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O drama das idéias

Filed under: Literatura incluído por Martim Vasques da Cunha
Data do post: 10 de março de 2010

Um romance não é apenas uma boa história – é também sobre uma idéia que nos perturba há muito tempo. Logo o catalogam de “romances de idéias”, mas é uma das coisas mais difíceis de serem feitas. Até mesmo Otto Maria Carpeaux, esse gigante que usava o papel de jornal para lançar seus pensamentos, não gostava muito do gênero – e, uma vez, atacou Thomas Mann justamente por isso, alegando que ele escrevia mais um ensaio do que propriamente um drama.

Rebecca Goldenstein, autora de um romance razoável sobre Kurt Gödel (Incompletude), discordaria disso. Em uma seleção de cinco melhores livros de idéias para o Wall Street Journal, apresentou uma lista impecável, que chega ao topo com um dos meus romances favoritos: Herzog, de Saul Bellow. Mas sobra espaço para o próprio Thomas Mann (que comparece com uma pérola que poucos conhecem, O Eleito), George Eliot e até mesmo a minha querida Iris Murdoch; talvez para a lista ficar verdadeiramente perfeita, eu acrescentaria O homem sem qualidades, de Robert Musil, Os sonâmbulos, de Hermann Broch, e qualquer romance de Dostoievski, seja os de menor ou de maior fôlego (respectivamente, Memórias do Subsolo e Os Demônios).

Tudo isso para fazer a seguinte pergunta: será que a literatura brasileira já fez algo parecido no gênero ou ela também sofre de esterilidade até mesmo nesse formato? Eis um drama para as gerações futuras pensarem.


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