Será o dr. Hoppe a reincarnação do dr. Fantástico?
Data do post: 14 de outubro de 2008
Por indicação de Pedro Sette Câmara, soube que Tom Palmer, vice-presidente para programas internacionais do Cato Institute, alegou que Hans Hermann Hoppe - o economista citado há dois posts e que profetizava a criação de um Estado Total após o estouro da bolha imobiliária - escreveu para um jornal cripto-neonazista chamado Junge Freiheit (numa tradução capenga significa algo como “liberdade jovem”). Graças ao Google, descobri um artigo do próprio Palmer, em que fazia a denúncia e explicava por que não aceitava os argumentos de Hoppe.
O que eu li de Hoppe não indica nada de “nazi” em suas análises, mas Palmer não é um sujeito que acusa qualquer um injustamente; almocei com ele quando visitou o Brasil e pareceu-me um homem ponderado, sensato e, sobretudo, muito claro em seus ideais. No seu artigo, o que assusta não são as refutações contra o autor de Democracy: the God that Failed (todas plausíveis, se formos observar que, de fato, o dr. Hoppe tem um quê de “porra louca” em seus textos), mas a evidência de que há, entre os liberais clássicos (o Cato Institute e o Liberty Fund) e os chamados “anarco-capitalistas” (Lew Rockwell e algumas facções do Mises.Org), uma rixa interna em que só a liberdade perde.
Pois uma coisa é a divergência de opiniões; a outra coisa é quando pessoas que deveriam lutar juntas contra um inimigo comum - no caso, o golpe na consciência ocidental que rompe com todo e qualquer elo da tradição cultivada por séculos - resolvem partir para caminhos opostos.
Palmer é coerente em suas observações contra Hoppe; mas será que Hoppe está completamente errado em suas profecias? O perigo é que ambos estão certos, cada um a seu modo. A questão sobre Hans Hermann Hoppe é se ele apóia ou não uma ideologia que prega o extermínio de seres humanos. Se Palmer estiver certo, juro que sou o primeiro a meter a mão na cara do dr. Hoppe, independente ou não dele ser a última encarnação do profeta Elias (afinal, Nietzsche, outro sujeito que os “nazis” adoram, também previu muita coisa e acertou na mosca; errou só no essencial); se Palmer errou, então estamos fritos de qualquer maneira, porque Hoppe está certo em pelo menos uma coisa: já vivemos na Era do Estado Total.
O fato da obra de Hoppe ser justamente uma denúncia de um movimento totalitário e revolucionário - ideologias que foram compartilhadas por socialistas, nazistas e fascistas (Ainda tem dúvidas a respeito disso? Não leu nenhum livro de História? Então leia As Benevolentes, de Jonathan Littell, uma ficção que dissipa qualquer névoa a respeito da “rivalidade mimética” entre o nazismo e o socialismo) - me faz analisar o texto de Palmer com um pé atrás. Mas, repito, Tom Palmer não me parece ser um sujeito que gosta de fazer declarações maliciosas. Portanto, só tenho a lamentar o problema crescente para aqueles que defendem a liberdade de expressão, de consciência e, no fim, da sua própria vontade: O que faremos quando um reino divide-se contra si mesmo - enfim, quando Satanás expulsa Satanás?
Sem dúvida, não procurarei Bill Ayers para saber a resposta.
