Michael Jackson, drogas e o sentido da vida

“Toda unanimidade é burra.”

Apesar de nunca ter encontrado alguém que discordasse da afirmação, eu também fico extremamente incomodado quando todo mundo parece estar falando a mesma coisa. E a bola da vez, como não poderia deixar de ser, é o Michael Jackson.

É claro que, como todo mundo, eu também virei fã do Rei do Pop na última semana, eu também ressuscitei os discos empoeirados e esquecidos no fundo do armário, eu também tomei banho cantando Billie Jean e precisarei me controlar para não ficar emocionado com o funeral. Mas, vocês hão de convir, existe algo de errado em transformar aquela aberração em modelo para os nossos filhos.

Se eu não estou totalmente errado, vale a pena ler o que o Dr. Theodore Dalrymple escreveu sobre o assunto na FrontPage de ontem:

Michael Jackson is interesting to me in the way that a circus freak is interesting to me: that is to say, a certain morbid fascination attaches to him. By the end of his life, I confess that he put me in mind of those bottles in pathological museums containing six-legged lambs and babies with two heads. He was a monster, in the Eighteenth Century sense of the term, even if his monstrosity was the product of society and culture rather than of nature.”

[…]

Trained to perform from a very early age, he lived and breathed and took his being from extreme vulgarity and bad taste. His life was Las Vegas made biography. I have nothing against Las Vegas, but it is for excursions, not the whole of existence.”

Como médico que é, o texto vai além da simples monstruosidade de Micheal Jackson e aborda as questões éticas na relação entre ele e os seus médicos: afinal, até que ponto um médico deve fazer as vontades do seu paciente? Em que momento ele deve falar “não” a certos pedidos esdrúxulos e simplesmente recusar um “tratamento” claramente desnecessário?

O que me leva a outra questão, levantada pelo mesmo Dalrymple. Sempre tive um desconforto com a maneira  com que habitualmente olhamos os drogados, tratando-os como vítimas de uma doença gravíssima. Na minha irrelevante experiência, sempre me pareceu que há uma inversão no que é normalmente aceito: não é a droga que leva alguém para o “mau caminho” (como as vovós gostam de dizer…), mas o mau caminho que leva às drogas e, normalmente, esse caminho foi escolhido por alguém que poderia muito bem ter ido para outro lado.

Por isso, foi uma enorme surpresa encontrar este livro, Romancing Opiates, no qual Dalrymple – falando com a experiência de quem tratou milhares de casos semelhantes – diz simplesmente que não há viciados em heroína, pelo menos do jeito que estamos acostumados a pensar. Diz ele que, do ponto de vista médico, um viciado em heroína que tente se livrar da droga não terá problemas maiores do que se tivesse com uma gripe forte.

Sim, eu também achei difícil de acreditar quando ouvi, mas a argumentação é muito convincente. Como é também interessante a apresentação do livro que ele fez em NY em 2006.

O vídeo, longo!, está aí embaixo. Antes, porém, preciso revelar o real motivo deste post. Na verdade não dou a mínima ao Micheal Jackson, nunca cantei Billie Jean e nem conheci nenhum drogado. Mas depois de assistir a esse vídeo, descobri o sentido da minha vida: quando eu crescer quero ser igual ao Myron Magnet. Ele é o editor do City Journal que faz a introdução do vídeo: isso sim é um editor que se preze!

Aviso às navegantes que já comprei outro óculos para usar em cima da cabeça e já estou deixando a barba como a dele; quanto à careca e à barriga… bem, essas vou deixar por conta da Mãe Natureza…

Parte 2-

Parte 3-

Parte 4-

Parte 5 –

Parte 6-

8 comentários em “Michael Jackson, drogas e o sentido da vida

  1. Olá.
    Gostaria de relativizar um pouco a posição sobre o vício em drogas pesadas não ser uma doença. Os argumentos de que é somente uma questão de escolha entrar ou não no mundo das drogas está ok, claro. Mas, uma vez “lá dentro”, sair já não é tão fácil quanto entrar. Conheço um viciado e, sem redimi-lo de toda a culpa pela própria situação, ele necessita da substância, pois é algo químico que já foge de seu controle. É isso. Grande abraço e parabéns pela publicação!

  2. pepe,

    Se fosse para entrar numa discussão, antes de mais nada precisaríamos ter bem claro o que nós dois entendemos por “doença”. Mas eu acho que não é necessário. É claro que a discussão sobre vício é muito mais complexa do que a minha abordagem nesse texto pode fazer supor. Seria um erro tentar minimizar o problema da droga, tanto do ponto de vista social quanto de cada uma das pessoas envolvidas. E, sem dúvida, quase sempre quem vai para esse caminho precisa de ajuda ( psicológica ou farmacológica ou os dois). O meu ponto é: inverter as culpas só piora o problema.

    (E veja, a discussão pode ir longe. Pense no caso das crianças drogadas: alguém seria capaz de dizer que um menino de 6 anos é viciado em crack porque “fez um escolha”? É claro que não – mas alguém fez essa escolha por ele! O meu medo é que cada vez mais passa-se a culpar “a droga”, como se a pedra de crack assumisse uma existência metafísica com o poder de destruir a sociedade. Eu desconfio que a solução passa bem longe daí.)

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  5. Vc tem predisposição para ser drogado. Aceitou a opinião do cara sem saber se oq ele diz é real, somente achou bom. Como quem se droga: alguém diz q vai fazer bem, vc experimenta, acha bom e não quer largar mais. No caso d MJJ, o cara se queimou duas vezes, quebrou o nariz, cantava desde criança, pulou todo o desenvolvimento normal do ser humano, tinha lupus e vitiligo. O cara estava doente, lupus não tem cura, a evolução é a MORTE. Pesquise, muitos doentes necessitam d drogas potentes para suportar a dor q ela provoca. Pare d se drogar com noticiais sem fundamento. Revistas querem vender aquilo q o ser humano + gosta: mentira, o mal.

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