Relembrando Eric Rohmer
Data do post: 12 de março de 2010
Porque é bom lembrar de quem sempre foi elegante com Deus e também com os homens.
Comentários (4)
Dicta, a revista que antecipou o Oscar
Data do post: 8 de março de 2010
Onde você ouviu em primeiro lugar sobre um filme modesto sobre a Guerra do Iraque que ganhou de uma baboseira magalomaníaca? Sim, foi aqui, na Dicta. Mas temos que ser honestos e admitir que este jornalista só pegou carona com o Filipe Furtado (que anda sumido) e o Sergio Alpendre (que anda a escrever uns posts esquizofrenicos cada vez melhores).
E eu tenho certeza de que, enquanto você lê este texto, o responsável pelo marketing da Europa Filmes foi demitido por justa causa.
Comentários (3)
O fenômeno Avatar
Data do post: 5 de março de 2010
Ainda não vi Avatar, embora tenha lido tanto a respeito que sinto já conhecê-lo a fundo. Sei da história absolutamente convencional de civilizados malvados contra nativos bonzinhos, da filosofia/religião panteísta que permeia a vida mais nobre e pura dos N’avi, das caras na minha opinião muito feias, mesclas azuis de gato e homem, e que o grande atrativo são os efeitos especiais em 3D. Sei também que só conhece mesmo o filme quem o experimentou, pois Avatar é antes de tudo uma experiência sensorial, e não algo para se pensar a respeito. Os casos de “blues pós-Avatar”, espectadores que entram numa leve depressão depois de ver o filme pois o mundo real supostamente não chega aos pés da beleza de Pandora deixam-me intrigado.
Até chegar o dia fatídico, fico com a análise de James Bowman sobre o filme e o fenômeno por ele gerado.
Comentários (9)
Martin Scorsese é uma farsa?
Data do post: 22 de fevereiro de 2010
Pelo menos é o que pergunta este texto do The League of Ordinary Gentlemen. Gosto muito de seus filmes – tenho especial predileção por A Época da Inocência (1993), geralmente subestimado em relação aos já comentados Taxi Driver e Touro Indomável – mas é evidente que Scorsese perdeu um pouco a mão nos últimos anos. Agora, com o lançamento de Shutter Island, a imprensa americana, que antes o considerava como a salvação do cinema, agora resolveu fazer a campanha de difamação, própria daqueles que pensam “vamos cuspir no prato em que comemos”. Quem estava certo era William Faulkner: “Temos que tratar o mundo como se ele fosse uma mulher muito mimada – ou seja, à base de palmadas”.
Comentários (5)
A união através da realidade
Data do post: 4 de fevereiro de 2010
Realmente, só Clint Eastwood, com seu Invictus, para me fazer ir ao cinema ver um filme que romantiza a figura de Nelson Mandela, figurinha-chave nos meios socialistas fabianos e, para quem não sabe, chefe de uma organização terrorista na África do Sul na década de 60 (tudo bem, o apartheid é um “genocídio ético”, mas nunca deve se combater um mal com outro mal).
Eastwood mostra que ainda é um mestre nos cinqüenta minutos iniciais, expondo um país desconhecido a todos nós com rápidos movimentos de câmara e um senso muito peculiar da ambigüidade humana. Mandela é retratado como um grande estadista e, se a história do filme for suficientemente verídica, tenho de dar o braço a torcer e assumir que o homem fez um “milagre” – pelo menos em termos políticos.
O “milagre” em questão é unir um povo profundamente cindido entre si, prestes a entrar em uma guerra civil, através de um argumento não-ideológico. O Mandela interpretado por um Morgan Freeman com gravitas moral é um autêntico praticamente da política do ceticismo, mesmo que não saiba. Em uma cena fantástica, os revolucionários africanos querem mudar o nome do time de rugby, o hino nacional e as cores da bandeira, tudo em uma canetada só, como fazem os sovietes do PT nas Confecons da vida. Mandela é avisado da loucura e aparece de surpresa; argumenta que , se eles fizerem isso, será justamente o que a “minoria branca” espera: a cisão completa. “A reconciliação começa com o perdão”, diz ele. Uma de suas assessoras o refuta: “Mas você deve atender às exigências do povo” – e então Mandela responde que não, ele não foi eleito somente para representar o povo, mas também para liderá-lo e, muitas vezes, avisá-lo que está completamente errado.
Exceto por duas cenas realmente constrangedoras para um cineasta do calibre de Eastwood (a saber: a seqüencia da visita da favela e o momento em que o personagem de Matt Damon entrega um ingresso à empregada negra), Invictus pode ser exibido como uma bela aula de ciência política. A moral da história é seguinte: é possível unir um país sem recorrer às ideologias abstratas; basta apenas encontrar pontos em comum que unem a sociedade, interesses que mexam com as virtudes e não com as paixões baixas do ser humano. No caso, o esporte mexe com a competitividade, que pode ir para a inveja ou para a rivalidade saudável. Foi esta última que o Mandela do filme explorou; e a conseqüência prática foi simples: impediu uma guerra civil. Se isso não foi um milagre – mesmo a curto prazo – é a prova concreta de que a única forma de unir as pessoas não são com idéias rocambolescas de igualdade e sim com o respeito ao real, a única autoridade a que um verdadeiro estadista deve se submeter ao governar um país.
Comentários (5)
“Trabalho sem diversão…
Data do post: 29 de janeiro de 2010
Simplesmente, não resisti.
(Via Trabalho Sujo)
Nenhum comentário ainda. Seja o primeiro a comentar!
Novamente Eric Rohmer
Data do post: 13 de janeiro de 2010
Não posso deixar de indicar este artigo de James Bowman sobre o recém-falecido Eric Rohmer, que conta com análises de seus principais filmes.
