560 págs.)
AVALIAÇÃO ótimo

(Resenha publicada na Folha de São Paulo de 19 de fevereiro de 2011, no caderno Ilustrada.)


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Dicta&Contradicta No. 5 – O furo da revista Veja

Filed under: Deu na Mídia incluído por Guilherme Malzoni Rabello
Data do post: 12 de junho de 2010
Revista Veja - 16 de junho de 2010.
Revista Veja - 16 de junho de 2010.

A revista Veja dessa semana saiu com um furo e tanto: antecipou alguns trechos de nossa entrevista com Ferreira Gullar!

A reportagem, que segue logo abaixo, tem uma página e meia. Imaginem o que os espera nas 15 páginas da entrevista para Dicta!

Pois é, o lançamento está chegando: dia 16, próxima quarta-feira, às 19hs30 na Livraria Cultura do Shopping Villa-lobos — com uma palestra do Gustavo Franco sobre “Shakespeare e a política no Brasil”.

Querem mais? Amanhã publicamos o índice!

Convocado pela poesia

Em entrevista à revista cultural Dicta&Contradicta, o poeta Ferreira Gullar, prêmio Camões deste ano, fala de seu processo de criação e de seus anos de engajamento – e desilusão – na política

Este é um grande ano para o poeta Ferreira Gullar, 79 anos. O autor de A Luta Corporal acaba de ganhar o Prêmio Camões, a mais importante distinção literária da língua portuguesa. Será também um grande ano para seus leitores: no segundo semestre, ele publica Em Alguma Parte Alguma, primeiro livro de poemas em mais de dez anos. “Só escrevo quando sou convocado pela poesia”, diz ele. A edição da revista cultural Dicta&Contradicta que será lançada nesta semana traz uma longa entrevista com o autor. VEJA antecipa, a seguir, alguns trechos:

Criação poética
O poema não tem plano. Escrevo meio cego. É uma descoberta passo a passo, algo que vai sendo revelado a mim mesmo a cada momento. Eu nunca presto atenção no modo como construo um poema. O poema, para mim, é a grande aventura de como fazer. Costumo dizer em palestras para estudantes que, quando vou escrever um poema, a página está em branco, e isso significa que todas as possibilidades estão abertas, são infinitas. No momento em que sorteio uma palavra, reduzo as possibilidades, o acaso é menor. Mas não sei o que vai acontecer.

A alegria da escrita
O poema é cura, não doença. Escrevo para ser feliz, para me libertar do sofrimento, não para sofrer. É a alquimia da dor em alegria estética. Mesmo quando a coisa é doída, amarga, naquele momento a transformo no ouro que é o poema.

Engajamento
Quando escrevi romances de cordel na época da ditadura, queria fazer mais subversão do que arte. Estava usando a minha poesia para fazer política. A preocupação principal era levar as pessoas a ter consciência dos problemas sociais, como a reforma agrária, as favelas, a desigualdade. Não havia uma preocupação estética. (…) Lembro-me de quando fomos, com o Centro Popular de Cultura, à favela da Praia do Pinto, para fazer um espetáculo, um auto antiamericano, anti-imperialista. Quando chegamos lá, todos os adultos foram embora, ficaram só as crianças ouvindo o Vianinha (o dramaturgo Oduvaldo Vianna Filho) berrar contra o imperialismo. Olhava aquilo e ficava pensando: “O que é isso? Pregando o anti-imperialismo para menino de 5 anos na favela da Praia do Pinto?”. Isso foi a um mês do golpe de 1964. Comecei a perceber que a ideia de fazer arte com baixa qualidade só para atingir o povo era falsa.

Enganos da esquerda
Vivi a experiência da União Soviética, em Moscou, e depois vivi o drama e a derrota do (presidente) Allende no Chile – eu estava lá quando ele foi derrubado. Tudo isso me levou a ter uma visão crítica em relação à revolução, em relação às coisas em que nós acreditávamos, aos procedimentos que adotávamos. Aprendi que a coisa era muito mais complexa do que imaginávamos. Sonhávamos em chegar ao poder – e então chegamos ao poder no Chile, com Salvador Allende. E aí? O que aconteceu? Houve uma grande confusão: as esquerdas não se entendiam. Os radicais queriam obrigar Allende a fazer o que não podia ser feito – o que ele sabia que não podia fazer, porque seria derrubado. No fim, foi a própria esquerda que causou a queda de Allende. Aquilo me deixou arrasado. Sacrifiquei minha vida, meus filhos, para me meter numa confusão dessas.

