Em defesa da aventura
Data do post: 16 de julho de 2009
Nessa semana, o texto da Dicta 3 a ser publicado é Em defesa da Aventura: de Homero a Conrad. Semana que vem tem mais. Aliás, alguma sugestão?
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Em defesa da aventura: de Homero a Conrad
por Rodrigo Duarte Garcia
Em 1961, dois anos antes de morrer, o escritor irlandês C.S. Lewis publicou o pequeno ensaio An Experiment in Criticism, propondo uma experiência simples – mas muito interessante – de crítica literária: julgar os livros não apenas por si mesmos, mas especialmente pelo tipo de leitura que poderiam proporcionar. A idéia era transferir a atenção isolada da obra e examinar as qualidades e defeitos que fazem um bom ou mau leitor. Naturalmente, as investigações não pretendiam ter o caráter de um método científico rigoroso ou qualquer coisa aborrecida do gênero, mas apenas mostrar que, se a apreciação estética é uma experiência individual, os livros podem e devem ser julgados pela leitura que deles fazem os melhores leitores. Bem, no final das contas, é exatamente por essa razão que você lê com interesse os comentários de Nabokov sobre Jane Austen, mas não perderia um minuto com o que a sua tia – fã incondicional de Danielle Steel e de livros de auto-ajuda – teria a dizer sobre Mansfield Park.
Comentários (5)
5 Comentários »
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O do Alexandre Soares Silva, s’il vous plaît!
Comentário por Marcos — 16 de julho de 2009 @ 1:12 am
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Da Folha de hoje:
“Os piratas avançam”
“Se tivesse como comprar, não baixaria”, diz usuário
“Autores lamentam casos, mas não veem solução”“Jovens criam controvérsia com revista”
Estão em boa companhia, hein amiguinhos?
Comentário por Bruno — 16 de julho de 2009 @ 4:24 am
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Excelente texto, mas queria chamar a atenção aqui para uma entrevista do poeta Carlos Drummond de Andrade que Reinaldo Azevedo mencionou em seu blog hoje (http://www.geracaobooks.com.br/literatura/texto2.php). Impressionou-me, além da extrema sinceridade, uma certa calma amargura e ceticismo do mesmo. Deu a entrevista no ano em que morreu e percebo que ela é o exato oposto da entrevista de Tolentino que mesmo, à beira da morte, parecia alegre e esperançoso. Destaco alguns trechos:
“O senhor acredita em Deus?
Drummond – Não.
Só isso? Não?!
Drummond – Sou rigorosamente agnóstico. Uma pessoa que não pode afirmar a inexistência de Deus, da mesma maneira que não pode afirmar a existência. Não tenho, na minha capacidade intelectual. condições para afirmar que Deus existe. E, a não ser os teólogos. duvido que alguém mais tenha capacidade para isso. Mas eu passo muito bem sem Deus. Não me dá remorso e foi uma conquista da minha vida. à qual agradeço em parte aos meus queridos jesuítas. Porque eles é que começaram a fazer desabar em mim a idéia de Deus como um Todo-Poderoso que regula a vida e a morte das pessoas. Mas respeito profundamente qualquer forma de religião
O senhor é feliz?
Drummond – Não sei. Não sei. Eu não sei o que é ser feliz. Eu vivo, e vivo em paz com meus semelhantes.
O que é a esperança, para o senhor?
Drummond – Um fio muito fino,ao qual eu meu agarro para não morrer desesperado
O que o senhor acha do suicídio?
Drummond – Uma solução heróica. De uma grandeza moral enorme. A não ser, claro, quando o suicida é doente, que se mata porque está privado do raciocínio. ”
E por fim, a mais hilária das respostas:
“Bem, acho que estamos no fim. O senhor quer dizer mais alguma coisa?
Drummond – Eu não. Não quero dizer nada. Você me arrancou uma porção de coisas que eu não devia dizer. Por minha iniciativa, eu não digo nada a ninguém, sabe? “
Comentário por Vinícius de Oliveira — 16 de julho de 2009 @ 9:21 pm
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è otimo ver gente como voces remamando contra a mare do engajamento ideologico militante que reina na America Latina.
Contra opinioes originais e qualidade estetica como a da revista nao ha ” Politicamente correto” que possa.
O resto e choradeira.
Comentário por jiimy Avila — 17 de julho de 2009 @ 1:45 am
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Esse texto de Rodrigo Duarte é bom. Depois dele o cara lê O Conde de Monte Cristo sem achar que tá perdendo tempo.
Os inteligentes e brilhantes sempre dizem que o Conde é um livro mal escrito.
Mas é uma ótima aventura.
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Gostaria de ver aqui o excelente ensaio do João Pereira Coutinho. Pro meu gosto o que de melhor saiu na revista até agora.
Comentário por Carlos Eduardo — 17 de julho de 2009 @ 2:54 pm





