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Um dia a casa cai…

Arquivado em: Do lado de lá incluído por Martim Vasques da Cunha
Data do post: 23 de abril de 2009

Esta foi uma semana de eventos interessantes: além da morte de J.G. Ballard (nunca dei bola para a obra dele, mas David Cronenberg fez um belo filme com seu mediano Crash (1998) e Theodore Dalrymple escreveu um excelente obituário que serve como introdução aos seus livros) e do aparecimento de Susan Boyle (na verdade, uma voz um pouco melhor do que o habitual e a prova definitiva que estamos a viver naquilo que Ortega y Gasset chamava de a ascensão do homem-massa), tivemos a resolução do maior mistério da Internet dos últimos dez anos. Finalmente, soubemos quem é Spengler.

Vocês devem se lembrar que já recomendei Spengler aos leitores da Dicta. Foi uma dica do poeta e tradutor Nelson Ascher, meu oráculo para política internacional. Ao ler os artigos anteriores de Spengler queria saber quem era o homem. Rumores na blogsfera diziam que ele era um ex-assessor de Lyndon LaRouche, que tinha trabalhado no governo Reagan, que era um aficionado pela obra filosófica de Franz Rosenzweig, que tinha sido um empresário de sucesso em Wall Street e que o motivo de seu “pseudônimo” (uma paródia ao autor de O Declínio do Ocidente) era porque ele tinha se convertido definitivamente ao judaísmo e que sabia que a única solução para a crise do mundo contemporâneo era a união entre a Sinagoga e a Igreja.

Bem, os rumores estavam certos. Foi divulgado que Spengler é, de fato, David P. Goldman, que admitiu ser tudo aquilo sobre o qual falaram, menos o de ter sido assessor de Lyndon LaRouche (e convenhamos que muito do que Spengler escreve vai contra os princípios ocultos de LaRouche, um anti-semita enrustido). O interessante é a razão de seu “desmascaramento”. A convite de Joseph Bottum, editor-chefe da First Things depois da morte de seu fundador, Richard John Neuhaus, Goldman tornou-se o editor associado da revista, ocupando o posto que foi o de Bottum. Qualquer pessoa bem informada sabe o que isso significa: que Spengler – ou David P. Goldman, como agora podemos chamá-lo – saiu de seu modesto púlpito do jornal Asia Times para ser alçado como uma das maiores mentes do pensamento sadio na América. Com sua “promoção”, Goldman fica lado a lado de gigantes como o próprio Bottum (que já está velhinho, com quase 70 anos), Roger Scruton e Roger Kimball.

E que nenhum engraçadinho venha me dizer que só citei pensadores ditos “conservadores”. A prova disso é justamente o artigo de estréia que Goldman escreveu para a First ThingsDemographics and Depression. Ele faz uma crítica arrasadora do conservadorismo americano, ao afirmar que a guerra cultural foi perdida porque os políticos conservadores se empolgaram no aumento de riqueza que o governo Reagan teria dado à população norte-americana. E a perda nessa guerra influenciou no fator principal da atual crise supostamente econômica: o de que os americanos não sabem mais o que é uma família e se recusam a formar uma, preferindo viver como casais solteiros ou, pior, disfuncionais. As conseqüências dessa nova visão-de-mundo são simples e atuam no médio e no longo prazo: um país começa a envelhecer rapidamente e não tem mais pessoas jovens para assumirem riscos e desafios, pois escolhem uma vida de aposentadoria precoce e de dependência estatal (e, se você viu semelhanças com a nossa pátria amada, be scared, be really scared). O resultado disso é nada mais nada menos que a pobreza econômica e moral de uma nação.

O artigo é ainda mais perturbador porque, como é de hábito nos escritos de Goldman quando era Spengler, se houver alguma mudança, ela não surgirá de nenhum plano de governo, mas sim de uma atitude existencial do ser humano ao se confrontar com o seu problema básico: o da morte e o da sua sobrevivência para a permanência da raça humana.