Comunismo
Um professor meu de economia política marxista lá em Moscou me disse o seguinte: “Você sabe quanto tempo levou para que em Paris houvesse, todo dia, às 8 da manhã, croissant para todo mundo, leite para todo mundo, pão para todo mundo, café para todo mundo, e tudo saindo na hora? Alguns séculos”. A revolução desmonta uma coisa que os séculos criaram. Agora, o Partido resolve, e não vai ter café, não vai ter pão, leite, nada. Resultado? Trinta anos de fome na União Soviética. Você desmonta a vida! E havia outra porção de erros: afirmavam que quem faz a riqueza é o trabalhador. Mentira! O trabalhador também faz isso, mas, se não existe um Henry Ford, não existe a fábrica de automóvel e não vai ter emprego para você. Nem todo mundo pode ser Bill Gates, nem todo mundo pode inventar uma coisa. Marx está correto quando critica o capitalismo selvagem do século XIX. Quando propõe a sociedade futura, está completamente errado.

Invenção da realidade
Discordo quando dizem que a arte revela a realidade. Na verdade, a arte inventa a realidade. Afirmam que Shakespeare revelou a complexidade da alma humana; não, ele inventou a complexidade da alma humana. Nós vivemos no mundo da cultura. Quem vive na natureza é macaco e maçã. O índio já tem os mitos e já está dentro do mundo cultural dele, que foi inventado. A poesia é uma dessas criações, no terreno da fantasia, que existe porque a vida não basta. Eu escrevo para ser feliz, escrevo porque estou me inventando, para ser melhor do que sou.

Incoerência
Eu sou incoerente, e a minha obra é incoerente. A Luta Corporal é muito diferente da minha fase de poesia concreta. O livro seguinte a essa fase, Dentro da Noite Veloz, é diferente do próximo, e assim por diante. Não tenho a preocupação da coerência. Se há alguma, está na busca, que muda sempre, porque, enquanto vivo, critico, penso, repenso e invento as coisas que experimentei. Se você quer ser poeta, se quer fazer poesia, se sente dentro de si essa necessidade, deve se entregar a ela sempre com paixão, pois não se inventa a realidade de graça.


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Elogio de quem?

Filed under: Deu na Mídia incluído por dicta
Data do post: 17 de julho de 2009
Valor Econômico - 17/07/2009 - Eu&FimdeSemana
Valor Econômico - 17/07/2009 - Eu&FimdeSemana
 

O elogio do ensaio

 

“Dicta & Contradicta” e “serrote”, duas revistas culturais em formato de livro, exploram novo nicho do mercado editorial brasileiro.
Por João Villaverde, de São Paulo

 

Quando Guilherme, Martim, Rodrigo, Renato e Henrique decidiram formar um grupo de estudos para pesquisar a filosofia de Platão, com reuniões aos sábados na casa de um deles, os planos não iam muito além da conclusão de seus cursos de graduação e de mestrado. A preocupação imediata era arranjar um emprego, cada um no seu setor, e os estudos da filosofia clássica não passavam de uma curiosidade motivada pelo interesse em novos conhecimentos, distintos daqueles essenciais às carreiras de cada um.

 Três anos depois, quando os sábados filosóficos já reuniam o triplo de participantes, o mais recente integrante do grupo, Rodolfo, sugeriu que eles formassem um instituto, para formalizar as pesquisas e não perder o ímpeto dos estudos. A ideia não agradou. Guilherme, que se formava em engenharia naval, julgava que era preciso “ao menos dez anos” para que obtivessem massa crítica suficiente para “bancar um instituto de estudos acadêmicos”. Como saída, concordaram com a ideia de começar com a publicação de uma revista cultural.

 Nascia ali o Instituto de Formação e Educação (IFE), projeto que, em junho de 2008, desembocaria na “Dicta & Contradicta”, revista de ensaios sobre a cultura clássica ocidental. O IFE foi criado pelo núcleo dos rapazes que tocava o grupo de estudos – Guilherme Malzoni Rabello, Henrique Elfes, Joel Pinheiro da Fonseca, Júlio Lemos, Luiz Felipe Estanislau do Amaral, Marcelo Consentino, Marcello Nébias Pilar, Martim Vasques da Cunha, Renato José de Moraes, Rodolfo Britto e Rodrigo Duarte Garcia. São jovens de áreas profissionais distintas – direito, engenharia naval, economia e jornalismo – e com idades que variam entre 23 e 33 anos. A exceção é o editor Henrique Elfes, com 50 anos.

 ”Foram oito meses discutindo as bases que forjariam nosso instituto e, claro, nossa revista”, diz Cunha, jornalista responsável e coeditor da revista ao lado de Fonseca e Garcia. Os planos eram diretos: a “Dicta & Contradicta” foi criada para pensar e disseminar conhecimento nos campos das humanidades, artes e filosofia em longo prazo, algo que, para os criadores do IFE, não ocorre no Brasil. “Não se pensa cultura no longo prazo e não se pensa em termos econômicos e administrativos. O debate cultural no Brasil é muito preso à agenda, não foge disso”, diz Rabello, presidente do IFE.

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Rebeldes com causa?