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O Dr. Hoppe viu o futuro, m´er irmão…
Data do post: 10 de outubro de 2008
… e ele é o início do Estado Total. Leiam o seguinte trecho de Hans Hermann-Hoppe e fiquem assustados, muito assustados:
“With the European calculational chaos solved, then [by the creation of the ECU/Euro], and in particular with the European hard currency countries neutralized and weakened within a cartel that by its very nature favors more against less inflationary countries so as to protect and prolong U.S. hegemony over Europe, little indeed would remain to be done. With essentially only three central banks and currencies and U.S. dominance over Europe and Japan, the most likely candidates to be chosen as a U.S-dominated World Central Bank are the IMF [International Monetary Fund] or the BIS [Bank for International Settlement]; and under its aegis then, initially defined as a basket of the dollar, the ECU, and the yen, the “phoenix” (or whatever else its name may be) will rise as a one-world paper currency–unless, that is, public opinion as the only constraint on government growth undergoes a substantial change and the public begins to understand the lesson explained in this book: that economic rationality as well as justice and morality demand a worldwide gold standard and free, 100-percent reserve banking as well as free markets worldwide; and that world government, a world central bank and a world paper currency–contrary to the deceptive impression of representing universal values–actually means the universalization and intensification of exploitation, counterfeiting-fraud and economic destruction”.
E depois leiam no Tio Roger sobre quais visões das Américas estão em disputa na eleição Barack Hussein Obama X John McCain.
Homens do mercado e da política: tenham um ótimo final de semana e abracem o caos.
Como diria algum pensador chinês (creio que Confúcio): “Vivemos tempos interessantes”.
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Mitos e Verdades em G.K.Chesterton
Data do post: 6 de outubro de 2008
O velho e bom Chesterton será o tema da palestra ministrada por Ian Boyd, nada mais nada menos o presidente do Chesterton Institute for Faith and Culture e editor da revista da The Chesterton Review. O evento acontecerá no dia 16 de outubro, uma quinta-feira, das 19h30 às 22h e é uma realização em conjunto entre o IICS (Instituto Internacional de Ciências Sociais), o Núcleo Fé e Cultura da PUC-SP e da revista Communio do Rio de Janeiro.
Ian Boyd, além de ser um dos grandes especialistas na obra do inglês mais divertido do século XX (só Evelyn Waugh e P.G. Woodhouse chegam ao mesmo patamar), é PhD. em literatura inglesa pela Universidade de Saskatchewan, no Canadá, e autor do livro The novels of G.K. Chesterton: a study in art and propaganda.
O evento acontecerá no auditório do IICS, localizado na Rua Maestro Cardim, 370, Bela Vista, próximo ao metrô São Joaquim.
A palestra tem vagas limitadas e as inscrições podem ser feitas pelo e-mail humanidades@iics.org.br (com nome, telefone, endereço e e-mail para contato) ou pelo telefone 11-2104-0100. A entrada é franca.
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Continuem a ter medo, muito medo…
Data do post: 11 de setembro de 2008
Pelo menos é o recado da The Economist e de Roger Kimball a respeito dos “jihadistas” que estão quietinhos, quietinhos, mas que logo, logo voltarão a atacar.
“We are not fighting so that you will offer us something. We are fighting to eliminate you.”*
* Ganha um Chokito quem descobir o autor desta frase. By the way, para quem tem memória curta, hoje é 11 de setembro.
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Tio Roger sabe das coisas…
Data do post: 3 de setembro de 2008
Se você quer saber o que realmente acontece na “mais-importante-eleição-presidencial-dos-últimos-tempos” (em outras palavras, a luta entre John white men´s burden McCain e Barack that´s not a nigger´s name* Obama), esqueça tudo o que leu na imprensa nacional. Leiam Roger Kimball que, em poucas palavras, resume a verdadeira questão por trás desta disputa:
“At bottom, this election is not about “change” or “experience” but about culture, which is to say it is about what we value as individuals and as citizens. It is about some very basic questions: what matters most in a society? How should we live our lives? What place does love of country, of family, of freedom have in the economy of our hopes and ambitions? The crises of the last several years–the threat of Islamic terrorism, economic instability, a newly rampant Russia and Iran–have pushed such questions out of the limelight. But Sarah Palin–the pro-life, gun toting, seriously religious hockey mom and aggressive political reformer–has suddenly brought them back into vogue. As Thomas Lifson notes, “Liberals have long lamented the existence of two nations in America. They are right to do so today, but in a way they never meant. It is not the divide between rich and poor which soon will be causing serious pain on the left. Sarah Palin’s pending nomination for Vice President is exposing the depth of the cultural divide between Middle America and the leftists who have taken over the education, media, and cultural establishment of our country.’”.