E como isso não se dá apenas através dos meios naturais e humanos e sim através de algo que está fora do nosso controle, sinto e lamento em informá-los que, do jeito que as coisas estão, concordo com Goldman-Spengler: um dia a casa cai…

P.S. A First Things anunciou hoje que Spengler terá um blog em sua distinta casa. Começou bem: seu primeiro post é sobre as relações tumultuadas entre a Igreja Cristã e Israel. Ah, sim, isso sim é um assunto importante para ser discutido – não a tal da Susan Boyle. O que me faz pensar o seguinte: Será que toda essa comoção aconteceria se Boyle fosse bonita?


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Para a vossa edificação…

Arquivado em: Do lado de lá incluído por Martim Vasques da Cunha
Data do post: 10 de março de 2009

… mais dicas do mundo maravilhoso da Internet para os caros leitores que desejam sair de suas pequenas vidas e perceber o enrosco em que se meteram – esse período peculiar que chamamos de “mundo contemporâneo”. Eis aqui algumas delas:

- Novamente, por indicação do poeta e tradutor Nelson Ascher, leio com afinco o blog de Richard Landes, The Augean Stables. Especialista em movimentos revolucionários e mileniaristas, Landes é um dos poucos scholars que resolvem aplicar o seu saber no confronto do debate público – e geralmente vence porque tem os bons argumentos (e, claro, a verdade, essa enjeitada) ao seu lado. Mas um dos exemplos mais bizarros de seu comportamento é o comentário que ele fez a um texto de Roger Scruton, Islam and the West: Lines and Demarcation. Ficamos na dúvida sobre quem está certo, se Landes ou Scruton, tamanha a imponência deste duelo de titãs. Raramente vemos dois sujeitos que pensam a mesma coisa sobre o mesmo problema (no caso, o Jihadismo que ataca o Ocidente), mas que discordam de maneira tão contundente. Da minha parte, há momentos em que Landes acerta e há momentos em que tendo a concordar com Scruton, por um único motivo - Landes não tem uma percepção correta do que foi o Cristianismo. Para ele, a religião surgida com a vinda de Cristo é um anúncio do Fim do Mundo, equivalente a outras seitas mileniaristas que ocorreram na época ou que surgiriam depois. Fazer essa equivalência é a mesma coisa que igualar Cristo a um dos inúmeros “falsos messias” que circulavam pela Judéia. Landes critica Scruton por ser uma espécie de “apologeta” cristão, enquanto o seu trabalho seria mais “científico”. Não sei de nada, mas minha simpatia – algo nada científico, sei bem - vai para Scruton. Em todo caso, leiam o texto e tirem suas próprias conclusões.

- Leiam também o depoimento que conta o que a imprensa jamais informará sobre o caso do aborto em Alagoinha (dêem graças ao Pedro Sette Câmara por esse serviço de utilidade geral).

- E vamos ver os doze passos que Tio Roger coligiu para aprendermos como destruir a economia dos Estados Unidos, uma cortesia do sr. Barack (HUSSEIN) Obama.


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Quer entender a crise? Estude Thomas Hobbes.

Arquivado em: Geral incluído por dicta
Data do post: 27 de fevereiro de 2009

Esta é a pergunta do momento, sem dúvida: Como compreender a crise atual? Nos jornais, nas revistas e em programas de televisão todos buscam uma análise confiável da situação; lemos com atenção na internet qualquer texto que nos dê uma informação mais privilegiada; esperamos que o governo crie uma solução adequada ao problema. Mas nada acontece. Talvez a compreensão da época em que nos encontramos esteja em um livro escrito no século XVII, enquanto o seu autor vivia um dos períodos mais conturbados da Europa: o Leviatã, de Thomas Hobbes.