Filed under: Deu na Mídia incluído por dicta
Data do post: 16 de julho de 2009

Folha de S. Paulo - 16/07/2009 - Ilustrada E3
Folha de S. Paulo - 16/07/2009 - Ilustrada E3

Jovens criam controvérsia com revista

“Dicta&Contradicta” chega ao terceiro número, repele rótulo de direitista e ironiza “Serrote” por “certo grau de imitação”

O jornalista Flávio Pinheiro, do Instituto Moreira Salles, que publica a “Serrote”, diz que “nessa área ninguém vai inventar a roda”

MARCOS AUGUSTO GONÇALVES
DA REPORTAGEM LOCAL

Tudo começou com um grupo de estudos de filosofia, no início de 2004, formado por amigos que não eram exatamente do ramo -basta dizer que Guilherme Malzoni Rabello, 25, um dos idealizadores dos encontros, estudava engenharia naval. Aos poucos, o núcleo se expandiu e surgiu a ideia da criação de um instituto cultural, que daria seus primeiros passos apoiado numa revista semestral de ensaios.

No mês passado, a “Dicta&Contradicta” chegou a seu terceiro número reunindo um elenco de jovens desconhecidos, autores estrangeiros pouco divulgados no país, medalhões da direita, como Olavo de Carvalho, e expoentes da recente safra conservadora, caso de João Pereira Coutinho, colunista da Ilustrada.

Por ora, o Instituto de Formação e Educação, que Guilherme preside, não é mais do que um telefone com prefixo paulistano e caixa postal -mas se depender da ambição dos rapazes será muito mais.

“Estamos apenas começando um projeto que pretendemos consolidar no futuro, um projeto de vida”, diz Guilherme, já satisfeito com os primeiros resultados da publicação, que tem um site no endereço www.dicta.com.br.

Para uma revista que chegou às livrarias como uma espécie de objeto não identificado, vender 1.000 exemplares seria ótimo, mas 500, segundo Guilherme, ainda daria para começar. Surpreendentemente, o primeiro número, lançado em junho do ano passado, já chegou à casa dos 2.000.

O êxito parece ter estufado a autoestima do grupo. Na edição mais recente, a “Dicta” endereçou uma irônica mensagem de boas vindas à revista “Serrote”, do Instituto Moreira Salles, chamando-a de “irmã mais nova”: “É uma alegria ver que atingimos o nosso ideal de estimular o debate de ideias no país… ainda que seja à custa de um certo grau de imitação”.

Para o jornalista Flávio Pinheiro, superintendente executivo do IMS e um dos responsáveis pela “Serrote”, não é possível “nem remotamente” falar em imitação.

“Alimento a ideia de uma revista de ensaios como a “Serrote” há anos. Nessa área ninguém vai inventar a roda. Revistas de ensaio já existiram aqui há décadas e há inúmeros exemplos em diversos países.”

Pinheiro vê na “Dicta” uma representante do “pensamento conservador, liberal, que é preciso existir”. Mas não contrapõe a “Serrote” -que já atingiu cerca de 4.000 exemplares desde o início de abril- a esta linha. “A Serrote quer ser inteligente, quer contribuir para a divulgação do ensaio fora da tradição acadêmica, como um gênero que mistura erudição, clareza e audácia de opinião.”

Para Guilherme e o coeditor editor Martim Vasques da Cunha, as duas revistas são concorrentes e isso é estimulante. “Sabemos que a “Serrote” pode trazer coisas interessantes, o que aumenta nossa exigência.”

Pinheiro preferiu ao comentar a revista evitar a classificação de “direita” -termo que Guilherme repele: “O que significa isso exatamente? Eu, com toda sinceridade, não sei. O nosso objetivo com a “Dicta” é justamente questionar esses critérios”.

Mesmo a qualificação de “conservadora” não é bem vista, embora a preferência por temas e angulações dessa orientação seja evidente na revista, que publica, por exemplo, ensaio atacando o modernismo e demonstra simpatia por autores como Edmund Burke e Ortega e Gasset.

“A cultura deveria ser o que julga as ideologias. Tratá-la a partir de conceitos como “conservadorismo” ou “progressismo” leva à consequência de se criar um esquema reducionista, ou seja, falso”, argumenta Guilherme.

A publicação, segundo ele tem “interesses e valores comuns”. Cita entre eles “a convicção de que qualquer resultado intelectual de peso só se consegue atingir pelo estudo e pelo trabalho sério e a primazia da pessoa diante do Estado ou grupos ideológicos”.

Mas esses valores, diz ele, “não são uma causa, e sim uma diretriz.”

Frases

“O que nos interessa é provocar o debate, não fazer a polêmica pela polêmica. Talvez a defesa de ideias seja mais incisiva, mas o autêntico debate nunca foi composto por regras de etiqueta e sim por um único norte: o da honestidade intelectual”
GUILHERME MALZONI RABELLO , um dos idealizadores da D&C

“Uma revista cultural ideológica é uma contradição em termos: a cultura deveria julgar as ideologias. Tratá-la a partir de “progressismo” ou “conservadorismo” leva a um esquema reducionista, falso”
IDEM


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