Nenhum comentário ainda. Seja o primeiro a comentar!
Adeus, Monsieur Rohmer
Data do post: 11 de janeiro de 2010
Só uma notícia desse porte para tirar-me do meu recesso: morreu Eric Rohmer. Para quem não sabe, foi um dos gigantes do cinema. Cada filme seu é uma pérola – parábolas morais que mostravam como o homem moderno estava perdido em tentações tão sutis. Seu Ma nuit chez Maud (1968) é o filme sobre os tormentos de um jovem católico que se depara com duas mulheres lindas ao mesmo tempo; seu O Joelho de Claire (1971) transformava Lolita em um conto da carrochinha; seu O Amor à Tarde (1974) era uma meditação sobre os dois lados do adultério; e seu A Inglesa e O Duque (2002) é o melhor filme sobre a Revolução Francesa já feito.
Além disso, Rohmer era um dos meus modelos de artista, junto com Salinger, Pynchon, Dylan, Kubrick e Bresson. Sempre discreto, sempre misterioso, recusava-se a falar com jornalistas exceto quando algum parecia emitir alguma luz – o que era sempre díficil. Aliás, Rohmer não era Rohmer: chamava-se Maurice Schrerer e, como se não bastasse, é autor de um livro sublime sobre o estilo musical de Mozart e Beethoven.
Que descanse em paz.
Comentários (3)
O Vício da Guerra
Data do post: 1 de dezembro de 2009

O que mais impressiona em The Hurt Locker (no Brasil foi traduzido como Guerra ao Terror, um título para espantar qualquer um) é o modo como a diretora Kathryn Bigelow escolhe apenas mostrar uma situação extremamente perigosa, e evita qualquer comentário ideológico. No caso, a situação é a seguinte: o filme acompanha os últimos 38 dias de uma unidade de desarmamento de bombas que tem de atuar no Iraque. Todo dia esses sujeitos têm de matar um leão – e ninguém sabe se vão escapar ilesos.
Bigelow é uma mulher, mas poderia ser considerada um Howard Hawks de saias. Os integrantes da unidade têm conflitos entre si e são liderados por um capitão – uma interpretação soberba de Jeremy Dennmer – que certamente tem um parafuso a menos na cabeça. Contudo, o espectador descobre que o que falta de razão sobra em sentido para esses soldados. Para eles, a guerra não é apenas um vício – é a força que dá sentido às suas vidas.
Outro detalhe que The Hurt Locker mostra com precisão é a inventividade do terror. Os soldados americanos são impotentes perante as mais diferentes formas com as quais os terroristas conseguem cumprir os seus propósitos – do uso de bombas até a manipulação de inocentes. Bigelow deixa claro que esta é uma guerra que já está perdida, já que o Exército não consegue impedir a malícia mutante da maldade. O climáx do filme, durante o qual tentam salvar um iraquiano que desistiu na última hora de ser um homem-bomba, é desalentador e me fez lembrar os momentos finais de Full Metal Jacket, de Stanley Kubrick, cujo comentário sobre a guerra do Vietnã era igualmente pessimista.
Assim, quando o espectador vê os dez minutos finais, que se passam fora do local do combate e apresentam uma possibilidade de vida normal que será descartada dentro de instantes, podemos achar que se trata de uma loucura. Mas Kathryn Bigelow mostra justamente o contrário: ao vermos o soldado indo de encontro ao seu provável fim, sabemos ao mesmo tempo que ele alcança, naquele momento, a vida justa que Rilke sempre pediu em um de seus versos – a vida justa que se consegue somente com uma morte justa.
Comentários (8)
O mediador entre a cabeça e as mãos (o coração)
Data do post: 22 de novembro de 2009
Uma dica difícil e ao mesmo tempo muito boa sobre cinema é o livro do crítico hispano-germânico – que tive a sorte de conhecer e com quem muito conversei – José Garcia, “Die Himmel über Hollywood – Was grösse Filme über den Menschen sagen” (O Céu sobre Hollywood – O que os grandes filmes falam sobre os homens), publicado em 2008. A dica é difícil porque não sei se o livro foi traduzido para o inglês – e boa porque vai na contracorrente de um modo cool, sem criar polêmicas desnecessárias.
Nele Garcia discute, além de muitas outras coisas, uma questão que me tem intrigado: por que filmes simples, discretamente bem feitos, que tratam de temas importantes, mas sem chamar a atenção com cenas brutais ou carregadas de apelos aos sentidos, *vendem mais* do que aqueles feitos para vender, poderosamente dotados dos elementos mencionados? É uma questão a ser considerada.
Wim Wenders, com seu humor habitual, declarava à imprensa: I’m not much into sex & violence; I prefer sax and violins… O bom cinema, a mio modesto parere – e com isso apenas repito o que ouvi - não deve buscar o impacto, o mero efeito bombástico sobre o expectador, mas concentrar-se no ‘artesanal’ (craftmanship, savoir-faire), no fazer bem. Para tomar um exemplo extremo, não era muito diferente a idéia de Fritz Lang em um filme com um forte apelo vanguardista: Metropolis (1927), que foi realizado com uma arte quase insuperável – não em termos tecnológicos, mas em esforço e exatidão – e que traz o mote que usamos de título.
Não é diferente a opinião de Fellini; apesar do experimentalismo, ele procurava esconder a sua arte, produzindo aquela simplicidade difícil dos bons filmes (a tríade La dolce vita, E la nave va e Le notti di Cabiria). Esse ocultamento é que tem levado os críticos de cinema à loucura – no bom sentido.
Comentários (1)
Posts Antigos »