Neste clássico da filosofia política, percebemos uma reflexão minuciosa de uma sociedade em crise e a busca de um fim para os problemas. Será que um livro de tempos passados pode nos ajudar a entender o que ocorre em nossos tempos repletos de progresso, globalização econômica e tecnologia avançada?

Para chegarmos a qualquer resposta, temos de enfrentar as páginas deste livro e ver se, antes de tudo, as suas conclusões correspondem aos nossos verdadeiros anseios de ordem e de paz.

Por isso, o IICS  (Instituto Internacional de Ciências Sociais) montou um seminário especial sobre o tratado de Thomas Hobbes.

Chama-se Anatomia da Crise: O Leviatã e o mundo atual. Seu início será no dia 25 de março.

Serão 12 aulas semanais de leituras sistemáticas a partir do próprio texto e relacionando-o com eventos atuais e históricos, sempre acompanhados por um tutor que orientará o aluno em suas dúvidas e inquietações.

As aulas estão estruturadas da seguinte forma:

1a. Parte: A Crise do Homem

a. Contexto histórico e biográfico de Thomas Hobbes; a teoria do conhecimento de Hobbes

b. A Natureza Humana segundo Hobbes

c. O medo da morte violenta

d. A análise de Hobbes da loucura e do orgulho

2a. Parte: A Crise da Sociedade

a.O contrato social segundo Hobbes

b. A soberania segundo Hobbes (I)

c. A soberania segundo Hobbes (II)

d. A relação entre súdito e soberano

3a. Parte: A Crise do Governo

a. A justificativa da soberania total

b. A leitura da Bíblia segundo Hobbes

c. O problema do Mal segundo Hobbes

d. A obediência completa

4a. Parte: A Crise da Religião

a. A religião segundo Hobbes

b. Hobbes contra a tradição ocidental

c. Hobbes confronta as igrejas

d. As religiões políticas

Quando? Sempre às quartas-feiras, do dia 25/03 até o dia 17/06, das 19h30 às 22hs.

Preço: 10x de R$ 180,00

Processo Seletivo: Será realizado pelo coordenador geral do departamento de Humanidades através do preenchimento da ficha de avaliação e de uma entrevista.

As vagas são limitadas.

Mais informaçoes? Veja aqui.

Faça suas inscrições também aqui.


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O Dr. Hoppe viu o futuro, m´er irmão…

Arquivado em: Do lado de lá incluído por Martim Vasques da Cunha
Data do post: 10 de outubro de 2008

… e ele é o início do Estado Total. Leiam o seguinte trecho de Hans Hermann-Hoppe e fiquem assustados, muito assustados:

“With the European calculational chaos solved, then [by the creation of the ECU/Euro], and in particular with the European hard currency countries neutralized and weakened within a cartel that by its very nature favors more against less inflationary countries so as to protect and prolong U.S. hegemony over Europe, little indeed would remain to be done. With essentially only three central banks and currencies and U.S. dominance over Europe and Japan, the most likely candidates to be chosen as a U.S-dominated World Central Bank are the IMF [International Monetary Fund] or the BIS [Bank for International Settlement]; and under its aegis then, initially defined as a basket of the dollar, the ECU, and the yen, the “phoenix” (or whatever else its name may be) will rise as a one-world paper currency–unless, that is, public opinion as the only constraint on government growth undergoes a substantial change and the public begins to understand the lesson explained in this book: that economic rationality as well as justice and morality demand a worldwide gold standard and free, 100-percent reserve banking as well as free markets worldwide; and that world government, a world central bank and a world paper currency–contrary to the deceptive impression of representing universal values–actually means the universalization and intensification of exploitation, counterfeiting-fraud and economic destruction”.

E depois leiam no Tio Roger sobre quais visões das Américas estão em disputa na eleição Barack Hussein Obama X John McCain.

Homens do mercado e da política: tenham um ótimo final de semana e abracem o caos.

Como diria algum pensador chinês (creio que Confúcio): “Vivemos tempos interessantes”.


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