* Quem disse isso foi algum duplo mimético do rapper Ice-T ou algo da espécie. Não sei, não consigo me lembrar do nome do sujeito. Lamento em informá-los, caros amigos da comunidade afro-americana, mas meu conhecimento da “música negra” se restringe a apenas às obras de Robert Johnson, Blind Willie McTell, Charlie Parker, Miles Davis, Otis Redding, Marvin Gaye, Temptations e Michael Jackson (antes deste se transformar em Jacko the Wacko, é claro). By the way, se um rapper negro - uma das “castas” que mais criam guetos nos EUA - disse isso de Obama, logo logo teremos surpresas na eleição de Novembro.
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Sobre Saki, Leões e Coisas de Homem
Data do post: 15 de agosto de 2008
Há uma boa passagem, n’O Gattopardo, em que Lampedusa constata, de maneira profética e resignada, que em três gerações o novo regime republicano transformaria os homens em pequenos gatos mansos e domesticados.
Mais de três gerações se passaram e parece que Lampedusa tinha mesmo razão. Submetido a doses cavalares de “paz, amor & ecologia”, o homem pós-moderno é criado completamente indefeso e despreparado para as situações da vida que exigem dele atitudes, bem, atitudes de homem. O politicamente correto de repente transformou a manlitate em algo moralmente errado e o resultado é que a coragem e outras virtudes clássicas passaram a ser vistas com o sinal invertido.
Acho que foi o Olavo de Carvalho quem recentemente chamou a atenção para esse fato, quando aquele sul-coreano maluco saiu atirando pela Virginia Tech sem que um único aluno ousasse fazer alguma coisa que não correr para salvar a própria pele. Talvez o exemplo ali fosse um pouco extremo, mas a verdade é que essa prostração remete a um fator cultural alarmante.
A propósito do razoável artigo de Cristopher Hitchens sobre Saki, na última Atlantic, Joseph Bottum relembra um de seus grandes contos, The Toys of Peace, que retrata de maneira bastante interessante esse processo. Na história, vemos o que acontece quando um tio resolve comprar aos sobrinhos brinquedos politicamente corretos, ao invés dos bons e velhos soldadinhos e tanques de guerra.
Vejam este trecho (a tradução livre é minha, de maneira que peço desculpas pela qualidade. Mas você pode ler o original aqui):
Uma enorme quantidade de tiras de papel ondulado foi a primeira coisa que chamou a sua atenção quando a tampa foi retirada; os brinquedos mais excitantes sempre vinham assim. Harvey jogou de lado a camada superior e logo apareceu um edifício quadrado, sem nenhum traço característico.
“É um forte!”, exclamou Bertie.
“Não, é o palácio do Mpret da Albânia”, disse Eric, imensamente orgulhoso do seu conhecimento do título exótico; “ele não tem janelas, para que as pessoas não consigam disparar contra a Família Real”.
“É um depósito de lixo municipal”, disse Harvey apressadamente; “todos os resíduos e o lixo de uma cidade são reunidos lá, ao invés de ficarem jogados, prejudicando a saúde dos cidadãos”.
Em um silêncio terrível ele desencravou o pequeno boneco de um homem com roupa preta.
“Este”, disse, “é um homem eminente, John Stuart Mill. Ele foi uma autoridade na economia política”.
“Por quê?”, perguntou Bertie.
“Bem, porque ele quis; ele pensou que seria uma coisa útil de se ser”.
Bertie deu um grunhido expressivo, que transmitiu a sua opinião de que essa seria uma vontade estranha.
Um outro edifício quadrado saiu da caixa, desta vez com janelas e chaminés.
“Um modelo da Associação Cristã da Mulher Jovem de Manchester”, disse Harvey.
“Há lá algum leão”?, perguntou Eric com esperança. Ele vinha lendo história romana e pensou que onde houvesse Cristãos você poderia esperar razoavelmente encontrar alguns leões”.
Se eu fosse o dono de uma editora, “há algum leão?” seria a pergunta eliminatória que eu faria para os escritores que submetessem seus manuscritos. Em caso negativo… Mas divago, porque tudo isso era apenas desculpa para indicar o site The Art of Manliness (via Stefan McDaniel), que trata de mordidas de cobra, caçadas, guias para dar gorjeta como um gentleman, para arrombar uma porta, há perfis periódicos (veja o com Viktor Frankl), enfim, tudo que você precisa saber para não acabar ganhando o Sissy Awards de 2008.
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“The horrors of the Gulag ought to be as well known as Auschwitz, but they aren’t.”
Data do post:
Temos na The Economist uma resenha de The Forsaken: An American Tragedy in Stalin’s Russia, escrito por Tim Tzouliadis. O livro conta a história de norte-americanos nos gulags soviéticos: alguns buscando emprego e alívio para a Grande Depressão; outros, prisioneiros de guerra da Alemanha Nazista que foram “libertados” pelos soviéticos.
Coincidência ou não, a resenha é publicada na semana da morte de Solzhenitsyn.
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Sobre Solzhenitsyn
Data do post: 5 de agosto de 2008
A essa altura, todo mundo já falou alguma coisa sobre Alexander Solzhenitsyn, morto no último domingo, aos 89 anos. Autor de Arquipélago Gulag e vencedor do Nobel de Literatura em 1970, Solzhenitsyn foi um dos grandes defensores da liberdade individual contra as ideologias totalitárias do nosso tempo.
Nesse texto, Nathaniel Peters indica um discurso proferido por ele em Harvard, propondo a recuperação das obrigações morais e da virtude pessoal como remédio contra um legalismo detestável: a idéia de que “possuímos liberdades para o Bem. Assim como os indivíduos têm direitos que os seus concidadãos precisam proteger, eles também têm obrigações para com aqueles mesmos cidadãos. Passamos tanto tempo enfatizando direitos, diz Solzhenitsyn, que negligenciamos o ensino de obrigações. A quem muito foi dado, muito será pedido”.
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Homes away from home
Data do post: 31 de julho de 2008
Esqueçam os romances de Sterne, as peças de Shakespeare, os versos de Auden ou os discursos de Churchill. Há uma verdadeira contribuição britânica para o ocidente, uma que não depende dos gostos literários de quem a usufrui: o pub.
O diário de correspondente da semana na Economist é justamente sobre essa instituição britânica, ensinando-nos sobre suas qualidades e desvantagens, histórias e tendências.
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Os economistas precisam de cérebros?
Data do post: 30 de julho de 2008
No limite, as ciências econômicas lidam com algo pequeno: a ação humana, principalmente as escolhas que fazemos em ambientes de recursos escassos (dinheiro, tempo, etc). Das simples ações dos homens a teoria econômica obtém (ou pretende obter) variáveis diversas como os preços, as taxas de juros, o PIB, a taxa de criminalidade e o tamanho das famílias.
Entretanto, entender o comportamento humano não é tarefa fácil e esse é o principal motivo pelo qual a economia buscou sempre (ou quase, como veremos) focar-se apenas nas escolhas de fato dos agentes (as ditas preferências reveladas), ao invés dos mecanismos subjacentes a essas escolhas.
Duas exceções a essa abordagem surgiram no século XX: a economia comportamental e a neuroeconomia. A primeira, dos anos 80, busca utilizar ferramentas da psicologia para elaborar modelos mais realistas do ponto de vista das ações econômicas; a segunda, surgida nos anos 90, usa a neurociência para entender o que está por trás da ação econômica. Na Economist, esse artigo detalha os meandros da neuroeconomia.
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